“Você é o que você assiste” – diz estudo

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Acabei de ler esta notícia, e como ela tem muito a ver com o outro post que escrevi aqui essa semana, sobre “Pessoas infelizes assistem mais TV“, resolvi fazer mais um pequeno comentário sobre o assunto.

O estudo em questão aqui concluiu que adolescentes com maior exposição a mídias violentas, tendem a apresentar comportamento agressivo/violento. Claro que o estudo é ainda preliminar, há muito ainda a ser pesquisado. Mas a história de que filmes, seriados e principalmente videogames violentos podem influenciar de alguma maneira um jovem a ser violento sempre me intrigou. Na verdade, acredito que o maior problema das mídias violentas não é o tornar alguém agressivo, mas o tornar alguém INSENSÍVEL aos efeitos da agressão e da violência. Pois agressão e violência são coisas que existem na Natureza – veja por exemplo os documentários do Discovery Channel, Animal Planet ou NatGeo sobre “África Selvagem”, “Grandes Predadores” e filmagens do tipo. É chocante. E não estou falando da maneira como os carnívoros caçam para se alimentar, mas das disputas entre machos por fêmeas, disputas por territórios etc. Entre os cães por exemplo, existem “assassinatos” (mortes sem motivo algum, como acontece entre os humanos). E acredito que o verdadeiro problema não é exatamente a violência (que dentro de certos limites é algo natural), o problema mesmo é o fato de que as gerações mais novas estão cada vez mais “acostumadas” com brutalidades e agressões cruéis, a ponto de isso se tornar quase “normal”. Vide o sucesso de franquias como “Jogos Mortais” (entre outras que tentam surfar a mesma onda de sucesso). A campanha de marketing de um dos últimos filmes lançados dessa série foi colocar bolsas de sangue do ator principal espalhadas em outdoors nos EUA. Acho que nem preciso dizer o quanto isso é pertubador e doentio, certo? E pensar que o filme “O Exorcista” chocou alguém nos anos 70…

Os videogames também podem ser incrivelmente pertubadores. E o problema é o mesmo. Não é o videogame que vai te deixar violento. O problema é que o videogame, (dependendo dos jogos que a pessoa joga com mais freqüência, é claro) também pode treinar uma pessoa a ficar insensível aos efeitos da violência. Isso se vê claramente com a “evolução” no sensacionalismo da mídia televisiva. Em alguns países (e o Brasil já está quase chegando lá) uma reportagem de TV sobre um assassinato, espancamento ou suicídio não poupa esforços para mostrar aos telespectadores cada quadro da tragédia. Alguns repórteres chegam ao absurdo de tentar levantar o lençol que cobre um corpo, tudo para aumentar a audiência. E essa audiência está cada vez mais “exigente”, no que diz respeito aos detalhes das tragédias.

Acredito que só há uma possibilidade real de um filme, videogame, seriado ou o que for, influenciar um tipo de comportamento agressivo numa criança ou jovem, quando já existir uma “semente” de violência dentro desta criança ou jovem (seja por motivos emocionais, psicológicos ou psicopatológicos). Na verdade, alguns filmes e videogames são verdadeiras “escolas” para pessoas com algum tipo de perturbação emocional/psicológica. Uma pessoa potencialmente perigosa tem muito a aprender assistindo “Jogos Mortais” ou jogando “GTA”. Mas não acredito que alguém se torne um assassino ou uma pessoa violenta só por isso. O filme ou o jogo podem até serem as “musas inspiradoras”, mas a responsabilidade dos próprios atos, a escolha de agir de uma maneira e não de outra, continua sendo do próprio indivíduo (falo no sentido de um indivíduo considerado mental e emocionalmente “são”).

Vamos ao estudo:

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Da BBC Brasil

Um estudo em grande escala mostrou vínculos claros entre violência na mídia e violência real entre adolescentes. O trabalho, de pesquisadores da Rutgers University, em Newark, nos Estados Unidos, concluiu que “você é o que você assiste”, pelo menos quando se trata da população jovem.

A pesquisa, que será publicada na edição de fevereiro de 2009 da revista científica Journal of Youth and Adolescence, mostra que mesmo levando-se outros fatores em consideração – como talento acadêmico, exposição à violência na comunidade ou problemas emocionais – a “preferência por mídia violenta na infância e adolescência contribuiu significativamente para a previsão de violência e agressão em geral” nos participantes do estudo.

A relação entre violência na mídia e comportamento violento tem sido reconhecida por especialistas nos últimos 40 anos.

Entretanto, grande parte das pesquisas sobre o assunto foi feita em laboratório, com pouca ênfase na documentação de vínculos entre a violência na mídia e a prática de atos sérios de violência ou de comportamento anti-social na vida real, diz o pesquisador Paul Boxer, responsável pelo estudo.

Outro problema dos estudos anteriores, segundo Boxer, é que eles não levaram em conta outros fatores que influenciam o comportamento das crianças, como a exposição a comportamento violento ou agressivo na escola, tendências psicopatas ou outros problemas emocionais.

“Mesmo em conjunção com outros fatores, nossa pesquisa mostra que violência na mídia reforça o comportamento violento”, disse.

“Na média, adolescentes que não foram expostos à violência na mídia não são tão inclinados ao comportamento violento”.

Estudo

Como parte do estudo, Boxer e sua equipe entrevistaram detalhadamente 820 adolescentes do Estado americano de Michigan. Destes, 430 eram alunos do ensino médio de comunidades rurais, suburbanas e urbanas. Outros 390 eram delinqüentes juvenis detidos em instituições municipais e estaduais.

Os adolescentes estavam distribuídos de forma equilibrada entre os sexos masculino e feminino.

Pais ou guardiões de 720 deles também foram entrevistados, assim como os professores ou funcionários que lidavam com 717 dos jovens.

Cada participante disse quais eram seus programas favoritos de TV, filmes e jogos de vídeo ou computador durante a infância e a adolescência.

Eles também foram indagados se haviam se comportado de forma anti-social, por exemplo, jogando pedras ou usando armas.

Os pesquisadores investigaram ainda a exposição dos jovens a agressão ou violência, assim como problemas emocionais. Pais, guardiões e professores também foram entrevistados sobre o comportamento que haviam observado nos jovens.

Depois de coletar e analisar os dados, os pesquisadores concluíram que índices altos de exposição a programas violentos “aumentava significativamente a possibilidade de prever tanto violência como agressão em geral”.

Além disso, “mesmo aqueles que tinham baixos índices em outros fatores de risco, a preferência pela mídia violenta era uma indicação de comportamento violento e agressão em geral”.

Boxer acredita que os resultados do estudo podem ser usados para avaliar, intervir e tratar jovens que demonstram comportamento agressivo. E diz que mais pesquisa é necessária, como analisar o impacto no comportamento quando videogames interativos violentos são banidos.

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Um Comentário para "“Você é o que você assiste” – diz estudo"

  • José Carlos dos SantosNo Gravatar Says:

    Somente agora fui “apresentado” ao Inconsciente Coletivo. E, claro, já estou plenamente envolvido. Gostaria de acrescentar que a mídia jornalística tem um papel crucial na forma como veicula e explora as notícias. E contribui sobremaneira para esse “acostumar” com violência a forma como pautam o noticiário. Exemplo, ao final de alguma reportagem falando de violência, ou o que gera ela (corrupção, não educação, etc.) ao invés de ao menos se fazer uma reflexão imparcial sobre o acontecido, é comum vermos os apresentadores abrirem aquele sorriso pra falar, por exemplo, do futebol. Ou mesmo sobre o tempo, com um “lindo fim de semana com sol”… Aí, tome banalização da violência. Retornarei no futuro para analisar mais profundamente. Grato pelas postagens.

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