“Uma idéia que não é perigosa não é digna de ser chamada de idéia.”

Oscar Wilde

No top de hoje, uma lista bem legal de livros que já foram banidos (traduzida e adaptada do site ListVerse por mim); seja por religiosos, seja por políticos ou ideologias, seja por uma época. É interessante notar que normalmente os livros que são banidos ou censurados acabam fazendo mais sucesso, em alguns casos até se tornando “cult”, do que fariam se não tivessem sido proibidos… Acho que é redundante dizer que cada livro dessa lista é altamente recomendável!

Nos EUA, a American Library Association, ALA, (ou Associação das Bibliotecas Americanas) comemora todo o ano, na chamada “Banned Books Week” (“Semana dos Livros Banidos” – nós definitivamente precisamos de uma semana assim no Brasil! 😉 ) a democracia da leitura, entre Setembro e Outubro. A desse ano ocorreu do dia 27 de setembro à 4 de outubro, e a de 2009 está prevista para acontecer do dia 26 de setembro à 3 de outubro. Nesta semana comemoram a liberdade não só de se expressar uma opinião/idéia por meio de um livro, mas também a liberdade de se poder escolher o que quiser ler.

Para saber mais sobre esta semana tão especial, clique aqui (o link é do site, em Inglês).

Outro site americano sobre o assunto, o “The Forbidden Library” (A Biblioteca Proibida), traz uma lista completa dos livros proibidos e banidos ao longo dos tempos, com comentários à respeito dos “motivos” pelo qual foram banidos… Muito engraçado é ver que o livro “Onde está o Wally?” também está na lista, tudo porque, em 1993, uma escola americana encontrou em uma das páginas, uma mulher de biquíni fazendo topless…  Pois é, mas será que eles encontraram o Wally??? Veja a imagem da mulher que causou o banimento:

err... que perigo uma criança ver isso...

err... que perigo uma criança ver isso...é uma quase possibilidade de se ver um seio de perfil e de longe...

E agora vamos ao Top 15 dos Clássicos Literários Banidos:

15 – The Crucible (ou como foi traduzido para o português: “As Feiticeiras de Salém” – ou “Bruxas de Salém”) – Arthur Miller

The Crucible é uma peça de 1952, de Arthur Miller. Baseado nos eventos ocorridos em 1691 nos julgamentos das bruxas de Salém, Massachusetts, Miller usou estes eventos como alegoria para o macarthismo* (*prática de acusação de cidadãos de serem comunistas ou desleais sem provas concretas) e para o “Red Scare” (Medo Vermelho), que foi um período de tempo em que os americanos estiveram com medo do comunismo e o governo colocava na “lista negra” os comunistas acusados. O Red Scare ocorreu nos Estados Unidos nos anos 1950. O próprio Miller foi questionado por um comitê investigativo em 1956.

14 –Ardil 22 (Catch-22)

Este romance fala do capitão John Yossarian, um piloto americano de um esquadrão de bombardeiros, e de uma série de outros personagens. A maioria dos eventos ocorrem enquanto os pilotos do Esquadrão de Guerra 256 estão estabelecidos na Ilha de Pianosa, oeste da Itália. Vários eventos do livro são descritos de diferentes pontos de vista, assim o leitor aprende mais sobre o evento a partir de cada iteração. A narrativa também descreve eventos fora de seqüência, e além disso, os eventos são reportados como se o leitor já os conhecesse previamente.

13 – A Letra Escarlate Nathaniel Hawthorne

A Letra Escalarte se passa na Nova Inglaterra puritana (especificamente Boston), no século dezessete, e conta a história de Hester Prynne, que dá a luz após cometer adultério, se recusa a dar o nome do pai e luta para criar uma nova vida de contrição e dignidade. Ao longo de todo o livro, Hawthorne explora os problemas da misericórdia, legalidade e culpa.

12 – As Vinhas da Ira John Steinbeck

As Vinhas da Ira se passa durante a Grande Depressão, o romance se foca em uma família pobre de arrendatários, os Joads, levados a abandonar seu lar por causa da seca, dificuldades econômicas e mudanças na indústria da agricultura. Em uma situação quase sem esperança, eles partem para a Califórnia juntamente com centenas de outros moradores do Oklahoma, à procura de terra, trabalho e dignidade. O romance tem a intenção de enfatizar a necessidade do cooperativo, em oposição ao individualismo, soluções para os problemas sociais trazidos pela mecanização da agricultura e pela aridez causada pelas tempestades de areia.

11- A Laranja Mecânia – Anthony Burgess

A Laranja Mecânica foi escrita em perspectiva de primeira pessoa,  e aparentemente é baseada em uma fonte corrupta e não confiável. Alex nunca justifica suas ações no decorrer da narração, dando uma boa sensação de que ele é de alguma forma sincero; um narrador que, por pior que ele tente parecer ser, evoca piedade no leitor durante a narração da história do seu sofrimento sem fim, e depois, de sua compreensão de que o ciclo nunca terá fim. A perspectiva de Alex é eficiente na maneira que descreve os eventos em que é fácil de se identificar com eles, mesmo que nas situações em si não seja. Ele usa palavras que são comuns na fala, assim como do Nadsat, a “língua” das gerações mais jovens.

10 – O senhor das MoscasWilliam Golding

O Senhor das Moscas é um romance alegórico do ganhador do Prêmio Nobel, William Golding. Ele discute como a civilidade criada pelo homem fracassa e como sempre o homem irá retornar à selvageria, usando a alegoria de um grupo de estudantes presos em uma ilha deserta que tentam se governar e fracassam desastrosamente. Ele se posiciona nos já controversos temas da natureza humana e bem-estar individual versus o bem-comum. Ficou na posição 70 na lista do American’s Library Association (ALA) dos 100 livros mais desafiadores de 1990-2000.

9 – A Cabana do Pai Tomás – Harriet Beecher Stowe

A Cabana do Pai Tomás, ou Vida entre os Humildes, é um romance anti-escravidão da autora americana Harriet Beecher Stowe. Publicado em 1852, o romance teve um efeito profundo nas atitudes em relação aos Afro-Americanos e a escravidão nos EUA, tanto que o romance chegou a intensificar o conflito regional que levou à Guerra Civil Americana.

8 – Matadouro 5 Kurt Vonnegut

Um soldado americano desorientado e mal-treinado chamado Billy Pilgrim é capturado por soldados alemães e forçado a viver em uma prisão improvisada; as profundas celas de um matadouro abandonado na cidade de Dresden. Billy se torna “separado do tempo” por razões inexplicadas (apesar de que é aludido próximo ao final de que a sua sobrevivência à queda do avião o deixou com leves seqüelas cerebrais), então ele ao acaso e repetidamente visita diferentes partes de sua vida, incluindo sua morte. Ele conhece, e depois é abduzido por, aliens do planeta Tralfamadore, que o exibem em um zoológico Tralfamadoriano, com Montana Wildhack, uma estrela de filme pornô. Os Tralfamadorianos vêem em quatro dimensões, sendo a quarta dimensão o tempo. Os Tralfamadorianos já viram cada instante de suas vidas; eles não podem escolher mudar nada dos seus destinos, mas podem escolher se focar em qualquer momento de suas vidas que desejarem.

7 – Ratos e Homens – John Steinbeck

O nome do livro é uma alusão literária irônica aos problemas dos personagens principais, ao mesmo tempo fazendo referência a um episódio na estória em que um personagem, fisicamente forte mas mentalmente incapacitado acidentalmente mata um rato enquanto tentava acariciá-lo, prenunciando um homicídio que posteriormente iria acontecer da mesma forma. Steinbeck escreveu esse livro, juntamente com As Vinhas da Ira, no que é agora conhecido como Monte Sereno, na Califórnia, em sua casa na Greenwood Lane, 16250. O cachorro de Steinbeck comeu o manuscrito inicial do romance.

6 – O Apanhador no Campo de CenteioJ. D. Salinger

O protagonista do romance, Holden Caulfield, se tornou um ícone da alienação e medo adolescente. Escrito em primeira pessoa, O Apanhador no Campo de Centeio conta as experiências de Holden na cidade de Nova York nos dias que seguem à sua expulsão do Pencey Prep, uma escola preparatória para a Universidade. O romance continua controverso até hoje pelo seu uso liberal de grosserias e retrato da sexualidade e temor adolescentes; ele foi o décimo terceiro livro mais desafiador dos anos 1990 de acordo com a ALA.

5 – 1984 – George Orwell

1984 conta a história de Winston Smith e de sua degradação pelo estado totalitarista em que vive. Juntamente com o “Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley e o “Fahrenheit 451” de Ray Bradbury, é uma das mais famosas e citadas distopias da literatura. A sua terminologia e o seu autor ficaram famosos no que diz respeito à discussão sobre privacidade e questões de segurança de estado. O termo “Orwelliano” é utilizado para descrever ações ou organizações remanescentes da sociedade totalitarista retratada no romance, e a frase “O grande irmão está observando você” se tornou sinônimo de qualquer ato de vigilância que pode ser entendido como invasivo.

4Admirável Mundo Novo – Aldous Huxley

O mundo que o romance descreve é uma utopia, apesar de irônica: a humanidade é despreocupada, saudável e tecnologicamente avançada. As guerras e pobreza foram eliminadas e todo mundo é permanentemente feliz. A ironia é que todas essas coisas foram conquistadas eliminando várias outras coisas que os seres humanos consideram serem centrais para as suas identidades: família, cultura, arte, literatura, ciência, religião e filosofia. É também uma sociedade hedonista, que extrai prazer de sexo promíscuo e uso de drogas, especialmente o uso de “soma”, uma droga poderosa que é ingerida para escapar da dor e das memórias ruins por fantasias alucinatórias. Adicionalmente, a estabilidade foi conseguida e é mantida por uma estratificação social reforçada, projetada deliberada e rigidamente.

3 – Cândido – Voltaire

Cândido conta a história de seu ingênuo e epônimo protagonista, ensinado a acreditar no otimismo Leibniziano. Cândido passa por uma série de dificuldades extraordinárias, que constituem a sátira. O plot é similar ao daqueles dos romances picarescos ou de educação, por que parodia muitos clichês de aventuras  e de romances. Cândido, a grande obra de Voltaire, é amplamente considerada como um dos trabalhos mais significativos do cânone ocidental, e também é incluido em listas dos maiores ou mais influentes livros.

2 – As Aventuras de Huckleberry Finn – Mark Twain

O livro é conhecido pelo seu jovem e inocente protagonista, a sua descrição animada das pessoas e lugares ao longo do rio Mississippi, e o seu sóbrio e freqüentemente mordaz olhar sobre as atitudes arraigadas, particularmente o racismo, daquele tempo. A deslizante jornada de Huck e seu amigo Jim, um escravo fugitivo, pelo rio Mississippi em sua jangada é uma das imagens mais duradouras de fuga e liberdade de toda a literatura Americana.

1 – Ulisses – James Joyce

Ulisses narra a passagem por Dublin pelo seu personagem principal, Leopold Bloom, durante um dia comum, 16 de Junho de 1904. O título é uma alusão ao herói da Odisséia, de Homero, (latinizado em Ulisses), e existem vários paralelos, tanto implícitos como explícitos, entre as duas obras (por exemplo as correspondências entre Leopold Bloom e Odisseu, Molly Bloom e Penélope, Stephen Dedalus e Telêmaco).

BÔNUS – A Bíblia, Edição de Martinho Lutero

Em publicação, a edição da Bíblia feita por Martinho Lutero foi colocada no Índice dos Livros Proibidos. Você pode ler a edição completa de 1559 do Índice, clicando aqui (o site é em Inglês). Ele foi emitido pelo gabinete romano da Inquisição. Também inclui o Talmude e o Corão. A edição de 1948 você encontra aqui (em Inglês).