Arqueologia

08/09/2009

(Tesouro pré-histórico põe povoado grego no mapa da paleontologia)

Com apenas 400 habitantes, o povoado de Milia, no norte da Grécia, guardava um segredo de três milhões de anos que valeu ao lugar uma entrada no Livro Guinness dos Recordes: um par de presas de mastodonte de 400 quilos e cinco metros de comprimento, o mais longo do mundo.

“É um tesouro paleontológico que pode nos incluir em muito do passado do planeta e nos ajudar a aceitar que um dia todas as espécies, incluindo a humana, serão extintas”, disse o paleontólogo holandês Dick Mol durante a cerimônia promovida pelo livro dos recordes.

“É um dia de reconhecimento internacional para a Grécia e histórico para a paleontologia”, acrescentou Evangelia Tsoukala, geóloga da Universidade de Salônica e chefe da escavação que descobriu os fósseis, assim como dos estudos realizados há 20 anos na área.

As presas de 5,02 metros de comprimento e 400 quilos pertenceram a uma fêmea da espécie Mammut borsoni, de seis toneladas de peso, 3,5 metros de altura e quase 30 anos de idade. O animal viveu em um clima quase tropical, em uma savana às margens de um grande rio que não existe mais, disse Tsoukala.

A geóloga Evangelia Tsoukala, da Universidade de Tessalônica (na extrema direita) posa com seus colegas ao lado das duas enormes presas de marfim do mastodonte, que foi achado perto do vilarejo de Milia, no norte da Grécia.

Apesar da semelhança dos nomes, o Mammut borsoni não pertence à família dos mamutes, a mesma dos elefantes atuais, mas à dos mastodontes, estes totalmente extintos.

“Os restos do mastodonte se apodreceram na ribeira do rio e os fósseis ficaram espalhados por centenas de metros”, disse Mol.

Estes mastodontes estão completamente extintos, não sabemos a razão, mas temos que aceitar isso. Talvez um dia os elefantes da África também desapareçam, porque o planeta está mudando“, acrescentou.

No pequeno edifício que serve como um precário museu em Milia, há uma exibição de fósseis de pelo menos dez exemplares pré-históricos encontrados na região.

Entre eles se destaca o esqueleto de um elefante da espécie Elephas antiquus, de 200 mil anos de idade, assim como rinocerontes, cavalos, felinos, cervos e outras espécies pré-históricas.

Desde que as presas de mastodontes passaram a ser exibidas, o museu já foi visitado por 11 mil pessoas. O sonho de Tsoukala de construir um centro de paleontologia em Milia parece que se tornará realidade em pouco tempo.

“Os negócios cresceram na vizinhança desde que os estrangeiros e a senhora Evangelia e sua equipe se ocupam desses fósseis”, disse com alegria à Agência Efe Alexandra, dona de um pequeno café-restaurante em frente à praça do povoado, à espera da construção do prometido centro.

“Todo paleontólogo que estuda os mastodontes e que respeite a si mesmo deve passar por aqui e estudar os mastodontes de Milia”, afirmou Tsoukala.

“Estive em escavações durante mais de 40 anos, na Sibéria, na África, na Austrália, na América, e de início não acreditava que se tratasse de uma descoberta tão séria”, acrescentou Mol.

Os fósseis do mastodonte foram descobertos por acaso por trabalhadores que escavavam para tirar areia para obras de construção no inverno de 2006.

“Era um dia de chuva. Me aproximei do lugar, comecei a buscar um pedaço e foram saindo mais e mais, e não sabia onde terminava!”, relatou à Efe a jovem geóloga Rula Pappas, integrante da equipe de Tsoukala.

Os habitantes de Milia e dos arredores encontram fósseis desde os anos 80, o que atraiu a atenção de especialistas. Assim, em 1996, foram descobertas na região presas de mamute de 4,35 metros de comprimento.

“O que encontrei eram ossadas que não eram nem de humanos, nem de animais. Minha mulher reclamava e me dizia: ”Por que trazer todos esses ossos para casa? Seria melhor que os jogasse fora.” Mas eu insistia”, disse um pastor, um dos primeiros a encontrar fósseis na área.

Esta espécie de mastodonte, os maiores do mundo, se extinguiu na Europa e na Ásia há entre 2,5 e 3 milhões de anos. Por outro lado, os mastodontes norte-americanos, por exemplo, desapareceram há apenas dez mil anos.

Fonte: Terra/EFE



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