Há um tempo atrás eu havia traduzido algumas partes de um capítulo do livro de James Ray, sobre como “alimentamos a nossa mente“. Agora saiu um estudo ligando infelicidade à muitas horas em frente a TV. Bem, na verdade essa é uma conclusão um tanto óbvia. Uma pessoa que se sente feliz e realizada jamais perderia tanto tempo de vida assistindo à simulações de vidas alheias (como novelas/séries/filmes), enchendo a cabeça com calamidades (como os telejornais) ou se entorpecendo com jogos e brincadeiras de programas auditório.
Evidentemente que a TV também proporciona alguma programação mais educativa e edificante (como os documentários ou alguns tipos de filmes e séries), mas nem preciso dizer que isso é a exceção, não a regra, certo? Normalmente a TV induz as pessoas à generalizações de comportamentos (a velha história da “massificação”), passividade intelectual e aceitação de coisas absurdas (”modas”, gírias, padrões de beleza, opiniões precipitadas, limitadoras ou distorcidas) além de levar embora algumas horas da sua vida que não voltarão nunca mais. Na hora que você está assistindo à TV pode parecer muito divertido. O problema é depois, nos efeitos de médio e longo prazo que todo o tempo perdido em frente a tela terão sobre a sua vida.
Ah, alguns comparam a TV com o computador, no sentido de que esse último induziria aos mesmos problemas. Bem, uma coisa nada tem a ver com a outra. O computador não te deixa passivo com relação ao que você vê/lê. Não há como usar um computador sem interação. É o usuário quem decide o tema de sua procura, ele não fica sujeito (e assim limitado) ao que a TV oferece como programação. Além do que, na Internet por exemplo, à respeito de um único tema você pode acessar uma imensidade de opiniões e pontos de vista diferentes e assim concluir o que bem entender a respeito do tema em questão. Fora o fato de que se pode discutir assuntos em fóruns e chats, ler livros e artigos online, comentar em blogs e sites ou criar o seu próprio blog ou site e expressar a sua opinião sobre o que quiser. Nada disso é proporcionado por uma TV. Mas como tudo o que é demais faz mal (até água e oxigênio!) é sempre bom dosar com cuidado as horas que se passa em frente ao PC e mais ainda o conteúdo que se pesquisa. Por que a Internet também pode proporcionar muito lixo e perda de tempo.
E vamos ao estudo, retirado do site de notícias Terra:
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Um estudo feito por sociólogos americanos concluiu que pessoas infelizes assistem mais televisão, enquanto pessoas que se consideram felizes lêem mais e têm vida social mais ativa.
O trabalho foi publicado na edição de dezembro da revista científica Social Indicators Research.
Os pesquisadores, da Universidade de Maryland, na cidade de Baltimore, basearam suas conclusões em pesquisas realizadas ao longo de 30 anos nos Estados Unidos.
Com base nesses estudos, eles ainda concluíram que as horas que a população passa em frente à televisão podem aumentar com a crise econômica.
Três décadas
Os sociólogos John P. Robinson e Steven Martin, da University of Maryland, analisaram dados de quase 30 mil adultos que participaram de estudos sobre o uso do tempo e sobre comportamento social feitos entre 1975 e 2006.
Nos estudos sobre como as pessoas usam seu tempo, os participantes foram convidados a escrever diários relatando suas atividades durante um período de 24 horas, indicando quão prazerosas foram cada uma delas.
As pesquisas sobre comportamento social, ou General Social Surveys, também usadas como base para o presente estudo, indagaram aos participantes, durante anos consecutivos, quão felizes se sentiam e como passavam seu tempo, além de outras questões.
Robinson e Martin verificaram que, em relação ao hábito de assistir TV, os dois tipos de estudos apresentaram resultados diferentes.
De acordo com as General Social Surveys, pessoas que se consideram infelizes assistem em média 20% mais televisão do que pessoas muito felizes. Em suas conclusões, os pesquisadores levaram em conta características individuais como educação, salário, idade e estado civil.
As pesquisas também revelaram que pessoas que se descrevem como felizes são mais ativas socialmente, participam mais de serviços religiosos, votam com mais freqüência e lêem mais jornais.
As informações obtidas a partir dos diários descrevendo como as pessoas passavam o tempo, no entanto, revelaram um quadro diferente.
Escrevendo em tempo real, no mesmo dia em que as atividades aconteceram, os participantes parecem ver o ato de assistir televisão de forma mais positiva.
Segundo Robinson, embora os telespectadores digam que a TV de forma geral é um desperdício de tempo e uma atividade não particularmente agradável, muitos acrescentam que os programas vistos “foram muito bons”.
Satisfação a longo prazo
Os autores do estudo concluíram, desta forma, que assistir televisão pode contribuir para a felicidade do telespectador naquele momento, porém, há menos efeitos positivos a longo prazo.
“A TV não parece realmente satisfazer as pessoas a longo prazo da maneira como o envolvimento social ou a leitura de um jornal o fazem”, disse Robinson, um pioneiro em estudos sobre como as pessoas passam seu tempo.
“Ela é mais passiva e pode oferecer um escape - especialmente quando as notícias são deprimentes”.
“Os dados indicam que o hábito de ver TV pode oferecer prazer a curto prazo, mas causam mal a longo prazo.”
Baseado em dados colhidos pelas pesquisas sobre o uso do tempo, Robinson prevê que a população deva assistir mais televisão durante o período de crise econômica.
“À medida que as pessoas têm progressivamente mais tempo em suas mãos, as horas em frente à TV aumentam”.
Ele acrescenta que um pouco do tempo extra também poderá ser preenchido dormindo.
“(Depois da televisão) o sono pode ser o segundo grande beneficiário da perda de emprego ou da redução nas horas de trabalho”.
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