Imagem do filme Stigmata (1999)

Imagem do filme "Stigmata" (1999)

O fenômeno da estigmatização (ou stigmata), que ficou mais popularmente conhecido após o filme “Stigmata” (em que uma atéia de repente passa a sofrer os estigmas de Cristo e a receber mensagens polêmicas e desconcertantes do “além”, sobre a Igreja Católica e o rumo que a fé cristã infelizmente tomou), é um dos fenômenos paranormais que mais me intriga. É ainda considerado como fenômeno paranormal porque apesar de alguns casos serem obviamente falsos, há alguns que aparentemente continuam desafiando a explicação racional e científica. O que me fez dedicar um post sobre o assunto foi o caso do missionário Eduardo Ferreira, que recentemente vi em uma reportagem na TV, mostrando as feridas dos seus estigmas e contando de seus encontros com “Maria, a mãe de Jesus” e outros “milagres”.

Antes de partir para os casos mais interessantes de estigmatizados, primeiro é preciso definir exatamente o que é considerado como um estigma, e conseqüentemente quem se enquadra na classificação de “estigmatizado”. A definição abaixo foi retirada do livro “Enciclopédia do Sobrenatural“, de Richard Cavendish com a colaboração de J.B. Rhine (o “pai” da Parapsicologia Moderna):

Estigmas: feridas ou marcas no corpo correspondentes às chagas sofridas por Cristo na cruz – nas mãos, pés e flancos; os estigmáticos podem também exibir contusões no ombro causadas pelo transporte da cruz, marcas de cordas nos pulsos e coxas, de açoites nas costas e da coroa de espinhos na testa. Afirma-se que São Francisco de Assis e cerca de 300 outras pessoas santas receberam os estigmas, mas a Igreja Católica Romana, de cujas fileiras vieram praticamente todos os estigmáticos, durante muito tempo adotou uma atitude extremamente cautelosa em relação ao fenômeno. A tendência geral moderna é atribuir os estigmas e outros fenômenos físicos curiosos à auto-sugestão. Os estigmáticos mais famosos desse século foram Teresa Neumann e Padre Pio.

O fenômeno da estigmatização normalmente é considerado religioso ou místico. Diz-se que há dois tipos de stigmata: a vísivel, que sangra, deixa ferida e provoca intenso sofrimento ao estigmático; e a invisível, em que a pessoa apenas tem o sofrimento que o estigma provocaria. O segundo tipo é bem mais simples para se enquadrar como auto-sugestão. Mais ou menos como uma pessoa que sofre de hipocondria, que só de ouvir um relato dos sintomas de uma doença, começa a sentir todos, de uma maneira tão real (pelo menos para ela) que é como se realmente estivesse doente.

Normalmente, as chagas de um estigmático cicatrizam em questão de poucas horas após terem aparecido. As pessoas que sofrem de estigmas costumam dizer que se sentem tristes, deprimidas, fracas e com o corpo dolorido antes dos sangramentos. As chagas se abrem espontaneamente, sangram durante um período de tempo em que nada que se faça é capaz de fazer o sangue parar, e de repente desaparecem ou cicatrizam. Um estigmático pode apresentar desde um até vários estigmas ao mesmo tempo.

São Francisco de Assis recebendo os estigmas de Cristo

São Francisco de Assis "recebendo" os estigmas de Cristo

Há mais de 500 relatos de stigmata desde o século 13 (onde aparentemente tudo começou), tendo sido o primeiro caso o de Stephen Langton, da Inglaterra, em 1222. São Francisco de Assis sofreu os estigmas pela primeira vez em 1224, em La Verna, Itália.

Classicamente, o fenômeno aparece nos 5 locais conhecidos como Chagas ou Feridas Sagradas, mas principalmente nas mãos ou pulsos, pés e no flanco (entre costelas – e que pode ser fatal). As feridas que podem ser sofridas durante a Paixão são:

– Feridas causadas pela Coroa de Espinhos (apesar de muitas vezes ser invisível)

– Marcas de açoite/chicote nas costas

– Uma ferida no flanco, causada por uma lança

– Buracos de cravos/pregos nas mãos ou pulsos

– Buracos de cravos/pregos nos pés ou tornozelos

– Formações na carne em forma de pregos.

Logo após o aparecimento dos estigmas, em alguns casos há a exalação de um tipo de aroma de flor, normalmente jasmim, o que é conhecido como “odor da santidade”.

De acordo com alguns pesquisadores, um estigmático pode sangrar um tipo sanguíneo diferente do seu, algo que é considerado por muitos como o “sangue de Cristo”.

Existem 62 santos ou beatificados de ambos os sexos, e os mais conhecidos são:

  • São Francisco de Assis (1186-1226), pregos apareciam em suas feridas;
  • Santa Lutgarda (1182-1246), cisterciense
  • Santa Margarete de Cortona (1247-1297)
  • Santa Gertrude (1256-1302), beneditina
  • Santa Clara de Montefalco (1268-1308), agostiniana
  • Santa Angela de Foligno (1248-1309), terciária franciscana
  • Santa Catarina de Siena (1347-1380), terciária dominicana
  • Santa Lidwina (1380-1433)
  • Santa Francisca de Roma (1384-1440)
  • Santa Colette (1380-1447), franciscana
  • Santa Rita de Cássia (1386-1456), agostiniana
  • Beata Osana de Mântua (1499-1505), terciária dominicana
  • Santa Catarina de Genova (1447-1510), terciária franciscana
  • Beata Batista Varani (1458-1524), irmã clarissa
  • Beata Lucia de Narni (1476-1547), terciária dominicana
  • Beata Catarina de Racconigi (1486-1547), dominicana
  • São João de Deus (1495-1550), fundador da Ordem da Caridade
  • Santa Catarina de Ricci (1522-1589), dominicana
  • Santa Maria Madalena de Pazzi (1566-1607), carmelita
  • Beata Maria da Encarnação (1566-1618), carmelita
  • Beata Mariana de Jesus (1557-1620), terciária franciscana
  • Beato Carlos de Sezze (falecido em 1670), franciscano
  • Santa Margarida Maria Alacoque (1647-1690), monja da Visitação (teve somente a Coroa de Espinhos)
  • Santa Veronica Giuliani (1600-1727), capuchinha
  • Santa Maria Francisca das Cinco Chagas (1715-91), terciária franciscana

No século 19 houveram 20 religiosos estigmáticos, os mais famosos são:

  • Ana Catarina Emmerich (1774-1824), agostiniana
  • Bem-Aventurada Elizabeth Canori Mora (1774-1825), terciária trinitariana
  • Bem-Aventurada Ana Maria Taigi (1769-1837)
  • Maria Dominica Lazzari (1815-48)
  • Maria de Moerl (1812-1868)
  • Luisa Lateau (1850-1883), terciária franciscana

No século 20 houveram mais casos de stigmata, porém dois deles ficaram particularmente famosos. É o caso de Teresa Neumman (ou Therèse) e do Padre Pio.

Teresa Neumman - em "êxtase místico"

Teresa Neumann (1898 – 1962) nasceu em Konnersreuth, na Alemanha. Tudo começou em 1918, quando, após um acidente nas costas, ela teve que ficar acamada e somente se recuperou após ter feito orações a Santa Teresa de Lisieux. No ano seguinte passou a ter visões da Paixão de Cristo e então passou a receber os estigmas. Durante muitos anos após esses acontecimentos, pareceu ter visões da Paixão todas as semanas. Ela possuía várias chagas, e suas mãos, pés, flanco e testa sangravam. Muitas vezes, seus olhos também vertiam sangue, como pode ser visto na foto acima. Dizia-se também que ela se alimentava muito pouco, ou quase nada; e algumas fontes dizem que poderia sobreviver por meses se alimentando somente com hóstias. Nas décadas de 20 e 30 multidões enormes faziam verdadeiras peregrinações para vê-la, entretanto a Igreja Católica sempre tratou do caso com cautelosa reserva.

Um detalhe que é facilmente observável nos casos de stigmata, é o número imenso de mulheres afetadas pelo fênomeno, número esse muito maior do que o de homens. Estranhamente, o número de “possessões demoníacas” também é imensamente maior em mulheres do que em homens. Outros padrões também emergem em ambos os fenômenos: a esmagadora maioria das mulheres ditas possuídas ou estigmáticas são todas de fé católica ou cristãs (e normalmente fervorosas), pobres e brancas. No caso dos estigmas, a maioria é adulta. É bem provável que nunca veremos uma executiva cética padecendo de alguma dessas condições. A maioria dos casos são pessoas que moram em vilarejos ou pequenas cidades, que se não são pobres, são bem afastadas da “civilização” e conseqüentemente afastadas de avanços científicos, médicos entre outros progressos do conhecimento.

Padre Pio

Padre Pio

Padre Pio da Pietralcini, nome religioso de Francesco Forgione (1887-1968), foi um frade capuchinho italiano, que alegava ter recebido os estigmas em 1915. Foi o estigmático mais famoso do século XX, e hoje é considerado o santo mais popular da Itália. Desde os 23 anos de idade até 50 anos depois, quando morreu, apresentou os estigmas. Mas além da stigmata, o Padre Pio também possuía, supostamente, outras faculdades paranormais, como a bilocação (em que uma pessoa projeta sua imagem, ou duplo, em locais distantes), que estranhamente parece ser um fenômeno comum em padres e é mais popularmente conhecido como projeção astral (pelo espiritismo); clarividência (capacidade de ver ou ouvir -clariaudiência –  algo que não está presente  para a visão comum, incluindo acontecimentos, fantasmas e “presenças”) e precognição (conhecimento do futuro que não pode ser deduzido do momento presente). Entretanto, segundo o dr. Ted Harrison, uma das maiores autoridades mundiais no assunto, e bastante cético com relação ao tema,

afirma jamais ter encontrado evidências de que se trata de um fenômeno espontâneo. Mesmo com relação ao Padre Pio, ele entende ser bem possível que ele (o padre) tenha causado as lesões, mantendo-as abertas artificialmente, uma vez que, ao final de sua vida, quando estava debilitado, as feridas se recuperaram e, por ocasião de sua morte, elas não mais existiram.

(do Dicionário do Mundo Misterioso, página 119)

Os estigmas de um jovem Padre Pio

Os estigmas de um jovem Padre Pio

Também com relação a esse caso, a Igreja Católica manteve cautelosa reserva.

Um caso muito citado e que ficou famoso é o da jovem belga Louise Lateau, uma camponesa do século XIX que dizia ter visões de vários santos, entrar em transe e ter ataques. Algo que hoje poderia ser chamado de histeria.

Louise Lateau

Nascida em 1850 (faleceu em 1883) na Bélgica, começou a ter os estigmas numa sexta-feira, em 1868. A importância do caso dela reside no fato de ter sido muito estudado na época por cientistas e médicos. Os sangramentos ocorriam nos pés, mãos e na área sob seu seio esquerdo. O fenômeno coincidia com a crença tradicional das feridas que apareceram em Cristo durante a Crucificação. Entretanto, as chagas repetiam-se num ciclo semanal preciso (na verdade, isso é “normal” em casos de stigmata, freqüentemente os estigmas se abrem em datas cristãs ou próximos a elas ou em períodos já definidos). Da mesma forma que a primeira aparição das chagas ter ocorrido numa sexta-feira, assim se perpetuava seu sofrimento: toda terça-feira Louise sentia uma queimação nos locais dos estigmas, na quinta-feira começava a sentir dores, e na sexta-feira bolhas apareciam e cresciam até estourar e sangrar. Então a moça tomava uma hóstia, se deitava de bruços e esperava o encantamento passar. No dia seguinte, as bolhas haviam desaparecido, e deixavam somente marcas cor-de-rosa nos locais, que iriam desaparecer na terça-feira seguinte, quando a queimação se iniciava. Como a maioria dos estigmáticos, Louise era uma religiosa fervorosa, que gostava de ficar sozinha para meditar e rezar.

Outros casos modernos, mas não tão famosos:

Cloretta Robertson

Cloretta Robertson

O caso da menina Cloretta Robertson é especial porque saiu do padrão normalmente observado em casos de stigmata. Cloretta era negra e batista, nascida em Oakland, Califórnia, EUA. Em 1972, a menina, então com 10 anos se tornou uma estigmática após assistir a um filme sobre a crucificação. Algumas semanas antes da Páscoa, ela estava sentada, numa sala de aula, quando percebeu que a palma de sua mão esquerda sangrava. Não doía e não havia qualquer marca visível no local. Foi levada a uma pediatra, que verificou a ausência de marcas ou cortes nas mãos de Cloretta. Mesmo assim a médica fez um curativo e a mandou para casa. Três horas depois, a mão direita da menina começou a sangrar. Novamente examinada pela médica, a dr. Loretta F. Early, e foi constatado que não havia machucado algum. Após isso, sangramentos começaram a ocorrer nos pés, peito e testa da menina. Cloretta foi então levada a um psiquiatra, o dr. Joseph E. Lifschutz, que submeteu-a a alguns testes e não identificou nenhum distúrbio de personalidade sério. Algumas fontes dizem que a menina era extremamente religiosa, enquanto outras afirmam que tinha uma fé “normal”. É preciso salientar no entanto que Cloretta desconhecia qualquer coisa relacionada aos estigmas, até que ela mesma foi afetada. O caso dela implica que o fenômeno da stigmata não requer necessariamente devoção religiosa ou tenha qualquer relação com “milagres”.

Isto fica mais claro ainda com o caso de “Elizabeth K”, uma paciente psiquiátrica do dr. Albert Lechler tratada em 1932. Depois de ter visto slides sobre a crucificação, ela começou a sentir formigamentos nos locais tradicionais das chagas, e ao ser hipnotizada pelo médico, que sugeriu que feridas apareciam nesses pontos, elas de fato apareceram. Ou seja, os estigmas da paciente nada tinham a ver com Jesus, e sequer eram milagrosos. De alguma maneira, a mente de uma pessoa, se devidamente estimulada (e para isso a prática religiosa é um prato cheio) pode provocar essas feridas no corpo.

Giorgio Bongiovani

Giorgio Bongiovani

Outro caso mais moderno é o do italiano Giorgio Bongiovani, nascido em 5 de setembro de 1963. Segundo ele, os estigmas apareceram durante uma peregrinação a Fátima, em Portugal, em 1989. O que é curioso no caso de Giorgio é fato de ele atribuir os estigmas à abdução alienígena, e que ele próprio foi levado por extraterrestres, que diz serem, na verdade, anjos constituídos de energia espiritual. Também é dito que ele recebe visitas de santos e da “Virgem”. Toda essa história contribuiu um monte para o movimento da “ufologia mística” ou “ufologia crística” (duas imensas baboseiras criadas e mantidas por pessoas carentes de atenção e desprovidas de qualquer racionalidade, que só servem para jogar lama nos esforços científicos e de pesquisas sérias com relação ao fenômeno OVNI).

Antonio Ruffini

O estigmático romano Antonio Ruffini convive com os estigmas nas suas mãos por mais de 40 anos. Diz-se que ele já foi examinado por médicos, e que seus ferimentos desafiam a explicação científica. Assim como outros, as chagas não infeccionam nem exalam mal cheiro, algo que normalmente ocorreria. Entretanto, não consegui encontrar quase nada sobre a biografia de Ruffini, seja na internet, seja em livros. O pouco que se diz dele é que faz profecias, e aparentemente também tem visões de santos e da “Virgem”.

O missionário Eduardo Ferreira

O missionário Eduardo Ferreira

Eduardo Ferreira nasceu em Itajaí, SC, em 31 de julho de 1972. Os estigmas do rapaz começaram em 1996, porém eram ainda invisíveis.  As marcas dos estigmas só se tornaram visíveis em 2002 e somente em 2003 que começaram a sangrar. Ele possui as chagas das mãos, pés, testa, flanco e as marcas de chibata nas costas. Entretanto, o missionário já tem visões da “Nossa Senhora Aparecida” desde 1987. A santa também lhe conta segredos, e segundo ele, ela irá lhe revelar 54. Jesus e o Arcanjo Gabriel também se comunicam com Eduardo. Na reportagem de tv que assisti, o missionário diz não poder revelar a maioria dos segredos, mas que pode adiantar que muitos têm a ver com catástrofes ambientais (como por exemplo o segredo que dizia que 7 praias brasileiras iriam sumir do mapa graças ao avanço do mar) entre outros relacionados a fé católica. Atualmente Eduardo mora no Paraná, onde conduz as celebrações de uma capela de devoção à Nossa Senhora da Rosa Mística (o nome se deve a presença constante das rosas nas visões dele). Segundo ele e os fiéis, a santa teria aparecido em uma pétala de rosa que estava depositada no altar da capela.

A Igreja Católica não reconhece os estigmas do missionário, nem sua alegada habilidade de fazer milagres e efetuar curas.

Neste artigo eu preferi não me ater muito aos casos de stigmata dos santos antigos da igreja católica, por motivos óbvios: os relatos que se tem deles são os mais parciais possíveis, de pessoas igualmente religiosas ou facilmente impressionáveis. Mas gostaria de atentar para outros detalhes sobre o fenômeno da estigmatização.

Primeiramente, a stigmata somente começou no século 13, e durante um bom tempo esteve praticamente restrita à Europa, principalmente na Itália (padrão que permanece ainda hoje). O fenômeno só ganhou o mundo conforme a expansão da fé católica.  O fato de tudo ter começado no século 13 é extremamente significativo, já que foi nesse período que os primeiros retratos de um Cristo mais humanizado começaram a surgir (isto é significativo pois os fiéis passaram a se identificar mais com o sofrimento de Jesus).

Sudário de Turim

Sudário de Turim

Um fato estranho com relação ao fenômeno dos estigmas é a mudança que ocorreu após a exibição do Sudário de Turim. Antes dela acreditava-se que as feridas da crucificação haviam ocorrido nas mãos de Jesus, e os estigmáticos apresentavam as chagas igualmente nas mãos. Depois, constatou-se que elas teriam ocorrido nos pulsos (o que foi confirmado por estudos posteriores que concluíram que, se um homem fosse crucificado pelas mãos, estas não agüentariam o peso, e que portanto, teriam que ser pregados pelos pulsos), e a partir de então, os estigmáticos passaram a apresentar chagas nos pulsos… Observe na foto acima a mancha escura, na figura da esquerda, sobre o pulso, e a mancha clara, na figura da direita, sobre o outro pulso. Ou seja, conforme as pesquisas evoluem no conhecimento sobre a vida e morte de Jesus, também evoluem os fenômenos, para acompanhar as novas tendências.

É preciso também salientar que não é especificado no Novo Testamento qual o lado que a tal lança feriu o flanco de Jesus. Por isso, os estigmáticos apresentam feridas tanto no lado esquerdo como no direito.

Outras ocorrências que normalmente não são mencionadas e que é preciso levar em conta é o dos casos de estigmas em pessoas que não eram religiosas. Há casos, como o da sueca de 23 anos “Maria K.” (nome fictício), tratada pelo médico Magnus Huss, no século XIX, que havia apanhado severamente. Muito tempo depois de já ter sarado ela continuava a ter sangramentos  nas orelhas, olhos e outros pontos da cabeça, sem que houvesse quaisquer marcas na pele. O dr. descobriu então que ela podia estimular o sangramento sempre que quisesse, quando discutia com alguém ou ficando muito emocionada.

Alguns médiuns famosos também tinham a capacidade de estimular o aparecimento de estigmas, com a única diferença de que faziam isso conscientemente. Na maioria dos casos de estigmáticos, no entanto, o processo se dá de maneira inconsciente, sendo apenas ativado e estimulado pelo êxtase religioso e estados alterados de consciência provocados por uma fé ou crença fervorosa. E esta é a explicação científica mais aceita para a stigmata.

Acredito que o que há de mais impressionante com relação ao fenômeno da estigmatização seja exatamente o processo em si. Particularmente acredito no poder que a mente tem sobre o corpo, e principalmente que boa parte das doenças que acometem os seres humanos são de ordem psicológica. O simples fato de que uma crença fervorosa em Cristo pode ocasionar feridas semelhantes as dele no corpo de um fiel é extremamente significativo. É praticamente uma confirmação do princípio hermético de que “como é em cima, é embaixo”. O que a mente pode imaginar ela pode criar. Literalmente.

FONTES:

Enciclopédia do Sobrenatural: magia, ocultismo, esoterismo, parapsicologia. Editado por Richard Cavendish. L&PM editora.

Dicionário do Mundo Misterioso: esoterismo, ocultismo, paranormalidade e ufologia. Gilberto Schoereder. Editora Nova Era.

– A Mente Domina a Matéria. Coleção Mistérios do Desconhecido. Abril Livros/Time-Life.

– O Poder da Mente, vol. 3. Maria Mír e Ana Braga. Editora Século Futuro.