Notícias

25/11/2009

(Sons durante o sono podem beneficiar memória, diz estudo)

Mais artigos de »
Escrito por: Karina
Tags:, , , ,

A ciência jamais emprestou credibilidade à ideia de que é possível aprender chinês ou japonês durante o sono, ao deixar tocando um CD de ensino do idioma. Caso o aprendizado acontecesse dessa maneira, afirma a maioria dos cientistas, a lição provavelmente manteria o estudante acordado, em lugar de permitir que verbos e substantivos penetrassem sua mente adormecida.
Mas um novo estudo sobre uma abordagem diferente de uso do som durante o sono revela alguma coisa sobre a forma como o cérebro trabalha ao dormir, e pode ajudar as pessoas que estão estudando um idioma, se preparando para exames ou decorando as falas de uma peça.
Cientistas da Universidade Northwestern reportaram que tocar sons específicos durante o sono ajudava os participantes a recordar melhor o que haviam aprendido antes de dormir, ao ponto de melhorar até as recordações de fatos individuais.
Em estudo publicado online na quinta-feira pela revista Science, os pesquisadores ensinaram as pessoas a mover 50 fotos para suas posições corretas em uma tela de computador. Cada foto vinha acompanhada de um som específico – um miado, para um gato, ou um som de rotores, para um helicóptero.
Depois, os 12 participantes tiraram uma soneca durante a qual 25 dos sons foram tocados, acompanhados por ruído de fundo. Ao despertar, nenhum deles havia percebido que os sons haviam sido tocados, ou era capaz de adivinhar que sons haviam sido usados. No entanto, quase todos recordavam com mais precisão os locais no computador das imagens associadas aos 25 sons executados durante o sono, e apresentaram resultados piores quando às demais 25 imagens.
“Conseguimos estimular as pessoas a recordar informações específicas aprendidas”, disse Ken Paller, neurocientista cognitivo da Northwestern e co-diretor do estudo. “O raciocínio é que, durante o sono, o cérebro está consolidando memórias, e que ensaiar é uma boa maneira de reforçar memórias”.
“Nós provamos que se pode obter informação durante o sono via audição, e que o processo de memória pode ser beneficiado por sons associados a cada episódio específico de aprendizado”, acrescentou. O estudo reforça a teoria de que o sono permite ao cérebro processar e consolidar lembranças.
Um trabalho de 2007 constatou que pessoas que memorizavam uma tarefa em ambiente com cheiro de rosas a recordavam com mais facilidade caso inalassem perfume de rosas durante o sono. Mas a nova pesquisa sugere que recordações específicas podem ser reforçadas.
“Não tínhamos conseguido manipular memórias muito específicas, até o momento”, disse Matthew Walker, neurocientista da Universidade da Califórnia em Berkeley, que não participou do estudo.
Robert Stickgold, neurocientista cognitivo da Universidade Harvard e também não participante do estudo, apontou que os pesquisadores não haviam tocado frases literais que se referissem à recordação, como “o carro está no canto inferior esquerdo”, mas sim pistas sonoras associadas a uma tarefa visual e espacial. Os sons também tinham nexo lógico – um miado não acompanhava uma imagem de dinamite, por exemplo. “Não é que os participantes tenham sido lembrados do que precisavam saber”, disse Stickgold, “mas sim de uma recordação mais ampla quanto ao que precisavam saber”.
Nem todos os cientistas que estudam o sono se deixaram impressionar. Robert Vertes, professor de neurociência na Universidade Atlântica da Flórida, disse que os resultados demonstravam “um efeito tão pequeno que não se pode considerá-lo significativo”, acrescentando que o efeito era ainda menos significativo porque participantes que não haviam tirado uma soneca também demonstraram maior retenção de memória com o uso de pistas sonoras.
Sara Mednick, professora assistente de psiquiatria na Universidade da Califórnia em San Diego e não participante do estudo, ficou intrigada por os participantes adormecidos parecerem ter mostrado pequenas alterações elétricas em suas ondas cerebrais logo que as pistas sonoras eram tocadas, sugerindo que o cérebro estava revivendo “experiências prévias”. Os autores afirmam que o interesse é determinar se uma melhora de memória em longo prazo seria retida depois do despertar, e se “esse tipo de efeito acontecerá durante o sono noturno”, disse John Rudoy, co-diretor da pesquisa e estudante de doutorado na Northwestern.
Os participantes tiraram cochilos de 90 minutos ou menos, o bastante para o sono profundo mas não para o sono REM. Alguns cientistas acreditam que no sono profundo o cérebro reforce as memórias factuais, enquanto no sono REM ele classifica e organiza memórias. Os autores e outros especialistas dizem que a contribuição primária do estudo era ajudar a compreender o processo de formação de memórias no cérebro, e reforçar a importância, nas palavras de Walker “de oito horas de sono confortável a cada dia”.
Mas Paller disse que estava explorando o uso de pistas sonoras para reforçar a terapia comportamental cognitiva de pacientes ansiosos ou deprimidos. E em outras áreas, afirmou, o método provavelmente não seria capaz de transmitir informações, mas poderia reforçar o que já foi aprendido.
“Uma de nossas especulações é a de que seria possível melhorar os resultados do SAT o exame americano de avaliação de estudantes ao final do segundo grau”, ele disse. O método poderia “ajudar um jogador de futebol americano a decorar as jogadas”, disse. “E ajudar pessoas a lembrar os nomes dos outros”.

A ciência jamais emprestou credibilidade à ideia de que é possível aprender chinês ou japonês durante o sono, ao deixar tocando um CD de ensino do idioma. Caso o aprendizado acontecesse dessa maneira, afirma a maioria dos cientistas, a lição provavelmente manteria o estudante acordado, em lugar de permitir que verbos e substantivos penetrassem sua mente adormecida.

Mas um novo estudo sobre uma abordagem diferente de uso do som durante o sono revela alguma coisa sobre a forma como o cérebro trabalha ao dormir, e pode ajudar as pessoas que estão estudando um idioma, se preparando para exames ou decorando as falas de uma peça.

Cientistas da Universidade Northwestern reportaram que tocar sons específicos durante o sono ajudava os participantes a recordar melhor o que haviam aprendido antes de dormir, ao ponto de melhorar até as recordações de fatos individuais.

Em estudo publicado online na quinta-feira pela revista Science, os pesquisadores ensinaram as pessoas a mover 50 fotos para suas posições corretas em uma tela de computador. Cada foto vinha acompanhada de um som específico – um miado, para um gato, ou um som de rotores, para um helicóptero.

Depois, os 12 participantes tiraram uma soneca durante a qual 25 dos sons foram tocados, acompanhados por ruído de fundo. Ao despertar, nenhum deles havia percebido que os sons haviam sido tocados, ou era capaz de adivinhar que sons haviam sido usados. No entanto, quase todos recordavam com mais precisão os locais no computador das imagens associadas aos 25 sons executados durante o sono, e apresentaram resultados piores quando às demais 25 imagens.

“Conseguimos estimular as pessoas a recordar informações específicas aprendidas”, disse Ken Paller, neurocientista cognitivo da Northwestern e co-diretor do estudo. “O raciocínio é que, durante o sono, o cérebro está consolidando memórias, e que ensaiar é uma boa maneira de reforçar memórias”.

“Nós provamos que se pode obter informação durante o sono via audição, e que o processo de memória pode ser beneficiado por sons associados a cada episódio específico de aprendizado”, acrescentou. O estudo reforça a teoria de que o sono permite ao cérebro processar e consolidar lembranças.

Um trabalho de 2007 constatou que pessoas que memorizavam uma tarefa em ambiente com cheiro de rosas a recordavam com mais facilidade caso inalassem perfume de rosas durante o sono. Mas a nova pesquisa sugere que recordações específicas podem ser reforçadas.

“Não tínhamos conseguido manipular memórias muito específicas, até o momento”, disse Matthew Walker, neurocientista da Universidade da Califórnia em Berkeley, que não participou do estudo.

Robert Stickgold, neurocientista cognitivo da Universidade Harvard e também não participante do estudo, apontou que os pesquisadores não haviam tocado frases literais que se referissem à recordação, como “o carro está no canto inferior esquerdo”, mas sim pistas sonoras associadas a uma tarefa visual e espacial. Os sons também tinham nexo lógico – um miado não acompanhava uma imagem de dinamite, por exemplo. “Não é que os participantes tenham sido lembrados do que precisavam saber”, disse Stickgold, “mas sim de uma recordação mais ampla quanto ao que precisavam saber”.

Nem todos os cientistas que estudam o sono se deixaram impressionar. Robert Vertes, professor de neurociência na Universidade Atlântica da Flórida, disse que os resultados demonstravam “um efeito tão pequeno que não se pode considerá-lo significativo”, acrescentando que o efeito era ainda menos significativo porque participantes que não haviam tirado uma soneca também demonstraram maior retenção de memória com o uso de pistas sonoras.

Sara Mednick, professora assistente de psiquiatria na Universidade da Califórnia em San Diego e não participante do estudo, ficou intrigada por os participantes adormecidos parecerem ter mostrado pequenas alterações elétricas em suas ondas cerebrais logo que as pistas sonoras eram tocadas, sugerindo que o cérebro estava revivendo “experiências prévias”. Os autores afirmam que o interesse é determinar se uma melhora de memória em longo prazo seria retida depois do despertar, e se “esse tipo de efeito acontecerá durante o sono noturno”, disse John Rudoy, co-diretor da pesquisa e estudante de doutorado na Northwestern.

Os participantes tiraram cochilos de 90 minutos ou menos, o bastante para o sono profundo mas não para o sono REM. Alguns cientistas acreditam que no sono profundo o cérebro reforce as memórias factuais, enquanto no sono REM ele classifica e organiza memórias. Os autores e outros especialistas dizem que a contribuição primária do estudo era ajudar a compreender o processo de formação de memórias no cérebro, e reforçar a importância, nas palavras de Walker “de oito horas de sono confortável a cada dia”.

Mas Paller disse que estava explorando o uso de pistas sonoras para reforçar a terapia comportamental cognitiva de pacientes ansiosos ou deprimidos. E em outras áreas, afirmou, o método provavelmente não seria capaz de transmitir informações, mas poderia reforçar o que já foi aprendido.

“Uma de nossas especulações é a de que seria possível melhorar os resultados do SAT o exame americano de avaliação de estudantes ao final do segundo grau”, ele disse. O método poderia “ajudar um jogador de futebol americano a decorar as jogadas”, disse. “E ajudar pessoas a lembrar os nomes dos outros”.

Fonte: Terra/ New York Times



Sobre a Autora

Karina
Olá, Sou a editora do site InconscienteColetivo.net.






 
 

 
Depressão

(Depressão acelera envelhecimento de células, diz estudo)

A mente atuando sobre o corpo… o tal do “estilo de vida não saudável” é mais consequência do que causa. +++ Um estudo de cientistas holandeses e americanos sugere que a depressão pode acelerar o processo ...
por Karina
0

 
 
Homem Vitruviano... versão Idiocracia

(Pesquisa indica que a humanidade ficou mais burra)

Esta é uma pesquisa curiosa que me lembrou muito o filme “Idiocracy” (2006, de Mike Judge, o mesmo que criou a animação “Beavis & Butt-Head”). O filme está bem longe de ser uma “obra-prima&...
por Karina
8

 
 
Família linguística da língua Austronésia

(Programa de computador reconstrói línguas extintas)

 O software em questão, além de auxiliar na reconstrução e análise de línguas antigas e extintas, pode ser também uma ferramenta muito útil para extrapolar como poderá ser o futuro das línguas atuais!  Para quem qui...
por Karina
0

 




Um Comentário


  1. paulo souza filho

    Muito bacana vou tentar a dica.

    [Responda esse comentário]



Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>