Apesar da iniciativa do projeto ser até louvável – à primeira vista – penso que o grande problema com relação à pouca leitura do povo brasileiro não seja apenas uma questão financeira. Não é somente a falta de dinheiro que impede as pessoas de lerem… afinal, existem bibliotecas públicas, recheadas de livros para leitura grátis. Sebos, com livros a preços mais acessíveis. Na internet, vários sites com ebooks gratuitos. E nem por isso as pessoas estão largando a televisão. Lembram daquela “mobilização” da MTV Brasil, em interromper a programação e colocar uma tela preta dizendo aos telespectadores para saírem da frente da tv e ler um livro? Alguém aí pensa que isso surte algum efeito??? É só trocar de canal… A intenção podia ser boa, mas a partir do momento que você precisa “convencer”, “mandar”, enfim, tentar forçar a leitura de um livro “goela abaixo” de alguém, é por que o problema vai um pouco além da simples falta do hábito de ler. Não é só mandar ler um livro. Ler o que? Por que ler? E a grande questão: como ler? O problema da interpretação do que se lê, do saber separar o joio do trigo, na minha opinião, é o mais importante. E logo esse é o mais precariamente trabalhado, principalmente na rede pública de ensino. De que adianta ler se você não compreende o que está lendo? Qual a finalidade de ficar passando os olhos por cima de um aglomerado de palavras que não lhe dizem nada?

Certamente o “Vale Cultura” terá mais uso na compra de ingressos de shows e cinema. E também, é claro, na compra de revistas e gibis. Mas… uma revista de fofoca pode ser considerada “cultura”? Uma revista erótica pode? Faz diferença, intelectual e culturalmente falando, ler “romances de banca” (como os famosos “Sabrina”, “Bianca” etc)? E ler só gibis? É claro que todos os exemplos anteriores podem ser considerados “entretenimento”, diversão, e todo mundo precisa um pouco disso. Mas são “cultura“? Uma pessoa se torna um ser humano melhor com esse tipo de leitura? Esse tipo de material estimula a criatividade ou o senso crítico, por exemplo? As pessoas que mais precisam de leitura são exatamente aquelas que menos irão usufruir do benefício do vale dessa forma. É sempre assim. É como aquelas propagandas do “voto consciente”. Elas só atingem o público que não precisa delas. Não adianta dizer que não se deve trocar o voto por dinheiro, cesta básica, tijolo etc. Só quem não precisa ouvir isso que se importa. É querer ficar remediando ao invés de prevenir. A velha história do tapar o sol com a peneira. Todo esse problema tem sua raíz na educação básica (que aliena mais do que educa). Porém, preciso frisar, não é somente uma questão de acesso a educação, mas do acesso a que TIPO de educação…

O debate vai longe…

+++

O projeto que cria o Vale Cultura foi aprovado pelo Senado. De autoria do ministério da Cultura o Vale-Cultura é um benefício no valor de R$ 50 semelhante ao Vale Refeição, mas para ser gasto com livros, ingressos de shows, cinema e teatro, por exemplo.
Terão direito ao benefício trabalhadores com carteira assinada que ganham até cinco salários mínimos.
No Senado, foram incluídas no projeto entre as possibilidade de utilização do vale, a compra de revistas culturais e jornais diários, mesmo após críticas de alguns parlamentares de que esta emenda possibilitaria o trabalhador comprar a revista Playboy e gibis com o dinheiro do benefício.
Como sofreu alterações, o texto voltará para análise da Câmara dos Deputados. Estima-se que a iniciativa injetará R$ 7,2 bilhões por ano no mercado cultural do País. De acordo com o relator do projeto na CCJ, senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), o projeto “fortalecerá as cadeias produtivas da economia da cultura; as manifestações de diversidade cultural brasileira; a profissionalização; o fortalecimento técnico dos trabalhadores e empresas do setor; a geração de renda, trabalho e emprego num dos setores mais dinâmicos e criativos da economia”.

O projeto que cria o Vale Cultura foi aprovado pelo Senado. De autoria do ministério da Cultura o Vale-Cultura é um benefício no valor de R$ 50 semelhante ao Vale Refeição, mas para ser gasto com livros, ingressos de shows, cinema e teatro, por exemplo.

Vale Cultura

Terão direito ao benefício trabalhadores com carteira assinada que ganham até cinco salários mínimos.

No Senado, foram incluídas no projeto entre as possibilidade de utilização do vale, a compra de revistas culturais e jornais diários, mesmo após críticas de alguns parlamentares de que esta emenda possibilitaria o trabalhador comprar a revista Playboy e gibis com o dinheiro do benefício.

Como sofreu alterações, o texto voltará para análise da Câmara dos Deputados. Estima-se que a iniciativa injetará R$ 7,2 bilhões por ano no mercado cultural do País. De acordo com o relator do projeto na CCJ, senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), o projeto “fortalecerá as cadeias produtivas da economia da cultura; as manifestações de diversidade cultural brasileira; a profissionalização; o fortalecimento técnico dos trabalhadores e empresas do setor; a geração de renda, trabalho e emprego num dos setores mais dinâmicos e criativos da economia”.

Fonte: Último Segundo/AE