“Vivemos em um momento cultural sócio-histórico, no âmbito das terapias da saúde, dominado pela analgesia, em que fugir da dor é o caminho racional e normal. À medida que a dor e a morte são absorvidas pelas instituições de saúde, as capacidades de enfrentar a dor, de inseri-la no ser e de vivê-la são retiradas da pessoa. Ao ser tratada por drogas, a dor é vista medicamente como um barulho de disfuncionamento nos circuitos fisiológicos, sendo despojada de sua dimensão existencial subjetiva. É claro que essa mentalidade retira do sofrimento seu significado íntimo e pessoal e transforma a dor em problema técnico.”

(retirado do livro: Espiritualidade e Prática Clínica – Valdemar Augusto – Angerami – Camon)

Que vida é essa em que se prefere viver entorpecido por um medicamento para não ter que lidar ou encarar a causa de todos os seus problemas: você mesmo ?!

Que médicos são esses que ao invés de encaminhar um paciente com problemas psicológicos/emocionais a um profissional mais preparado para atender esse tipo de situação (psiquiatra, psicólogo, psicoterapeuta etc) simplesmente resolvem “fazer justiça com as próprias mãos” e prescrevem um remedinho que somente controla os sintomas e nada faz pelas causas? Me desculpe quem pensa que estes médicos só “estão tentando ajudar”, pois muito mais ajuda quem não atrapalha.  Afinal, quantos semestres de Psicologia um estudante de Medicina cursa? Um? Dois? Desde quando isso substitui 4 ou 5 anos de uma faculdade de Psicologia, psicanálise, psicoterapia e afins por exemplo, ou qualquer preparação mais profunda ou uma especialização na área? Salvo os médicos que se aprofundam ou tem especialidade em psicoterapia, a maioria não está capacitada para diagnosticar muito menos tratar pessoas nessas condições. E aí a gente ouve falar dessas aberrações, como traz a notícia abaixo.

Quem disse que médico  pode tudo?

Se metem na área dos nutricionistas, na das psicoterapias, até nas terapias alternativas! – Lembra que acupuntura já foi “charlatanismo”? Hoje é disciplina no curso de Medicina!

Parabéns ao psiquiatra da notícia pela avaliação.  E muito cuidado com essa “epidemia de doença mental” que inventaram para vender mais remédios. Quando há uma indústria bilionária por trás, a gente sempre tem que ficar de olhos bem abertos. Nem todo mundo precisa de tratamento medicamentoso para seus problemas psicológicos/emocionais, na verdade, a maioria não precisa. E quem precisa, precisa com acompanhamento (muito) especializado.

“Segundo estimativas conservadoras publicadas no periódico Journal of the American Medical Association, doenças iatrogênicas (causadas por tratamento médico) são as terceiras maiores causadoras de morte nos Estados Unidos. Mais de 120 mil pessoas morrem, por ano, devido aos efeitos adversos de medicamentos prescritos por médicos (Starfield, 2000). No entanto, um estudo realizado recentemente mostra resultados ainda mais impressionantes (Null et al.; 2003). Indica que as doenças iatrogênicas são a causa principal de mortes no país. Mais de 300 mil pessoas morrem todos os anos devido a remédios receitados.”

(Citado por Bruce H. Lipton em “A Biologia da Crença“)

É… nada melhor que finalizar esse comentário relembrando o Juramento de Hipócrates:

“Eu juro, por Apolo médico, por Esculápio, Hígia e Panacea, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue:

Estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, porém, só a estes.

Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém.

A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substãncia abortiva.

Conservarei imaculada minha vida e minha arte.

Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam.

Em toda casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntário e de toda a sedução, sobretudo dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados.

Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto.

Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça.”

Vamos a notícia:

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 Prescrição indiscriminada e uso excessivo podem ser algumas das explicações para o alto consumo de ansiolíticos, remédios usados para controlar ansiedade e tensão. A avaliação é do psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, coordenador do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Dados divulgados na sexta-feira pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mostram que os ansiolíticos foram os medicamentos com receita controlada mais consumidos no País entre 2007 e 2010. O princípio ativo clonazepam, base do remédio Rivotril, lidera o ranking, com cerca de 10 milhões de caixas vendidas somente em 2010.

Segundo o psiquiatra, os ansiolíticos têm sido indicados por profissionais de diversas áreas. “Sabemos que médicos de várias especialidades prescrevem esses remédios, sem necessariamente ser psiquiatras. Não há restrição, mas é como se eu (psiquiatra) passasse a receitar antibiótico. Não sou a pessoa mais adequada”, diz Silveira.

O psiquiatra citou pesquisa feita em 2011 pela Unifesp, segundo a qual os ansiolíticos, conhecidos como calmantes, correspondem a 35% dos medicamentos psiquiátricos prescritos nos hospitais gerais da cidade de São Paulo.

Este não é, porém, o único fator que pode explicar o boom dos calmantes no Brasil, ressalta Silveira. O uso descontrolado também está entre os fatores. É cada vez mais comum recorrer aos tranquilizantes para enfrentar o estresse e as dificuldades da vida cotidiana. O pior é esse tipo de remédio provoca dependência. “As pessoas tendem a buscar uma pílula mágica para lidar com os problemas”, diz o médico.

De acordo com Silveira, das 600 consultas mensais feitas pelo Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da Unifesp, 50 são de pessoas viciadas em calmantes. A princípio, a maioria usa o remédio com indicação médica. Depois, passa a querer doses maiores e acaba partindo para a compra ilegal.

Para Dartiu Silveira, o melhor monitoramento do consumo dos ansiolíticos no País reflete também os números elevados. Atualmente, o Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC) da Anvisa têm cadastradas 41.032 farmácias e drogarias, equivalente a 58,2% do total dos estabelecimentos autorizados pela agência reguladora a vender medicamentos controlados.

 

Fonte: Terra/Agência Brasil