Esta é uma pesquisa curiosa que me lembrou muito o filme “Idiocracy” (2006, de Mike Judge, o mesmo que criou a animação “Beavis & Butt-Head”). O filme está bem longe de ser uma “obra-prima” cinematográfica (e certamente não era este o seu propósito!), mas rende uma boa diversão e também uma pontada de preocupação, pois parte da premissa de que os indivíduos mais “inteligentes” tendem a se “reproduzir menos” enquanto que os mais “fortes” (e menos inteligentes na lógica do filme) tendem a se reproduzir em ritmo frenético… com consequências estereotipadas e óbvias. Além disso, as “massas” tendem a se interessar mais por questões fúteis, sensacionalistas, superficiais, violentas e de banalização da sexualidade (para isso basta abrir o site de qualquer portal de notícias e entretenimento e observar as notícias em “destaque”), o que também não contribuiria para um aumento de inteligência ou favorecimento dos indivíduos inteligentes. Partindo desse raciocínio, o filme “profetiza” um futuro caoticamente burro para a humanidade, com foco na realidade norte-americana. É claro que, os ditos “nerds” estão conseguindo um novo e de certo modo privilegiado espaço atualmente… mas será que isso seria suficiente para mudar um possível futuro “burrocalíptico” (o neologismo é coisa minha…)?

Homem Vitruviano... versão Idiocracia

Homem Vitruviano… versão Idiocracia

Veja a introdução (hilária e sombria) do filme:

Eu (ainda) não li o estudo em questão, apenas a notícia que reproduzo abaixo. Partindo disso, só não sei se o tal tempo de reação obtido nos testes que realizaram é um indicador suficiente de inteligência a ponto de se declarar categoricamente que “a humanidade ficou mais burra”. Eu diria que a humanidade ficou é muito mais super-estimulada, e portanto muito mais distraída ou com dificuldade de se focar em um único estímulo, ou de se focar nesse estímulo por tempo suficiente para compreendê-lo e produzir a resposta rapidamente ou com mais qualidade, em vista do que já foi antigamente… Além disso, há a questão de que “só indivíduos inteligentes produzem ou podem ou tem mais chances de produzir filhos inteligentes”. O que também está beeeeem longe de ser uma regra absoluta…

Imagem do filme Idiocracy

Imagem do filme Idiocracy

Então, será?

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Os cientistas analisaram 14 estudos sobre a inteligência desenvolvidos entre os anos de 1884 e 2004 e constataram que a população ficou mais burra

Um provocativo estudo publicado recentemente na revista Intelligence sugere que, enquanto a tecnologia avança, a inteligência humana está em declínio. A pesquisa aponta que o quociente de inteligência (QI) dos ocidentais caiu 14 pontos desde o final do século 19. As informações são do Huffington Post.

Nobel de Física, Albert Einstein tinha um QI estimado de 160. A média para a população (estimativa do Reino Unido) é de 100 pontos

Nobel de Física, Albert Einstein tinha um QI estimado de 160. A média para a população (estimativa do Reino Unido) é de 100 pontos

Segundo o professor da Universidade de Amsterdam Jan te Nijenhuis, co-autor do estudo, as mulheres mais inteligentes tende a ter menos filhos do que aquelas com menor inteligência, o que poderia ser um dos fatores para esse declínio.

Nijenhuis e alguns colegas analisaram os resultados de 14 estudos sobre a inteligência desenvolvidos entre os anos de 1884 e 2004, incluindo um feito por Francis Galton,  antropólogo inglês primo de Charles Darwin. Cada pesquisa levou em conta o tempo que os participantes levaram para pressionar um botão em resposta a um estímulo. O tempo de reação reflete a velocidade de processamento mental de um indivíduo, e por isso é consideração como uma indicação da inteligência.

No final do século 19, o tempo de reação visual era em média de 194 milésimos de segundo. Já em 2004, esse tempo havia aumentado para 275 milésimos de segundo. Mesmo que a máquina para medir o tempo de reação do final do século 19 era menos sofisticada que a usada nos últimos anos, Nijenhuis afirmou ao Huffington Post que os dados antigos são diretamente comparáveis aos modernos.

Outros estudos recentes têm sugerido um aumento aparente no QI a partir da década de 1940. Porém, o especialista sugere que esses levantamentos refletem a influência de fatores ambientais – como melhor educação, higiene e nutrição –, que podem mascarar o verdadeiro declínio na inteligência herdada geneticamente no mundo ocidental.

Fonte: Terra