Para pensar… : Sobre Jesus

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Recebi recentemente um comentário sobre Jesus (o autor é desconhecido), que achei tão interessante e ao mesmo tempo tão engraçado, que não poderia deixar de postá-lo aqui:

“Jesus foi filho de uma camponesa, nasceu em uma vila pouco famosa e nunca escreveu um livro, nunca teve família, nunca possuiu casa própria, nunca cursou uma faculdade, nunca visitou alguma cidade grande, nunca viajou mais de 200Km do local de seu nascimento, nunca fez alguma destas coisas que, geralmente estão associadas à grandeza. Entretanto, 20 séculos se passaram, e Jesus permanece a figura central da raça humana e líder do progresso da humanidade. Todos os exércitos que já marcharam, todos os navios que já navegaram, todos os parlamentos que já se reuniram, todos os Reis que já reinaram, juntos, não influíram na vida dos homens neste planeta quanto esta vida solitária”.

Com exceção do “figura central da raça humana” (que denota uma ignorância alarmante com relação à outras religiões, culturas e povos – já que a “raça humana” não se resume ao Ocidente, muito menos aos de fé cristã… thank god!) e ao “líder do progresso da humanidade” (religião nunca foi sinônimo de progresso, na verdade é bem o contrário, convenhamos…) a mensagem em questão toca num ponto bem desconcertante. Levando em conta a hipótese da existência histórica de Jesus, é realmente um milagre como ele pode ter sido tão influente, e permanecer assim, nem que seja somente para alguns povos, ainda hoje. E apesar de tudo.

Alguém poderia citar outros nomes que ficaram famosos e foram influentes em condições parecidas, como Sócrates. Também nunca deixou nada escrito, sua origem é incerta, porém seu impacto na filosofia é notável mesmo hoje: ele ainda se destaca como um dos filósofos ocidentais mais profundos da história. Evidente que Sócrates não foi líder religioso, messias ou profeta, mas a questão aqui é que sua influência também persistiu aos séculos, apesar de tudo. Porém, nunca nenhuma guerra foi travada em nome de Sócrates (imagine…). A única pessoa que morreu pela filosofia dele, foi ele próprio… (e olha que eu acho a filosofia socrática melhor do que a cristã!) Se bem que… (risos) Nietzsche (sempre ele!!!) disse uma vez: “Na verdade, só houve um único cristão, e ele morreu na cruz.” Quanto a isso eu não tenho nada a declarar…

Mas, a minha intenção em postar essa mensagem sobre Jesus aqui, é por que ela possui um significado que vai além da religião, crença ou fé de cada um. Em outras palavras, ela diz: você não precisa de um currículo impressionante para causar impacto no mundo ou nas pessoas ao seu redor. É a velha história: não adianta dizer que porque nasceu pobre, não tem instrução, “nunca fez nada certo”, é mulher, é negro,  _________ (preencha a lacuna com a “limitação” de sua preferência) etc., que automaticamente você jamais será uma pessoa admirada (no sentido de ser um exemplo para os outros) ou de destaque. As únicas pessoas que jamais irão fazer História são aquelas que se contentam ou que desejam ser apenas normais. “Gente normal” não muda o mundo. Os que deixam a sua marca na História são os que fazem diferente.

É como Jack Canfield diz, essas pessoas que fazem diferente, acabam se tornando “monstros sagrados”, e sua simples presença em um local é capaz de elevar os pensamentos e atitudes das pessoas que ficam ao seu redor. Esses monstros sagrados possuem a capacidade de inspirar e influenciar outras pessoas, simplesmente sendo (e não tendo, aparentando ou fingindo).

Por isso… torne-se primeiro o exemplo (real) daquilo que você gostaria que os outros fossem ou fizessem, e o resto acontecerá naturalmente… ;-)

“A melhor coisa do mundo não é onde nós estamos, e sim para que direção estamos nos movendo.”

Oliver Wendell Holmes



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5 Comentários to "Para pensar… : Sobre Jesus"

  • Alex de SouzaNo Gravatar Says:

    Cara, tem um porém nessa história de Jesus, que nunca ninguém vai conseguir explicar. O mundo ocidental hoje como o conhecemos sofreu influência especialmente de três povos: gregos, romanos e judeus. Gregos e Romanos tudo bem, é meio óbvio. Foram grandes impérios, dominaram o mundo conhecido. Mas a troco de que os judeus influenciam o mundo até hoje? nunca tiveram poder algum…

  • DimitriNo Gravatar Says:

    Engraçado, pois essa mensagem me fez lembrar de um professor de biologia do colégio no último dia de aula, que em síntese disse: “dêem sempre o melhor de si e principalmente nunca (ele deixou bem clara essa palavra) se contentem com a mediocridade” acho que é por aí mesmo…

  • LeitãoNo Gravatar Says:

    Oi Karina e leitores do blog…

    Tem um livro muito interessante: “Jesus: o maior líder que já existiu”… nao lembro o nome da autor e estou com preguiça de pegá-lo na estante (rss)…

    Mas é bem interessante… vale a pena…

    Karina, uma marca importante desses grandes pensadores é a humildade e a capacidade de pensar no outro. Acho pré-requisito para o crescimento contínuo…

    Abraço!
    Leitão
    http://leitaoemacao.com

  • Jeferson Pereira LealNo Gravatar Says:

    Só queria lembrar que não se pode comparar fé em Cristo com filosofia, são coisas distintas.
    Sócrates era filósofo pois fazia críticas, raciocínios, pensamentos, teorias, etc a respeito da sociedade, do pensamento humano.
    Cristo dizia ser filho de Deus, ou seja, crer em Cristo é ter fé, não acreditar em uma teoria humana.
    Agora devo lembrá-los também que Sócrates mesmo vindo antes de Cristo já aceitava a existência do Divino, ou seja, Deus.
    Outra coisa, todos os grandes filósofos depois de Cristo, são cristãos, legal não?
    Por que, será?
    Pesquisem mais assuntos sobre filosofia de verdade…que busquem a verdade.

  • KarinaNo Gravatar Says:

    Jeferson,

    Se você realmente tivesse lido o artigo, não precisaria lembrar que “não se pode comparar fé em Cristo com filosofia”. Igualmente, é uma grande constatação do óbvio dizer que são coisas distintas…

    O fato de pessoas “aceitarem Deus”, não quer dizer que sigam religiões ou “aceitam Cristo como salvador”. E não vou nem entrar no mérito da bobagem que é essa história de “salvador” – da maneira como a “salvação” é proposta pela maioria das igrejas cristãs…

    Quanto a “todos os grandes filósofos depois de Cristo serem cristãos”, lamento lhe informar que isso não é verdade… Novamente, se tivesse lido o artigo, um desses grandes filósofos não-cristãos é citado ali: Friedrich Nietzsche. Mas cito outros, não-teístas famosos:

    - Auguste Comte,
    - Ludwig Andreas Feuerbach,
    - Noam Chomsky,
    - Michel Foucault,
    - Diderot,
    - David Hume,
    - Karl Marx,
    - Karl Popper,
    - Bertrand Russell
    - Jean-Paul Sartre
    - Arthur Schopenhauer

    Na Wikipedia em inglês é possível encontrar listagens mais completas. Para ver basta clicar aqui e aqui.

    Igualmente lamento se, para você, o fato de outros famosos serem cristãos, seja sinônimo de que a “fé cristã” é melhor ou mais correta do que qualquer outra fé. Isso só prova aquilo que venho dizendo a um bom tempo: só precisa convencer quem não está convencido. A partir do momento que uma pessoa entra em um site de conteúdo espiritualista (como o Inconsciente Coletivo) para “pregar” cultos e adorações à mensageiros (como Jesus), a pessoa só demonstra primeiro, não ter respeito pelas ideias e opiniões diferentes, segundo, que tem uma fé tão frágil que precisa de constantes confirmações e aceitação de outros. É como se dissessem: “por favor, acredite no que eu acredito porque existe uma voz lá no fundo da minha mente que tenta me mostrar algo diferente, mas eu não quero ver. E a partir do momento que você também acredita no que eu acredito (e se converte) eu posso me sentir mais tranquilo comigo mesmo, pois, se outras pessoas também concordam é porque deve estar certo…

    Como esse blog é voltado para a busca da verdade, como você também recomendou, deixa eu te contar mais uma novidade. O cristianismo é essencialmente budista. Quem estuda mitologia e religião comparada, antropologia e história das religiões, consegue facilmente concluir isso. E antes de qualquer coisa, deixe-me frisar que Buda nasceu 500 anos antes de Cristo, e que o budismo já estava espalhado pelas terras onde Cristo nasceu há muito tempo… Enfim. Muitos artigos sobre o assunto podem ser encontrados pela net, e selecionei o trecho de um, da Wikipedia em inglês, por ser mais resumido e objetivo. Traduzo aqui:

    “A possibilidade da influência do Budismo no Cristianismo (e a possibilidade dos Essênios) tem sido sugerida, mas com mais ênfase na doutrina do que na mitologia. Todavia, já foi notado que a vida de Cristo contém fortes similaridades com a vida do Buda. Isso foi inicialmente interpretado pelos missionários católicos em termos da teoria da ‘imitação demoníaca’. Mais recentemente foi tomado por alguns escolásticos como uma teoria do ‘Cristo Imitador’, em que postulam que Jesus é simplesmente uma recontagem judaica da estória do Buda. Do mesmo modo, T.W. Doane em seu livro de 1882 ‘Bible Myths’ opinou que ‘nada mais resta ao homem honesto do que reconhecer a verdade, que é a que a história de Jesus de Nazaré conforme é relatada nos livros do Novo Testamento, é simplesmente uma cópia daquela de Buda, com uma mistura de mitologia emprestada de outras nações.’ (pg. 286)

    Max Müller, em seu livro de 1873 ‘Introduction to the Science of Religion” notou que:

    Entre a linguagem do Buda e seus discípulos, e a linguagem de Cristo e seus apóstolos, existem estranhas coincidências. Mesmo algumas lendas budistas e parábolas soam como se tiradas do Novo Testamento, apesar de que sabemos que muitas delas existiam antes do início da Era Cristã.

    Th.J.Plange em 1906, concluiu que o primórdio do Cristianismo foi um produto dos missionários budistas. Tais ideias foram criticamente analisadas por Richard Garbe em livro de 1914 ‘Indien und das Christentum’. Garbe notou que as similaridades entre as tradições cristãs e budistas já provocaram muita especulação diletante, mas ele, todavia, reconheceu alguma possível influência, em particular na lenda Cristã posterior (sugerindo que Josaphat é uma forma corrompida de Bodhisattva, e identificando Eustachius e Hubertus com Samantabhadra). Garbe aceitou a historicidade de Cristo,mas identificou quatro passagens na narrativa dos evangelhos como tendo sido emprestadas da escritura Budista.

    Enfim. É por isso que bato tanto na tecla do “apegue-se a mensagem, não ao mensageiro“. Muitas coisas aconteceram naquela época, e em tempos posteriores que nos distanciaram dos verdadeiros fatos.A única forma de saber qualquer coisa com certeza seria entrar numa máquina do tempo e ver com os próprios olhos. Mas como isso ainda não é possível, é melhor não criar muitas convicções nem fundamentar tanto sua fé na figura do mensageiro. E de preferência também não ficar tentando empurrar goela abaixo dos outros esse tipo de ideia em espaços que não foram criados nem destinados a esse tipo de mentalidade.

    Agradeço a compreensão.

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