“Eu sou uma ameaça, certamente. Mas se as pessoas entenderem o que eu estou dizendo, elas irão se alegrar, não há ameaça. De fato, eu quero fazer delas pessoas contemporâneas. Elas não são. Algumas estão dependuradas dois mil anos atrás, com Jesus Cristo. Outros estão dependurados até mais tempo atrás, com Moisés ou Buda. Essas pessoas certamente me sentirão como uma ameaça porque eu pertenço ao presente.”

(Osho)

“Os mestres são misteriosos. Você não pode julgá-los;  você  não pode ter certeza do que eles estão fazendo a  menos que a coisa   toda aconteça.  Então, somente  retrospectivamente você será capaz de saber o que  eles estavam fazendo.  Agora é impossível. No  meio do caminho você não pode  julgar o que está acontecendo, o que está sendo  feito.”

(Osho)


Eu sei que você acredita que entende o que acha que eu disse, mas eu não estou certo de que você compreende que o que você ouviu não é o que eu quis dizer.

(Robert McCloskey)

Osho é o homem mais perigoso desde Jesus Cristo …”

(Tom Robbins – escritor norte-americano)

Osho usava Rolex, tinha uma “coleção” de carros (Rolls Royces – todos presenteados a ele), dizia que Madre Teresa de Calcutá não era uma verdadeira religiosa muito menos santa – ela apenas servia ao status quo (concordo plenamente com ele) -, contava piada, se dizia “o guru dos ricos”, falava de “amor livre” (que nada tem a ver com apologia a libertinagem ou a promiscuidade) e pedia que ninguém o idolatrasse como um “mestre” ou um “guru” (no sentido religioso e/ou idólatra das palavras).

Quem acompanha o Inconsciente Coletivo já deve ter percebido que eu não tenho por hábito usar as fotos mais “comportadas” ou previsíveis de Osho. E isso certamente não é por acaso… Dois motivos: primeiro, a atenção deve se focar no que é dito, não naquele que está dizendo. A mensagem é que realmente deve importar. Segundo, para quebrar – nem que seja só um pouco – aquela expectativa de “iluminado” ou de mestre sobre-humano que as pessoas tendem a criar a respeito de quem demonstra uma consciência ou uma sabedoria superior.  E eu já reparei que muita gente se sente um tanto incomodada com um suposto “guru espiritual” que dirige carro importado, conta piada, já foi preso ou que afirma que “Deus” não existe. Isso é fácil de entender, já que nós temos um estereótipo de guru ou “mestre” bem arraigado em nossas mentes, e que representa exatamente o contrário de tudo isso: um homem comportado, pobre, casto (a ponto de nem falar de sexo), simples, que nega o físico/material e vive apenas do espiritual, que não bebe, não ri, não dança, não briga etc. Quanto menos humano inclusive, melhor.

O problema é que todos os grandes mestres que já apareceram por esse planeta foram revolucionários. E ser revolucionário  muitas vezes implica ser “polêmico”. Os grandes “iluminados” estavam na “curva da onda” e portanto falavam e agiam a partir de um ponto de vista muito mais privilegiado que o restante dos seres humanos podiam supor ou imaginar. O outro grande problema é que eles não gostavam (ou não se preocupavam) em escrever suas ideias (bem, e não podemos culpá-los; eles estavam muito ocupados com a revolução que promoviam). Então, normalmente quem fazia isso eram os discípulos. Mas o mais curioso é que nem sempre eram os discípulos mais próximos e/ou contemporâneos do mestre que resolviam registrar a sabedoria dele (salvo algumas exceções, é claro). E quando se escreve algo a partir da memória ou se baseando em tradições orais (como era o costume entre as culturas antigas), bem, talvez exista uma probabilidade considerável de estarmos tendo contato mais com interpretações da sabedoria dos grandes mestres do que com a sabedoria deles em si (isso sem falar nos incontáveis problemas de tradução desses registros, que envolve também muita – e mais –  interpretação, o que dilui ainda mais o original). Mesmo assim, se a essência dos ensinamentos deles conseguiu sobreviver, já está valendo. Eu só penso que isso não é o suficiente para criar instituições religiosas ou para promover esse ou aquele sistema de crença como o mais “certo”, mas isso é outra história.

Enfim. Para cada época, a revolução promovida pelo “mestre” será, obviamente, diferente, porque cada época teve – tem e terá – necessidades diferentes. E todos eles foram considerados “ameaças” exatamente por que “batiam de frente” com os fundamentos do sistema ou da cultura estabelecidos na época que viveram. Eu penso que Osho, como um “mestre” (sem conotações religiosas) moderno, promoveu a revolução que o nosso tempo necessita. E o melhor de tudo é que apesar de ele não ter escrito nem uma linha, nós temos as transcrições de suas palestras, áudios e filmagens em primeira mão.

E nesse post, trago mais um desses vídeos, que dessa vez não foi traduzido por mim – mas com a permissão do tradutor (que prefere se manter anônimo) – em que Osho tenta explicar “que tipo de pessoa ele é” e porque ele era (e é) considerado “uma ameaça”:



Osho – Eu sou uma ameaça, certamente