“Um relacionamento nunca cria nada.
Ele só pode trazer algo que já é existente.
Assim, nunca jogue a responsabilidade no outro.
O outro é, no máximo, uma ajuda para lhe mostrar as subcorrentes de sua mente.
Cada relacionamento é um espelho; ele revela sua identidade a você.”

Osho

Recebi por email este texto de Osho, tratando do tema das “projeções” que consciente e inconscientemente fazemos em relação às pessoas que entram em nosso convívio diário, ou que já fazem parte deste. É incrivelmente comum ouvir de pessoas, depois de terminarem um longo relacionamento amoroso, ou até mesmo uma amizade de muitos anos, dizerem que apesar de “passarem anos convivendo juntos, eu não conhecia realmente quem estava ao meu lado.” É o velho clichê do “dormindo com o inimigo.” E por que isso acontece? Porque o “amor” (nesse caso a palavra amor não estaria corretamente empregada, o ideal seria “paixão”. Amor é algo muito mais maduro, realista e pé no chão – não é pra qualquer um) é literalmente cego. 😉 Nós vemos apenas aquilo que queremos ver nos outros. A isso chamamos de “projeção”. Projetamos nossos desejos, ideais e sonhos nas outras pessoas o tempo todo. Evidentemente, não é ruim esperar sempre o melhor de todo mundo. O problema é quando se cria uma ilusão de perfeição ou se dá uma aura de divindade a uma pessoa tão humana quanto qualquer outra. Talvez até, demasiado humana (com a licença de Nietzsche), como qualquer outra. Enfim. Neste pequeno texto de Osho, ele resume sábia e didaticamente, a idéia do projetar o outro:

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As projeções

É um fato conhecido: você não se apaixona por alguém; você não se apaixona pela pessoa real, você se apaixona pela pessoa de sua imaginação. E enquanto vocês não vivem juntos,  e você vê o outro da sua sacada,  ou você o encontra na praia por alguns minutos, ou você segura suas mãos no cinema, você começa a sentir: “Somos feitos um para o outro” .

Mas ninguém é feito um para o outro. Você vai  projetando mais e mais imaginação sobre o outro, inconscientemente. Você cria um certa aura em torno dele e ele cria uma certa aura em torno de você. Tudo parece ser lindo, porque você faz tudo parecer lindo, sonhando, evitando a realidade.  E ambos ficam sonhando, tentando de todas as formas possíveis não perturbar a imaginação do outro.

Assim, a mulher se comporta do jeito que o homem quer que ela se comporte; o homem se comporta do jeito que a mulher quer que ele se comporte. Mas isso só pode durar alguns minutos ou algumas horas no máximo.

Uma vez que vocês se casem e tenham que viver juntos vinte e quatro horas por dia, torna-se uma carga pesada continuar fingindo alguma coisa que você não é.

Preencher a imaginação do homem ou da mulher, por quanto tempo você pode continuar representando? Mas cedo ou mais tarde torna-se um peso e você começa a se vingar. Você começa a destruir toda a imaginação que o homem criou em torno de você, porque você não quer ficar aprisionada nela; você quer se livrar daquilo e ser você mesma.

E a mesma é a situação com o homem: ele quer se livrar e ser ele mesmo. E esse é o conflito entre todos os amantes, em todas as relações.

A realidade é: somos sozinhos, somos estranhos e será muito melhor se aceitarmos a verdade básica de que somos estranhos. Podemos saber o nome um do outro, podemos ter visto o rosto um do outro muitas vezes – isso não importa. Nossos seres estão tão escondidos e tão lá no fundo, que não há como eu poder tocar o ser de alguém, ou possa ver o ser de alguém – e é aí que reside toda a estranheza. Mas não acho que isso seja uma catástrofe; pelo contrário sinto isso como uma benção. Se não fôssemos estranhos seríamos robôs. Nossa estranheza nos dá individualidade, singularidade.