“O Caminho que pode ser verbalizado não é o Caminho eterno.

O nome que pode ser falado não é o nome eterno.

O indizível é a origem do Céu e da Terra.

O nomeado não é senão a mãe de dez mil coisas.

Em verdade, somente aquele que livra-se para sempre do desejo pode ver as Essências Secretas;

Aquele que nunca livrou-se do desejo somente pode ver as Consequências.

Essas duas coisas provêm da mesma fonte; todavia são diferentes na forma.

Essa fonte só pode ser chamada de Mistério.

A porta entreaberta de onde emergem todas as essências secretas.”

(Lao Tsé, Tao Te Ching – 600 a.C)

“Ora, a eternidade está além de todas as categorias de pensamento. Este é um ponto fundamental em todas as grandes religiões do Oriente. Nosso desejo é pensar a respeito de Deus. Deus é um pensamento. Deus é um nome. Deus é uma ideia. Mas sua referência é a algo que transcende a todo pensamento. O supremo mistério do ser está além de todas as categorias de pensamento.”

(Joseph Campbell – 1986)

“A vida espiritual é o buquê, o perfume, o florescimento e a plenitude da vida humana, e não uma virtude sobrenatural imposta a ela. Desse modo, os impulsos da natureza é que dão autenticidade à vida, não as regras de uma autoridade sobrenatural.

(Joseph Campbell – 1986)

Nas tradições religiosas, a metáfora remete a algo transcendente, que não é literalmente coisa alguma. Aceitar a metáfora como auto-referente equivale a ir ao restaurante, pedir o cardápio e, deparando ali com a palavra “bife”, começar a comer o cardápio.

(Joseph Campbell – 1986)

“Os etíopes dizem que seus deuses têm nariz chato e são negros, enquanto os trácios dizem que os seus deuses têm olhos azuis e cabelo ruivo. Ora, se os bois, os cavalos ou os leões tivessem mãos e pudessem desenhar, e pudessem esculpir como homens, então os cavalos desenhariam seus deuses como cavalos, e os bois como bois, e cada um moldaria corpos de deuses à semelhança, cada gênero, do seu próprio.”

(Xenófanes – séc. VI a. C)

“Quando digo que não existe Deus, estou negando uma personalidade a Deus. Estou dizendo que Deus não existe, mas existe uma tremenda religiosidade. É uma energia impessoal, pura energia. Atribuir-lhe qualquer forma é ofensivo. Você está impondo a sua própria forma a ela.”

(Osho)

A mera ideia de Deus deve-se ao fato de que nossas mentes não podem compreender a eternidade. Uma vez que você se eleva acima de sua mente limitada em direção a um estado de não-mente ilimitado, você poderá conceber tudo o que antes era inconcebível. Nenhum Deus é necessário.”

(Osho)

O vídeo de Osho que trago hoje basicamente se resume a uma afirmaçã0 já conhecida dos leitores do Inconsciente: a verdade é uma experiência, não uma crença. E seguindo a “polêmica” de outro vídeo dele já publicado aqui no blog: “Deus não é uma solução, mas um problema!”, novamente temos Osho comentando o teísmo x o ateísmo.

Deus é uma palavra muito complicada. Por mais que se queira reescrever, reinterpretar ou praticamente reinveintar um “conceito” para “Deus”, a associação da palavra com algo “pessoal”, “personificado”, antropomórfico ou com qualidades que tradicionalmente (entenda isso como sem relação alguma com a experiência direta = religião) gostamos de atribuir (coisas como “Deus é amor”, “Deus é Pai”, “Deus é sábio”, “Deus é perfeito” etc.) continuam prevalecendo no ideal da maioria das pessoas. O indivíduo que se diz religioso tem “Deus” como uma convicção, uma crença estabelecida, uma “verdade” intelectual que está mais relacionada com aquilo que ele escolhe ver (os filtros que ele usa para entender a “realidade”), com as ideias com as quais foi condicionado na infância, do que com algo que ele genuinamente experimentou. Dentro do modo de pensar da maioria, quando algo legal acontece com esse indivíduo, é Deus agindo. Quando é algo trágico, aí… bem, é qualquer outra coisa agindo… talvez seja melhor mudar de assunto… Mas são nesses momentos que percebemos a fragilidade de uma crença que se baseia unicamente em projeção: “Deus é aquilo que eu acredito que seja”. Ou pior: que me disseram que é… Convenhamos, isso abre margem pra qualquer coisa, seja “boa” ou “ruim”, dependendo de “gosto do freguês”…

Há um tempo atrás saiu um estudo realizado nos EUA com pessoas religiosas, incluindo membros do clero. De acordo com o estudo, a maioria das pessoas que se consideram religiosas (não lembro exatamente do percentual encontrado, mas era algo em torno dos 70 – 80%) nunca tinha tido nenhuma experiência direta de divindade. E é interessante observar que dentro do seleto grupo de pessoas que afirmam ter tido tal experiência mística, a noção que essas pessoas têm de “Deus” é completamente diferente da que estamos acostumados a ouvir por aí, ou da que a esmagadora maioria de nós fomos educados…

O que mais gosto nessa série de palestras de Osho – sendo o trecho do vídeo apenas uma pequena parte da fala dele sobre o tema – é a ênfase que ele dá ao fato de que a ideia comum de “Deus” se refere a algo estático, absoluto, perfeito,  portanto morto.  Ah, sem falar que normalmente  é algo “externo” a nós… Mas a existência não é morta, não é estática, não é perfeita (pois está em contínua evolução – perfeito é algo que já chegou no ponto máximo)… e muito menos está além de nós. Apesar de Osho não ser teísta, igualmente também não pode ser considerado ateísta, já que para ele não se resume tudo à matéria. E, não esqueçamos, teísmo e ateísmo são apenas as faces opostas da mesma moeda.

A existência é inteligente, não-criada, eterna. Não há a necessidade de um “Deus”, na concepção comum da palavra. Na verdade, sequer dá para colocar “Deus” e “existência” como sinônimos, porque por mais que se explique, a ideia original de Deus, a mais popular (a do “fantasmão que é amor” – e nem vou entrar no mérito da ideia popular a respeito do “amor”), continua latente na mente das pessoas. Com “existência” não há esse problema. Existência nos remete a algo vivo, em evolução, inteligente, algo que nos une a todos… a tudo… Ah, mas palavras são sempre limitações…

Gosto especialmente da metáfora: você é uma gota de Consciência num oceano de Consciência. Nada mais é preciso ser dito ou explicado. Tat tvan asi.

Então… vamos a Osho! (A tradução não é minha, mas tenho a permissão do tradutor, que prefere não ser identificado)

(uma observação quanto ao vídeo: para assistí-lo, é preciso clicar no play duas vezes. Na primeira, enquanto o botão está vermelho, e esperar que fique verde, quando se clica mais uma vez. O Megavideo está meio instável desde ontem – 18/03 -, portanto o vídeo pode não abrir em determinados momentos ou mostrar que “ainda está sendo convertido”. Se o problema persistir, por favor me avisem!)

“E quando eu digo que Deus está morto, tudo o que resta para você é sua própria consciência. E sua consciência é parte de uma consciência oceânica que o cerca. Uma vez consciente de seu interior, verá que, por toda a parte, aquela mesma consciência está pulsando, dançando. Nas árvores, nos rios, nas montanhas, nos oceanos, nos olhos das pessoas, em seus corações, é a mesma canção, a mesma dança – e você participa dela. Sua participação é boa. Sua não participação é má.”

(Osho)