Filosofia

19/03/2011

Osho: Deus não existe, mas encontrei algo muito mais significativo

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Escrito por: Karina
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“O Caminho que pode ser verbalizado não é o Caminho eterno.

O nome que pode ser falado não é o nome eterno.

O indizível é a origem do Céu e da Terra.

O nomeado não é senão a mãe de dez mil coisas.

Em verdade, somente aquele que livra-se para sempre do desejo pode ver as Essências Secretas;

Aquele que nunca livrou-se do desejo somente pode ver as Consequências.

Essas duas coisas provêm da mesma fonte; todavia são diferentes na forma.

Essa fonte só pode ser chamada de Mistério.

A porta entreaberta de onde emergem todas as essências secretas.”

(Lao Tsé, Tao Te Ching – 600 a.C)

“Ora, a eternidade está além de todas as categorias de pensamento. Este é um ponto fundamental em todas as grandes religiões do Oriente. Nosso desejo é pensar a respeito de Deus. Deus é um pensamento. Deus é um nome. Deus é uma ideia. Mas sua referência é a algo que transcende a todo pensamento. O supremo mistério do ser está além de todas as categorias de pensamento.”

(Joseph Campbell – 1986)

“A vida espiritual é o buquê, o perfume, o florescimento e a plenitude da vida humana, e não uma virtude sobrenatural imposta a ela. Desse modo, os impulsos da natureza é que dão autenticidade à vida, não as regras de uma autoridade sobrenatural.

(Joseph Campbell – 1986)

Nas tradições religiosas, a metáfora remete a algo transcendente, que não é literalmente coisa alguma. Aceitar a metáfora como auto-referente equivale a ir ao restaurante, pedir o cardápio e, deparando ali com a palavra “bife”, começar a comer o cardápio.

(Joseph Campbell – 1986)

“Os etíopes dizem que seus deuses têm nariz chato e são negros, enquanto os trácios dizem que os seus deuses têm olhos azuis e cabelo ruivo. Ora, se os bois, os cavalos ou os leões tivessem mãos e pudessem desenhar, e pudessem esculpir como homens, então os cavalos desenhariam seus deuses como cavalos, e os bois como bois, e cada um moldaria corpos de deuses à semelhança, cada gênero, do seu próprio.”

(Xenófanes – séc. VI a. C)

“Quando digo que não existe Deus, estou negando uma personalidade a Deus. Estou dizendo que Deus não existe, mas existe uma tremenda religiosidade. É uma energia impessoal, pura energia. Atribuir-lhe qualquer forma é ofensivo. Você está impondo a sua própria forma a ela.”

(Osho)

A mera ideia de Deus deve-se ao fato de que nossas mentes não podem compreender a eternidade. Uma vez que você se eleva acima de sua mente limitada em direção a um estado de não-mente ilimitado, você poderá conceber tudo o que antes era inconcebível. Nenhum Deus é necessário.”

(Osho)

O vídeo de Osho que trago hoje basicamente se resume a uma afirmaçã0 já conhecida dos leitores do Inconsciente: a verdade é uma experiência, não uma crença. E seguindo a “polêmica” de outro vídeo dele já publicado aqui no blog: “Deus não é uma solução, mas um problema!”, novamente temos Osho comentando o teísmo x o ateísmo.

Deus é uma palavra muito complicada. Por mais que se queira reescrever, reinterpretar ou praticamente reinveintar um “conceito” para “Deus”, a associação da palavra com algo “pessoal”, “personificado”, antropomórfico ou com qualidades que tradicionalmente (entenda isso como sem relação alguma com a experiência direta = religião) gostamos de atribuir (coisas como “Deus é amor”, “Deus é Pai”, “Deus é sábio”, “Deus é perfeito” etc.) continuam prevalecendo no ideal da maioria das pessoas. O indivíduo que se diz religioso tem “Deus” como uma convicção, uma crença estabelecida, uma “verdade” intelectual que está mais relacionada com aquilo que ele escolhe ver (os filtros que ele usa para entender a “realidade”), com as ideias com as quais foi condicionado na infância, do que com algo que ele genuinamente experimentou. Dentro do modo de pensar da maioria, quando algo legal acontece com esse indivíduo, é Deus agindo. Quando é algo trágico, aí… bem, é qualquer outra coisa agindo… talvez seja melhor mudar de assunto… Mas são nesses momentos que percebemos a fragilidade de uma crença que se baseia unicamente em projeção: “Deus é aquilo que eu acredito que seja”. Ou pior: que me disseram que é… Convenhamos, isso abre margem pra qualquer coisa, seja “boa” ou “ruim”, dependendo de “gosto do freguês”…

Há um tempo atrás saiu um estudo realizado nos EUA com pessoas religiosas, incluindo membros do clero. De acordo com o estudo, a maioria das pessoas que se consideram religiosas (não lembro exatamente do percentual encontrado, mas era algo em torno dos 70 – 80%) nunca tinha tido nenhuma experiência direta de divindade. E é interessante observar que dentro do seleto grupo de pessoas que afirmam ter tido tal experiência mística, a noção que essas pessoas têm de “Deus” é completamente diferente da que estamos acostumados a ouvir por aí, ou da que a esmagadora maioria de nós fomos educados…

O que mais gosto nessa série de palestras de Osho – sendo o trecho do vídeo apenas uma pequena parte da fala dele sobre o tema – é a ênfase que ele dá ao fato de que a ideia comum de “Deus” se refere a algo estático, absoluto, perfeito,  portanto morto.  Ah, sem falar que normalmente  é algo “externo” a nós… Mas a existência não é morta, não é estática, não é perfeita (pois está em contínua evolução – perfeito é algo que já chegou no ponto máximo)… e muito menos está além de nós. Apesar de Osho não ser teísta, igualmente também não pode ser considerado ateísta, já que para ele não se resume tudo à matéria. E, não esqueçamos, teísmo e ateísmo são apenas as faces opostas da mesma moeda.

A existência é inteligente, não-criada, eterna. Não há a necessidade de um “Deus”, na concepção comum da palavra. Na verdade, sequer dá para colocar “Deus” e “existência” como sinônimos, porque por mais que se explique, a ideia original de Deus, a mais popular (a do “fantasmão que é amor” – e nem vou entrar no mérito da ideia popular a respeito do “amor”), continua latente na mente das pessoas. Com “existência” não há esse problema. Existência nos remete a algo vivo, em evolução, inteligente, algo que nos une a todos… a tudo… Ah, mas palavras são sempre limitações…

Gosto especialmente da metáfora: você é uma gota de Consciência num oceano de Consciência. Nada mais é preciso ser dito ou explicado. Tat tvan asi.

Então… vamos a Osho! (A tradução não é minha, mas tenho a permissão do tradutor, que prefere não ser identificado)

(uma observação quanto ao vídeo: para assistí-lo, é preciso clicar no play duas vezes. Na primeira, enquanto o botão está vermelho, e esperar que fique verde, quando se clica mais uma vez. O Megavideo está meio instável desde ontem – 18/03 -, portanto o vídeo pode não abrir em determinados momentos ou mostrar que “ainda está sendo convertido”. Se o problema persistir, por favor me avisem!)

“E quando eu digo que Deus está morto, tudo o que resta para você é sua própria consciência. E sua consciência é parte de uma consciência oceânica que o cerca. Uma vez consciente de seu interior, verá que, por toda a parte, aquela mesma consciência está pulsando, dançando. Nas árvores, nos rios, nas montanhas, nos oceanos, nos olhos das pessoas, em seus corações, é a mesma canção, a mesma dança – e você participa dela. Sua participação é boa. Sua não participação é má.”

(Osho)



Sobre a Autora

Karina
Olá, Sou a editora do site InconscienteColetivo.net.






 
 

 
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12 Comentários


  1. Gente,tem o video de osho falando sobre esse tema; Deus nao existe mais encontrei algo mais significativo??????????? OU Deus é um problema e nao uma soluçao é o unico ???

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  2. KL Fulcanelli

    Fazendo breve leitura do texto de Karina e dos comentários publicados percebo quão vasta é a imensidão do pensamento. Acredito que tudo vem do pensamento, o real e o imaginário. Mas essa questão da realidade é o que mais me incomoda. É por isso que estou escrevendo um tratado de uma filosofia própria e que considero também científica, pois os fundamentos são óbvios. A máxima é “Pensamos para existir. Existimos para pensar.” Este tratado será em breve publicado nos sites RECANTODASLETRAS.COM.BR e TEXTON.COM.BR nas minhas páginas.
    É uma crença que considero adequada a qualquer um e que tem um nome próprio. Ela afirma somente o óbvio e o empírico e considera tudo o que não é provado, provável.
    Amei o site e vou divulgar no facebook e twiter. Quem quiser pode me seguir e visitar minhas páginas nos sites supracitados. Publico poesias, crônicas, frases e pensamentos. No Texton já consegui chegar a 600 leitores. Se alguém passar por lá, por favor, comente.

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  3. Afonso

    Eu tenho quase a mesma maneira de pensar de Pedro C.Cavalcanti,e o que a gente
    pensa e entende,sempre depende daquilo que lemos e entendemos na história da humanidade e que nos faz diferente dos religiosos é que eles acreditam em algo sobrenatural e crêem porque precisam,para poderem continuarem vivendo,mas ainda assim duvido também da fé que muitos dizem que tem,pois mais que simplesmente acreditar é saber,saber ninguém sabe,muitos que dizem ter fé em Deus,quando se deparam com situações difíceis na vida,como doença e morte,entram em depressão e nunca mais saem dela. Agora na questão que ele aborda sobre reencarnação,aí para mim eu somente vejo como mais uma coisa sobrenatural que nunca foi provado nada,assim igual a qualquer religião,acreditar nada prova,é verdade só para quem acredita,sempre digo esta palavra já vem com ela a dúvida ,quando se pergunta você acredita? Ora a resposta TANTO PODE SER SIM,COMO PODE SER NÃO.

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  4. Douglas Rossine

    Acho que o mundo está cheio de pessoas ignorantes, muita gente briga defendendo o teísmo e nunca nem sequer questionou alguma verdade (imposta).
    Conheço pessoas que não se dão ao trabalho de ler nada que questione suas crenças, simplismente para não criar dúvidas em sua cabeça, acredito que isto sim é a mais pura ignorância.

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  5. Luiz A. Lomando

    Complementando o replay da Karina, usando só a racionalidade de mente não se chega a lugar algum, porque Deus não é passível de comprovação. Como experiência mística, a Divindade é para se “sentida” e não “pensada”. Achei fraco o vídeo do Osho, pois ele se limitou a rechaçar o deus (em minúscula mesmo) da fé católica. Como em toda mitologia, esse realmente é uma piada!

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  6. Pedro Cabral cavalcanti

    O problema não está na crença da existência ou não de Deus, pois se existimos é porque algo nos criou. O problema está na NATUREZA do criador. O Universo é INFINITO, portanto, nada pode criar o Infinito, uma vez que nada pode ser maior que ele. Então só nos resta uma alternativa: O próprio Universo é o criador. Mas para isso ele deve ser um CAMPO INFINITO DE ENERGIA (e cada dia se prova isso cientificamente). Uma Energia regida por uma linguagem matemática, logo INTELIGENTE, mas não Consciente, pois não faz sentido a existência de um ser que não conhece sua própria dimensão, já que é infinito (pelo menos, segundo Huberto Rohden esta forma de consciência que conhecemos). Para quem quer se aprofundar neste assunto escrevi o livro O MITO DO DEUS PAI publicado pela Editora Biblioteca 24X7 que discute o Universo Inteligente, senhor de sua própria criação. Entretanto, este não é um livro materialista, pois mostra que somos quantidades ínfimas de energia gerada pela vibração da Inteligência Infinita até adquirimos consciência através das sucessivas reencarnações em corpos materiais até evoluirmos para Seres Superiores (Espíritos de Luz).

    Infelizmente, este é um assunto sobre o qual as pessoas se recusam a falar e até a pensar. Elas têm medo, horror mesmo do desconhecido e isso leva ao comodismo de aceitar as explicações burlescas dos religiosos inclusive de que quando se sofre é por que o deus pai gosta muito de nós e está nos pondo a prova para ver nossa o grau de nossa fé. Esta é a desculpa que os religiosos têm par justificar a miséria humana. Aliás, quando as religiões atribuem o bem a Deus e o mal ao Satanás (chamados por eles de o inimigo), elas estão tirando do ser humano a responsabilidade que eles têm consigo mesmos e aí se isentam de toda culpa dos erros que cometem. Como psicanalista em formação posso assegurar que esta é uma atitude de transferência dos nossos pais biológicos que nos protege quando criança para um pai mais poderoso que nos protegerá quando adultos. Esta é a razão pela qual nossos antepassados tomaram os extraterrestres que assomaram em nosso céus como deus e sua comitiva de anjos que vieram trazer justiça à Terra, fazendo prosperar os bons e aniquilando os maus, imagem esta bem retratada nos textos bíblicos e que perdura até hoje, mas o Infinito não pode se reduzir ao finito (aspecto humano). Assemelho esta condição a de um personagem de nossa história (não sei se verdadeira) chamado Diogo Álvares que preso pelos índios inflamou um pouco de aguardente e apontou para o rio. Resultado: o mesmo que os nossos antepassados e ele acabou casando com a filha do cacique.
    Pedro Cabral Cavalcanti – pcabralcavalcanti@gmail.com

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    Cesar respondeu:

    @Pedro Cabral cavalcanti, em física, a teoria mais aceita é de que o universo é finito.

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  7. Adorei o post!! Parabens!!

    Alias, adoro o site!!

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  8. Marco Aurelio

    Osho gosta de polêmica. O que ele fala não tem nenhum sabor novo é apenas para escandalizar. O mundo é relativo, as pessoas são relativas, Deus é relativo, a consciência é relativa. Existe apenas dança e barulho. A verdade está no silêncio e no nada, de onde tudo provêm, até mesmo as “verdades”.

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    Karina respondeu:

    E que mestre/sábio/guru/avatar/afins não gosta de polêmica??? Qual foi o que não se colocou contra os paradigmas culturais/religiosos/sociais de sua época? Qual foi o que não afirmou coisas que eram contrárias às crenças da maioria? Mahavira andava pelado, Jesus andava com prostitutas, leprosos – batia de frente com os supostos “sábios judeus”; Buda contrariou boa parte das grandes “verdades” do Hinduísmo; enfim, qual foi o que não teve atitudes escandalosas meu deus??? Eles só entraram para a História porque realmente marcaram o momento em que viveram com atitudes e/ou ideias vanguardistas… pra não dizer rebelde pura e simplesmente. E olha que eu só me ative aos mestres espirituais, mas Sócrates, Nietzsche e outros também se encaixariam nesse sentido.

    Marco, pegando o seu gancho a respeito do “relativismo”, tudo é relativo enquanto a consciência o é. Sendo assim, mesmo algo que você considera sem “sabor novo” pode ter um sabor inédito e impensado para alguém. Mas eu sempre deixo uma recomendação para aqueles que acabam se deixando levar pelo hábito, e pensam que estão sempre escutando, vendo ou lendo coisas repetidas ou velhas: o óbvio pode ser iluminador quando percebido de modo incomum

    Essa palestra de Osho tem pelo menos 20 anos. Não sei a data exata, mas como ele morreu em 1990… bem, a matemática é simples. Mas se hoje, para muita gente o que ele diz ainda é polêmico, imagina no momento em que ele saía por aí falando essas coisas. Não que ninguém antes dele tivesse dito coisas semelhantes, mas uma coisa são filósofos debatendo ideias que são puramente intelectuais – deus existe, deus não existe – outra coisa é alguém, considerado mestre espiritual, é preciso frisar, falar a mesma coisa. E os místicos falam a partir de experiência… e isso dá toda a diferença. Na verdade, era essa a ideia do post, quando coloquei o vídeo. Mostrar que só existe “briga” entre teísmo e ateísmo porque falta compreensão objetiva da realidade, da existência. Enquanto nos limitarmos apenas a “acreditar” que sim ou que não, e não procurarmos pela experiência direta do divino, nós continuaremos nesse relativismo, discutindo coisas que acreditamos saber, criando filosofias e religiões, brigando, sofrendo, enfim. Era só isso.

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    Ellen respondeu:

    @Karina, Copiei!!!!!!

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