Pessoal, recebi a mensagem abaixo da lista de discussão “Maravilhas e Mistérios” (enviada por Mahatma), e achei muito interessante. A notícia original é de Outubro/09.  Segundo a mensagem, e o artigo (em inglês) do link, o professor/antropólogo C. Owen Lovejoy afirma que não podemos compreender ou moldar a evolução humana à partir de chimpanzés e gorilas.  A ideia certamente é polêmica, e merece muito a leitura (e reflexão!). Digo  muito porque é um antropólogo respeitadíssimo na comunidade científica quem está dizendo!  Transcrevo abaixo a mensagem original publicada na supracitada lista, e a tradução feita por mim do artigo publicado no ScienceBlogs.com .

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O antropólogo Prof. C. Owen Lovejoy, da Universidade
Estadual de Kent, em Ohio, EUA
, especializado em estudos
sobre as origens da espécie humana, assegura ter encontrado
evidências de que não foram os homens que surgiram a partir
dos macacos, mas, ao contrário, foram os macacos que
apareceram a partir do homem.

O cientista embasou sua conclusão em avaliações dos
ossos de uma fêmea do Ardipithecus ramidus, um hominídeo
que viveu há 4,4 milhões de anos na região da Etiópia.

O paleoantropólogo Tim White, da Universidade da
Califórnia em Berkeley
, concorda quando diz que a
ossada, carinhosamente apelidada como “Ardi“, não é de
uma criatura semelhante a um chimpanzé ou a um gorila,
mas algo diferente que revela como eram os nossos ancestrais.

Até agora, o antepassado mais antigo do homem estava
representado pelos restos da “Lucy“, uma fêmea de Australopithecus,
que viveu há 3,2 milhões de anos, descoberta em 1974.
Ardi é mais antiga e não é macaco, nem completamente humana.

Artigo no ScienceBlog (em inglês):
http://www.scienceblog.com/cms/kent-state-university-professor-c-owen-lovejoy-helps-unveil-oldest-hominid-skeleton-25756.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+scienceblogrssfeed+%28Science+Blog%29
O abstract na ScienceMag (em inglês):
www.sciencemag.org/cgi/content/abstract/326/5949/73

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O professor C. Owen Lovejoy da Universidade do Estado de Kent ajuda a desvelar o mais antigo esqueleto hominídeo

(tradução – Inconsciente Coletivo)

C. Owen Lovejoy

Jogue fora todos aqueles posteres e livros que retratam um macaco evoluindo até um ser humano, diz o professor de Antropologia da Universidade do Estado de Kent, Dr. C. Owen Lovejoy. Um antropólogo biologista reconhecido internacionalmente que se especializou no estudo da origem humana, Lovejoy é um dos primeiros autores a revelar as descobertas de sua pesquisa sobre o Ardipithecus ramidus, uma espécie de hominídeo que viveu há 4,4 milhões de anos atrás, naquela que hoje é a Etiópia.

“As pessoas frequentemente pensam que nós evoluímos dos macacos, mas não, os macacos de muitas maneiras evoluíram a partir de nós”, disse Lovejoy. “Pensar que os humanos são chimpanzés modificados tem sido uma ideia popular. Pelo estudo do Ardipithecus ramidus, ou ‘Ardi’, nós aprendemos que não podemos compreender ou moldar a evolução humana a partir dos chimpanzés e gorilas”.

Uma edição especial da Science (www.sciencemag.org), que estará disponível em 2 de Outubro, irá apresentar 11 ensaios que serão a primeira descrição formal de “Ardi”, um esqueleto parcial feminino. Lovejoy foi o autor principal em cinco ensaios e contribuiu para outros três adicionais. Pelos últimos sete anos, ele tem feito parte de uma grande pesquisa internacional que estuda “Ardi”, servindo como anatomista “postcranial” e teórico comportamental.

Um dos feitos mais reconhecidos de Lovejoy é a reconstrução do esqueleto de “Lucy”, um fóssil de um ancestral humano que andava de modo ereto há mais de três milhões de anos atrás. ” ‘Ardi’ é um milhão de anos mais antigo do que ‘Lucy’, mais instrutivo que ‘Lucy’, e ‘Ardi’ muda o que conhecemos sobre a evolução humana”.

Quando comparado “Ardi” com “Lucy”, diz que trabalhar com “Ardi” foi muito mais excitante e interessante. “Ela fornece respostas reais”, disse ele.

Residente de Kent, Ohio, Lovejoy leciona na Universidade de Kent há 40 anos. Ele é um autor largamente publicado, com mais de 100 artigos em publicações de prestígio. Ele também detém a honra de ter sido premiado como um dos autores “Mais citados” das ciências sociais, segundo o Institute for Scientific Information (Instituto para a Informação Científica). Em 2007 ele foi eleito para afiliação ao National Academy of Sciences (NAS) (Academia Nacional de Ciências) pela excelência em pesquisa científica original. Afiliação ao NAS é uma da maiores honras dadas a um cientista nos EUA.