“Vivi uma vida longa e passei por muitos problemas, muitos dos quais nunca aconteceram.”(Mark Twain)
“Se seu problema tem solução, então não há com que se preocupar. E se seu problema não tem solução, toda preocupação será em vão.”
(Provérbio Tibetano)
Eu adoro esse dito tibetano que citei acima!
Se você tem um problema que é possível solucionar, então por que se preocupar? Se você tem um problema que não tem solução, então por que se preocupar???
E não é verdade?
Agora imagine se dar conta de que, na realidade, todos os seus problemas, são criações suas, não existem de fato. São oriundos ou resultados de seus pré-julgamentos, preconceitos, ignorância (no sentido correto da palavra, que diz respeito a ignorar uma informação, desconhecer. O sentido popular, que a coloca como sinônimo de “burro” em hipótese alguma se aplica aqui), medo do desconhecido, imaturidade, irresponsabilidade, desatenção etc. Ou seja, nada mais são do que problemas interiores superestimados – um “complexo de Diva” do seu Ego – por mais que às vezes aparentem ser externos à nós e que só crescem e se multiplicam pela nossa própria vontade – ou seria um vício ? - de continuar a criar e aumentar problemas. E aí? Isso deixa a nossa situação de “pessoas preocupadas” ou “cheias de problemas a resolver” ainda mais boba… ou não?
Pois hoje trago um texto, que considero não apenas profundo, mas divertidíssimo, de Osho, a respeito das tempestades em copos d’água que tanto insistimos em fazer. Aqui, ele nos provoca a viver de maneira mais espontânea, inocente, natural – a reconhecer que, de fato, os problemas não existem, e que esse reconhecimento é Iluminação. Você nasceu um Buda, só precisa se dar conta disso.
Ou, em outras palavras, deixe de ser “Maria do Bairro”!!!
(lembram da Maria do Bairro? Aquela novela mexicana tragicômica em que a protagonista simplesmente não conseguia ter um momento de alegria sem antes passar por um sem número de “problemas” completamente absurdos? Era tanta “tragédia” que por fim se tornava hilário! rs)
Ah, antes que eu me esqueça: assim que o novo vídeo legendado do Osho estiver no Youtube (“Sonhos são a sua vida não vivida”), eu aviso!
Os grifos são meus:
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O ego não se sente bem, à vontade, com montículos; ele quer montanhas. Mesmo se isso for uma miséria, não deve ser um montículo, deve ser um Everest. Mesmo que isso seja miserável, o ego não quer ser ordinariamente miserável; ele quer ser extraordinariamente miserável.
As pessoas continuam sempre criando grandes problemas do nada. Eu tenho conversado com milhares de pessoas sobre os problemas delas e realmente não encontrei ainda um problema real! Todos os problemas são falsos – você os cria porque sem problemas você se sente vazio. Não há nada para fazer, nada com o que lutar, nenhum lugar para ir. As pessoas vão de um guru para outro, de um mestre para outro, de um psicanalista para outro, de um grupo de encontros para outro, porque se não forem, eles se sentem vazios e subitamente, sentem que a vida é insignificante. Você cria os problemas para que você possa sentir que a vida é um grande trabalho, um crescimento, e que você precisa lutar muito.
O ego só pode existir quando existe luta, lembre-se – quando ele luta. E se lhe digo, ‘Mate três moscas e você ficará iluminado, você não irá acreditar em mim. Você dirá, ‘Três moscas? Isso não parece muito. E ficarei iluminado? Isso não parece ser inverossímil. Se eu disser que você terá que matar setecentos leões, é claro que isso parece mais! Quanto maior o problema maior o desafio…E com o desafio surge seu ego, ele paira nas alturas. Você cria os problemas. Eles não existem.
Os padres, os psicanalistas e os gurus – eles estão felizes porque todo o negócio deles existe por sua causa. Se você não criar montículos do nada e você não transformar seus montículos em montanhas, qual o sentido de gurus lhe ajudarem? Primeiro você precisa estar na condição de ser auxiliado.
Os mestres verdadeiros dizem outra coisa. Eles dizem, “Por favor, vejam o que você está fazendo, que bobagem você está fazendo. Primeiro você cria um problema, depois você vai em busca de uma solução. Apenas veja que você está criando o problema, exatamente no princípio, quando você estiver criando o problema, essa é a solução – não o crie!” Mas isso não lhe agradará porque então você está subitamente voltando para si mesmo. Nada para fazer? Nada de iluminação? Nada de satori? Nada de samadhi? E você está profundamente cansado, vazio, tentando preencher-se com qualquer coisa.
Você não tem nenhum problema; somente isso precisa ser entendido. Agora mesmo você pode deixar todos os problemas porque eles são criações suas. Dê outra olhada nos seus problemas: quanto mais profundamente você olhar, menores eles parecerão. Continue olhando para eles e aos poucos, eles começarão a desaparecer. Prossiga olhando e subitamente você descobrirá que há uma vacuidade… Uma bela vacuidade lhe cerca. Nada para fazer, nada para ser, porque você já é isso.
Iluminação não é algo a ser alcançado, é somente para ser vivido. Quando digo que alcancei a iluminação, estou simplesmente dizendo que decidi viver isso. Já chega! E desde então tenho vivido-a. É uma decisão de que agora toda essa besteira de criar problemas e encontrar soluções acabou.
Toda essa bobagem é um jogo que você está jogando consigo mesmo: você mesmo está escondendo e você mesmo está procurando, você é ambas as partes. E vocês sabem disso! Eis porque quando digo isso vocês riem, dão risadas. Não estou falando sobre alguma coisa ridícula; vocês o compreendem. Vocês estão rindo de si mesmos. Apenas observem a si mesmos rindo, apenas olhem para seus próprios sorrisos; vocês o compreendem! Isso tem que ser assim porque é seu próprio jogo: você está escondendo e esperando que você mesmo seja capaz de procurar e encontrar a si mesmo.
Você pode encontrar a si mesmo agora porque é você que está escondendo. Eis porque os mestres Zen prosseguem batendo. Sempre quando alguém chega e diz, “Eu gostaria de ser um Buda”, o mestre fica muito zangado. Porque ele está pedindo uma bobagem, ele é um Buda. Se Buda chegar para mim e perguntar como ser um Buda, que devo fazer? Irei bater na cabeça dele. “A quem você pensa que está enganando? Você é um Buda!”
Não crie problemas desnecessários para você. E o entendimento descerá sobre você se você observar como você torna um problema cada vez maior, como você o engendra, e como você ajuda a roda a girar cada vez mais rápido. Assim de repente, você está no topo da sua miséria e você está necessitando da simpatia do mundo inteiro.
O ego precisa de problemas. Se você compreender isso, na própria compreensão as montanhas viram montículos novamente, e então os montículos também desaparecem. Subitamente há vacuidade, pura vacuidade por toda parte. Isso é tudo o que a iluminação é – um profundo entendimento de que problemas não existem. Assim, sem nenhum problema para resolver, o que você vai fazer? Imediatamente você começa a viver. Você irá comer, irá dormir, irá amar, irá bater papo, irá cantar, irá dançar. O que tem mais para fazer? Você se tornou um deus, você começou a viver!
Se as pessoas pudessem dançar um pouco mais, cantar um pouco mais, serem um pouco mais malucas, a energia delas estaria fluindo mais, e os problemas delas irão desaparecer aos poucos. Daí eu insistir tanto na dança. Dance até o orgasmo; deixe que toda a energia se torne dança e subitamente, você verá que você não tem nenhuma cabeça. A energia presa na cabeça se move ao redor, criando belos padrões, pinturas, movimentos. E quando você dança chega um momento que o seu corpo não é mais uma coisa rígida, se torna flexível, fluido. Quando você dança chega um momento quando sua fronteira não está mais tão clara; você se funde e se dissolve com o cosmos, as fronteiras ficam misturadas. Assim você não cria qualquer problema.
Viva, dance, coma, durma, faça as coisas tão totalmente quanto possível. E lembre-se sempre: quando você flagrar a si mesmo criando algum problema, dê o fora dele, imediatamente.
Extraído de: Ancient Music in the Pines – Osho Int.








Uau! É uma promessa bem tentadora, deixar os problemas de lado e dançar, cantar…
Eu preciso de um pouco mais de coragem para fazer isso…mas logo eu chego lá…(eu espero pelo menos)!
adorei o texto! até!
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Olha Karina, eu chego a pensar que estou ficando decididamente louca!Porque como eu posso ser tão terrivel,comigo mesmo,nossa se eu sou a unica pessoa responsavel pelos meus problemas, eu os criei, e os crio todos os dias estou louca .
Porque esu adoro nao ter trabalho, adoro nao pagar minhas contas,nao ter dinheiro pra comprar comida, adoro ser humilhada pelas empresas me ligam me cobrando…
Meu ego entao é maior que o Monte Everest mesmo.
Eu adoro meus problemas, adoro nada,eu os criei,ai desculpa,mas entao vou me matar( apesar de nem pra isso eu presto).
Decididamente nao sei o que fazer, acho que so numa outra encarnaçao eu possa entender.
Quem sabe neste final de semana eu consiga criar coragem e me afogar no mar, so assim ficarei livre deste carrasco que existe dentro de mim.
E quem sabe eu volte iluminada numa proxima encarnaçao.
Voce é muito querida e inteligente.
Quem sabe um dia nos cruzamos por ai
Forte abraço
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Eu amo esse cara! HAHAHAHA
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Karina Reply:
novembro 3rd, 2009 at 09:41
Junte-se ao clube!!!
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Você esqueceu de dizer o que é um problema. A definição.
Por exemplo, uma doença é um problema? Fobias são problemas?
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Karina Reply:
novembro 2nd, 2009 at 17:18
Oi Luciana!
Esse post certamente não trata de problemas matemáticos ou de questões intelectuais/filosóficas. A ideia que se faz de “problema” aqui é a que diz respeito àquilo (seja lá o que for, uma doença, uma fobia, uma situação do passado, enfim) que te incomoda a ponto de te fazer deixar de agir, ou que te mantém preocupada, com medo, receio, angústia etc. Os “problemas” não são especificados no texto por que cada pessoa sabe (ou deveria saber) dos seus. É tudo aquilo que mais ou menos lhe incomoda, e que normalmente utilizamos como desculpa para não tomar alguma atitude, para mudar algum aspecto de nossa vida ou para encarar algo a nosso próprio respeito.
A ideia central não só desse post, mas do próprio blog em si, já que diz respeito ao meu próprio ponto de vista com relação a tudo, se resume ao seguinte pensamento: “tudo o que acontece a você, seja bom ou ruim, é responsabilidade sua”. Não gosto de utilizar a palavra “culpa” porque normalmente tem uma conotação negativa. O que nos acontece de ruim, acontece para nos fazer aprender alguma coisa, o que acontece de bom, para nos mostrar que estamos no “caminho certo”. Desse modo, penso que um problema só deixa de ser um montículo para se tornar uma montanha por que nós assim o queremos. Por que é assim que estamos acostumados a agir, habituados a pensar. E que nos comportamos dessa forma porque damos pouca importância ao autoconhecimento e demais ao conhecimento técnico, intelectual, “exterior”. Valorizamos mais os títulos e graduações do que a sabedoria, do que a consciência de si – que invariavelmente está ligada a consciência de tudo o mais…
Enfim, para não fugir muito do assunto, os problemas tratados aqui são aqueles considerados emocionais ou sentimentais (= interiores, mas que acarretam todos aqueles problemas “exteriores”), que começam como uma pulguinha na sua mente e se tornam um elefante, não porque possuem algum poder inato, próprio, mas por que você (Ego) insiste em alimentá-los…
Acho que é isso!
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Ótimo texto..
Parabéns..
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Karina Reply:
outubro 29th, 2009 at 22:11
Obrigada Ricardo!
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