Eu estava um pouco hesitante em fazer qualquer comentário que seja a respeito da chocante morte do cantor Michael Jackson. A bem da verdade, a não ser pela notícia do falecimento dele, eu sequer estou acompanhando as matérias, artigos e reportagens que estão investigando os “porquês” ou simplesmente se aproveitando da frágil imagem de Michael, mais uma (última) vez…

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Não sei se mais alguém aqui está irritado com isso, só sei que as pessoas realmente parecem só saber valorizar os outros após a morte. É como o Osho dizia, em vida só jogavam pedras, na morte, ele é agora um “santo”.

Eu sempre gostei do Michael, nunca acreditei nas acusações de pedofilia nem de que ele era um “maníaco”. Na verdade, toda essa estória de que ele “assediou sexualmente” meninos nunca fez sentido algum. Lembro na época, em 1993, quando estourou na mídia uma acusação de que ele “levava meninos para dormir em sua cama”, e de que logo após foi inocentado (e ainda teve que pagar horrores pra família do menino), eu já tinha ficado impressionada como alguém tinha caído nesse papo. Pagava pra saber se ao invés dele tivesse sido uma mulher, se teria tanta repercussão assim…(aí não, aí diriam que a mulher era excessivamente “maternal”) Tá certo que não é porque alguém é famoso ou rico que a pessoa sempre está certa ou é inocente (jamais diria algo assim), mas no caso do Michael tava um pouco óbvio demais que era ele a verdadeira vítima da estória… Poxa… pouco tempo depois disso ter acontecido já tinha mais um monte de mães paradas na porta de Neverland para deixar seus filhos com ele… Sinceramente! Quem realmente deixaria os filhos com um homem que realmente acreditasse ser um pedófilo ou um maníaco??? Papo furado… ele infelizmente era um trouxa com T maiúsculo (ou será infantil e sensível demais?), isso sim. Michael foi um homem que nunca quis ser adulto, que preferia viver num mundo utópico de fantasia. Um cara que preferiu se cercar de crianças porque nos adultos ele nunca pôde confiar. Era certo que jamais seria compreendido…

Mas pior foi ver outros blogueiros fazendo comparações estapafúrdias a respeito do legado de Michael para a música. Teve gente que disse que ele não foi importante como Jimi Hendrix (!!!), ou John Lennon, Chuck Berry ou Elvis Presley. Primeiro que todos são (brilhantes) representantes de estilos diferentes de música… Segundo, qual a lógica em dizer que porque Elvis foi muito importante pra música então Michael Jackson não foi??? Esqueceram que o Michael vendeu 750 milhões de álbuns ao longo de sua carreira??? Para ver uma lista dos álbuns mais vendidos, clique aqui. Para ver uma lista dos artistas com maior número de vendas, clique aqui. For God’s sake ele está entre os 5 melhores artistas (mais vendidos) da História da Música Moderna!!! Isso não é discutível nem negociável. Ninguém é obrigado a gostar dele ou de suas músicas, mas pelo menos admita que no mínimo ele teve que ser bom para alcançar tal feito…

Enfim. Agora teremos que aturar inúmeros “tributos”, “especiais” e “documentários” falando da pessoa incrível que ele foi. Gente que antes não hesitaria em jogar pedras, agora se lamentando por essa “grande perda”. Pffff…

Mas nesse post, preferi trazer um texto muito bacana escrito pelo James Arthur Ray, um verdadeiro tributo ao Michael. A data original do artigo é do dia 28 de junho, e foi publicado no The Huffington Post. Traduzido por mim. Para os verdadeiros fãs de Michael Jackson.

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Nenhuma pessoa normal jamais fez História: um tributo a Michael Jackson

Eu fiquei chocado! E tenho certeza de que vocês também, ao ouvirem a notícia da morte de Michael Jackson. Mas quanto mais eu pensava sobre isso… havia, infelizmente, sinais de aviso em demasia para que qualquer um de nós ficasse realmente tão chocado.

Quase que imediatamente, os noticiários começaram a recontar as inúmeras controvérsias de sua turbulenta vida. Michael mudou o mundo da música tanto ou até mais do que qualquer outro artista – isso é indiscutível. Apesar dos muitos dramas e acusações feitos contra ele ao longo dos anos (especialmente em relação ao seu relacionamento com meninos) e mesmo em meio ao que se pode considerar fracassos em vendas de discos, Michael Jackson nunca perdeu seu título de “Rei do Pop”.

Eu lembro de ter assistido ao vídeo de “Thriller” em completo assombro, quando foi lançado pela MTV, em 1983. Nunca antes havia tido nada sequer parecido a este mini-filme, em termos de estilo e talento. E por mais que eu tentasse, nunca consegui fazer aquele maldito moonwalk.

Muitas poucas pessoas conseguiam entender a enigmática vida de Michael, e eu não estou dizendo que sou único nesse aspecto. Entretanto, como um estudante de história, o que eu compreendo é que a vida de Michael, quando considerada pela ampla perspectiva das pessoas altamente criativas ao longo da história, não era tão incomum, apesar de tudo.

Por exemplo, vejamos Friedrich Nietzsche, o existencialista alemão nascido em 1844. Por toda a sua vida, ele foi continuamente fraco e atormentado por doenças, um perfeito recluso, um alcóolatra e considerado muito controverso para sua época. Suas ideias sobre Deus fizeram dele um completo pária para a maioria conservadora daquela época. Na faculdade, eu devorava Nietzsche muito por que ele era provocativo e profundo. Eu também achava que era legal ser controverso. “Aquilo que não nos mata nos torna mais fortes” se tornou o meu mantra. No final das contas, Nietzsche sofreu um colapso psicótico, teve dois derrames que o paralizaram parcialmente, e morreu de pneumonia, ainda nos seus 50 anos.

Veja Walt Whitman, o poeta transcendentalista do século dezenove que continua a ser um dos poetas mais influentes do mundo atualmente. Apesar disso, na sua época, muitos pensavam que ele era um homem louco. A homossexualidade, ou possível bissexualidade dele, simplesmente não pegou durante os anos da Guerra Civil. Ele se recusava a se comprometer com uma única religião, afirmando que todas são igualmente válidas. Ele passou um considerável tempo sozinho, e após sofrer um derrame perto do fim de sua vida, ele mal podia levantar um garfo e faca. Ele escreveu, “Eu sofro o tempo todo: não tenho alívio, nem escapatória: é monotonia – monotonia – monotonia – em sofrimento.” Ele também morreu de pneumonia.

Na esfera da religião, veja o profeta cristão, o homem conhecido como Jesus. Ele nasceu de descendência judia, e no entanto estava constantemente quebrando as leis judaicas e batendo de frente com os líderes religiosos de sua própria tradição. Jesus é também documentado em várias ocasiões como saindo sozinho e passando significativo tempo em solidão. Em um caso específico, ele passou 40 dias e noites num deserto, jejuando.  Bem extremo. Como você sabe, no fim ele foi sentenciado a morte por crucifixão.

Certamente poderíamos discutir mais exemplos. Enquanto alguns poderiam dizer que Michael Jackson não poderia estar em meio a esses homens, eu digo a você que Michael Jackson teve tanto impacto no campo da música e das relações raciais quanto esses grandes homens tiveram em seus campos específicos.

O argumento aqui é que esses indivíduos que provocam um grande impacto no mundo não marcham sob o mesmo ritmo das grandes massas.

Eles frequentemente, como Michael, vivem vidas controversas e turbulentas, e são frequente e imensamente mal compreendidos. Não é lamentável que quando uma pessoa está a 10 pés de distância (3 metros) ela seja considerada uma líder, mas quando está a 10 milhas (16km) ela seja considerada um alvo? Michael certamente teve a sua parcela de ser um alvo para a mídia. É fácil atirar naqueles que estão no topo, principalmente se esses são “diferentes o suficiente”.

Mesmo Michael tendo sido absolvido de todas as acusações em todos os seus julgamentos, não importava. Ele continuaria sendo atormentado por comentários negativos e alfinetadas. A mesma criatividade que nos trouxe o moonwalk, coreografias imensamente bem produzidas e música que emocionou e moveu todas as idades e raças foi da mesma mente singular que o levou a viver uma vida muito diferente que desafiou as normas da sociedade.

Resumindo, quando você é um pensador singular, você tem muito problema em se relacionar com a consciência de massa. A conversa fútil (papo furado, jogar conversa fora)  se torna dolorosa, e o seu mundo interior é mais gratificante que o mundo exterior. Isto resulta em um comportamento que frequentemente é mal interpretado como sendo distante, arrogante ou às vezes simplemente esquisito, o que é muito ruim pois as pessoas não fazem ideia de como pode ser solitário estar no topo. Além disso, a contribuição de muitos desses líderes normalmente não são apreciadas até um bom tempo depois que eles se foram.

A pesquisa de Howard Gardner, da Universidade de Harvard, sugere que existem oito diferentes tipos de inteligência. Inteligência musical é uma das oito categorias de Gardner. Enquanto a maioria das oito não é avaliada na escola ou na sociedade em geral, exceto as inteligências matemáticas e linguísticas, todas elas são igualmente importantes e valiosas.

É bem conhecido nos estudos da consciência humana que, citando Ken Wilbur, “quanto maior a profundidade que você tem, menor a amplitude”.  Em outras palavras, quando você é supremamente brilhante em uma área em específico, você pode mostrar deficiências em outras. Leia os relatos de Albert Einstein se perdendo em seu próprio campus ao ir de uma sala de aula para outra, e você verá que a estrutura de um gênio necessita uma profundidade tremenda enquanto que frequentemente deixa pouco espaço para os detalhes “menos importantes” da vida.

O que normalmente aparenta ser anômalo para as grandes massas pode ser apenas os comportamentos super-funcionais de um verdadeiro gênio com grande profundidade em sua área e uma falta de preocupação ou habilidade para se relacionar com as coisas mais mundanas da vida.

Então aqui está para a memória de um gênio musical, um ser humano único que será um ícone por gerações. Que nós todos sempre nos lembremos do que Michael disse em sua música, de que para fazer uma mudança positiva no mundo, nós primeiro devemos começar com ” o homem no espelho.” (Man in the Mirror)

Obrigado Michael.

Que você encontre a paz na próxima vida que você merece. Você fez uma diferença positiva. Você deixou um legado permanente. Apesar de poucos o compreenderem, você inflamou nossos espíritos e tocou nossas emoções com sua música e mensagem alegres. Os seus presentes irão continuar a tocar em nossas mentes e corações para sempre.