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Os arqueólogos que trabalham na cidade colonial norte-americana de Jamestown, na Virgínia, descobriram uma rara laje inscrita datada de cerca de quatro séculos atrás, nos dias iniciais do primeiro assentamento de colonos ingleses em território norte-americano. Os dois lados da placa estão recobertos de palavras, números e desenhos de pessoais, plantas e pássaros, que o proprietário da laje deve ter encontrado em sua vida no Novo Mundo no começo do século XVII.

A laje foi encontrada a alguns metros de profundidade daquele que parece ter sido o primeiro poço escavado no James Fort. O poço foi escavado no começo de 1609 pelo capitão John Smith, o mais conhecido entre os líderes coloniais de Jamestown, disse Bill Kelso, o diretor de exploração arqueológica no sítio. Caso seja possível se confirmar de que se trata do poço escavado por Smith, talvez se possa obter mais informações sobre os primeiros e difíceis anos da colônia de Jamestown.

O desenho de um homem gravado em uma laje de ardósia foi encontrado por arqueólogos em uma escavação em Jamestown, na Virgínia, no primeiro assentamento de colonos ingleses em território norte-americano

O desenho de um homem gravado em uma laje de ardósia foi encontrado por arqueólogos em uma escavação em Jamestown, na Virgínia, no primeiro assentamento de colonos ingleses em território norte-americano

Os registros históricos da colônia indicam que, por volta de 1611, a água do primeiro poço escavado por Smith se havia tornado insalubre, e por isso ele passou a ser usado como uma fossa para o lixo da colônia. Os arqueólogos descobriram a placa entre diversos outros objetos lançados ao poço pelos colonos.

Na Inglaterra do século 17, lajes de ardósia eram ocasionalmente usadas em lugar do papel, porque este era mais caro e não podia ser reaproveitado. De acordo com Bly Straube, a curadora de Historic Jamestowne, os colonos utilizavam telhas quebradas para desenhar jogos e escrever o que desejassem, porque o material das telhas permitia que as inscrições fossem lavadas e, assim, que as placas fossem reaproveitadas inúmeras vezes. “Lajes inscritas desse período são encontradas muito raramente na Inglaterra, e por isso pouco se sabe a respeito delas”, afirmou Straube.

A minon of the finest sorte

Os arqueólogos e os demais cientistas envolvidos no estudo do material escavado ainda não conseguiram decifrar o conteúdo da laje, a primeira contendo inscrições extensas a ter sido localizada em sítios de arqueologia das colônias norte-americanas do século 17.

A placa de 12,5 por 20 centímetros, bastante desgastada e arranhada, traz as palavras “a minon of the finest sorte”, Por sobre essa inscrição, há uma sequência de letras e números ¿”el nev fsh htlbms 508″-, entremeados por símbolos que ainda não foram interpretados. “Ainda não sabemos o que a inscrição e os demais sinais significam”, disse Kelso.

Mas existem algumas pistas. De acordo com Straube, “minon” é uma variação comum no século 17 para a palavra “minion”, que porta diversos significados, entre os quais o de servo, seguidor, camarada, companheiro, favorito ou de qualquer pessoa que dependa dos favores de um patrono. Um minon também pode ser uma espécie de canhão – e os arqueólogos localizaram no sítio do James Fort balas de canhão feitas de pedra que têm a dimensão exata das que um canhão minon requereria. (A inscrição, portanto, poderia ser interpretada como “um canhão (ou companheiro) da melhor espécie”).

Os desenhos que a placa oferece mostram diferentes plantas em floração e pássaros, entre os quais é possível reconhecer uma águia, uma ave canora e uma coruja.

“Os desenhos rústicos de aves e da flora oferecem uma indicação dramática do encanto que os colonos ingleses sentiam diante das maravilhas naturais do estranho Novo Mundo a que haviam chegado”, diz Kelso, que dirige todas as escavações no sítio. A laje também traz um esboço de um inglês fumando um cachimbo e a imagem de um homem, cuja mão direita parece estar faltando, vestindo um traje de colarinho rendado.

Ainda que não tenha sido possível determinar a idade da laje até o momento, os indícios arqueológicos – entre os quais cascos de tartaruga e cascas de ostras, cerâmica indígena, contas de vidro usadas para o comércio, cachimbos antigos, recipientes de medicamentos e peças de uso militar – indicam que o material tenha sido lançado ao poço em desuso durante os anos iniciais da colônia de James Fort, estabelecida em 1607.

Caso se trate efetivamente do poço de Smith, os arqueólogos consideram que a laje pode datar de 1611, quando a entrada do poço parece ter sido fechada, ou possivelmente dos anos imediatamente anteriores.

Outra recente descoberta realizada no mesmo poço foi a um brinquedo de latão para bebês, que combina um apito e um mordedor. Straube, a curadora da cidade histórica de Jamestown, diz que a parte do brinquedo usada como mordedor é feita de coral. No século 17, a crença era de que o coral fizesse bem às gengivas dos bebês, além de servir como uma substância mágica capaz de manter o mal afastado. A curadora acredita que o brinquedo pudesse pertencer a uma das mulheres que chegaram à colônia trazendo filhos pequenos, em 1609.

Pistas quanto ao proprietário da laje

Não há como determinar quem pode ter sido o proprietário, ou proprietários, da laje, por enquanto.

Straube disse que uma imagem, semelhante a uma palma, árvore em geral localizada da Carolina do Sul ao Caribe, sugere que os desenhos talvez tenham sido feitos durante a viagem da Inglaterra a Jamestown por uma rota que incluía passagem pelas Índias Ocidentais, no passado o caminho comum para viagens ao Novo Mundo.

Ou, ela afirma, a placa pode ter sido utilizada por um dos colonos que estiveram entre os 140 náufragos a sobreviver ao afundamento do Sea Venture, em 1609. O grupo passou 10 meses abandonado nas Ilhas Bermudas, e só chegou a Jamestown no segundo trimestre de 1610.

Um desenho que mostra três leões erguidos sobre suas patas traseiras, uma imagem utilizada no brasão de armas da Inglaterra durante o reinado de James 1°, entre 1603 e 1625, também foi descoberto na placa, e talvez possa indicar que o proprietário tinha algum envolvimento com o governo.

O arqueólogo Kelso sugere que a placa talvez fosse propriedade de William Strachey, que trabalhou como secretário na administração da colônia. Ele estava entre os colonos que naufragaram nas Bermudas e chegaram a Jamestown em 1610.

A curadora Straube acrescenta, além disso, que também é possível que a laje tenha sido usada por alguém que viveu em Jamestown e morreu no inverno de 1609/10, conhecido entre os colonos como “a era da fome”, quando o forte estava sob cerco dos nativos. Dos 200 moradores que se abrigaram no forte quando começou o cerco, apenas 60 sobreviveram.

Perto da placa, os arqueólogos afirmam ter encontrado ossos e dentes de cavalos que parecem ter sido abatidos, bem como ossos de cachorros que podem datar daquele infame inverno, no qual os colonos se viram forçados a comer seus cavalos e cachorros para sobreviver.

Também é possível que a placa tenha sido utilizada por mais de uma pessoa. “O estilo da escrita parece apresentar diferenças”, de acordo com Straube.

Camadas de imagens e palavras

As imagens gravadas na laje são difíceis de distinguir, porque sua cor, um cinza escuro, é bastante semelhante à da ardósia em que foram gravadas, o que causa confusão. Os colonos talvez utilizassem para escrever na ardósia um pequeno lápis retangular, também feito de ardósia, mas pontiagudo. Isso teria deixado uma marca branca na laje e, felizmente para os arqueólogos modernos, também um arranhão na superfície.

“É possível apagar a marca, mas não remover completamente o arranhão”, disse Kelso. “É por isso que vemos camada sobre camada de desenhos. De certa forma, funciona exatamente como a arqueologia. Se um dos traços corta outro traço, é possível determinar a ordem temporal em que foram gravados”.

Ele espera conseguir determinar a sequência exata em que as imagens foram gravadas na laje com a ajuda da Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (Nasa), que colocou à disposição do projeto um sistema de análise de imagens tridimensional de alta precisão, semelhante a um aparelho hospitalar de tomografia computadorizada, que ajuda a isolar as camadas e obter análise detalhada da laje, em um trabalho conduzido pelo Centro de Pesquisa de Langley.

Será que se trata do poço de John Smith?

Determinar se o poço localizado é mesmo aquele que foi escavado por John Smith ajudaria a compreender os primeiros e difíceis anos da colônia de Jamestown.

De acordo com os relatos deixados pelos primeiros colonos, a água do poço escavado por Smith se poluiu depois de um ano de uso. Alguns especialistas acreditam que a água insalubre, possivelmente causada por um contágio do poço por água salgada, tenha sido uma das causas dominantes de mortes na era da fome na colônia, somada aos efeitos da subnutrição, de doenças não relacionadas à água, dos desentendimentos entre os colonos e das batalhas contra os indígenas.

Localizado perto do rio James, e ao lado do primeiro dos armazéns construídos na porção central do forte, o poço foi descoberto no ano passado, e os arqueólogos iniciaram as escavações alguns meses atrás. Acreditam que tenha sido escavado antes de um poço datado seguramente de 1611, que fica um pouco mais longe do rio.

Kelso afirma que os colonos, depois de aprenderem uma lição difícil com o poço de Smith, teriam decidido escavar seu segundo poço o mais longe possível do rio, de maneira a evitar a contaminação de sua água pelas águas lamacentas do James.

Os arqueólogos até o momento escavaram até uma profundidade de 1,5 metro, e o poço parece estar se estreitando e assumindo um caráter circular, mais semelhante aos dos demais poços da era. Sua profundidade total pode atingir a entre 2,7 e 4,5 metros. Kelso afirma que será impossível afirmar com certeza se o poço em questão é aquele que Smith escavou antes que a escavação chegue ao fundo e que os objetos localizados nessa porção do sítio sejam datados com precisão.

A descoberta do poço, ele afirma “nos dará a chance de estudar de maneira mais séria a questão da saúde na colônia, e tentar descobrir o que contaminou a água e a estragou”. Algumas pistas quanto aos mistérios apresentados pela laje de 400 anos também podem emergir das novas escavações.

Outras imagens:

Fonte: Terra/National Geographic