Li a notícia e não pude evitar a associação com a ideia da SPA – Síndrome do Pensamento Acelerado, descrita pelo psiquiatra brasileiro e autor best-seller Augusto Cury.

Para os que não estão familiarizados com a SPA, explico: a Síndrome do Pensamento Acelerado se refere aos efeitos do excesso de estímulos que as novas gerações – sim, é um problema “moderno” – têm sofrido (pela tv, internet etc), que acarretam não apenas uma mudança drástica na qualidade dos pensamentos  -, mas principalmente na velocidade que os pensamentos surgem e mudam. A SPA seria então uma hiperatividade funcional não-genética.

Pessoas com SPA têm ansiedade demais e concentração de menos. O que explica o fato, como concluído na pesquisa abaixo, de que os mais jovens, atualmente, não terem “paciência” para ler um texto comprido (que derá um livro inteiro!) , pesquisar mais fontes ou sequer escrever um texto mais elaborado (= longo). Para atrair a atenção de pessoas com SPA é preciso causar muito impacto emocional, afinal, estão sempre procurando – compulsivamente, diga-se de passagem – por mais e mais estímulos. E isso não é observado apenas na Educação – em relação à imensa dificuldade que os professores têm em manter seus alunos concentrados ou pior, em atrair suas atenções – mas em tudo. Hoje, para um filme fazer sucesso, por exemplo, é necessário muito CG (computer graphics) e efeitos especiais. O mesmo padrão se observa com jogos de videogame, que estão cada vez mais detalhados e complexos. Alguém ainda lembra daquele joguinho de fazer a galinha atravessar a rua, dos bons e velhos tempos do Atari? E pensar que aquilo podia divertir famílias inteiras… Novamente, o padrão pode ser notado inclusive nos “novos relacionamentos” – é difícil se manter com uma pessoa de cada vez… O “ficar” é só um exemplo.  A ideia central da SPA é que as pessoas “portadoras da síndrome” nunca tem paz interior: as pequenas coisas do dia-a-dia não provocam nenhum prazer, o agora não é interessante, o que importa é o futuro e a busca por novos – e mais emocionantes – estímulos.

Segundo Cury, os sintomas da SPA são:

– Irritabilidade

– Insatisfação existencial

– Dificuldade de concentração

– Déficit de memória (esquecimento)

– Fadiga excessiva

– Sono alterado e/ou insuficiente

– Perturbações emocionais (flutuação do humor)

– Aversão à rotina

– Sofrimento por antecipação

– Muita ansiedade

Alguns dos sintomas psicossomáticos decorrentes da SPA são:

– Dor de cabeça

– Dores musculares

– Taquicardia

– Gastrite

O autor destaca ainda, em seu livro “Pais Brilhantes, Professores Fascinantes” que:

“Com respeito ao excesso de informação, é fundamental saber que uma criança de sete anos de idade da atualidade tem mais informações na memória do que um ser humano de setenta, há um ou dois séculos.”

(pg. 61)

Para Cury, o grande problema da baixa qualidade de vida do homem moderno reside exatamente no “pensar demais”. É bom pensar, é claro. É necessário, em boa parte das situações da vida. Mas a grande questão, creio eu, reside na seguinte reflexão:

Eu controlo meus pensamentos ou são os meus pensamentos que me controlam?

Você consegue se “desligar”? Consegue manter o “silêncio”, não só exterior, mas interiormente?

Se você sentiu-se impaciente ou inquieto ao ler esse post até aqui, ou observou que possui alguns (ou até todos) dos sintomas da SPA, está na hora de desacelerar… Vá para um lugar silencioso, tenha um hobby relaxante (pintura, artesanato, desenho etc), desligue-se da TV e do computador sempre que puder, faça meditação (tá pra nascer algo melhor do que meditação para tranquilizar a mente e inspirar o espírito), leia um bom livro, pratique um esporte ou atividade física. Enfim, concentre-se em ter pensamentos melhores, ao invés de mais pensamentos. No que se refere ao ato de pensar, menos é sempre mais.

E vamos ao estudo:

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A internet está comprometendo a capacidade de concentração dos jovens, segundo um estudo da University College de Londres.

David Nicholas, o acadêmico responsável pelo trabalho, chegou à conclusão que os adolescentes estão perdendo a capacidade de ler e escrever textos longos, já que a grande rede faz com que as mentes desse grupo populacional funcionem de um modo diferente do cérebro de gerações anteriores.

Durante o estudo, 100 pessoas foram convidadas a responder perguntas que exigiam um pouco de pesquisa. Os mais jovens (de 12 a 18 anos) escreveram suas respostas após consultar metade dos sites visitados por um grupo de pessoas mais velhas instruído a fazer o mesmo. Também foi constatado que as respostas dos mais novos eram mais incompletas.

Segundo Nicholas, 40% dos adolescentes que participaram do estudo não consultaram mais que três das milhares de páginas encontradas na internet sobre um determinado assunto.

Já as pessoas que se educaram antes da chegada da internet voltavam às mesmas fontes e se aprofundavam nelas em vez de pular de uma página para outra.

Há provas empíricas de que a sobrecarga de informação e o pensamento associativo está remodelando o funcionamento do cérebro dos jovens“, destacou o psicólogo Aleks Krotoski.

Fonte: EFE/Terra