E mais uma vez os efeitos do exagero no uso de computador e internet vira notícia.

Achei interessante os comentários que li sobre a notícia, que retirei do site do Estadão.com.br. Alguns ali defendem o uso ilimitado do computador e da internet alegando que é melhor deixar o filho passar horas ali porque as únicas opções que o “mundo real” dá são as festas raves, criminalidade, drogas e promiscuidade. Alguém realmente acredita  nisso? Será mesmo que fecharam todos os teatros? Quadras poliesportivas? Bibliotecas? Fundações culturais? Cinemas? Museus?  Acabaram-se todas as exposições e feiras culturais? Será mesmo que a única opção que um jovem tem hoje para não debandar para o “lado negro da força” é passar a vida em frente ao computador??? Praticar um esporte, ler um livro, passear ao ar livre,viajar, são realmente coisas do passado???

Pior do que o uso exagerado do pc e da internet é querer justificar a dependência dizendo que não há nenhuma opção melhor. É você quem cria suas oportunidades/opções. Mas o mundo virtual é mesmo muito mais sedutor exatamente porque é um mundo fácil de viver. Não é preciso mostrar a cara, não é preciso ter responsabilidades, não é preciso encarar nada. Você nem precisa ser você mesmo, pode escolher ser outra pessoa. Pode ser um super-herói. E enquanto isso, no mundo real, a vida passa. A juventude passa. Mas é difícil pensar nisso quando se é jovem. Todo mundo pensa que vai morrer “de velho”. Mas a realidade é que todos nascemos já “grávidos” da morte. E ninguém sabe de quanto tempo será a sua gestação. A morte, o desconhecido, é a única certeza que temos na vida. E, sinceramente, é melhor caminhar em direção ao desconhecido do que ser surpreendido por ele.

O mundo não é seguro. O  mundo nunca será seguro (é da própria Natureza ter seus momentos de fúria). E é bom que seja assim. De que outro modo nós reconheceríamos as coisas que consideramos boas e importantes em nossa vida? Então, qual é a lógica de ficar evitando contado direto com a realidade?

Admitir o problema é o primeiro passo para a cura. Não existem “dias mágicos” – você não acorda um belo dia e tudo está melhor sem que você precise tomar uma atitude para isso. Todo mundo só colhe o que planta. Não dá para plantar limão esperando colher morango. É muito fácil  colocar a culpa na “educação brasileira”, na “situação econômica”, na “sociedade degradada”, na “falta de valores”, na “segurança pública”. As pessoas estão sempre procurando algo fora delas para por a culpa. Agora,veja como é preocupante  pensar assim. Se a “sociedade degradada” é a culpada por algum jovem passar a vida na internet, imagine quantas pessoas ele teria que mandar para a terapia para que a vida dele então possa melhorar… Ou se o problema é a “educação brasileira”… Imagine quantas reformas, não apenas políticas, mas também na cabeça dos próprios professores que insistem em defender métodos ultrapassados de ensino, teriam que acontecer para que então a vida desse jovem possa ficar do jeito que ele gostaria. Ou pior, se a desculpa é a “segurança pública”. Imagine toda a revolução que teria que ocorrer, para acabar 100% com a criminalidade no país, para que então o nosso jovem pudesse se sentir seguro para viver no mundo real!

É…para quem pensa assim a melhor coisa a fazer é realmente esperar sentado… na frente do computador…

Vamos à notícia:

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Serviço será oferecido pela Santa Casa do Rio; jovens estão inscritos

A maioria dos pais não percebe o problema. Acha que é coisa da idade e que um dia passa. Mas crianças e adolescentes que permanecem horas diante do computador jogando ou “conversando” em sistemas de mensagem online podem ser dependentes eletrônicos.

Por isso, a Santa Casa de Misericórdia do Rio decidiu abrir um ambulatório para tratar de jovens que sofrem desse tipo de compulsão. É um dos primeiros serviços do País para dependentes eletrônicos. Em São Paulo, o Hospital das Clínicas acompanha jovens e adultos viciados em internet desde 2006 (mais informações nesta página).

“É algo tão grave quanto adultos viciados em jogo ou em álcool”, acredita Fábio Barbirato, de 40 anos, chefe da psiquiatria da Santa Casa do Rio.

O serviço começa a funcionar no próximo mês. Cerca de cem crianças e jovens estão inscritos, mas nem todos são necessariamente viciados. Há jovens que sofrem de compulsão. Outros, porém, podem ser apenas casos típicos de falta de limites.

Os pais não foram criados na era digital. Na época deles, as crianças se reuniam para jogar War e outros jogos de tabuleiro. Não sabem muito bem como lidar com o computador e estabelecer os limites para os filhos. E os jovens que têm predisposição a desenvolver compulsão, com o tempo acabam ficando dependentes.”

Segundo Barbirato, a Associação Americana de Pediatria defende a tese de que crianças e jovens com até 17 anos não deveriam passar mais do que duas horas por dia usando o computador como diversão. Esse é o limite saudável. “O uso exagerado pode provocar sedentarismo, problemas de aprendizado e dificuldade no relacionamento social. A criança se isola, não convive mais com outras pessoas. E, pelo tipo de linguagem que eles usam no computador, ainda ficam mais propensos a cometer erros de ortografia.”

Vício em Computador

O adolescente que tem compulsão vai aumentando progressivamente o tempo que passa no computador. “Ele deixa a vida de lado para ficar conectado. Geralmente tem queda no rendimento escolar e reduz o seu círculo social. É algo que ele não consegue controlar“, completa o chefe da psiquiatria. Quando é proibido de ficar no computador, o jovem apresenta um quadro de abstinência semelhante, em alguns casos, ao apresentado por viciados em drogas. “O adolescente fica agressivo. É algo patológico.”

Os sintomas de abstinência mais comuns são depressão, isolamento, angústia, ansiedade e agressividade. “Há casos de jovens que chegam a roubar dinheiro para ir a lan house. É muito sério”, diz Barbirato.

O primeiro passo do tratamento é orientar os pais e tratar o jovem por meio de terapia. “Nos casos mais graves temos que recorrer a remédios. Esses jogos são cada vez mais estimulantes e provocam reações no cérebro.” Segundo o psiquiatra, o Brasil ainda não despertou para o problema. “Fala-se pouco disso aqui. Nos Estados Unidos já vem sendo debatido em congressos de psiquiatria. Justamente por essa razão, resolvemos implantar o serviço voltado para crianças e jovens na Santa Casa”, afirma.

DEPRESSÃO

Estudo publicado na edição mais recente da revista Psychopathology afirma que quem passa muito tempo na internet tem mais propensão a apresentar sintomas de depressão.

Mas os psicólogos da Universidade de Leeds, no Reino Unido, não sabem dizer se é o uso excessivo da rede que causa depressão ou se os deprimidos é que procuram fugir da realidade no mundo virtual.

Foram pesquisados 1.319 britânicos de 16 a 51 anos. Desses, 1,2% era viciado em internet e passava mais tempo que a média em sites com conteúdo sexual, de games ou de comunidades online. Tinham também incidência maior de depressão do que os usuários normais.

SAIBA MAIS

Segundo especialistas do HC, pessoas que se encaixem em pelo menos 5 dos 8 itens abaixo devem procurar ajuda psicológica porque podem estar fazendo uso abusivo da internet. São eles:

Preocupação excessiva com a internet

Necessidade de aumentar o tempo online para ter a mesma satisfação

Ter de fazer esforços para diminuir o tempo de uso da internet

Apresentar irritabilidade e/ou depressão

Apresentar instabilidade emocional quando o uso da internet é restrito

Permanecer mais tempo conectado do que o programado

Ter o trabalho e as relações familiares e sociais em risco pelo uso excessivo

Mentir para os outros a respeito da quantidade de horas conectadas

Fonte: Estadão