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25/01/2009

(Fóssil contraria teorias sobre evolução de vertebrados)

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Escrito por: Karina
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Caixa craniana pertencente à espécie de peixe semelhante ao tubarão demonstrou que história evolutiva terá de ser revista

Caixa craniana pertencente à espécie de peixe semelhante ao tubarão demonstrou que história evolutiva terá de ser revista

A descoberta da mais antiga caixa craniana já encontrada de uma espécie de peixe semelhante ao tubarão demonstrou que algumas das suposições sobre a evolução inicial dos vertebrados estão “completamente erradas”, na opinião de especialistas.

O espécime de 415 milhões de anos de idade de um peixe conhecido como Ptomacanthus é apenas a segunda caixa craniana conhecida para a família de peixes dos acantódios, um grupo há muito extinto de peixes identificados com base em pequeno número de fósseis que viveram perto da época em que os peixes com estruturas ósseas e os peixes cartilaginosos – animais cujos esqueletos são feitos de uma espécie de tecido conectivo – se cindiram em dois ramos de desenvolvimento separados.

A outra caixa craniana fóssil localizada para o grupo, pertencente a um peixe conhecido como “Acanthodes”, data de 100 milhões de anos depois que o grupo dos acantódios surgiu, o que faz com que a maior parte desse período na evolução do grupo seja nebuloso para os estudiosos.

“Nós já conhecíamos os acantódios há pelo menos 150 anos ou mais, mas nunca havíamos conseguido localizar uma caixa craniana”, disse o Martin Brazeau, diretor científico do estudo, doutorando da Universidade de Uppsala, na Suécia. “Descobri-la e encaixá-la agora é algo excepcional”.

Antes da descoberta, a maioria dos cientistas acreditava que as caixas cranianas dos acantódios fossem semelhantes às dos peixes dotados de estrutura óssea, e que eles fossem, por isso, parentes desse tipo de animal.

Mas dados identificados por meio do estudo do novo fóssil parecem oferecer sustentação a uma idéia emergente – a de que esse grupo de peixes do passado distante incluía uma mistura diversificada de formas e características, e que, por isso, eles representam um desafio a uma classificação inflexível.

Preservação benéfica

Os esqueletos menos rígidos dos peixes primitivos não costumam passar bem pelo processo de fossilização, e isso oferece aos cientistas um número relativamente pequeno de caixas cranianas ou outras porções da estrutura óssea a estudar.

Mas Brazeau suspeitava que, sob circunstâncias ideais, alguns ossos seriam capazes de sobreviver ao teste do tempo. Por isso, decidiu estudar com a máxima atenção o bem preservado espécime do Ptomacanthus, que foi detalhadamente descrito na literatura científica há pelo menos 30 anos. “E, certamente, o espécime tinha uma caixa craniana bem preservada”.

A criatura do passado longínquo apresenta características bastante assemelhadas às de um tubarão – fileiras sucessivas de dentes, por exemplo, e um focinho relativamente curto – e se parecia pouco com os peixes dotados de ossos sugeridos pela caixa craniana do Acanthodes. Diferenças desse porte em um mesmo grupo abalam as suposições anteriores de que um determinado conjunto de espécies com características assemelhadas se enquadra em categorias claramente definidas.

Agrupar peixes dessa maneira “nos oferece uma imagem pouco nítida da evolução”, disse Brazeu, cujo trabalho foi publicado em artigo pela revista Nature. “Precisamos encontrar intermediários entre os grupos, localizar mais fósseis e descobrir se deixamos escapar alguma coisa”.

Descoberta histórica

Michael Coates, professor de biologia do organismo na Universidade de Chicago, não participou do novo estudo mas reconhece. “A percepção comum é a de que os tubarões são, de certo modo, primitivos se comparados aos peixes dotados de ossos. “Estamos falando de uma parte importante do enigma da interpretação de um dos eventos mais importantes não apenas na história evolutiva dos seres humanos mas na da vasta maioria dos animais vivos dotados de uma espinha dorsal”, afirmou.

John Maisley, curador da divisão de patologia do Museu Americano de História Natural, em Nova York, tampouco esteve envolvido na pesquisa e disse que “a visão clássica de que existem dois vertebrados dotados de mandíbulas – os equipados com ósseos e os semelhantes aos tubarões – pode proceder, mas ao consideramos o registro fóssil mais antigo, a situação se torna mais complicada”, afirmou.

“Trata-se da primeira movimentação importante que tivemos com relação a essa porção da árvore evolutiva nos últimos 100 anos”, declarou Maisley, que também estuda peixes primitivos semelhantes aos tubarões.

Christine Dell’Amore

Fonte: Terra Notícias/ National Geographic



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