Professor estudava imagens de cérebros de psicopatas quando descobriu o próprio diagnóstico

Predisposição genética não é, nunca foi e nunca será destino… este é mais um dos inúmeros casos que mostram que o meio é muito mais influente do que os genes. De fato, nas palavras do biólogo Bruce Lipton:

[quote]”Uma coisa é dizer que um fator está relacionado a uma doença, outra é dizer que ele é a causa dela, pois isso envolve uma ação direta. (…) Determinados genes estão relacionados ao comportamento de um organismo e às suas características. No entanto, permanecem em estado passivo a menos que uma força externa aja sobre eles.”[/quote]

Ou ainda, nas do biólogo H. F. Nijhout:

[quote]”Quando uma determinada característica de um gene se faz necessária, o ambiente gera um sinal que o ativa. O gene não se manifesta por si só“.[/quote]

Recomendo a leitura do livro “A Biologia da Crença”, de Bruce Lipton, para os que se interessarem em saber mais sobre a epigenética.

O caso do professor abaixo demonstra também o quanto ainda tateamos no escuro (academicamente falando), no que diz respeito à compreensão de nossa própria psique…

Os grifos são meus:

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Neurocientista analisa o próprio cérebro e descobre por acidente que é psicopata

 

Profissional usou diagnóstico para escrever livro e mudar sua hipótese sobre a psicopatia. “Nunca matei ou estuprei”

O premiado neurocientista James Fallon estava sentado em seu escritório, em outubro de 2005, vasculhando exames de pessoas com graves distúrbios psicológicos quando se deparou com a imagem de um cérebro de psicopata – o seu. Fallon, um professor de psiquiatria e comportamento humano da Universidade da Califórnia em Irvine, nos EUA, viveu os 58 anos de sua vida pensando ser um homem bem ajustado, com uma carreira admirável e uma família amorosa. Ele foi criado por ótimos pais e casou-se com seu primeiro amor, Diane, quem conheceu aos 12 anos e teve três filhos.

Fotos da página do neurocientista James Fallon na rede social Facebook

Fotos da página do neurocientista James Fallon na rede social Facebook

Mas foi em uma tarde, no outono de 2005, quando Fallon descobriu uma verdade chocante sobre si mesmo que iria levá-lo a questionar sua própria identidade. Naquele dia, o neurocientista estava explorando milhares de imagens de cérebros como parte de um projeto de pesquisa sobre assassinos em série.

‘Eu estava olhando para muitas fotos, imagens dos cérebros de assassinos misturados com esquizofrênicos, depressivos e até outros normais”, disse à revista Smithsonian. Coincidentemente, na mesma época, Fallon também estava envolvido em um estudo sobre Alzheimer e realizou exames no próprio cérebros e de outros membros de sua família.

Revisando as imagens do projeto sobre Alzheimer, ele notou a imagem de um cérebro que revelava baixa atividade em partes responsáveis pela empatia, moral e auto-controle, características básicas para o comportamento criminal. Curioso sobre a identidade do paciente, o especialista olhou o código da imagem e descobriu que se tratava do próprio exame.

Ao invés de esconder a notícia desconcertante, o professor decidiu tornar o seu diagnóstico público. Após dar entrevistas sobre o seu caso, Fallons escreveu um livro chamado “O Psicopata no Interior” , onde procura explicar como um pai feliz no casamento também pode ser um psicopata com as mesmas características genéticas de assassinatos em massa.

Professor estudava imagens de cérebros de psicopatas quando descobriu o próprio diagnóstico

Professor estudava imagens de cérebros de psicopatas quando descobriu o próprio diagnóstico

“Eu nunca matei ninguém ou estuprei alguém”, disse. “Então, a primeira coisa que pensei foi que talvez a minha hipótese estava errada, e que essas áreas do cérebro não são reflexo de psicopatia ou comportamento assassino”. Fallon, em seguida, foi submetido a uma bateria de testes genéticos, que mostraram que ele tinha uma predisposição para agressão, violência e a baixa empatia. O que o distingue de um Charles Manson ou Ted Bundy, no entanto, é que ele não age sobre suas tendências agressivas.

Em retrospecto, a revelação de que Fallon tinha muito em comum com maníacos homicidas não veio como uma completa surpresa: o professor de 58 anos descobriu ter ao menos 6 assassinos na família do pai. Um homem foi enforcado em 1673 por matar a mãe. Outro parente de Fallon é Lizzie Borden, que foi levado a julgamento, mas absolvido, dos assassinatos de seu pai e a madrasta em 1892.

Fallon acredita que, graças à sua educação e apoio de sua família , ele tem sido capaz de canalizar e apertar para baixo suas tendências psicopatas. “Eu sou irritantemente competitivo. Eu não deixo meus netos ganharem jogos. Eu sou uma espécie de um escroto, e eu faço brincadeiras estúpidas para irritar as pessoas”, admitiu. “Mas a minha agressão é sublimada. Eu prefiro bater em alguém em uma discussão do que vencê-lo na briga física.”

Segundo a teoria de Fallon, sua capacidade de não agir com sua psicopatia está enraizada no amor incondicional que seus pais lhe deram. “Eu tive uma infância encantada, nunca foi abusado. Ninguém fez nada de ruim o suficiente para me transformar em um assassino “, disse ele. “Isso mostra que os genes não são uma sentença de prisão.”

Fonte: Último Segundo