“Tudo que está acontecendo para você é o seu passado. O que é bom no passado é bom agora, o que é ruim no passado é ruim agora. Você deve mudar, e essas experiências são uma nova chance para isso. Todo encontro é um encontro com você. Quando você encontra alguma coisa que você não gosta, esse é o momento de se perguntar por que você não gosta. O que você vê de dificuldade em outras pessoas é o espelho das suas inabilidades, da falta do conhecimento de si mesmo. Quando você entende isso, você responde de um forma diferente. Isso requer atenção e treino. Precisamos estimular as pessoas a reconhecer o que é verdadeiro e o que não é. Precisamos viver com mais responsabilidade e honestidade, para com o próximo e para com nós mesmos. Precisamos descobrir que somos divinos.”

(Robert Happé)

O que ele está dizendo não é novidade alguma.

E no entanto…

O óbvio pode ser iluminador quando percebido de modo incomum.

Robert Happé é um filósofo holandês, “filho da guerra”, que viajou o mundo buscando as respostas para todas aquelas perguntas que todo mundo já se fez, está fazendo ou fará eventualmente em sua vida. Sabe? Perguntas como “porque a vida é assim?”  (ou “tem que ser assim?”), “porque tanto sofrimento?”, “porque nos matamos tanto?” (principalmente por causa de OPINIÕES divergentes, sejam elas religiosas, políticas ou culturais)…  E parece que ele encontrou o que procurava.

Conhecer outras culturas, outros países, outras filosofias, outras religiões, outros modos de vida e pontos de vista pode ser (para aqueles que sabem ver) um grande chá de realidade.  Mas é só para quem sabe ver. Para quem vai além daquilo que parece “diferença” e percebe as semelhanças.

Os de mente aberta vêem a verdade em diferentes coisas; os de mente pequena vêem somente as diferenças.

O vídeo tem apenas 34 minutos, e é uma entrevista em casa. Robert fala sobre a vida em geral, sobre religião, sobre guerra, sobre “diferenças”, sobre Deus.

Nada é novo.

E no entanto…

http://video.google.com/videoplay?docid=-8729852584459214236&hl=pt-BR&emb=1

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Mais sobre Robert Happé:

Ele nasceu em Amsterdã, Holanda, debaixo de um bombardeio. O pai havia sido preso por soldados alemães e a família de mulher e três crianças foge para uma cidade menor e mais segura. O irmão e a irmã mais velhos brincam na rua, enquanto a mãe tenta dar de comer para o mais novo. Aviões sobrevoam o lugarejo. Nova explosão e a rua inteira está em ruínas. Da casa só resta a cozinha. Da família só ficam a mãe e o garoto. A mulher desaparece e uma família pega o menino para criar. Pouco mais de um ano após o fim da guerra, um homem aparece e diz: “Eu sou seu pai.” O menino se agarra ao destino. O pai encontra a mãe em um hospital psiquiátrico e a família volta para Amsterdã para recomeçar a vida e continuar o drama. Uma nova criança nasce, dando força â família do pós guerra. Mas a mulher adoece de câncer e tempos depois morre. O garoto continua vendo a mãe, que aparece para dizer que “tudo está” bem.

Com seus 16 anos, ele coloca uma mochila nas costas e parte para a grande aventura de descobrir o mundo e seus mistérios. “Por que a vida é assim?” Por que todo mundo mata todo mundo?” Por que tanto sofrimento?” Ele estuda psicologia, mas não encontra respostas ali. É tempo de servir o Exército, mas o jovem não quer aprender a matar pessoas. Fica preso por desobediência, lava latrinas e trabalha na cozinha, até que o Exército se livra do soldado fracassado. Sem dinheiro e com muito pouco a perder, o rapaz viaja pela Europa de carona. Na Suíça, trabalha na cozinha de um restaurante. Depois, de garçom em bares da Espanha. Conhece o submundo dos clubes de jogos na Inglaterra, onde trabalha nas mesas de pôquer. As antigas perguntas permanecem na cabeça e ele segue para o Líbano atrás das respostas. Depois passa cinco anos estudando Filosofia Oriental na Índia. Não foi suficiente e ele continua viajando pelo país. Depois vai para o Nepal, Tibet e, finalmente, Camboja, onde, aos 31 anos, termina a busca e começa a missão de dividir com o mundo seus conhecimentos sobre o significado da vida.

Hoje, aos 65 anos, o filósofo Robert Happé é um desses seres humanos raros, que abraçam e beijam todo mundo. Nesses mais de 30 anos de peregrinação, tem encantado platéias por onde passa, não apenas por suas idéias, mas pela maneira simples com que fala delas. Autor do livro Consciência é a Resposta (lançado em 1997 pela editora Talento), atualmente divide seu tempo entre a convivência com a família – ele é pai de um garoto de 14 anos -, a produção de um segundo livro e os seminários na Europa, Estados Unidos, Argentina e Brasil, país que ele define como “a última esperança”.