(…) “Lembre-se de minha afirmação anterior de que a experiência do mistério não vem de esperá-lo, e sim quando você abandona todos os seus programas, pois eles são baseados em medo e desejo. Descarte-os e virá o fulgor.”
Joseph Campbell
Neste post, trago aquele vídeo do Osho que mencionei no post “Osho em: Deus x Religião“, em que ele fala que não acredita em Deus e porquê. O vídeo é ótimo e divertido (como todos os vídeos do Osho) e só fiquei frustrada porque só descobri que o vídeo legendado já existia num site da internet depois que já o tinha traduzido e legendado também… Mas tudo bem, vou trabalhar em outros (fiz um acordo com o pessoal da Osho International Foundation).
Pois bem! O vídeo em questão traz a visão de Osho a respeito da forma tradicional de se entender Deus e de porque essa forma é irracional. Abaixo do vídeo coloquei um outro excerto de um capítulo do livro “A Divina Melodia” em que perguntam a Osho como se faz para “saber mais sobre Deus”. Depois de ver o vídeo e ler o texto, repare novamente na citação de Campbell que introduz este post…
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Eu gostaria de poder saber mais a respeito de Deus. Você pode me ajudar, Bhagwan?
Não há jeito de se saber mais a respeito de Deus. Você pode conhecer Deus, mas você não pode saber mais a respeito de Deus. Saber mais a respeito de Deus não é conhecê-Lo. Saber mais é informação; conhecer Deus é uma dimensão totalmente diferente. Saber a respeito é informação – você pode continuar, sabendo mais e mais a respeito, mas nunca chegará a Deus. Conhecer Deus é totalmente diferente de saber a respeito de Deus.
Você pode saber muito sobre o amor sem conhecer absolutamente o amor. Você pode ir às livrarias, consultar as enciclopédias e coletar toda a informação possível sobre o amor – mas se o amor não aconteceu a você, você não saberá o que é o amor. Você pode coletar todas as histórias sobre o amor – Laila e Majanu, Shiri e Farahad -, pode coletar histórias sobre todos os amantes do mundo; isso também não ajudará. O amor tem que acontecer a você; você tem que se apaixonar. Você tem que se arriscar, tem que jogar tudo – só então você saberá.
Você diz: “Eu gostaria de poder saber mais a respeito de Deus.” Primeira coisa: saber mais não será de muita ajuda. Assim que uma pessoa
se torna um estudioso, um pândita – bem-informada. Não estou aqui para ajudá-lo a tornar-se mais bem- informado; você já tem muitas informações. Eu estou aqui para destruir o seu conhecimento, tírá-lo de você. Você tem que aprender como desaprender.
Você diz, ‘que “Eu gostaria”. “Gostaria” é uma coisa muito fraca, que não faz com que ninguém chegue até Deus. Mais insistência, um desejo mais profundo é necessário … um desejo que se torne uma chama em você. Uma fome é necessária; “gostaria” não ajudará. Uma sede é necessária … como se você estivesse perdido no deserto do Saara, e por milhas à sua volta, apenas areia, areia, areia, e um sol ardente, nenhuma gota de água com você, e não se avista nenhum verde, e você está com sede, todo o seu ser está por um fio – a qualquer momento você pode morrer – e a sede aumenta, e você se torna uma chama … nessa sede Deus é possível.
Torne-se sedento. “Gostaria” não é o suficiente; é muito fraco;
Ouvi contar …
Um mendigo faminto parou numa casa de campo e pediu alguma comida. A dona da casa trouxe-lhe alguma coisa, e ele sentou-se na porta dos fundos, deliciando-se com a comida.
Logo que ele sentou, uma pequena galinha ruiva passou correndo, fugindo de um galo que vinha em seu alcanço. O mendigo jogou um pedaço de seu pão para o galo, que parou instantaneamente sua perseguição, e avidamente engoliu o pedaço de pão.
“Nossal” exclamou o mendigo. “Espero que eu nunca fique com tanta fome assim!”
Você tem que estar tremendamente faminto. Não pode ser apenas uma curiosidade. Deus não pode ser um objeto de curiosidade; Deus não pode ser um objeto de seu pequeno desejo. Deus não é a satisfação de uma vontade, não é um sonho seu. Deus tem que ser como uma chama em suas entranhas. Quando você começar a sentir que nada mais importa, quando Deus é a prioridade máxima e você está pronto a sacrificar tudo, quando Deus se torna um desejo tão urgente, absorvente, que até mesmo a vida não tem mais sentido sem Deus – só então você chegará a Ele. E aí, não há necessidade de ninguém que o ajude; seu desejo fará o trabalho.
Nessa sede premente, nessa intensidade, tudo o que é escuro em você desaparece. Nessa chama, tudo o que é inútil é consumido. Você se torna ouro puro.
Deus é a sua realidade, assim como é a minha realidade. Deus é a sua realidade assim como era a de Jesus Cristo ou de Gautama Buda. A diferença é que você ainda não é capaz de separar o joio do trigo; o trigo está em você, mas há muito joio misturado. Num tremendo desejo de conhecer, de ser, o joio é exterminado – e não há outra maneira.
Quando você vai a um Mestre, ele, na verdade, não o ajuda a chegar a Deus: ele o ajuda a se tornar cada vez mais sedento. Ele o ajuda a se tornar cada vez mais intensamente faminto. Ele lhe dá sede e fome; ele lhe dá uma paixão louca pelo impossível.
Um homem veio até Buda e perguntou: “Se eu o seguir, serei capaz de conhecer a verdade?” Buda disse: “Isso não é certo; não posso garanti-lo. Posso garantir apenas uma coisa: eu o tornarei cada vez mais sedento. Então, tudo o mais dependerá de você. Posso transferir minha sede para você, se você estiver pronto para permitir tamanha sede … pois é doloroso. A jornada é dolorosa; todo crescimento é doloroso. Se você permitir que eu crie essa dor em você, a própria dor o purificará. A dor é um processo de purificação.”
Por isso nunca diga que você gostaria de saber a respeito de Deus, nem que gostaria de saber mais. Ou Deus é conhecido ou não é – mais ou menos seria absurdo. Você não pode dividir Deus assim: “Eu sei um pouquinho, alguém sabe um pouco mais, alguém sabe quase a metade e alguém sabe cem por cento.” Deus não pode ser dividido; ou você sabe ou não sabe. E o conhecimento de Deus não é como qualquer outro conhecimento. Não é como o conhecimento científico, que você vai aumentando cada vez mais, como uma progressão que continua e nunca termina. Não é um conhecimento a partir do exterior. O conhecimento de Deus não é bem um conhecimento, é mais como o amor. Você desaparece em seu amado – essa é a única maneira de conhecer. E quanto mais você desaparece em seu amado, mais você sabe que não sabe.
Os maiores conhecedores de Deus sempre dizem que não sabem. Eles são como gotas no oceano: elas caem no oceano e desaparecem, e o oceano cai nelas e desaparece. Então, quem é o conhecedor e quem é o conhecido?
Kabir disse: “Eu estava procurando e procurando e procurando, e então eu me perdi; aí aconteceu o milagre dos milagres. Quando eu não estava mais lá, você estava, bem em frente a mim. E quando eu estava lá, procurando e procurando, você estava tão distante – nem mesmo um vestígio. E agora, olhe … Eu desapareci. Procurando, eu me perdi completamente; toda a minha busca me absorveu, me destruiu completamente. Agora eu não estou mais … e meu Senhor, você está aqui bem à minha frente.”
Kabir disse que aquele que procura nunca alcança o procurado. O homem nunca se defronta com Deus – porque, a menos que você desapareça, ele não pode aparecer; assim, não há ponto de encontro. Quando você está, ele não está; quando ele está, você não está – assim, como você pode afirmar que sabe? Quando você não está – só então ele está. Quando o conhecedor desaparece, o conhecimento aparece; não pode ser apenas a satisfação de uma vontade.
Posso ajudá-lo a se tornar uma chama – sedenta, faminta, ardente; posso dar-lhe a dor. Então todo o resto depende de você – o quanto você entra nessa dor, nesse fogo. Você pode dar um salto, e Deus pode acontecer num momento repentino. Não há necessidade de esperar, nem de adiar. Neste exato momento pode acontecer … se você estiver pronto para entrar totalmente nessa dor.
Submarino:
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olá, sou sannyasim do Osho, estou gostando muito do material publicado pelo seu site, este video do osho também é ótimo, contudo gostaria de grava-lo e não estou conseguindo, pois sou professor de filosofia e gostaria de passar este video, como posso obter este video? aguardo resposta.
Oi Salomão!
O site onde o vídeo está publicado (o DotSubs.com) realmente não dá a possibilidade de baixá-lo. Eu tenho esse vídeo no computador, com uma tradução e legendagem feita por mim, diferente dessa que está aqui no post (na verdade, a minha tradução está mais de acordo e melhor sincronizada com o vídeo). Eu enviei a minha tradução e legenda desse vídeo para a Osho International Foundation, que detém todos os direitos de imagem, som ou texto do Osho, e eles irão avaliá-la. Se tudo der certo, eles mesmo irão disponibilizar o vídeo no Youtube (o que seria ótimo, já que o site DotSubs é praticamente desconhecido no Brasil). Do Youtube já dá pra baixar os vídeos. Porém, não sei quanto tempo eles irão levar para colocar o vídeo lá (no caso de gostarem da minha tradução), e não sei da sua pressa em ter o vídeo para sua aula. Numa dessa, eu até poderia te passar o vídeo que eu fiz, mas é algo que não pode ser vendido ou disponibilizado sem a permissão da OIF (http://www.osho.com/ ).
Qualquer coisa, entre em contato comigo pelo email: webmaster@inconscientecoletivo.net
Salomão, baixe o programa Keep Tube, com ele da pra baixar o video (eu testei aki). Da pra baixar quase qualquer video desses tipos de sites. Porém no caso desse video do Osho a legenda não aparececeu.
Pois é, a legenda é colocada pelo próprio player! Na verdade, se vocês apertarem na setinha ao lado do idioma, no vídeo, verão que há várias legendas para inúmeros outros idiomas! A ideia desse site ali é muito boa, mas só pra quem ou entende o idioma original e vai traduzir ou para quem só vai assistir ao vídeo pelo site mesmo. :-/
Osho é de uma serenidade magnifica, pq as pessoas não raciocinam desse modo?Por que é tão dificil aceitar que não há Deus?
Falta muito amor no mundo e ainda insistem em disperdiça-lo com um ser imaginário, isso é algo que não consigo compreender.
Osho forever!
Achei muito interessante(apesar de não saber quase nada do idioma)
Gostaria de saber mais sobre o Osho, primeira vez que o “vejo”, e eu que achava que era informado….
Valeu…
Osho é demais!!! rsrs A partir do momento que você começa a ler as palestras dele, é difícil parar… mas eu sou suspeita pra falar…
xD
Olá, Karina.
Obrigada pela iniciativa de tradução deste material. Osho tem uma forma divertida de nos trazer fragmentos do que seja o TAO.
Valeu!
Oi Lia!
Obrigada pelo comentário!
E disponha!! Osho nunca vai faltar por aqui! hihihihi
um abraço!
Belíssimo vídeo! Você me autoriza a repostá-lo, dando os créditos ao Inconsciente Coletivo. Net?
Olá Aabhar!
Claro, fique à vontade!
A propósito, não sou um fanático religioso, mesmo porque, não tenho nenhuma religião.
Muito embora o vídeo seja muito bom, Osho comete alguns erros que, com todo respeito, questiono neste comentário.
Primeiramente Deus não criou o mundo em 6 dias (24h). A tradução da Bíblia está errada. A palavra usada no grego é “Kairos” que significa “tempo certo”, ou seja, foram 6 tempos indeterminados. Além disso, em outra parte da Bíblia está registrado que “um dia para Deus é como mil anos”. Acontece que a palavra “Kairos” foi confundida com Kronos (tempo do homem).
A criação, na Bíblia, se deu em 6 tempos indeterminados e não em 6 dias (24h).
Outra coisa, Deus é perfeito mas, paradoxalmente, fez sua obra imperfeita. A prova disso é que criou em 6 tempos. Para quem entende de simbologia bíblica, o nº. 6 significa imperfeição. Os anjos ele criou perfeitos mas, o homem criou com barro e imperfeito.
A evolução existiu, e ainda existe, mas Deus sempre participou desta evolução. A Bíblia acertou até quando disse que as estrelas são compostas por gases.
É isso, admiro muito a inteligência de Osho mas, inexoravelmente, ele errou no que foi dito supra.
Oi Felipe!
Obrigada pelo seu comentário! E você está coberto de razão.
A Bíblia, na realidade, está repleta de erros de tradução, isso é indiscutível. Mas o que Osho questiona nesse vídeo, é a crença popular da criação do mundo. Se você sair perguntando para os cristãos (independente de qual igreja frequentem), certamente serão pouquíssimos os que sabem interpretar o MITO da Criação do Mundo bíblico (se é que você irá encontrar algum… a maioria discute dizendo até que a Bíblia está perfeitamente traduzida…sem erro algum)… Para 99% das pessoas que professam essa fé ou tem como livro sagrado a Bíblia, o mundo foi criado em 6 dias mesmo. E baseando-se nesse raciocínio, a evolução se tornaria impossível. E é esse tipo de crença que o Osho questiona aqui. São raras as pessoas que conseguem entender uma metáfora. Raríssimas as que sabem interpretar um mito ou um simbolismo… ou pior, que se interessam em buscar as fontes originais ou que buscam estudar os princípios básicos da Tradutologia. Mais raras ainda as que buscam pesquisar e estudar mais o assunto. A maioria, como diria o mitólogo norte-americano Joseph Campbell, interpreta os mitos como se fossem fatos. É complicado. A maioria, novamente parafraseando Campbell, acredita que “mitologia é a religião dos outros”.
Por isso, entendo que aqui Osho fala para o “povo”. É a crença popular que ele quer atingir. Os letrados, eruditos, autodidatas e místicos compreendem perfeitamente as metáforas. Mas esses são a minoria, infelizmente…