Do site de Notícias Terra (30/09):

Arqueólogos de Alba Julia, antiga Apulum (Transilvânia), descobriram um templo de quase 2 mil anos, mas em bom estado de conservação, dedicado ao deus persa Mitras, venerado também no Império Romano.

O santuário, que data da primeira metade do século II d. C., foi descoberto de modo acidental durante a construção de um hotel no centro da localidade, informou à imprensa o diretor adjunto do Museu Nacional da União de Alba Julia, Constantin Inel.

Ele afirmou que os especialistas tinham indícios da existência de um templo de Mitras depois que em 1921, quando se construía uma grande catedral ortodoxa, foi encontrado um santuário dedicado a este deus.

O arqueólogo afirmou que os muros foram conservados em um estado muito bom, assim como uma inscrição dedicada a Mitras e outras duas dedicadas aos tradicionais acompanhantes do deus, junto com alguns altares de pedra, além de uma sala sem janelas na qual se afirma que era realizada a misteriosa cerimônia de iniciação.

As investigações continuarão até todo o templo ser escavado, que será conservado in situ, no porão do hotel e que será o primeiro templo de Mitras aberto a visitas na Romênia.

O culto ao deus persa do Sol, Mitras, se espalhou no Império Romano através da Ásia Menor, sobretudo a partir do século I d. C.

EFE

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O deus persa Mitras ou Mithras possui uma mitologia muito interessante. Digo isso porque as similaridades míticas entre ele e o Jesus cristão transcendem o campo das meras coincidências. Não é à toa que Napoleão Bonaparte dizia que “a História é a maior inimiga da religião”. À partir do momento que uma pessoa se aprofunda nos estudos da Mitologia, muito da aura de originalidade e veracidade das religiões se perde (em alguns casos se perde por completo). É uma pena que estudos desse tipo não são levados mais à sério nas escolas, e é uma pena maior ainda ver as mensagens de amor, crescimento e espiritualidade se perderem num culto cego ao mensageiro.  A única pessoa que pode te salvar é você mesmo. Todos temos capacidade racional e intuitiva para discernir o que é bom e dá bons frutos do que é mal e prejudica. Joseph Campbell, o grande mitólogo (um dos maiores do mundo), dizia “as pessoas chamam de mitologia a religião dos outros”. Nada mais realista. Todas as religiões possuem mitologia. Algumas podem até possuir personagens históricos reais e de existência comprovada (como no caso de Siddharta Gautama, o fundador do budismo, que realmente existiu, apesar de os budistas saberem discernir as partes metafóricas e mitológicas da história dele, das partes reais – o que é raro, em se tratando de religião), porém todas, sem exceção possuem a mesma essência mitológica comum. E para exemplificar isto que estou dizendo (aconselho inclusive a você não se limitar somente a acreditar em mim, mas a ir atrás e buscar a história desses deuses/profetas/avatares que serão citados à seguir e compará-los), tenho há alguns anos um pequeno excerto de um texto (retirado do site: http://www.mystae.com/restricted/reflections/messiah/pagan.html ) que traz algumas dessas similaridades míticas, para muitos consideradas “desconcertantes”:

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Deuses Ressurectos

“Muitas outras deidades, como por exemplo Tammuz, o deus dos antigos ensinamentos de mistério dos sumérios e fenícios, tinham nascido de uma virgem, morreram com uma ferida em seu flanco, e depois de três dias se levantaram de sua tumba, deixando-a vazia com a rocha da entrada rolada ao lado… É significativo que Belém não foi a única cidade de Davi, mas também o centro antigo de um culto a Tammuz, com um templo que permaneceu ativo nos tempos bíblicos” – Baigent, Leigh and Lincoln, The Messianic Legacy

“Então ele me levou para a porta do portal da casa do Senhor que estava em direção ao Norte; e havia mulheres se lamentando por Tammuz.” – Ezequiel 8:14

Cada primavera, as mulheres cerimonialmente lamentam sua morte e uns poucos dias mais tarde celebram sua ressurreição.

“Wittoba, um dos deuses hindus, é representado com furos de lança nas mãos com os braços estendidos na forma de uma cruz romana. A imagem é coroada com uma coroa pata, tipica de todas as encarnações de Vishnu. Os pés também estão pregados.

“Em Anacalypsis de Godfrey Higgins, o deus Indra é descrito em uma cruz com cinco ferimentos representando buracos de lança. Nas narrativas mais antigas de Prometheus, é dito que este salvador foi lanceteado por um raio ereto de madeira do qual foi afixado braços de madeira. A cruz foi situada no Mt. Caucusus, perto do mar Cáspio. A história da crucificação de Prometheus, enterro e ressureição foi encenada em uma pantomina na antiga Atenas 500 anos antes de Cristo”.

“Nós encontramos ao menos 12 personagens míticos-históricos antes do advento de Cristo que são ditos terem sofrido crucificação/morte e tenham se elevado dos mortos. Entre eles estão:

Krishna
Wittoba
Osiris
Attis
Indra
Prometheus
Mithra
Dionysus
Hesus
Aesculapius
Adonis
Apollonius of Tyana

Várias destas figuras são ditas terem sido crucificadas no equinócio da primavera e terem se elevado no terceiro dia ” – The Christian Conspiracy: The Orthodox Suppression of Original Christianity

Entre a data tradicional da celebração do solstício de inverno, 25 de dezembro, e o equinócio da primavera (páscoa, ou Easter, da deusa da terra latina), havia uma busca por Osíris, o deus egípcio da ressurreição. Isto corresponde aos 40 dias de aparecimentos pós-ressurreição de Jesus relatada nos Atos.

“O deus salvador e as deusas da fertilidade realizam seus festivais de ressurreição na lua cheia que segue o equinócio vernal. A cristandade celebra a festa da ressurreição na mesma data. Uma das mais conhecidas deusas da fertilidade foi Easter, ou Ishtar, Astarte e Ashtaroth.”
– William Harwood, Mythologies Last Gods: Yahweh and Jesus

Mithras, o salvador

Rejubilem-se, sagrado bando de iniciados, seu deus se elevou dos mortos. Suas dores e sofrimentos devem ser sua salvação” – palavras pronunciadas pelo sacerdote mitraico.

O mitraismo “postulava um apocalipse, um dia do julgamento, uma ressurreição da carne e uma segunda vinda do próprio messias, que finalmente derrotaria o princípio do mal. Dizia-se que Mitras nascera em uma caverrna ou gruta, onde pastores o atenderam e lhe deram presentes”. – Baigent, Leigh and Lincoln, The Messianic Legacy

“Como os cristãos, os mitraistas acreditavam que seu salvador tinha descido do céu à Terra; tinha partilhado uma última ceia com 12 seguidores; tinha redimido a humanidade do pecado ao verter seu sangue e tinha se elevado dos mortos. Eles até mesmo batizavam seus convertidos (por meio do sangue do touro) para lavá-los de seus pecados .” – Quest for the Past

O mitraismo também tem as seguintes correspondências com a cristandade:

Era dito que Mitras fora enviado por um deus pai para vencer o mal e as trevas no mundo.

Mitras nasceu de uma virgem, um nascimento testemunhado apenas por pastores.

Mitras foi descrito várias vezes como O Caminho, A Verdade, A Luz, A Palavra, O Filho de Deus.

Ele também foi conhecido como o Bom Pastor e era freqüentemente representado com um carneiro em seus ombros.

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Uma tradição influencia  a outra. Lembre-se: a essência dos mitos é universal.

“Concluir é melhor do que acreditar”.

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