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25
Dec

“Natal”…

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Nos últimos dias o Inconsciente Coletivo tem estado um pouco parado, mas não abandonado! Como estou de férias, e resolvi ir para uma praia um tanto “inóspita”, o meu acesso à Internet tem estado um tanto limitado. Mas conforme eu puder vou atualizando o site e, na primeira semana de janeiro, tudo volta ao normal por aqui, com os posts e notícias diários!

Como hoje é “Natal”, não tinha como deixar a data passar em branco. Muitos já sabem que a data 25 de dezembro nada tem a ver com o Jesus histórico, sendo apenas a data do solstício de inverno, no Hemisfério Norte. A data é também associada ao nascimento de diversos deuses solares, da mesma forma que Jesus, Adônis, Mitras e Osíris (ou qualquer outro deus solar de sua preferência), por exemplo, também “nasceram em 25 de dezembro”. Portanto, hoje é um dia mitologicamente importante. Apenas mitologicamente importante. Claro que a parte dos presentes e peru assado tem lá a sua importância também… ;-) Mas, em “comemoração” de tal data festiva, resolvi colocar aqui um texto sobre os critérios que os pesquisadores têm utilizado para identificar, nos escritos bíblicos, o joio do trigo, ou seja, o que pode ser real e atribuído à figura histórica de Jesus, e o que não. Os estudiosos dizem que em todo o Novo Testamento, apenas 6 (ou melhor, no máximo) sentenças foram realmente ditas por Jesus, e o resto, apenas lenda. Devemos levar em conta que não foram apenas “4 evangelistas” que escreveram a história dele, e que os 4 evangelhos que compõem o Novo Testamento foram escritos por diversos autores, cerca de 1 século depois dos eventos que narram… Enfim. O artigo abaixo foi retirado do site Globo.com.

Um “Feliz Natal” para todos os leitores e visitantes do Inconsciente Coletivo.net!

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Entenda critérios usados por estudiosos para decidir o que vem de Jesus

Fatos constrangedores, revolucionários e múltiplas fontes são essenciais.
Pesquisadores tentam ‘filtrar’ lado teológico e fé presente nos Evangelhos.

O que leva um especialista a dizer que um dito ou um ato presente nos Evangelhos realmente foi proferido ou realizado pelo personagem histórico Jesus de Nazaré? Para muita gente, decisões sobre “historicidade” ou “não-historicidade” podem parecer arbitrárias ou simples chutes, mas as últimas décadas têm alcançado um refinamento e uma maior objetividade nos critérios da busca pelo Jesus histórico. Na série de livros “Um Judeu Marginal” (ainda em andamento), o historiador e padre americano John P. Meier enumera as principais ferramentas dessa busca. Conheça-as abaixo.

1) O critério do constrangimento

Também conhecido como “critério da contradição”, ele se refere aos atos e ditos de Jesus potencialmente constrangedores para Jesus e/ou seus discípulos. O raciocínio é simples: a criatividade dos evangelistas, que elaboraram e ampliaram a tradição oral sobre a vida de Cristo, dificilmente dar-se-ia ao trabalho de inventar histórias embaraçosas sobre seu Mestre ressuscitado.

Para Meier, isso mostra que a composição dos Evangelhos não foi um vale-tudo: graças à presença de uma tradição oral oriunda de testemunhas oculares da vida de Jesus, ainda viva no tempo em que o Novo Testamento estava sendo escrito, os autores cristãos não se sentiam à vontade para simplesmente varrer os eventos constrangedores para debaixo do tapete. O máximo que faziam era dar uma interpretação teológica aceitável a essas circunstâncias que poderiam lançar dúvida sobre o papel de Jesus como Messias.

Exemplos de fatos aparentemente confirmados pelo critério do constrangimento são o batismo de Jesus pelas mãos de João Batista (se Cristo não tinha pecado, por que precisaria ser batizado?), a traição de Judas Iscariotes e frases de Jesus afirmando que “somente o Pai” sabia o momento do fim dos tempos (em ambos os casos, cria-se a dúvida sobre a onisciência do profeta galileu).

2) O critério da descontinuidade

Se um ensinamento ou ação de Jesus não casa com o que ensinava o antigo judaísmo nem com a pregação da Igreja primitiva, crescem as chances de que ele venha mesmo do Jesus histórico, argumentam os defensores desse critério.

Uma das mais antigas representações de Jesus como o Bom Pastor, do século 4

Uma das mais antigas representações de Jesus como o 'Bom Pastor', do século 4

Por meio dele, seria possível descobrir o que era “descontínuo” no ministério de Jesus, ou seja, onde ele rompia com seus predecessores judeus ou até entrava em conflito com seus seguidores cristãos. Alguns exemplos citados por Meier são a proibição de qualquer tipo de juramento, a defesa de que, uma vez casados, homem e mulher não podem se divorciar em hipótese nenhuma e a proibição do jejum (Cristo era criticado por judeus mais rigoristas por causa disso, sendo acusado de “comilão e beberrão”).

Meier alerta que esse critério, se mal utilizado, corre o risco de trazer à tona apenas os ensinamentos periféricos de Jesus, e não necessariamente os mais importantes e essenciais.

3) O critério da múltipla confirmação de fontes

Sempre é bom lembrar que Jesus não tinha assessoria de imprensa nem porta-voz oficial. Sua vida e sua pregação foram registradas e relembradas por vários tipos de seguidores, com formação cultural, personalidade e até opiniões teológicas diferentes. Isso explica porque os Evangelhos canônicos (os “oficiais” do Novo Testamento) apresentam diferenças entre si, algumas de detalhe, outras mais marcantes. Se várias dessas fontes diferentes registram o mesmo dito ou ato, isso indica uma probabilidade maior de eles remontarem ao que o próprio Jesus fez e ensinou.

Para Meier, as principais fontes nos Evangelhos são o texto de Marcos (mais antigo e mais importante evangelista, para os especialistas), a tradição Q (fonte hipotética que parece estar por trás de relatos que coincidem em Mateus e Lucas, mas não em Marcos), tradições especiais M e L (exclusivas de Mateus e Lucas) e tradição joanina (do Evangelho de João).

É importante notar que o fato de uma mesma narrativa ocorrer em mais de um Evangelho não é garantia de satisfazer o critério da múltipla confirmação de fontes. As narrativas da paixão de Jesus em Mateus e Lucas, por exemplo, parecem ser basicamente uma expansão e reformulação da mesma fonte original, o Evangelho de Marcos. Um exemplo melhor é a proclamação do “Reino de Deus” por parte de Jesus — presente em Marcos, Q, M, L, João e até nas cartas de São Paulo.

4) O critério da coerência

Trata-se de um critério importante, mas que só pode ser usado depois que uma quantidade razoável de dados sobre o Jesus histórico já foi estabelecida. Nesse caso, novas informações que parecem se adequar de forma coerente com o que se sabe têm alta probabilidade de serem verdadeiras.

5) O critério da Cruz

O Evangelho de Lucas, pela boca do profeta Simeão, chama Jesus de “um sinal que provocará contradição”. Para Meier, o evangelista está certíssimo nesse ponto. “Um Jesus cujos atos e palavras não tivessem provocado antagonismo entre as pessoas, especialmente entre os poderosos, não é o Jesus histórico”, escreve ele.

Segundo o especialista americano, um Jesus completamente inofensivo, que não criticasse o que via de errado na Judéia do século 1 a.C. nem propusesse algum tipo de mudança radical, jamais teria sido crucificado. Por isso, o critério da rejeição e e execução, ou o critério da Cruz, como é chamado, tende a aceitar como autênticos os fatos e ditos de Cristo que o tornariam malquisto pela elite da sociedade judaica e romana de seu tempo. Ao mesmo tempo, Meier alerta para o perigo de retratar o profeta como um revolucionário violento, coisa que ele não era.

Josep Campbell

Josep Campbell

“Uma mitologia pode ser compreendida como uma organização de figuras mitológicas, conotativas de estados mentais que não pertencem em última instância a esse ou àquele local, embora as figuras em si pareçam, na superfície, sugerir uma localização concreta. As linguagens metafóricas da mitologia e da metafísica não são denotativas de mundos e deuses reais, mas sim conotam níveis e entidades dentro da pessoa por elas tocada. As metáforas só parecem descrever o mundo exterior do tempo e lugar. Seu universo real é o mundo espiritual da vida interior. O Reino de Deus está dentro de você.”

Joseph Campbell

Já cansei de ver em vários sites de ateísmo, fotos ou a citação do nome Joseph Campbell como sendo um “ateu famoso”. Da mesma forma, já vi o nome dele em sites “nova era” ou que pregavam um pseudomisticismo fazerem o mesmo. Porém, você pode estar se perguntando, quem está com a razão? Bem, é esta a intenção deste post, esclarecer que ambos estão profundamente equivocados: o prof. Campbell não era a favor da “fé religiosa” como normalmente é compreendida e praticada, muito menos era ateu.

Sim, Joseph Campbell não era ateu.

Só faz uma alegação estapafúrdia de que ele era ateu, os ateus que jamais tocaram em um único livro de Campbell. Que nunca sequer leram um artigo ou uma entrevista dele. Ateus e céticos que se contentam com o que leram de um outro colega que também havia lido de outro que, por sua vez, achava que Campbell era ateu. Estranhamente, apesar de se julgarem tão “científicos” e “racionais”, cometem os mesmos pecados daqueles de fé cega em um Deus antropomorfizado: só lêem e vêem aquilo que desejam ler e ver, aquilo que é mais conveniente para a manutenção de suas crenças pessoais.

Pois bem. Joseph Campbell era ateu em relação à maneira convencional de se entender Deus. Ele era ateu para a definição de que Deus está no céu, é do sexo masculino, está vendo tudo o que está acontecendo, que escolhe um povo ao invés de outro, que diz que uma religião é mais certa do que outra, que pune os “pecadores” e “infiéis”, que faz o time da França ganhar e o do Brasil perder, entre outras. É à essa noção ridícula e risível de Deus que Joseph Campbell era ateu. Mas isso não quer dizer, em absoluto, que ele não acreditava em “deus”. Na verdade, pelo simples fato de ele ter sido um mitólogo, um dos mais renomados do mundo, a visão que ele tinha de “deus’, e portanto a sua crença “nele”, é completamente diferente.

Em “The Hero’s Journey”, dvd que fala um pouco sobre a vida e obra do professor, ele diz, de maneira bastante enfática (assim como repete várias vezes ao longo de seus livros): “Deus é uma metáfora. Uma metáfora que transcende toda e qualquer categoria de pensamento humano, incluindo a do ser e não-ser.” Ou seja, deus jamais será o que você pensa ou puder imaginar que é. Ele, apesar de utilizarmos o “ele”, não possui sexo. A partir do momento que o nomeamos, nós o limitamos, qualquer definição que possamos inventar nada mais será que uma tentativa pequena, incrivelmente medíocre, de tentar explicar algo que está em nós e muito além de nós. Um mistério muito além do nosso raciocínio. Um mistério realmente transcendental.

Mas para ilustrar melhor isso tudo que estou afirmando, resolvi transcrever um capítulo do livro “Tu és Isso: Transformando a Metáfora Religiosa”, de Joseph Campbell, em que ele conta uma passagem de sua vida (bem engraçada por sinal) em que se deu conta de porque ateus e crentes estão igualmente equivocados.

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O Significado do Mito

Deixe-me começar, explicando a história de meu impulso  para colocar a metáfora no centro de nossa exploração da espiritualidade ocidental.

Quando o primeiro volume do meu “Historical Atlas of World Mythology: The Way of Animal Powers” foi publicado, os editores me enviaram numa turnê publicitária. É o pior tipo de turnê possível porque você tem de se encontrar, sem a menor vontade, com locutores de rádio e repórteres, eles próprios indispostos a ler o livro sobre o qual devem conversar com o entrevistado, para gerar visibilidade.

A primeira pergunta que faziam era sempre: “O que é um mito?” É um bom começo para uma conversa inteligente. Em uma cidade, porém, entrei em uma estação de rádio para um programa de meia hora, ao vivo, em que o entrevistador era um jovem com ar de astuto e que imediatamente me alertou: “Sou difícil, já vou lhe avisando. Estudei Direito.”

A luz vermelha acendeu e ele começou, argumentativo: “A palavra ‘mito’ significa ‘uma mentira’. Mito é uma mentira.” Repliquei com a minha definição de mito. “Não, mito não é uma mentira. Uma mitologia completa é uma organização de imagens e narrativas simbólicas, metafóricas das possibilidades de experiência humana e da realização de determinada cultura em certo momento.”

“É uma mentira”, ele retrucou.

“É uma metáfora.”

“É uma mentira.”

Isso continuou por uns vinte minutos. Quatro ou cinco minutos antes do fim do programa, percebi que o entrevistador não sabia o que era uma metáfora. Resolvi tratá-lo da mesma maneira como estava sendo tratado.

“Não”, eu disse. “Eu lhe digo o que é metafórico. Dê-me um exemplo de metáfora.”

Ele respondeu: “Dê-me você um exemplo.”

Eu resisti. “Não, agora eu estou fazendo a pergunta.” Eu não tinha lecionado por trinta anos à toa. “E eu quero que você me dê um exemplo de uma metáfora.”

O entrevistador ficou totalmente pasmo e chegou a dizer: “Vamos chamar um professor”. Finalmente, depois de um minuto e meio, ele se recompôs e disse: “Vou tentar. Meu amigo John corre muito. Dizem que ele corre como um veado. Isso é uma metáfora.”

Enquanto se passavam os últimos segundos da entrevista, eu repliquei. “Isso não é uma metáfora. A metáfora seria: John é um veado.”

Ele revidou: “Isso é uma mentira.”

“Não”, eu disse. “Isso é uma metáfora.”

E  o programa terminou. O que esse incidente sugere sobre a nossa compreensão de metáfora?

Ele me fez refletir que metade da população mundial acha que as metáforas de suas tradições religiosas, por exemplo, são fatos. E a outra metade afirma que não são fatos, de forma alguma. O resultado é que temos indivíduos que se consideram fiéis porque aceitam as metáforas como fatos, e outros que se julgam ateus porque acham que as metáforas religiosas são mentiras.

Do site de Notícias Terra, mais um estudo tentando adivinhar quando Jesus nasceu. Interessante que ainda há pessoas que realmente acham que Jesus nasceu em 25 de dezembro, algo que, pela quantidade de documentários, filmes, artigos e especiais em revistas e jornais, achei que o assunto já estava bem explicado e entendido. Mas foi só ler a primeira linha da notícia, deu pra sentir que para muitos ainda paira a dúvida. Vá entender.

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Uma pesquisa realizada por um astrônomo australiano sugere que Jesus Cristo teria nascido no dia 17 de junho e não em 25 de dezembro.

De acordo com Dave Reneke, a “estrela de Natal” que, segundo a Bíblia, teria guiado os Três Reis Magos até a Manjedoura, em Belém, não apenas teria aparecido no céu seis meses mais cedo, como também dois anos antes do que se pensava.

Estudos anteriores já haviam levantado a hipótese de que o nascimento teria ocorrido entre os anos 3 a.C e 1 d.C.

O astrônomo explica que a conclusão é fruto do mapeamento dos corpos celestes da época em que Jesus nasceu. O rastreamento foi possível a partir de um software que permite rever o posicionamento de estrelas e planetas há milhares de anos.

Baseando-se no Evangelho de Mateus, que descreve a aparição de uma “estrela” como sinal do nascimento de Jesus, Reneke identificou a conjunção dos planetas Vênus e Júpiter, que teriam emitido uma forte luz que poderia ter sido confundida com uma estrela.

“Vênus e Júpiter chegaram muito perto no ano 2 a.C refletindo muita luz. Não podemos dizer com certeza que esta era a estrela de Natal descrita na Bíblia, mas até agora esta é a explicação mais plausível que já vi sobre isso”, disse Reneke à BBC Brasil.

“A astronomia é uma ciência tão precisa, que podemos apontar exatamente onde os planetas estavam. E há uma grande probabilidade que esta conjunção possa ser a estrela descrita por Mateus no Evangelho”.

O australiano diz que a pesquisa não é uma tentativa de contestar a religião.

“Quando misturamos ciência e religião há a sempre a chance de chatear as pessoas. Neste caso, esses resultados podem servir para reforçar a fé, porque mostra que realmente havia um grande objeto brilhante no céu no momento certo”.

BBC Brasil

Do site de notícias Terra:

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Centenas de representantes das principais religiões do mundo reúnem-se nesta sexta-feira em Uppsala, na Suécia, para um encontro ecumênico sobre mudanças climáticas - tida como a primeira do tipo.

A reunião, de dois dias, inclui cristãos, muçulmanos, judeus, chineses daoístas e um representante dos povos indígenas dos Estados Unidos.

O encontro deve produzir um manifesto, a ser assinado por 30 líderes religiosos, que terá o objetivo de encorajar a Organização das Nações Unidas a buscar medidas mais rigorosas para lidar com as mudanças no clima do planeta.

Os líderes também querem incentivar o envolvimento pessoal de fiéis nos temas relacionados à causa.

O repórter da BBC no encontro, Christopher Landau, disse que será abordada na conferência a falta de entusiasmo em relação a medidas contra mudanças climáticas em alguns setores religiosos.

“Eis uma grande emergência humana”, disse o bispo anglicano de Londres, Richard Chartres.

“Várias de nossas paróquias ainda encaram isto como um assunto periférico, de segunda ordem. Tem que subir nas prioridades.”

Os delegados na Suécia acreditam que se apresentarem uma mensagem unificada para o mundo, as comunidades religiosas podem fazer uma contribuição real.

BBC Brasil

Ram Bonjam

Ram Bonjam

Desde a volta do garoto Ram Bonjam, ou Palden Dorje (seu nome budista), muita polêmica tem surgido à respeito de sua verdadeira “iluminação” (para alguns é divindade). Li diversas notícias à respeito do reaparecimento dele, e o que mais me estarreceu foram os depoimentos dos “devotos”, “seguidores” e “discípulos”. Algumas pessoas que foram ver o menino disseram para os jornais que acreditam que ele é mais do que um “Buda”, ele é o próprio Deus.

Bem, acho que nem preciso dizer o quanto tudo isso é incrivelmente precipitado. Não que não possa existir a possibilidade de um novo “buda”. O próprio Buddha, Siddharta Gautama dizia que todos nós temos o potencial da iluminação dentro de nós, tanto por isso que ele não queria que as pessoas o venerassem ou adorassem, muito menos que transformassem em dogma tudo o que ele ensinou.

Estranhamente, por tudo que já li e vi à respeito de Ram Bonjam, o que me parece é que ele está tentando imitar a história de iluminação de Gautama. Particularmente, acho louvável, mais do que admirável, alguém que busca a Iluminação (Nirvana - Estado Búdico). Porém, passo a ficar um pouco desconfiada quando a pessoa que entra nesse caminho o faz com promessas de “salvar a humanidade”. Pois foi isso o que Ram Bonjam fez, segundo o que a a própria família dele disse. A idéia dele era sair para meditar, por 6 anos (algumas fontes dizem que Gautama meditou por 5, outras por 6 anos até atingir o Nirvana). Ram Bonjam foi então para debaixo de uma árvore (hmmm… alguém aqui notou alguma semelhança com a Árvore Bo, onde Siddharta meditou?) e ficou lá por 10 meses, supostamente sem comer e beber (a equipe do Discovery Channel confirmou que ele não saía para nada, pelo menos nos 10 dias que estiveram lá). Então sumiu em 11 de março de 2006, reapareceu para alguns seguidores umas semanas depois, e sumiu novamente, para reaparecer em novembro de 2008. Pelos meus cálculos ele não chegou a meditar direto por 3 anos. E a história inicial dos 6 anos de meditação?

Enfim. Bonjam reapareceu e houve toda uma comoção da população local. Ele já dá bênçãos e é chamado de o “Novo Buda”. Entretanto, NENHUMA autoridade budista reconheceu (mesmo que ainda) o tal proclamado nirvana do menino (que está com 17 anos, ao contrário dos 18 que está sendo divulgado). Outro fato estranhíssimo, pelo menos para mim, à respeito de Bonjam, é a história de que ele é a “reencarnação do Senhor Buddha”, ou seja, de Gautama. Se eu bem compreendo a filosofia budista, à partir do momento que um ser humano atinge a Iluminação, também chamada de Nirvana ou Estado Búdico, a pessoa NÃO volta a reencarnar. Na verdade é essa a idéia que motiva as pessoas a quererem a Iluminação. É o sair do Samsara (ciclo de nascimentos e renascimentos sem fim neste mundo de sofrimento). Então, como que o menino pode ser a reencarnação de Gautama??? Para mim isso não faz o menor sentido, a menos que Siddharta não tenha atingido o Nirvana!!

Acho que nessa história, o mais provável é que ele não seja reencarnação de Gautama (nem de Buda algum!), e que tenha ainda muito caminho pela frente para se tornar um verdadeiro Iluminado.

Na internet há muitos vídeos de notícias e trechos de documentários sobre a história de Bonjam. Selecionei dois, com algumas imagens interessantes, e contado um pouco de como tudo começou (infelizmente, só encontrei vídeos em inglês):

Ram Bahadur Bomjan in 2006 (conta um pouco sobre a vida dele e mostra sua família e onde morava)

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‘Buddha Boy” Re-Emerges (cenas feitas pela CBS mostrando Bonjam “abençoando” seus seguidores e devotos. A mim, ele não parece “sereno”, como se esperaria de um Buda, na verdade, pelo seu olhar, ele parece um tanto perdido…)

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P.S.: sobre o nome dele… Estou usando “Ram Bonjam” pois acredito que seja o correto. Mas na internet você encontra outras grafias também, como Banjam, Bonjom e até Banjom… Taí mais um mistério sobre ele! ;-)

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