(Livro lista arrependimentos de pessoas prestes a morrer)

É interessante como passamos boa parte das nossas vidas priorizando coisas que, de fato, pouco contribuem realmente para a nossa realização existencial.

Ninguém vai reclamar, no leito de morte, de não ter adquirido mais imóveis, de não te feito mais horas extras, de não ter investido em ações, de não ter acumulado (mais) títulos acadêmicos… Não. Quando a morte é uma realidade próxima e inegável (na verdade, esta é a natureza da morte: uma realidade sempre próxima e inegável. Entretanto, quando tudo está “bem” ou “normal” nós tendemos a esquecer que somos mortais e a morte é sempre problema dos outros), a vida adquire a sua verdadeira e única perspectiva:  você está sendo ou alguma vez foi fiel a quem você realmente é? Ou talvez seria melhor dizer: você está ou alguma vez esteve preocupado em saber quem, de fato, você é?

Na inconsciência nós tendemos a seguir o ritmo hipnótico do mundo sem nem nos darmos conta do que existe, muito mais, além. Se tivermos  a “sorte” de podermos nos deparar com a morte com algum intervalo para conscientização e, consequentemente, arrependimentos, pelo menos assim, na marra, temos alguma chance de entender o que a vida ou a existência NÃO é. Mas nem todo mundo vai poder ter um tempo antes de morrer para perceber certas verdades. Para muitos, a morte chegará inesperadamente. E aí?

Acho que é interessante aprender com quem se conscientizou de alguma coisa antes de morrer, como no caso dos doentes terminais.

Aqui vão algumas coisas que aprendi:

  • Observe que o foco dos arrependimentos não é tanto em relação ao que se fez, mas sim ao que se deixou de fazer. O problema, por exemplo, não é “ter trabalhado demais”, mas o que não se permitiu fazer, e que gostaria muito mais de ter feito, mas que não fez porque priorizou outras questões ou achou que não era tão ou mais importante do que o trabalho…
  • Já comentei isso em outras oportunidades e repito: você sempre se arrependerá mais do que não fez (seja por medo, insegurança, timidez, riscos etc) do que daquilo que fez. Por mais que o que tenha feito tenha dado totalmente errado. Experiências ruins ensinam muito. Inclusive a acertar…
  • Não pense que somente é importante dizer o quanto gosta ou como se sente em relação as pessoas. Dizer o que não gosta ou não concorda, também faz parte do “ser sincero e verdadeiro”… Seja fiel a si mesmo, oponha-se quando assim sentir que é o certo.
  • Respeite a caminhada evolutiva das outras pessoas, mas lembre-se de também respeitar a sua. Só quem sabe se ajudar pode realmente ajudar alguém…
  • Quando estiver em dúvida sobre o que deseja fazer na sua vida, seja escolher uma carreira, mudar de profissão ou ainda realizar mudanças no seu trabalho/profissão, pergunte-se: “o que me empolga?” É desta sua resposta que virá a resposta. Mantenha-se aberto e receptivo.
  • A idade vai lhe forçar a algum amadurecimento, independente do que você quer ou faça, mas não se iluda pensando que ter mais “experiências” ou “anos de vida” vai automaticamente lhe tornar mais amadurecido. O que te faz amadurecer não é a quantidade de experiências que lhe acontecem, mas o que você consegue aprender com elas (ou desaprender…). O mundo está cheio de seres humanos idosos que ainda não compreenderam a vida…
  • A prática é infinitamente mais importante que a teoria. A vida só existe na prática. Procure ser alguém que sabe, ao invés de alguém que somente conhece. Como saber alguma coisa? Vivendo.
  • Tudo o que você “sabe a seu respeito” é informação de terceiros. De toda essa informação fornecida pelo outros, a que você acredita é a que passa a comandar a sua vida. Se te disseram que você é inteligente e você acreditou, você passa a ser inteligente. Se disseram que era burro, idem. Mas nenhuma dessas pessoas realmente estava falando a seu respeito, estavam apenas projetando seus próprios ideais e sombras em você. Só você pode saber quem você é. Esta é uma busca individual e interior.
  • Um bom critério para identificar o que é verdadeiramente importante para a sua existência ou não é se perguntar: eu poderei levar isso comigo quando morrer? Se estiver meio em dúvida com relação a resposta, converse com pessoas em estado terminal…
  • As suas escolhas sempre serão as certas se você procurar estar consciente de tudo que elas envolvem: responsabilidades, consequências, circunstâncias, contexto, efeitos, riscos. Se estando consciente de tudo (bom e ruim), você ainda permanece com a escolha, ela é a certa. Quando uma escolha é consciente, não há necessidade de aprovação dos outros.  

A notícia abaixo sobre o  livro, é da BBC Brasil, os grifos são meus:

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“O principal arrependimento de muitas pessoas é o de não ter tido coragem de fazer o que realmente queriam”, diz autora

Uma enfermeira australiana lançou um livro com uma lista de cinco principais arrependimentos de pessoas que estão prestes a morrer.

Bronnie Ware, que é especialista em cuidados paliativos e doentes terminais, afirma que reuniu em seu livro “confissões honestas e francas de pessoas em seus leitos de morte”, confissões que, segundo ela, mudaram sua vida.

“Encontrei uma lista grande de arrependimentos, mas, no livro, me concentrei nos cinco mais comuns”, disse a autora à BBC.

O principal arrependimento de muitas pessoas é o de não ter tido coragem de fazer o que realmente queriam e não o que outros esperavam que fizessem“, acrescentou.

Outro arrependimento comum é de não terem trabalhado um pouco menos, o que fez com que perdessem muitas coisas em suas vidas“, disse Ware.

O livro de Ware, intitulado The Top Five Regrets of the Dying – A Life Transformed by the Dearly Departing (“Os Cinco Maiores Arrependimentos à Beira da Morte”, em tradução livre) relata as experiências da autora durante anos de trabalho em cuidados de doentes terminais.

Os pacientes de Ware, geralmente, eram pessoas que já não tinham chances de recuperação e podiam morrer a qualquer momento.

A enfermeira afirma que isto permitiu que ela compartilhasse com estes pacientes “momentos incrivelmente especiais porque passei com eles as últimas três a doze semanas de suas vidas”.

Texto viral

Ware conta que a ideia para o livro surgiu depois que um artigo que publicou em seu blog transformou-se em um texto viral, espalhando-se pela web.

As pessoas amadurecem muito quando precisam enfrentar a própria mortalidade“, afirmou.

“Cada pessoa experimenta uma série de emoções, como é esperado, que inclui negação, medo, arrependimento, mais negação e, em algum momento, aceitação.”

A enfermeira garante que cada um dos pacientes que tratou “encontrou sua paz antes de partir”.

Ware disse à BBC que, durante os anos em que trabalhou com estes pacientes, percebeu também que muitos se arrependiam de não terem tido “coragem para expressar seus sentimentos”.

E isso se aplica tanto aos sentimentos positivos quanto aos negativos.

“Muitos diziam: ‘queria ter tido coragem de falar que não gostava de uma coisa’, ou então que queriam ter tido coragem de falar às pessoas o que realmente sentiam por elas”, afirmou.

Amigos

Bronnie Ware também destacou outro arrependimento que notou entre seus pacientes: o de ter perdido o contato com os amigos.

A enfermeira afirmou que os amigos são importantes no fim da vida, uma vez que os parentes que acompanham um doente terminal também enfrentam muita dor.

Uma pessoa no leito de morte, segundo Ware, sente falta dos amigos, mas, muitas vezes, a perda de contato ao longo dos anos impede um reencontro.

A enfermeira também chama a atenção para o fato de que as pessoas se arrependem do que não fizeram. Na maioria dos casos observados por ela, as pessoas não pareciam se arrepender de algo que tinham feito.

A autora afirma que espera que seu livro “ajude as pessoas a agir hoje e a não deixar as coisas para amanhã e se arrepender depois”.

(Psiquiatra aponta prescrição indiscriminada de calmantes )

“Vivemos em um momento cultural sócio-histórico, no âmbito das terapias da saúde, dominado pela analgesia, em que fugir da dor é o caminho racional e normal. À medida que a dor e a morte são absorvidas pelas instituições de saúde, as capacidades de enfrentar a dor, de inseri-la no ser e de vivê-la são retiradas da pessoa. Ao ser tratada por drogas, a dor é vista medicamente como um barulho de disfuncionamento nos circuitos fisiológicos, sendo despojada de sua dimensão existencial subjetiva. É claro que essa mentalidade retira do sofrimento seu significado íntimo e pessoal e transforma a dor em problema técnico.”

(retirado do livro: Espiritualidade e Prática Clínica – Valdemar Augusto – Angerami – Camon)

Que vida é essa em que se prefere viver entorpecido por um medicamento para não ter que lidar ou encarar a causa de todos os seus problemas: você mesmo ?!

Que médicos são esses que ao invés de encaminhar um paciente com problemas psicológicos/emocionais a um profissional mais preparado para atender esse tipo de situação (psiquiatra, psicólogo, psicoterapeuta etc) simplesmente resolvem “fazer justiça com as próprias mãos” e prescrevem um remedinho que somente controla os sintomas e nada faz pelas causas? Me desculpe quem pensa que estes médicos só “estão tentando ajudar”, pois muito mais ajuda quem não atrapalha.  Afinal, quantos semestres de Psicologia um estudante de Medicina cursa? Um? Dois? Desde quando isso substitui 4 ou 5 anos de uma faculdade de Psicologia, psicanálise, psicoterapia e afins por exemplo, ou qualquer preparação mais profunda ou uma especialização na área? Salvo os médicos que se aprofundam ou tem especialidade em psicoterapia, a maioria não está capacitada para diagnosticar muito menos tratar pessoas nessas condições. E aí a gente ouve falar dessas aberrações, como traz a notícia abaixo.

Quem disse que médico  pode tudo?

Se metem na área dos nutricionistas, na das psicoterapias, até nas terapias alternativas! – Lembra que acupuntura já foi “charlatanismo”? Hoje é disciplina no curso de Medicina!

Parabéns ao psiquiatra da notícia pela avaliação.  E muito cuidado com essa “epidemia de doença mental” que inventaram para vender mais remédios. Quando há uma indústria bilionária por trás, a gente sempre tem que ficar de olhos bem abertos. Nem todo mundo precisa de tratamento medicamentoso para seus problemas psicológicos/emocionais, na verdade, a maioria não precisa. E quem precisa, precisa com acompanhamento (muito) especializado.

“Segundo estimativas conservadoras publicadas no periódico Journal of the American Medical Association, doenças iatrogênicas (causadas por tratamento médico) são as terceiras maiores causadoras de morte nos Estados Unidos. Mais de 120 mil pessoas morrem, por ano, devido aos efeitos adversos de medicamentos prescritos por médicos (Starfield, 2000). No entanto, um estudo realizado recentemente mostra resultados ainda mais impressionantes (Null et al.; 2003). Indica que as doenças iatrogênicas são a causa principal de mortes no país. Mais de 300 mil pessoas morrem todos os anos devido a remédios receitados.”

(Citado por Bruce H. Lipton em “A Biologia da Crença“)

É… nada melhor que finalizar esse comentário relembrando o Juramento de Hipócrates:

“Eu juro, por Apolo médico, por Esculápio, Hígia e Panacea, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue:

Estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, porém, só a estes.

Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém.

A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substãncia abortiva.

Conservarei imaculada minha vida e minha arte.

Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam.

Em toda casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntário e de toda a sedução, sobretudo dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados.

Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto.

Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça.”

Vamos a notícia:

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 Prescrição indiscriminada e uso excessivo podem ser algumas das explicações para o alto consumo de ansiolíticos, remédios usados para controlar ansiedade e tensão. A avaliação é do psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, coordenador do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Dados divulgados na sexta-feira pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mostram que os ansiolíticos foram os medicamentos com receita controlada mais consumidos no País entre 2007 e 2010. O princípio ativo clonazepam, base do remédio Rivotril, lidera o ranking, com cerca de 10 milhões de caixas vendidas somente em 2010.

Segundo o psiquiatra, os ansiolíticos têm sido indicados por profissionais de diversas áreas. “Sabemos que médicos de várias especialidades prescrevem esses remédios, sem necessariamente ser psiquiatras. Não há restrição, mas é como se eu (psiquiatra) passasse a receitar antibiótico. Não sou a pessoa mais adequada”, diz Silveira.

O psiquiatra citou pesquisa feita em 2011 pela Unifesp, segundo a qual os ansiolíticos, conhecidos como calmantes, correspondem a 35% dos medicamentos psiquiátricos prescritos nos hospitais gerais da cidade de São Paulo.

Este não é, porém, o único fator que pode explicar o boom dos calmantes no Brasil, ressalta Silveira. O uso descontrolado também está entre os fatores. É cada vez mais comum recorrer aos tranquilizantes para enfrentar o estresse e as dificuldades da vida cotidiana. O pior é esse tipo de remédio provoca dependência. “As pessoas tendem a buscar uma pílula mágica para lidar com os problemas”, diz o médico.

De acordo com Silveira, das 600 consultas mensais feitas pelo Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da Unifesp, 50 são de pessoas viciadas em calmantes. A princípio, a maioria usa o remédio com indicação médica. Depois, passa a querer doses maiores e acaba partindo para a compra ilegal.

Para Dartiu Silveira, o melhor monitoramento do consumo dos ansiolíticos no País reflete também os números elevados. Atualmente, o Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC) da Anvisa têm cadastradas 41.032 farmácias e drogarias, equivalente a 58,2% do total dos estabelecimentos autorizados pela agência reguladora a vender medicamentos controlados.

 

Fonte: Terra/Agência Brasil

(Genes são responsáveis por 40% da inteligência ao longo da vida)

Os grifos na notícia (que poderia estar mais completa) são meus.

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De acordo com estudo, os outros 60% são determinados por fatores como nutrição, educação dos pais e escolaridade

Os genes são responsáveis por 40% da inteligência ao longo da vida do ser humano, enquanto os outros 60% são determinados pelo contexto, indica um estudo genético publicado nesta quarta-feira (17) na edição digital da revista científica “Nature”.

Peter Visscher, especialista em genética da Universidade de Queensland, considerou que a inteligência incide nas chances de sobrevivência, em declarações à emissora australiana “ABC”.

 

Com o objetivo de saber por que algumas pessoas envelhecem mais inteligentes, o cientista australiano e pesquisadores britânicos examinaram testes de inteligência de mais de duas mil pessoas, que o fizeram aos 11 anos de idade e depois aos 65.

A maioria das pessoas que tinham uma inteligência média quando crianças a aumentou durante a etapa adulta, e as que tinham uma inteligência abaixo da média no início de sua vida mantiveram esta média na velhice.

O contexto no qual a vida se desenvolve, considerando-se fatores como nutrição, educação dos pais e escolaridade, contribui para o desenvolvimento da inteligência, comprovaram os pesquisadores.

Durante o estudo, os especialistas também analisaram amostras genéticas e quantificaram o papel dos genes nas mudanças da inteligência à medida que o ser humano envelhece.

“Calculamos que entre um quarto e um terço destas mudanças são genéticas”, indicou Visscher.

Fonte: EFE/Último Segundo

(Com 20 personalidades, britânica leva vida ‘normal’ com a filha)

 A história de Kim Noble é um caso raro de “personalidade múltipla”, e claro, extremo. Guardadas as devidas proporções, todos somos “muitos” em um só corpo: possuímos vários “eus” (ou “máscaras”, ou “personas”)  para várias situações, que apresentamos de acordo com o momento e a conveniência. A grande diferença é que não vivemos esses eus como “identidades singulares” propriamente ditas – que possuem nomes próprios por exemplo -, os vivemos e encaramos apenas como “partes” diferentes de nós mesmos. Mas continua sendo uma legião habitando um corpo… O que torna ainda mais interessante quando alguém, por algum motivo, vive esses eus como se fossem “pessoas únicas”, o que é o caso dos que possuem o (suposto) Transtorno Dissociativo de Identidade.

Kim encontrou um modo de lidar com sua condição ao se voltar para a pintura em tela. Inclusive, a maioria das “personalidades” que ela possui, gosta de pintar. Segundo John Morton, um dos médicos que diagnosticou o transtorno em Kim, apenas uma das personalidades aceita o “distúrbio”. Nenhuma das outras parece reconhecer a existência real de outras personalidades no mesmo corpo.

Quem se interessar, pode ver algumas pinturas das várias personalidades de Kim, clicando aqui.

Evidentemente, nem todos os cientistas reconhecem essa condição como um “Transtorno” psiquiátrico genuíno.  Muitos acreditam que não passa de um “fingimento” de alguém que na verdade tem uma memória muito boa, mas que cria uma “personalidade diferente” para não se responsabilizar por atos que “normalmente” não teria coragem de cometer…

É algo que dá o que pensar…

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Aos 51 anos, uma mulher britânica precisa conciliar seu trabalho como pintora, o papel de mãe e suas múltiplas personalidades que podem se manifestar a qualquer momento. Kim Noble geralmente acorda como Patricia, sua personalidade dominante, mas pode se transformar em Ken, um jovem deprimido, em Salome, uma católica fervorosa, em Abi, uma solteira em busca de amor, ou em qualquer das vinte personalidades que ela manifesta. Kim foi diagnosticada com Transtorno Dissociativo de Identidade, de acordo com informações do jornal Daily Mail.

Há mais de seis anos, Patricia é a personalidade que mais aparece, mas pelo menos três outras se manifestam diariamente. Cada uma delas não sabe o que a outra faz, apesar de saberem da existência de todas graças às constantes sessões de terapia que Kim atende com um psiquiatra. As mudanças de personalidade são súbitas. Kim fecha os olhos, o rosto se contorce em algumas caretas, e ela “acorda” como outra pessoa. A transformação pode ocorrer no mercado, enquanto ela dirige, no meio de uma refeição, a qualquer momento. Sua filha, hoje com 14 anos, já está completamente acostumada com a condição da mãe.

Kim Noble e sua filha Aimee

Kim não se lembra da gravidez, nem de ter dado à luz. Por seu transtorno, a filha foi retirada de seus cuidados logo após o nascimento. O trauma da separação fez Kim criar uma personalidade só para armazenar e bloquear a recordação do momento. Após seis meses, entretanto, a criança foi devolvida à mãe já que nenhuma das personalidades de Kim era uma ameaça ao bebê.

Psiquiatras acreditam que a personalidade múltipla é justamente uma maneira de compartimentar más memórias no cérebro, para que a pessoa possa evitá-las. A britânica provavelmente sofreu graves traumas na infância, e desde os primeiros anos de vida apresentava comportamentos estranhos. Na puberdade, ela começou as consultas com psiquiatras e, aos 20 anos, foi diagnosticada por engano como esquizofrênica. Apenas com mais de 30 anos, ela descobriu ter o Transtorno Dissociativo de Identidade. Hoje, a personalidade Patricia tenta comandar a vida de todas as outras, chegando a deixar recados e enviar e-mails para as outras personalidades. Ela pinta quadros, escreveu um livro e tenta conciliar as diferentes pessoas que vivem dentro de si.

Fonte: Terra

(Estudo identifica tribo que ‘não conhece conceito de tempo’)

Tribo Amondawa não tem uma palavra equivalente a tempo, nem mesmo para descrever períodos como mês ou ano

Pesquisadores brasileiros e britânicos identificaram uma tribo amazônica que, segundo eles, não tem noção do conceito abstrato de tempo.

Chamada Amondawa, a tribo não tem as estruturas linguísticas que relacionam tempo e espaço – como, por exemplo, na tradicional ideia de “no ano que vem”.

O estudo feito com os Amondawa, chamado “Língua e Cognição”, mostra que, ainda que a tribo entenda que os eventos ocorrem ao longo do tempo, este não existe como um conceito separado.

A ideia é polêmica, e futuras pesquisas tentarão identificar se isso se repete em outras línguas faladas na Amazônia.

O primeiro contato dos Amondawa com o mundo externo ocorreu em 1986, e, agora, pesquisadores da Universidade de Portsmouth (Grã-Bretanha) e da Universidade Federal de Roraima começaram a analisar a ideia de tempo da forma como ela aparece no idioma falado pela tribo.

“Não estamos dizendo que eles são ‘pessoas sem tempo’ ou ‘fora do tempo’”, explicou Chris Sinha, professor de psicologia da língua na Universidade de Portsmouth.

Pesquisadores estudaram a língua da tribo Amondawa

Pesquisadores estudaram a língua da tribo Amondawa

“O povo Amondawa, como qualquer outro, pode falar sobre eventos e sequências de eventos”, disse ele à BBC. “O que não encontramos foi a noção de tempo como sendo independente dos eventos que estão ocorrendo. Eles não percebem o tempo como algo em que os eventos ocorrem.”

Tanto que a tribo não tem uma palavra equivalente a “tempo”, nem mesmo para descrever períodos como “mês” ou “ano”.

As pessoas da tribo não se referem a suas idades – em vez disso, assumem diferentes nomes em diferentes estágios da vida, à medida que assumem novos status dentro de sua comunidade.

Mas talvez o mais surpreendente seja a sugestão dos pesquisadores de que não há interconexão entre os conceitos de passagem do tempo e movimento pelo espaço. Ideias como um evento que “passou” ou que “está muito à frente” de outro são comuns em muitas línguas, mas tais construções linguísticas não existem entre os Amondawa.

“Isso não significa que (as construções) estão além das capacidades cognitivas da tribo”, prosseguiu Sinha. “Apenas não são usadas no seu dia-a-dia.”

Quando os Amondawa aprenderam português – que está se tornando mais comum entre eles -, eles facilmente incorporam a noção do tempo em sua linguagem.

A hipótese dos pesquisadores é de que a ausência do conceito de tempo se origina da ausência da “tecnologia do tempo” – por exemplo, sistemas de calendário e relógios. Isso, por sua vez, pode estar relacionado ao fato de que, como muitas tribos, o sistema numérico detalhado dos Amondawa é limitado.

Termos absolutos

Tais argumentos não convencem Pierre Pica, linguista teórico do Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica (CNRS), que foca seus estudos em uma outra língua amazônica, conhecida como Mundurucu.

“Relacionar número, tempo e espaço por uma simples ligação causal parece sem sentido, com base na diversidade linguística que conheço”, disse ele à BBC News.

Pica diz que o estudo sobre os Amondawa “tem dados muito interessantes”, mas argumentos simplificados.

Sociedades pequenas como os Amondawa tendem a usar termos absolutos para relações espaciais normais – por exemplo, referir-se à localização específica de um rio que todos na comunidade conhecem bem, em vez de usar uma palavra genérica para rios.

Em outras palavras, enquanto os Amomdawa podem ver a si mesmos se movendo através de arranjos temporais e espaciais, seu idioma talvez não reflita isso de uma maneira óbvia.

Novos estudos devem aprofundar o conhecimento sobre o assunto, diz Sinha.

“Queremos voltar (à tribo) e verificar (a teoria) novamente antes que a língua desapareça – antes que a maioria da população comece a aprender desde cedo a usar sistemas de calendário.”

Fonte: BBC Brasil

(Documentário investiga preferência de meninas por tons rosa)

A princípio talvez possa parecer uma preocupação meio boba, mais um estudo (aparentemente) inútil em meio a tantos outros.

Mas um questionamento muito interessante levantado pelo documentário é que a relação entre a cor rosa e o feminino pode estar mais relacionada com decisões de marketing do que com alguma diferença neuro-psico-emocional significativa entre os sexos… e que o uso do rosa como “cor de menina” pode ser um tanto preocupante quando se observa que também direciona mais as meninas a certos tipos de brinquedos do que a outros…

Não que esteja errado ou seja prejudicial as meninas gostarem de bonecas! Ou de rosa…  O problema não é a cor em si (que particularmente acho linda, apesar de não ser a minha preferida!), o problema é se o tipo de mensagem que pode ser vendida ou associada a ela, a partir do momento que se condiciona que “rosa é de menina”, realmente é o “melhor conceito” de feminilidade…

As partes que considerei mais interessantes estão grifadas!

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Entre os motivos para o gosto pela cor está a pressão da indústria de brinquedos

Um documentário da BBC ouviu cientistas, pais e um profissional ligado à indústria de brinquedos na tentativa de estabelecer por que meninas preferem a cor rosa.

Quando se trata de explicar essa preferência, especialistas não conseguem chegar a um consenso: estudos para determinar se o gosto por certas cores seria cultural ou genético apresentaram resultados contraditórios.

Porém, pais e profissionais estão preocupados com a forma como a indústria vem usando a cor rosa para manipular o comportamento das crianças, influenciando suas escolhas por alguns tipos de brinquedos em detrimento de outros.

Interesse pela cor seria decorrente de influência do mercado

Interesse pela cor seria decorrente de influência do mercado

Estudos
Em 1893, um estudo com 450 mil pessoas feito em Chicago, nos Estados Unidos, concluiu que a maioria das pessoas, homens e mulheres, gosta da cor azul, e que mulheres gostam também do vermelho.

Mais recentemente, investigações feitas por Anya Hurlbert, uma neurocientista da Newcastle University, em Newcastle, no nordeste da Inglaterra, pareceram confirmar o estudo feito em Chicago.

“Existe uma tendência universal de preferência pelo azul e de rejeição de verdes amarelados”, disse Hurlbert. “Homens e mulheres reagiram positivamente a componentes azul-amarelos. Mulheres também reagiram positivamente aos vermelhos-verdes”.

Partindo desses resultados, a neurocientista vai um pouco mais além e acredita ter encontrado a explicação para a preferência feminina pelo rosa:

“Quando você combina essas duas tendências, obtém o rosa”, ela disse.

E ao tentar explicar a origem dessa afinidade, Hurlbert sugere que talvez essa preferência tenha raízes na pré-história, quando habitávamos cavernas.

“As mulheres saíam para procurar frutas, por isso desenvolveram uma maior sensibilidade para tons avermelhados”.

Outros especialistas, no entanto, discordam da teoria de Hulbert e a qualificam de simplória. Steve Palmer, psicólogo da Stanford University, na Califórnia, Estados Unidos, fez vários estudos sobre o assunto e concluiu que as cores de que gostamos dependem das coisas de que gostamos.

“A base para nossas preferências são as interações emocionais com objetos à nossa volta”, disse Palmer.

As pesquisas de Palmer parecem confirmar resultados de estudos feitos pela psicóloga Melissa Hines, da Universidade de Cambridge, na Grã-Bretanha.

Círculo Vicioso
Hines e sua equipe estão tentando determinar a origem da preferência das meninas pelo rosa. O trabalho ainda está em andamento, mas resultados preliminares sugerem que a preferência não seria resultado da influência dos pais e, sim, de indústrias que vendem produtos para crianças.

Hines descreveu o processo: “Meninas têm afinidade em relação a certos brinquedos”, disse. “Elas preferem bonecas, por exemplo, enquanto meninos preferem carros, caminhões e armas”.

“Os brinquedos com que meninos e meninas têm afinidade são oferecidos em cores diferentes”.

“Portanto, como elas gostam de brincar com aqueles brinquedos, começam a gostar daquelas cores”.

Hines explica também que, entre os três e seis anos de idade, as crianças não têm certeza de que sua identidade sexual é permanente.

“Nessa idade, elas acham que vão mudar de sexo se brincarem com os brinquedos errados, então, são bastante rígidas em relação ao tipo de brinquedo e à cor”.

Ela admite que os pais exercem algum papel nesse processo, já que são eles que compram os brinquedos. “Os pais compram os brinquedos, mas nós achamos que são os colegas quem exerce maior pressão. A influência dos colegas nessa idade é muito grande, maior do que a dos pais”.

Segundo Hines, os pais tendem a querer o que os filhos querem: se a filha quer um brinquedo rosa, há grandes chances de que seus pais comprem o brinquedo daquela cor.

“Isto se torna um círculo vicioso”, disse Hines. “A criança quer uma coisa rosa, os pais compram a coisa rosa, a criança aprende a gostar da coisa rosa”.

Marketing

Registros históricos mostram que, no início do século 20, rosa era cor para meninos. Segundo o consultor da indústria de brinquedos Richard Gottlieb, a cor passou a ser considerada “feminina” nos anos 50.

Ele vê com preocupação a forma como a indústria vem usando o rosa para direcionar as meninas a certos tipos de brinquedos.

O consultor fez um estudo com 1.500 mães e suas filhas. Ele perguntou a elas com que tipo de brinquedos brincavam quando crianças.

“Percebemos que houve uma queda no número de meninas brincando com brinquedos de montar, carros, caminhões e brinquedos científicos”, disse Gottlieb. “São brinquedos que, na verdade, deveriam ser considerados neutros”.

Ou seja, as meninas estão sendo incentivadas a ficar longe dos brinquedos neutros – que ajudam a criança a desenvolver a inteligência analítica e espacial – e a cor rosa é usada para sinalizar que brinquedos elas devem escolher.

E ao que parece, o uso do rosa como instrumento de marketing já não se restringe ao público infantil.

“Há exemplos hoje de produtos tipicamente associados a adultos, que não são específicos de um sexo em particular, mas que estão sendo oferecidos na cor rosa”, disse à BBC a especialista em varejo Claire Rayner.

“Você pode comprar geladeiras, forno de micro-ondas, liquidificadores, carros e até telefones celulares na cor rosa”.

“Me parece que cores se tornaram parte integral da estratégia de venda dos comerciantes”. A feminilidade está sendo vendida às meninas – e também às mulheres – em embalagens cor-de-rosa. Mas a cor em si não parece ser o problema.

O que preocupa psicólogos, pais e outros profissionais é o conceito de feminilidade que vem embutido no pacote.

Fonte: BBC Brasil/Último Segundo

(Depressão avança no mundo e desafia médicos)

Mais uma notícia sobre o avanço – já considerado de proporção epidêmica -  da Depressão no mundo todo.

Antes de mais nada, é preciso frisar que PREDISPOSIÇÃO GENÉTICA NÃO É DESTINO.

Interessante ler a reportagem, e apenas observar suposições e “possibilidades possíveis” para explicar as causas do “fenômeno”… “Ah, existe a tendência genética, ah o estresse também colabora, ah a ansiedade também.” Nossa… quem poderia imaginar?!  E sinceramente, o que isso realmente explica qualquer coisa??? (…)

Então, falando sério, qual é a raiz de tudo isso? O que desencadeia a ansiedade, o estresse, ou ativa a “predisposição genética” e culmina numa depressão?

Mais interessante ainda foi observar que todas as suposições, o tal termo “multifatorial” que seria a resposta médica segundo o artigo – o que provoca a “instabilidade emocional” – frequentemente dizem respeito a coisas exteriores: o lar desfeito, desestrutura familiar, mãe ausente… talvez poderíamos acrescentar aí dificuldades financeiras, violência urbana, mortes de pessoas queridas, desemprego, competitividade, rejeição, padrões estéticos inalcançáveis, falência, traição… ou coisas que você não tem um controle, como sua “tendência genética”.  Seráááá? Isso não parece um pouco confortável demais?

É óbvio que não dá para descartar os “estímulos externos” ou uma “predisposição genética”. Existem casos e casos… Só preciso frisar que os estímulos externos servem apenas como gatilhos, a causa é sempre interior, o buraco é sempre mais embaixo…

Mas, no geral, o que faz uma pessoa ter uma estrutura emocional melhor do que a outra? Se olharmos pelos exemplos de causas externas que citei anteriormente (algumas utilizadas como exemplo de fatores que favorecem a instabilidade emocional, que por sua vez favorecem a depressão), bem, somos 6 bilhões de pessoas com problemas… não existe “lar perfeito”, nem “criação perfeita”, porque somos humanos, oras. Cada um faz o que pode (de preferência o melhor) dentro de suas circunstâncias e entendimento. Mas, convenhamos, o “fazer o melhor pelos filhos” é algo extremamente relativo. Portanto, o que favorece uma melhor estrutura emocional também o é. Como dar garantias? Ahh, e nós temos necessidades evolutivas diferentes… não dá pra padronizar todo mundo.

Além disso, dizer que estresse pode causar (ou causa) depressão – uma resposta padrão de muitos profissionais da saúde – ainda e igualmente não explica o porquê do estresse. E portanto não esclarece verdadeiramente o porquê da depressão. Por que eu me estresso? Por que? Por que me sinto ansiosa (o)? Isso são efeitos, afinal, quais são as causas?

O corpo é o palco da mente.

Normalmente, as crises depressivas se arrastam anos até a pessoa tomar uma providência e procurar ajuda, como o artigo bem exemplifica. Não é uma doença silenciosa que um belo dia “salta” na sua mente e corpo. Os sinais são dados durante um tempo (variável de acordo com a pessoa). Mas nós temos o hábito de ignorá-los, afinal, temos coisas mais importantes com que nos preocupar. Além do mais, se apresentarmos sintomas muito incômodos, basta tomar um remédio. Não apresentando mais os sintomas, é como se nem estivesse mais doente… E seja lá o que for que realmente estava provocando aqueles sinais, nós damos um jeito de enterrar bem fundo em nossas mentes.

Só que a vida não é assim simples… E chega aquele momento em que algo acontece (como a morte de alguém próximo ou significativo, por exemplo), e tudo aquilo que estava latente, “explode” em nós e nos pega de surpresa… Você se vê e se sente completamente subjugado, oprimido… por si mesmo! Mas quando foi que você realmente esteve no controle? Quando foi que esteve verdadeiramente consciente do momento, de si mesmo? Quando foi que de fato agiu ao invés de continuamente reagir? Você esteve o tempo todo no piloto automático e precisou chegar ao extremo – a depressão, por exemplo – para ter uma noção real disso: a vida inconsciente que você empurrou (com os seus “devos”, “tenhos”, “esperam isso de mim”, etc, que na verdade não possuem significado para você ) até este momento.

As doenças abrem portas inestimáveis ao autoconhecimento. Só que é preciso reconhecê-las como oportunidades, ao invés de problemas ou obstáculos…

Ah, uma última observação! Será que o fato de que todos os “esforços” empreendidos para conter a epidemia da Depressão – como os novos medicamentos, campanhas, acesso a tratamentos psiquiátricos – serem insuficientes (ou, quem sabe, em sua maioria inúteis) em seus intentos convencerá as pessoas de que talvez esse não seja o melhor caminho para a prevenção e/ou cura da doença? De que a raiz do problema, no geral, está muito além do que os tratamentos convencionais podem atingir?

Tomara…

“Sou eu próprio uma questão colocada ao mundo e devo fornecer minha resposta; caso contrário, estarei reduzido à resposta que o mundo me der.”

( Carl Gustav Jung)

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Doença é causada por uma combinação de fatores e requer diferentes frentes de tratamento

A depressão avança rapidamente mundo afora, apesar dos inúmeros esforços para contê-la.

Novos medicamentos, campanhas mundiais e mais acesso aos tratamentos psiquiátricos não parecem suficientes para evitar projeções bem negativas da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O mundo tem hoje 121 milhões de pessoas deprimidas, sendo cerca de 17 milhões no Brasil. Nos próximos 20 anos, a doença deve se tornar tão comum que pode ultrapassar câncer e AIDS.

Depressão atinge mais mulheres
Depressão atinge mais mulheres

“Concordo que vá piorar. O ser humano é biopsicológico e social, as causas da depressão também”, avalia Geraldo Possendoro, psiquiatra e professor da Unifesp.

Se um paciente perguntar ao médico porque está deprimido, a resposta não será simples. Mas em algum momento da explicação, certamente, o médico usará o termo “multifatorial”.

“Existe a tendência genética, mas é só isso. Ansiedade e estresse também exercem um papel muito importante”, aponta o especialista. Os estímulos do cotidiano ao qual a pessoa está inserida podem favorecer uma eventual predisposição genética.

Além da relação entre ambiente e genética, existe o fator emocional. A estrutura psicológica da pessoa dá suporte aos desafios do dia a dia. Se ela tiver uma boa estrutura, terá mais facilidade em superar situações difíceis e lidar com frustrações. “É sua estratégia de enfrentamento”, esclarece a psiquiatra Alexandrina Meleiro, doutora em psiquiatria pela USP.

A médica explica que a família exerce um papel fundamental na construção das bases emocionais da pessoa. “Família desestruturada, lar desfeito e mãe ausente, tudo isso favorece a instabilidade”, enumera.

Início sutil

Mesmo quando tudo joga contra a pessoa, a depressão não surge do dia para a noite. É um processo lento. Ninguém dorme feliz e acorda deprimido, embora seja justamente essa a primeira impressão de alguns pacientes.

A engenheira Bernardete Araújo, hoje com 56 anos, era uma consultora bem-sucedida quando se deparou com uma crise de estresse, há oito anos. O desgaste era tanto, que surgiram dores no estômago, nas pernas e na coluna. “Fiz uma avaliação médica e descobri que era depressão”, recorda.

No primeiro momento, o diagnóstico foi uma surpresa e pareceu mesmo uma consequência do cotidiano estressante. Mas a história da doença, na verdade, era bem maior. Uma observação mais atenta ao passado de Bernardete revelou que ela já sofria crises desde a adolescência. “Mas não sabia o que era”, conta.

Casos como o da engenheira são mais frequentes do que se imagina. “Adolescentes podem ter depressão combinada com ansiedade”, aponta Alexandrina. Isso dá um comportamento atípico ao paciente, diferente da tristeza e apatia que geralmente se espera de alguém deprimido.

Início marcante

Érica Priscila Coronato, de 39 anos, durante oficina de pintura, no Parque Ibirapuera
Érica Priscila Coronato, de 39 anos, durante oficina de pintura, no Parque Ibirapuera

No outro extremo da depressão, Érica Priscila Coronato, de 39 anos, sempre soube muito bem quando sua doença começou.

“Tive uma crise em 1997, depois que minha mãe morreu”, conta.

O trauma exigiu seis meses de tratamento feito em hospital, combinado com uso de medicamentos e terapia particular. “Parei de trabalhar. Fechamos um restaurante que era administrado pela minha família”, recorda-se.

A dedicação ao tratamento passou a ser quase integral. Por recomendação da terapeuta, Érica passou a frequentar o Centro de Convivência Cooperativa (Cecco) do Parque Ibirapuera, em São Paulo. “Ia todo dia. Fazia mosaicos, terapia em grupo, pintura em tela e bordados. Adorava os artesanatos”, diz.

Ficar triste pela morte da mãe é uma reação esperada em qualquer pessoa, mas isso não significa que a morte de um parente querido sempre causará depressão. “Tristeza é um sentimento natural e fisiológico. É uma resposta a um estímulo”, esclarece Alexandrina. A persistência do sentimento é que configura algo patológico. “Isso gera alterações neuroquímicas e caminha para um quadro de depressão”, explica.

Não é uma escolha

Quando a pessoa adoece, ela não está simplesmente triste e precisando de algo para se distrair e ganhar ânimo. Depressão interfere na produção de noradrenalina e serotonina, neurotransmissores importantes para o bom funcionamento do cérebro.

Outros neurotransmissores também podem ter seus níveis alterados e, com isso, a pessoa passa a ter dificuldade para desempenhar algumas atividades. Bernardete, por exemplo, tinha dificuldade para se concentrar e não conseguia tomar decisões.

“Até coisas simples eram difíceis. Minhas amigas me convidam para o cinema, e não sabia se ia ou não”, recorda.

Falta de concentração, tristeza e dificuldade para tomar decisões são alguns dos sintomas mais conhecidos da depressão. Contudo, existem outros. “Homens somatizam mais e podem ter AVC (acidente vascular cerebral) e infarto. Outras especialidades médicas não estão preparadas (para diagnosticar esses sintomas como depressão), embora exista uma consciência maior sobre a doença”, avalia Alexandrina.

A médica defende que toda especialidade médica deve saber como diagnosticar, ou ao menos como levantar a suspeita, de que seu paciente esteja deprimido. Em consultórios de ortopedistas, a reclamação de dor pode ter origem na depressão. O mesmo pode acontecer em consultas com endocrinologistas, cardiologistas e até cirurgiões plásticos.

“A pessoa quer mudar o nariz, faz a cirurgia e até fica feliz no primeiro ano. Mas a causa da depressão ainda está lá”, alerta a psiquiatra. “A chance de suicídio é maior em mulheres com prótese mamária, dez anos após o implante”, alerta Alexandrina.

Na opinião da especialista, ainda existe uma banalização dos problemas com fundo emocional. “Isso é visto como se não fosse algo sério”, afirma. Uma das implicações disso é o diagnóstico tardio da depressão, quando o paciente já passou por algumas crises e tem a doença cronificada. “A chance de precisar de medicação para o resto da vida fica maior”, diz a médica.

Se a detecção da depressão for bem precoce, há boas chances dela ser controlada apenas com terapia, sem qualquer medicação. Isso é que desejam os especialistas, mas a realidade é diferente. “Quem sofre da doença tem de cinco a dez episódios na vida”, afirma o psiquiatra Primo Paganini, gerente médico de grupos de produtos da Pfizer.

Fonte: Último Segundo/IG

(A hipnose pode ajudar a polícia a desvendar crimes?)

A Polícia Civil de São Paulo anunciou recentemente que tem planos de utilizar a técnica da hipnose para resolver crimes. O Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) do Estado pretende criar ainda neste ano um espaço para que vítimas e testemunhas de violência sejam submetidas a sessões para relembrar informações consideradas esquecidas. Uma proposta semelhante foi utilizada por mais de 10 anos em investigações no Paraná. Afinal, a hipnose pode ajudar os policiais a desvendar crimes?

Há controvérsia em relação à eficácia do método e quanto aos casos em que seria ético fazer uso desse expediente, mas o fato é que a técnica já foi utilizada como ferramenta auxiliar em investigações – e, em alguns casos, com sucesso.

Rui Fernando Cruz Sampaio, perito aposentado do Instituto de Criminalística do Paraná, criou o primeiro Laboratório de Hipnose Forense do Brasil, em 1998, e utilizou a técnica até o final de 2008. “Quando eu me aposentei, o Estado não tinha mais técnicos preparados para fazer o trabalho, por isso o laboratório foi fechado”, disse o psiquiatra, que também tem graduação em psicologia.

A Polícia Civil de São paulo pretende utilizar a hipnose para resolver crimes graves

A Polícia Civil de São paulo pretende utilizar a hipnose para resolver crimes graves

Segundo ele, a falta de profissionais habilitados é a maior dificuldade para realizar esse tipo de trabalho na polícia. Sampaio começou a utilizar a hipnose em caráter experimental e defende a técnica como um importante aliado na solução de crimes, mas faz um alerta: “a hipnose não pode servir como uma prova, e sim como uma finalidade médica que busca informações das vítimas ou das testemunhas para qualificar a investigação”.

O perito afirma que em seu trabalho nunca foram produzidos laudos sobre as sessões de hipnose. “A minha função não era tomar um depoimento da testemunha ou da vítima em estado de hipnose. Isso iria confrontar a lei. A técnica deve ser utilizada somente como um instrumento auxiliar na investigação.” Ele cita como exemplo uma vítima de trauma que durante as sessões se lembrou da placa do carro de um suspeito de atropelamento. Ele diz que a informação foi repassada aos investigadores, que encontraram o veículo, fizeram a perícia e comprovaram resquícios de sangue no automóvel. “A hipnose é uma pista, não uma prova cabal.”

O presidente da Associação dos Advogados Criminalistas de São Paulo, Ademar Gomes, concorda com a utilização da técnica apenas para auxiliar nas investigações. “No inquérito policial pode (ser usada), para efeito de investigação, desde que as partes envolvidas não se oponham ao procedimento”, afirma o criminalista, que contesta o seu emprego no processo penal.

“A defesa tem o direito de questionar a testemunha e a vítima, portanto fazer hipnose entre pessoas envolvidas em um processo criminal viola o direito do contraditório.”

Sobre a utilização do método com acusados de crimes, o advogado também é contra. “A nossa lei é bem clara ao afirmar que o acusado não pode fornecer prova contra si próprio.”

O especialista em hipnose também é contrário ao emprego da técnica em suspeitos, indiciados e réus em crimes. “Primeiro, porque ninguém e obrigado a produzir prova contra si. Segundo, porque mesmo em estado de hipnose, a pessoa está plenamente consciente e ela pode mentir.”

Sampaio diz que já atendeu mais de 700 pessoas, todas testemunhas ou vítimas de estupros, assaltos, sequestros e outros tipos de traumas. “Na maioria dos casos fomos bem-sucedidos, as pessoas conseguiram montar retratos-falados com detalhes da face, identificaram marcas no corpo, detalhes da roupa dos suspeitos, placas de carro e outras informações importantes nas investigações”, diz.

Emprego da técnica
Segundo Sampaio, na polícia do Paraná o trabalho era feito em uma sala especialmente montada para atender as vítimas e testemunhas. Havia uma janela espelhada caso alguma autoridade quisesse acompanhar a sessão. A pessoa sentava em uma cadeira reclinável e era feita uma entrevista.

“Quando falamos em hipnose, nos referimos a um estado alterado da consciência produzido por uma centena de técnicas. Não existe uma fórmula única, por isso primeiro é importante conhecer a pessoa para depois escolher a técnica mais adequada de acordo com o seu perfil”, afirma.

Ele diz que a tendência das pessoas que sofreram um trauma é esquecer os detalhes. “A vítima acaba criando um processo de amnésia, ela vai fazer um retrato-falado e não se lembra. Nesses casos de amnésia parcial ou total a hipnose serve para fazer a pessoa relembrar”, explica.

Sampaio diz que, se a técnica for empregada por profissionais da psiquiatria e da psicologia altamente qualificados, sem confrontar com a lei, a hipnose é uma grande aliada da polícia.

Reconhecimento Científico

Para o psiquiatra Emmanuel Fortes, 3º vice-presidente do Conselho Federal de Medicina, diversos estudos já comprovaram a eficiência da hipnose. “De fato ela tem uma larga aplicação em diversas áreas médicas, além da odontologia e da psicologia. Se aplicada com os rigores que a Ciência exige, ela se torna uma importante ferramenta para tratar a dor e também consegue alcançar informações na organização psíquica que espontaneamente não viriam à mente”, afirma.

O especialista, no entanto, adverte que a técnica deve ser empregada por profissionais qualificados, que tenham passado por um treinamento rigoroso e que tenham grande conhecimento do aparelho psíquico. “Nem todas as pessoas são suscetíveis a responder à hipnose e muitas podem construir uma memoria falseada e até mentir. O profissional precisa estar preparado para capturar as informações certas”, afirma Fortes.

Por isso, ele defende que, para utilizar a hipnose nas investigações de crime, é preciso disponibilizar profissionais preparados para a função. “Desde que seja com o consentimento de quem será hipnotizado e realizado por profissionais qualificados, acredito que auxilia a polícia.”

Fonte: Terra/Angela Chagas

E a verdade…desaparece!

E a “polêmica” chega ao Brasil…

O paper do Dr. Bem está dando o que falar nos EUA. Com  61 páginas, o trabalho entitulado: “Feeling the Future: Experimental Evidence for Anomalous Retroactive Influences on Cognition and Affect” (ou em tradução livre minha: “Sentindo o Futuro: Evidência Experimental para Influências Retroactivas Anômalas na Cognição e Afeto”) conclui, a partir de uma série de nove estudos envolvendo mais de 1.000 pessoas que os eventos no futuro podem influenciar os eventos do passado (fenômeno  chamado de “retrocausação”).

Mas não pretendo defender nem criticar a pesquisa do Dr. Bem, até porque, acho que tem gente muito mais preparada para tal já fazendo isso. O que quero promover nesse post é novamente uma reflexão sobre o problema dos paradigmas, da ilusão pegajosa de “conhecimento real” que nos fazem acreditar que temos a respeito de qualquer coisa,  e de como as nossas crenças se interpõem ao saber, e consequentemente afetam a nossa realidade…

No mesmo momento que tive acesso ao paper do supracitado doutor, tive acesso também a um excelente artigo publicado no The New Yorker e produzido por um escritor norte-americano que escreve sobre psicologia, neurociência e temas científicos. O nome dele é Jonah Lehrer, e o artigo tem como título: “A verdade desaparece: Há algo de errado com o método científico?” Nem preciso dizer que o artigo de Jonah cai como uma luva nessa “polêmica” do Dr. Bem, assim como em qualquer outra “descoberta” científica ou “prova” científica, independente de ser de parapsicologia ou não. Basicamente, Jonah nos conta a respeito de alguns problemas constragedores de replicabilidade (o teste da replicabilidade é a base da pesquisa moderna: sabendo que os cientistas estão sujeitos a se deixarem levar pelos resultados que desejam ou que esperam, e desse modo, influenciarem os resultados que obtêm, o teste de replicabilidade tem como objetivo corrigir esse problema. Assim, cientistas diferentes, de laboratórios diferentes, replicam o experimento e publicam seus resultados. Se a maioria conclui a mesma coisa, ótimo, temos uma “prova”, se não, a pesquisa deve ser revisada ou quem sabe até descartada). Então. O tal problema da replicabilidade é conhecido como “efeito declínio”: é quando acontece uma queda progressiva nos resultados positivos de um experimento que inicialmente tinha sido um “sucesso”. Ou como nos diz Jonah (traduzido por mim):

“Mas agora todos os tipos de descobertas bem-estabelecidas e multiplamente confirmadas começaram a parecer cada vez mais incertas. É como se os nossos fatos estivessem perdendo sua veracidade: alegações que foram consagradas em livros didáticos subitamente são improváveis. Esse fenômeno ainda não tem um nome oficial, mas está ocorrendo em uma ampla gama de campos, da psicologia à ecologia. No campo da Medicina, o fenômeno parece estar extremamente espalhado, afetando não apenas os antipsicóticos mas também terapias que variam de stents cardíacos à Vitamina E e antidepressivos: Davis (John Davis – professor de psiquiatria da Universidade de Illinois, Chicago) possui uma análise a ser publicada demonstrando que a eficácia dos antidepressivos diminiu tanto quanto três vezes em décadas recentes.”

O artigo segue nos contando “causos” de cientistas que obtiveram resultados (iniciais) excelentes em suas pesquisas, que ficaram famosos em suas áreas, e que depois nem eles mesmos conseguiam replicar o próprio sucesso inicial! Mesmo não conseguindo encontrar erros em suas pesquisas, mesmo fazendo tudo exatamente como deveria ser feito… A pergunta não havia mudado, mas supreendentemente a natureza parecia estar fornecendo respostas diferentes… Como explicar isso?

Bem, para não estender demais esse comentário, quero fechá-lo com a tradução dos últimos parágrafos do artigo de Jonah. Quem souber inglês, é um artigo altamente recomendável, porém é um pouco extenso para publicá-lo aqui na íntegra (5 páginas). Quem não souber, não há porque se preocupar: com a parte publicada aqui já dá para ter uma noção do “drama”. Vamos lá (tradução minha):

No final dos anos noventa, John Crabbe, um neurocientista da Oregon Health and Science University, conduziu um experimento que mostrou que eventos desconhecidos do acaso podem enviesar testes de replicabilidade. Ele realizou uma série de experimentos sobre comportamento dos ratos em três laboratórios científicos diferentes: em Albany, New York; Edmonton, Alberta; e Portland, Oregon. Antes de conduzir esses experimentos, ele tentou padronizar todas as variáveis que podia imaginar. As mesmas cepas de camundongos foram usadas em cada laboratório, enviadas no mesmo dia pelo mesmo fornecedor. Os animais foram criados no mesmo tipo de clausura, com o mesmo tipo de cama de serragem. Eles foram expostos ao mesmo tipo de luz incandescente, estavam vivendo com o mesmo número de companheiros de ninhada, e estavam sendo alimentados com o exato mesmo tipo de ração. Quando os ratos eram manuseados, era com o mesmo tipo de luva cirúrgica, e quando eram testados era com o mesmo equipamento, na mesma hora da manhã.

A premissa desse teste de replicabilidade, é claro, é que cada um dos laboratórios deveria gerar o mesmo padrão de resultados. “Se qualquer série de experimentos deve passar no teste, essa deve ser a nossa,” disse Crabbe. “Mas não foi isso que aconteceu.”  Em um experimento, Crabbe injetou uma determinada cepa de ratos com cocaína. Em Portland, os ratos que receberam a droga se moveram, em média, 600 centímetros a mais do que normalmente faziam; em Albany eles se moveram setecentos e um centímetro adicional. Mas em Edmonton eles se moveram mais de cinco mil centímetros adicionais. Desvios semelhantes foram observados em um teste de ansiedade. Além disso, essas inconsistências não seguiram nenhum padrão detectável. Em Portland, uma cepa de rato se mostrou mais ansiosa, enquanto que em Albany outra cepa ganhou essa distinção.

A implicação perturbadora do estudo de Crabbe é que um monte de dados científicos extraordinários não são nada mais do que barulho. A hiperatividade dos ratos drogados de Edmonton não foi um fato novo interessante, foi um caso isolado sem sentido, um subproduto de variáveis invisíveis que não compreendemos. O problema, é claro, é que tais resultados dramáticos são mais prováveis de serem publicados em periódicos de prestígio, já que os dados são estatisticamente significativos e inteiramente inesperados. Subsídios são oferecidos, estudos de seguimento são realizados. O resultado final é um acidente científico que pode levar anos para se desvendar.

Isto sugere que o efeito declínio é na verdade um declínio de uma ilusão. Enquanto Karl Popper imaginou a falsificação ocorrendo com um único e definitivo experimento – Galileu refutou a mecânica aristotélica em uma tarde – o processo se mostra bem mais confuso do que isso. Muitas teorias científicas continuam sendo consideradas verdade mesmo após falharem em numerosos testes experimentais. O “Ofuscamento verbal” (uma “descoberta” de Jonathan Schooler sobre a memória) pode exibir o efeito declínio, mas permanece amplamente invocado dentro do campo. O mesmo vale para qualquer número de fenômenos, desde o desaparecimento dos benefícios dos antipsicóticos de segunda geração até a fraca taxa de acoplamento exibido por nêutrons em decomposição, que parece ter caído em mais de dez desvios padrão entre 1969 e 2001. Mesmo a lei da gravidade não tem sido sempre perfeita para predizer fenômenos do mundo real. (Em um teste, físicos medindo a gravidade por meio de perfurações profundas no deserto de Nevada encontraram uma discrepância de dois e meio por cento entre as previsões teóricas e os dados reais.) Apesar desses resultados, os antipsicóticos de segunda geração são ainda amplamente prescritos, e o nosso modelo do nêutron não mudou. A lei da gravidade permanece a mesma.

Tais anomalias demonstram o quão traiçoeiro é o empirismo. Apesar de muitas ideias científicas gerarem resultados conflitantes e sofrerem de quedas de efeitos, elas continuam a ser citadas em livros didáticos e dirigirem a prática médica padrão. Por que? Porque essas ideias parecem verdadeiras. Porque elas fazem sentido. Porque nós não suportamos descartá-las. E é por isso que o efeito declínio é tão problemático. Não porque ele revela a falibilidade humana da ciência, em que os dados são alterados e crenças moldam percepções. (Essas deficiências não são surpreendentes, pelo menos para os cientistas.) E não porque revela que muitas das nossas teorias mais interessantes são modas passageiras que em breve serão rejeitadas. (Essa ideia tem estado por aí desde Thomas Kuhn.) O efeito declínio é problemático porque nos lembra o quão difícil é provar qualquer coisa. Nós gostamos de fingir que nossos experimentos definem a verdade para nós. Mas isso, frequentemente, não é o caso. Só porque uma ideia é verdade não quer dizer que ela possa ser provada. E só porque uma ideia pode ser provada não quer dizer que seja verdadeira. Quando os experimentos são feitos, nós ainda temos que escolher no que acreditar.

Pois é… e é isso!

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Artigo sobre percepção extrassensorial promete causar polêmica

Professor da Universidade de Cornell publicará este ano um paper que diz comprovar a existência de vidência e previsão de futuro

Daryl Bem, da Universidade Cornell, vai publicar artigo científico sobre percepção extrassensorial e capacidade de prever eventos futuros
Daryl Bem, da Universidade Cornell, vai publicar artigo científico sobre percepção extrassensorial e capacidade de prever eventos futuros

Uma das mais respeitadas revistas científicas de psicologia aceitou publicar um artigo apresentando o que seu autor descreve como uma das mais fortes provas da existência de percepção extrassensorial (ESP, na sigla em inglês), a habilidade em conhecer o futuro.

A decisão pode agradar os que acreditam nos chamados eventos paranormais, mas já divide a comunidade científica. Cópias antecipadas do trabalho, a ser publicado este ano no The Journal of Personality and Social Psychology, têm circulado amplamente entre acadêmicos nas últimas semanas, gerando um misto de divertimento e desprezo.

O artigo descreve nove experimentos de laboratório pouco comuns realizados na última década por seu autor, Daryl J. Bem, professor emérito da Universidade de Cornell, testando a capacidade de estudantes universitários perceberem com exatidão eventos ao acaso, como se um programa de computador irá fotografar do lado esquerdo ou direito da tela. Os estudos incluíram mais de mil pessoas.

Alguns cientistas dizem que o estudo merece ser publicado, em nome da investigação aberta; outros insistem que a sua aceitação só reforça falhas fundamentais na avaliação e revisão das pesquisas em ciências sociais.

“É loucura, loucura pura. Não posso acreditar que um periódico importante esteja aceitando este trabalho”, disse Ray Hyman, professor emérito de psicologia da Universidade de Oregon e crítico de longa data da pesquisa ESP. “Eu acho que é simplesmente um constrangimento para o campo inteiro da psicologia.”

O editor da revista, Charles Judd, psicólogo da Universidade do Colorado, disse que o artigo passou pelo processo regular de revisão da revista. “Quatro revisores fizeram comentários sobre o manuscrito”, disse ele, “e eles são pessoas muito confiáveis.”

Todos os quatro decidiram que o artigo cumpriu as normas editoriais da revista, acrescentou Dr. Judd, embora “não havia nenhum mecanismo pelo qual pudéssemos entender os resultados.”

Mas muitos especialistas dizem que é exatamente esse o problema. Afirmações que desafiam quase todas as leis da ciência são extraordinárias por definição e, portanto, exigem provas extraordinárias. Não levar isso em conta – como fazem as análises convencionais das ciências sociais – torna inúmeras descobertas parecerem muito mais significativas do que elas realmente são, afirmam especialistas.

“Várias revistas importantes publicam resultados apenas quando estes parecem apoiar uma hipótese ou inesperada ou que chama a atenção”, escreveu por e-mail Eric-Jan Wagenmakers, psicólogo da Universidade de Amsterdam. “Mas essa hipótese provavelmente constitui uma afirmação extraordinária, e deve passar por mais escrutínio antes que seja permitida a entrada em campo.”

Dr. Wagenmakers é co-autor de uma réplica ao trabalho, prevista para aparecer na mesma edição da revista.

Em entrevista, Daryl Bem, autor do artigo original e um dos pesquisadores em psicologia mais proeminentes de sua geração, disse que planejou cada experimento para simular um clássico estudo bem conhecido, “só que invertidos”.

Em um experimento clássico de memória, por exemplo, os participantes estudaram 48 palavras e, em seguida, dividiram um subconjunto de 24 delas em categorias, como alimento ou animal. O ato de categorizar reforça a memória, e em testes posteriores as pessoas têm uma chance maior de lembrar as palavras que eles praticaram do que as quais eles não praticaram.

Em sua versão, o doutor Bem aplicou um teste de memória para cem estudantes universitários antes que eles fizessem a categorização – e descobriu que eles eram significativamente mais propensos a lembrar as palavras que praticavam depois. “Os resultados mostram que a prática de um conjunto de palavras após o teste de memória, de fato, volta no tempo para facilitar a lembrança daquelas palavras”, conclui o artigo.

Em outro experimento, Bem pediu que indivíduos escolhessem qual das duas cortinas na tela do computador escondia uma fotografia; a outra cortina escondia apenas uma tela em branco.

Um programa de computador postava ao acaso uma imagem por trás de uma cortina ou de outra – mas somente depois que o participante tinha feito sua escolha. Mesmo assim, os participantes derrotaram o acaso, por 53 a 50 por cento, pelo menos quando as fotos postadas eram eróticas. Eles não foram melhor do que o acaso em fotos negativas ou neutras.

“O que mostrei foi que os indivíduos não selecionados podiam sentir as fotos eróticas,” disse Bem, “mas o meu palpite é que se você usar mais pessoas talentosas, que são boas nisso, elas podiam encontrar qualquer uma das fotos.”

Nas últimas semanas blogueiros de ciência, pesquisadores e variados céticos têm contestado de maneira contundente os métodos e estatísticas utilizados por Bem, levantando questões importantes no tratamento dos números. (Outros questionam suas intenções. “Ele tem um ótimo senso de humor”, disse Hyman, de Oregon. “Eu não descartaria que esta é uma brincadeira elaborada.”)

O autor do trabalho em geral respondeu na mesma moeda, algumas vezes acusando os críticos de ou não entender seu trabalho, ou de construir um forte viés em suas próprias re-avaliações dos dados.

Em certo sentido, é um padrão historicamente familiar. Por mais de um século, os pesquisadores realizaram centenas de testes para detectar ESP, telecinesia e outros fenômenos semelhantes, e quando tais estudos vieram à tona, os céticos têm sido rápidos em cobri-los de descrédito.

Mas por outro lado, Bem está longe de ser típico. Ele é amplamente respeitado por seu pensamento claro e original em psicologia social, e algumas pessoas familiarizadas com o caso dizem que sua reputação pode ter desempenhado um papel importante na aceitação do artigo.

A revisão por pares é normalmente um processo anônimo, com autores e revisores desconhecidos um do outro. Mas todos os quatro revisores deste trabalho foram psicólogos sociais, e todos saberiam de quem era o trabalho avaliado e teriam sido favoráveis à forma como foi fundamentado.

Talvez mais importante, nenhum era estatístico de primeira linha. “O problema foi que esse trabalho foi tratado como qualquer outro”, disse uma editora da revista, Laura King, psicóloga da Universidade de Missouri. “E ele não era.”

Muitos estatísticos dizem que as técnicas utilizadas pelas ciências sociais para analisar dados fazem uma suposição que é falsa e, no final, auto-enganadora: a de que os pesquisadores não sabem nada sobre a probabilidade da chamada hipótese nula.

Neste caso, a hipótese nula seria a de que a ESP não existe. Recusar a dar peso a essa hipótese não faz sentido, dizem esses especialistas; se a ESP existe, porque as pessoas não estão ficando ricas predizendo com segurança o movimento do mercado de ações ou o resultado dos jogos de futebol?

Em vez disso, esses estatísticos preferem uma técnica chamada análise bayesiana, que visa determinar se o resultado de um experimento em particular “muda as chances da hipótese ser verdadeira”, nas palavras de Jeffrey N. Rouder, psicólogo da Universidade de Missouri, que, com Richard D. Morey, da Universidade de Groningen, na Holanda, submeteu uma crítica ao artigo do Dr. Bem para a revista.

Física e biologia, entre outras disciplinas, esmagadoramente sugerem que os experimentos de Bem não mudaram essas chances, disse Dr. Rouder.

Até agora, pelo menos três tentativas de replicar os experimentos fracassaram. Mas o grupo pretende continuar trabalhando nisso, disse o professor de Cornell.

Fonte: Último Segundo/NYT

(Mentes dispersas tornam as pessoas infelizes, diz estudo)

Resumidamente, os dois psicólogos “descobriram” (no Oriente isso já é sabido há alguns mil anos… mas enfim) que quando as pessoas não estão de fato vivendo no presente, no agora, elas se sentem infelizes. Uma mente divagante é uma mente tagarela que se encontra ou preocupada com o futuro, ou identificada com acontecimentos passados. Ou como sabiamente diz Eckhart Tolle, em “O Poder do Agora“:

A maior parte da dor humana é desnecessária. Cria-se a si própria enquanto for a mente inobservada a dirigir a sua vida.

A dor que você criar agora será sempre uma certa forma de não aceitação, uma certa forma de resistência inconsciente àquilo que é. Ao nível do pensamento, a resistência é uma certa forma de julgamento. Ao nível emocional, é uma certa forma de negatividade. A intensidade da dor depende do grau de resistência ao momento presente, e essa resistência por seu lado depende de quão fortemente você estiver identificado com a sua mente. A mente procura sempre recusar o Agora e fugir a ele. Por outras palavras, quanto mais identificado você estiver com a sua mente, mais sofrerá. Ou poderá colocar a questão deste modo: quanto mais você honrar e aceitar oAgora, mais livre estará da dor, do sofrimento – e da mente egoica.

Porque é que a mente recusa ou resiste habitualmente ao Agora? Porque ela não consegue funcionar nem permanecer no poder sem o tempo, que é passado e futuro e, por conseguinte, para ela o Agora representa uma ameaça. De fato, o tempo e a mente são inseparáveis.

Imagine a Terra desprovida de vida humana, habitada apenas por plantas e animais. Teria ela ainda um passado e um futuro? Poderíamos nós falar de tempo de maneira que fizesse sentido? As perguntas “Que horas são?” ou “Que dia é hoje?” — se houvesse quem as fizesse — não fariam qualquer sentido. O carvalho ou a águia ficariam estupefatos com tais perguntas. “Que horas são?” perguntariam.”Bem, é claro que é agora. Que mais poderia ser?”

Sim, é certo que precisamos da mente assim como do tempo para funcionarmos neste mundo, mas a certa altura eles tomam conta das nossas vidas, e é aí que a disfunção, a dor e o desgosto se instalam.

A mente, para garantir que permanece no poder, procura constantemente encobrir o momento presente com o passado e o futuro e, assim, ao mesmo tempo que a vitalidade e o infinito potencial criativo do Ser, que é inseparável do Agora, começam a ficar encobertos pelo tempo, também a sua verdadeira natureza começa a ficar encoberta pela mente. Um fardo de tempo, cada vez mais pesado, tem vindo a acumular-se na mente humana. Todos os indivíduos sofrem sob esse fardo, mas também o tornam mais pesado a cada momento, sempre que ignoram ou recusam esse precioso Agora ou o reduzem a um meio para alcançarem um determinado momento futuro, o qual só existe na mente e nunca na atualidade. A acumulação de tempo na mente humana, coletiva e individual, contém igualmente uma enorme quantidade de dor residual que vem do passado.

Se quiser deixar de criar dor para si e para os outros, se quiser deixar de acrescentar mais dor ao resíduo da dor passada que continua a viver em si, então deixe de criar mais  tempo, ou pelo menos crie apenas o tempo necessário para lidar com os aspectos práticos da sua vida. Como deixar de criar tempo? Compreendendo profundamente que o momento presente é tudo o que você algum dia terá. Faça do Agora o foco principal da sua vida. Atendendo a que antes você vivia no tempo e fazia curtas visitas ao Agora, estabeleça a sua morada no Agora e faça curtas visitas ao passado e ao futuro quando precisar de lidar com os aspectos práticos da sua situação de vida. Diga sempre “sim” ao momento presente. Que poderia ser mais fútil, mais insensato do que criar resistência interior a algo que já é? Que poderia ser mais insensato do que opor-se à própria vida, que é agora e sempre será agora? Submeta-se àquilo que é. Diga “sim” à vida — e verá como de repente a vida começará a trabalhar para si em vez de contra si.

Certamente a conclusão do estudo não surpreende, mas resolvi registrá-lo aqui no site apenas como mais uma evidência “científica” daquilo que já sabemos…

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Um estudo divulgado nesta quinta-feira nos Estados Unidos sugere que as pessoas gastam quase metade do tempo imaginando que gostariam de estar em algum outro lugar ou fazendo alguma outra coisa, e que esta perpétua dispersão da mente as torna infelizes. “A mente humana é uma mente dispersa, e uma mente dispersa é uma mente infeliz”, escrevem os psicólogos Matthew Killingsworth e Daniel Gilbert, da Universidade de Harvard, na revista científica Science.

“A habilidade de pensar sobre o que não está acontecendo no momento é uma conquista cognitiva, mas tem um custo emocional”, destacam. A pesquisa acompanhou 2.250 pessoas através de seus iPhones. Um aplicativo foi instalado para perguntar aos voluntários “o quanto felizes estão, o que estão fazendo no momento e se estão pensando sobre a atividade que estão realizando ou sobre qualquer outra coisa – e, neste caso, se é um pensamento agradável, neutro ou desagradável”. A pergunta aparecia na tela dos iPhones em intervalos irregulares.

A pesquisa foi feita com um aplicativo para iPhone que registrava as ações dos voluntários e seu nível de felicidade
A pesquisa foi feita com um aplicativo para iPhone que registrava as ações dos voluntários e seu nível de felicidade

Quando os resultados foram computados, os cientistas constataram que a mente das pessoas estava divagando 46,9% do tempo. Os voluntários declararam-se mais felizes quando faziam sexo, se exercitavam ou tinham uma conversa. Por outro lado, descreveram maior infelicidade quando usavam o computador em casa, descansavam ou trabalhavam. Ao examinar as respostas dadas pelos voluntários quando suas mentes divagavam, os psicólogos descobriram que “apenas 4,6% da felicidade das pessoas em um determinado momento é atribuível à atividade específica que ele ou ela está desempenhando, ao mesmo tempo em que o estado de divagação de uma pessoa corresponde a cerca de 10,8% de sua felicidade”.

O estudo indica que “análises de intervalo causa-efeito” apontam que “a mente divagante dos voluntários é geralmente a causa, e não a consequência, de sua infelicidade“. Os voluntários tendem a ter mais foco no presente e são menos propensos à dispersão durante o sexo, segundo a pesquisa. Ao realizar qualquer outra atividade, as mentes divagam pelo menos 30% do tempo. De acordo com os pesquisadores, 74% dos voluntários são americanos, oriundos de “um amplo espectro de cenários socioeconômicos e profissões”.

“A divagação da mente é um excelente prognóstico da felicidade das pessoas”, concluiu Killingsworth. “O estudo mostra que nossa vida mental é permeada, em um nível significativo, pelo não-presente“. O aplicativo para iPhone usado na pesquisa está disponível para download no site www.trackyourhappiness.org.

Fonte: AFP/Terra