Jung e a Jornada do Auto-descobrimento

“Noli foras ire, in interiore homine habitat veritas” – “Não saias, é no interior do homem que habita a verdade.”

(Citado por Carl G. Jung, em “Memórias, Sonhos, Reflexões”)

“Há algo de, como direi, exultante, em colocar-se do lado da vida, em vez de ficar do lado das ideias protetoras. Quando todas essas ideias protetoras sobre a vida às quais você vem se apegando sucumbem, você compreende que coisa horrível é isso, e você é isso. Esse é o arrebatamento da tragédia grega. O que Aristóteles chamava de catarse. Catarse é um termo ritual e representa a eliminação da perspectiva do ego: destruir o sistema do ego, destruir a estrutura racional. Esmagá-lo e deixar que a vida – boom! – surja. O ímpeto dionísico esmaga tudo. E assim você se sente purgado do seu sistema egocêntrico de julgamento, pelo qual está vivendo o tempo todo.”

(Joseph Campbell, mitólogo norte-americano)

“Tudo flui.”

(Heráclito de Éfeso, filósofo pré-socrático)

“Sabia que esta pequena chama era a minha consciência, a única luz que possuía. O conhecimento de mim mesmo era o único e maior tesouro que possuía. Apesar de infinitamente frágil comparado aos poderes da sombra, era uma luz, minha única luz.”

(Carl Gustav Jung)

Navegando no Youtube encontrei o que parece ser um trecho de um documentário entitulado “Carl Gustav Jung e a Jornada para o Auto-Descobrimento“. O vídeo em questão fala um pouco sobre a vida do psiquiatra suíço, pai da Psicologia Analítica (ou Psicologia Profunda), além de comentar o surgimento de algumas de suas principais teorias, como a do Inconsciente Coletivo (o termo que me inspirou a criar esse blog! ;-) ), os tipos psicológicos etc.

O vídeo é interessante também por trazer informações sobre o trabalho de Jung durante a Segunda Guerra, numa Alemanha dominada pelo regime nazista. Essa suposta “colaboração” de Jung com os nazistas (muito mal compreendida, diga-se de passagem), nada mais foi que uma tentativa por parte do psiquiatra, de manter viva a própria psicologia na Alemanha.

Sempre tive Jung como um dos meus pensadores preferidos. Ele se dedicava a estudar e compreender questões que não só na época dele, mas ainda hoje, são colocadas de lado como sendo “meras superstições e crendices”. Temas como espiritualidade, Deus, sonhos, símbolos, metáforas, paranormalidade, experiências pessoais de “mistério”, disciplinas esotéricas, religiosidade, etc; foram todos assuntos contemplados e discutidos em suas obras. Uma pena Jung e suas ideias serem tão subestimadas dentro da Psicologia…

O trecho está dividido em duas partes. A legenda não está colada ao vídeo, e sim é adicionada pelo próprio “Youtube”, no momento em que se assiste. Espero que não haja dificuldades na configuração das legendas.

Parte 1:

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Parte 2:

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A Psicologia por trás de Batman, o Cavaleiro das Trevas

Por que tão sério?

Por que tão sério?

No post de hoje, trago o novo documentário do canal History Channel, falando sobre a psicologia por trás do personagem Batman e de seus vilões.

O que faz Batman ser um herói tão fácil do público se identificar, é o fato de que ele é plenamente possível. Ele não veio de outro planeta, não é fruto de uma mutação genética, não tem superpoderes. Batman é um homem normal, um homem que tinha todos os motivos para sequer se importar com os problemas do mundo, mas que decide usar sua inteligência e dinheiro, em busca de justiça.

Quem é o verdadeiro homem? Batman ou Bruce Wayne? Qual a identidade, a personalidade real? Não seria o bilionário playboy o verdadeiro disfarce de Bruce Wayne?

“Os inimigos definem o herói. Quanto maior a ameaça, maior o herói.”

(Dan Di Dio)

Batman Begins

Batman Begins

Se Batman não tem nenhum superpoder, como pode ser considerado um herói? Na verdade o que distingüe e singulariza o personagem Bruce Wayne, e conseqüentemente seu alter-ego justiceiro, são duas qualidades que não são compartilhadas pela maioria das pessoas: auto-controle e auto-disciplina. O que faz Bruce ser um herói de verdade é o fato de não se permitir perder o controle frente aos piores desafios, o não se deixar levar por sentimentos de ódio e vingança. Por pior que seja o inimigo, Batman não o mata. Ele cria maneiras de capturar os criminosos e levá-los frente à justiça, permitindo que sejam formalmente acusados, processados e punidos pelos seus crimes. A auto-disciplina rigorosa do personagem também permite que ele pareça ser sobre-humano. Bruce vai mais longe do que qualquer homem ou mulher comum e enfrenta seus medos. Literalmente. A cena em “Batman Begins” que melhor demonstra o auto-controle e auto-disciplina do bilionário, é quando Bruce volta ao poço onde havia caído quando criança, e enfrenta os morcegos, que haviam se tornado uma fobia intensa desde sua infância, encarando-os de frente e ficando de pé, enquanto voam ao seu redor. Quantas pessoas conhecemos (e nisso devemos nos incluir) que são capazes de exporem suas fragilidades, seus piores medos e de enfrentá-los olhando-os de frente, sem hesitar, tudo em nome de um ideal ou objetivo maior, seja pessoal ou coletivo?

O documentário traz também uma análise sobre as principais doenças mentais e psicoses que podem ser encontradas nos vilões de Batman. A maldade encontrada nos inimigos do herói poderia ser um reflexo de seu próprio lado sombrio, demonstrando o que acontece a um ser humano quando se deixa levar por baixos ideais. A própria fantasia de Batman, a roupa de morcego, possui uma simbologia que reside já no inconsciente coletivo popular invocando algo obscuro ou maligno. O morcego, normalmente é associado à figuras demoníacas ou como uma representação animal de tudo aquilo que é desconhecido, estranho, e portanto ligado a coisas ruins. Batman luta contra o mal, vestido como um vilão!

Harvet Dent, e a moeda de "duas caras"

Harvet Dent, e a moeda de "duas caras"

“Ou você morre como herói, ou vive o bastante para se tornar um vilão.”

(Harvey Dent, o “Duas Caras”)

“A noite é mais escura um pouco antes do amanhecer.”

(Harvey Dent)

O personagem de Harvey Dent, o bom moço que no fim se torna um vilão de Batman é chocante, pois simboliza o homem responsável, justo e correto que, em virtude de uma tragédia pessoal, perde o controle de si mesmo, e se deixa levar pela vingança, uma idéia que também assombra Bruce Wayne. O mais interessante no inimigo Duas Caras, é o fato de que ele possui uma personalidade dividida, que só pode ser decidida na sorte. É pertubador, pois ao jogar a moeda para decidir o destino de alguém ou algo, Duas Caras tira de si a responsabilidade de seus próprios atos. Incrivelmente irônico, para um personagem que antes tomava para si essas mesmas responsabilidades.

Coringa

Coringa

Porém, o personagem mais pertubador não só do último filme de Batman, “O Cavaleiro das Trevas“, mas de toda a mitologia do herói é o vilão Coringa, estupendamente representado pelo falecido ator Heath Ledger. O Coringa representa tudo aquilo que não pode ser controlado, que não pode ser comprado, que não pode ser convencido. Ele é a personificação do mais puro caos, em sua pior forma: a destruição, seja ela de idéias, sonhos, ou apenas construções materiais. Ele não tem motivos racionais, não busca fama, não busca poder, não busca dinheiro ou controle. Ele apenas quer ver o mundo pegar fogo. Ele quer provar que nada é como parece, e que não existe algo como “pessoas inocentes” ou “ideais puros”. A moralidade é uma máscara muito fácil de ser destruída. O Coringa não é apenas perigoso pela destruição e caos que pode proporcionar, mas pelo simples fato que ele ameaça tudo aquilo que Batman representa: justiça, esperança, compaixão. Ele é o único personagem que pode mostrar ao Batman àquilo que ele não quer encarar: o seu próprio lado sombrio e perigoso. É por isso que os dois personagens são tão parecidos. São inteligentes, bons no que fazem, e não há nada de lógico por trás de todos os seus esforços. Observe que Batman também não procura fama, dinheiro, poder ou controle. Ele também não pode ser convencido. É por isso que ambos são tão perigosos, no caso do herói, a sua periculosidade é apenas potencial.

É por isso que Batman é um personagem tão fascinante, e ao mesmo tempo tão comum, a ponto de ser realmente possível a existência de um herói como ele. O que o diferencia de seus inimigos é apenas um apego a um ideal mais elevado.

E não é assim em nossas vidas?

“Não há nada a temer, a não ser seu próprio medo.”

(Dr. Jonathan Crane – “Espantalho”)

O documentário possui quase 45min, e está completo, abaixo: (como o google havia retirado o vídeo do ar, reenviei para o youtube, dessa vez dividido em 5 partes)

Parte 1:

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Parte 2:

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Parte 3:

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Parte 4:

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Parte 5:

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Qual pílula você tomou?

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Matrix. Quase dez anos depois de sua estréia, esse filme continua a impressionar. Sei que existem gazilhões de resenhas e artigos sobre ele, mas não adianta. Por mais que se fale de Matrix, nunca se fala o suficiente. Assisti-o novamente há poucos dias, num canal de tv a cabo. Dublado. Por mais que odeie dublagem, nem isso consegue estragar Matrix. Acredito que Joseph Campbell ficaria orgulhoso se tivesse tido a oportunidade de assistir a esse filme. Penso que os irmãos Wachowski realmente conseguiram (re)criar um mito moderno, utilizando a sabedoria antiga e os arquétipos tão cristalizados em nosso inconsciente coletivo. Lembro que na época que estreou, pelo menos aqui no Brasil, foram poucos os que realmente compreenderam o filme logo de cara (e, não duvido que tenha gente que ainda não compreende). Não é de se espantar. O filme é capaz de revelar mensagens e provocar insights profundos mesmo depois de assistido 20 vezes. Os outros dois filmes da trilogia não conseguiram chegar nem aos pés do primeiro. Se duvida do que estou dizendo, experimente assistí-lo novamente. E leia o texto abaixo. É o melhor texto que já li sobre o filme. Se já conhecia essa interpretação, experimente lê-la novamente. É sempre surpreendente.

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Tradução Mística do filme Matrix

Matrix

Esse filme é o que se pode chamar de uma revelação, no sentido de re-velar, ou seja velar de novo, apresentando antigos ensinamentos numa linguagem nova, utilizando para isso, com uma certa mistificação, o elemento tecnológico do mundo moderno, a Internet.

Dessa forma, através de uma nova contextualização, o filme resgata para nossa civilização, de uma forma alegorizada, verdades universais contidas no Tao Te King; Bhagavad-Gita, em todos os Vedas, enfim, verdades que de outro modo se perderão, se não encontrarmos uma linguagem que nos permita comunica-las às novas gerações.

Nele fica nítido que um dos arquétipos do herói mitológico, muito utilizado na época do Jesus bíblico, geralmente associado a determinados imperadores, heróis, ou semideuses, permeia toda a trama, no caso em questão, o arquétipo utilizado é o do messias, ou ungido, que podemos resumir da seguinte forma: Um redentor esperado, de nascimento virginal, a traição por parte de um de seus companheiros, a luta contra as forças do mal, a morte e a ressurreição, e finalmente a ascensão aos céus.

O filme, analisado hoje, começa com Trinity, a iniciadora em conexão com o mundo real através de uma linha telefônica, no Heart O’ The City Hotel. Essa linha do ponto de vista simbólico, eqüivale a vibração do Anahata, ou Chacra Cardíaco, que permite-nos, uma vez ativado, sintonizar nossa consciência com nosso átomo primordial. No atual estado evolutivo da humanidade, esse chacra só pode ser dinamizada pelo elemento feminino.

O número que vemos em exposição na tela do console manipulado pelo personagem Trinity, é 506, equivale ao Arcano 11, (5+0+6= 11), ou seja a lâmina da força. Nesta lâmina do Tarô, vemos uma mulher abrindo com as mãos nuas, a boca de um leão. No filme, Trinity representa a Shakti, a força que penetrando no Chacra Cardíaco do iniciado, promove a consciência.

O ser que está na Senda Iniciática, representado pelo personagem principal, utiliza um pseudônimo, o equivalente ao nome secreto empregado em algumas escolas. Neo, lido anagramaticamente, eqüivale a Noé, One (um), ou Eon, que em grego significa ciclo, era ou período, simbolizando a ligação desse personagem com um novo começo, algo novo, uma nova era.

Ele, Neo, recebe a primeira instrução de sua iniciadora, Trinity, que lhe diz como se estalasse os dedos, “Acorde, Neo”, da mesma maneira que os iniciadores repetem isso aos discípulos, durante toda a sua jornada na Senda.

O personagem principal do filme, como todos os outros que se iluminaram antes dele, procurava a resposta para nas palavras de Trinity, “A pergunta que nos impulsiona”.

Quando finalmente trava contato, com Morfeu, seu Mestre, este diz a Neo, que “há duas formas de sair daí, uma é pelo andaime, outra é levado por eles”, ou seja uma vez que o indivíduo, desperta para as Leis ocultas que determinam os acontecimentos nos planos da manifestação, elevando sua consciência a um nível superior as pessoas comuns, só há duas maneiras dele continuar seu desenvolvimento, uma é subindo, outra é capturado pelas forças, que representam os processos personalísticos que nos controlam.

Neo hesita, devido a seu medo e desconfiança, gerados pelo sentimento de auto-preservação e acaba capturado pelos elementos personalísticos.

Mas tarde, vemos Neo, de volta a sua vida comum, supostamente liberto, sendo levado ao encontro de Morfeu, para sua iniciação. Porém, antes dele entrar no vestíbulo onde o Mestre o espera, Trinity a iniciada que o guia, como uma Ariadne que guiou Teseu no labirinto de Creta, lhe dá um conselho semelhante ao que é dado a todo discípulo em prova; “Seja sincero. Ele sabe mais do que você imagina.”. Só então, ela lhe abre a porta da sala onde o Mestre lhe espera.

Durante o diálogo que se segue, Morfeu observa que ele, Neo, é; “Um homem que aceita o que vê”. Entendemos melhor essa afirmação quando consideramos que o nome “real” do personagem Neo no filme, é Thomas A. Anderson, Thomas é equivalente a Tomás ou Tomé, demonstrando o relacionamento do personagem a São Tomé, o apóstolo que precisava ver para crer. Vale notar, que o sistema iniciático adotado por Morfeu, relaciona-se, na sua forma extremamente simples e objetiva, a iniciação mental, praticada nas escolas em sintonia com o atual estado de consciência da humanidade, focado mental concreto, e que portanto não trabalham mais com o sistema de iniciação astral, ou fenômenico, utilizada em escolas mais primitivas.

Morfeu, ensina sobre A Matrix – (Ma = m = Maya, que significa ilusão em sânscrito e Trix = Tri = Três). Matrix, tem o mesmo significado das tradicionais Três Mayas, Três Véus, ou Três Ilusões, a ilusão física, a ilusão psíquica e a ilusão espiritual, que segundo o hinduismo ocultam a realidade.

Ele, o Mestre, apresenta seus ensinamentos na forma de questões do tipo “Você deseja saber o que ela é ?”, ao receber resposta afirmativa de Neo, continua “A Matrix, está em todo lugar. A nossa volta. Mesmo agora, nesta sala. Você pode vê-la quando olha pela janela, ou quando liga sua televisão. Você a sente quando vai para o trabalho, quando vai a igreja, quando paga seus impostos. É o mundo colocado diante dos seus olhos para que não veja a verdade”.

Ao questionamento seguinte do discípulo (Neo), sobre o que é a verdade, ele continua implacavelmente, dizendo que a verdade é “Que você é um escravo. Como todo mundo, você nasceu num cativeiro, nasceu numa prisão que não consegue sentir ou tocar. Uma prisão para sua mente. Infelizmente é impossível dizer o que é a Matrix (ou a Maya). Você tem de ver por si mesmo.”, nesse momento então ele oferece a Neo, uma pílula azul, para conservar o sonho, a Maya, e outra vermelha para mudar sua percepção da realidade. A cor da primeira pílula, o azul é associada ao conservadorismo,no mesmo sentido do sangue real, ou azul das antigas monarquias européias. A cor da segunda é vermelha, relacionado as transformação revolucionárias violentas, associado a mudanças radicais. Morfeu, o Mestre, tem a chave que abre as portas para o real, mas Neo, o discípulo, tem que fazer a escolha.

Durante a iniciação ele morrerá para um mundo de sonhos e nascerá para o mundo real, despertando plenamente para a verdadeira natureza, do mundo físico, do mundo psíquico e do mundo espiritual, compreendendo dessa forma a tríplice natureza unitária da realidade. Para entendermos melhor o que ocorre com Neo a partir daí, é importante considerarmos o que é dito no Bhagvad-gita, por Sri Krisna, quando se dirige a seu discípulo Arjuna e lhe diz “Ó Arjuna, o Senhor Supremo está situado no coração de todo mundo, e dirige as divagação (os sonhos) de todas as entidades vivas, que estão sentadas como numa máquina, feita de energia material”. (Bhagavad-Gita – Como Ele É, texto 61, capítulo 18, pág. 706. – A.C. B. Swami Prabhupada).

No filme, já no mundo real, a bordo do Nabucondonossor, observamos a analogia da lei que afirma que são necessários sete discípulos, para formar um Mestre, temos os personagens; Trinity, Apoc, Switch, Dozer, Tank, Mouse e Cypher, como os sete discípulos, tendo como representante da consciência do Mestre, a figura do líder Morfeu, ou Morpheus (Personagem mitológico, deus do sono grego).

Na nave, ou arca, chamada no filme de Nabucondonosor, percebemos referência o ano 2069 (2+0+6+9 = 17), correspondente ao Arcano 17, a Estrela, símbolo relacionado a egrégora da Obra, em que estão empenhados esses divinos rebeldes. Avançando um pouco mais, vemos que na segunda parte da iniciação de Neo, Morfeu lhe informa que no começo do século 21, número que no Tarô iniciático de JHS, corresponde a lâmina do Louco, os homens criaram a I.A. (Inteligência Artificial), um tipo de consciência singular, que gerou uma raça inteira de máquinas, ou de seres mecanizados. Bem semelhante ao que acontece em nossos dias, onde os seres humanos vão sendo “robotizados”, num processo de massificação que antigamente era chamado costume, mas que na atualidade tem o nome de moda. Tornando-se cada vez mais inconscientes, num mundo dominado por padrões de comportamento.

Segundo Morfeu, encantados com sua própria grandeza, os homens celebravam sua realização, porém na guerra que adveio após tal sucesso, eles queimarão o céu, ou seja, fecharão as portas para as energias solares, positivas, transformando o mundo num deserto tecnológico de trevas, sem Deus, onde os seres mecânicos se tornaram os senhores. Da era de ouro porém, só restou Sião, “a última cidade humana”, Sião ou Sinai, é na tradição israelita o Monte sagrado onde Moisés teria recebido as Tábuas da Lei do próprio Deus.

Segundo o personagem Tank, Sião fica localizada nas entranhas da Terra, próximo ao seu núcleo incandescente, o Sol Central do planeta. Relacionando-se claramente assim, aos mistérios dos Mundos Subterrâneos, especificamente a cidade subterrânea de Shamballa (Sião = S = Shangrilla, Shamballa das tradições transhimalaianas). Shamballa, é um núcleo de integração de consciências espirituais elevadíssimas, que vibra no interior da terra, representado alegoricamente como uma cidade. Dessa forma, Sião representaria o lugar onde realmente somos o que somos e do qual fomos enviados a face da terra, onde conforme diz o personagem Tank, será festejado o fim da guerra maniqueísta entre os filhos da Luz e os filhos das trevas, representados pelos homens e pelas máquinas.

Só o líder, ou o Mestre, de cada nave, ou Arca, recebe as senhas, ou as chaves, para penetrar em Sião, assim Morfeu, é também um pontífice (Pontifex = construtor de ponte), construindo a ponte entre o mundo ilusório e o mundo real, entre Matrix e Sião.

Já na terceira fase do processo iniciático (treinamento) que Morfeu submete seu discípulo, ele declara a Neo, “Quero libertar sua mente, Neo. Mas só posso te mostrar a porta. Você tem de atravessa-la”.

Apesar do personagem de Morfeu declarar no filme, que os seres humanos não estão prontos para “acordar”, isso não faz das pessoas adormecidas inimigas. Suas palavras contundentes, expõem o que é dito nos Vedas, quando os sábios afirmam que todos; pais, mães, irmãos, avôs, avós, amigos, namorados, cônjuges, etc. são “soldados ilusórios”, que promovem nosso apego a Maya, pois enquanto adormecidos, os seres humanos fazem parte do “sistema ilusório”, portanto possuem em sua estrutura processos personalísticos que eles mesmos desconhecem, mas que tomam conta de sua consciência em algumas ocasiões, para defender seus preconceitos e manter sua existência ilusória.

Esses processos personalísticos que nos prendem a ilusão, são representados no filme pelos agentes da Matrix,
programas sencientes que entram e saem em qualquer software conectado ao sistema deles. Fazendo eco as palavras dos sábios nos Vedas, Morfeu diz, que “Qualquer um ainda não libertado, é um agente em potencial da Matrix. Eles são todos e não são ninguém”. Os processos personalísticos, relacionam-se aos sete pecados capitais, “… eles são os porteiros, protegem todas as portas e tem todas as chaves.”. Às vezes, os seres humanos são vencidos por esses agentes da Matrix, alguns até pactuam com eles, como é o caso de Cypher. Ele é aquele viu a verdade, despertou para a realidade mais prefere a ilusão e a mentira. Ele, Cypher, diz ter percebido após nove anos (número equivalente aos degraus da escada de Jacó, que simbolicamente leva o homem do mundo terreno ao mundo espiritual), que “A ignorância é maravilhosa”. Dessa forma, pensam os magos negros, aqueles que fazem opção por Avidya, pela ignorância, que voltam as costas à Luz e mergulham
voluntariamente na escuridão.

Os que assim procedem, sempre acusam aos que lhes mostraram o caminho, de fraquezas e incapacidade, que eles mesmos possuem. Corroídos pelo ódio, pela luxúria e pela inveja, afirmam terem sido enganados, por seus Mestres, que quando fazem realmente jus a esse nome, tentaram sempre, guia-los na Boa Senda. Cypher, representa o traidor, que trai a sua própria natureza humana, ao submeter-se ao domínio das máquinas. Ele oferece a si mesmo, como pasto para as forças negativas que passa a servir, em troca de prazeres ilusórios. Age assim no intuito de satisfazer seus impulsos baixos, suas Nidhanas.

O iniciado, seguidor dos Mestres da Grande Fraternidade Branca, até que se torne verdadeiramente um Adepto, enquanto estiver encarnado, sentirá os apelos de seus veículos inferiores. Isso ocorre porque nesse estado, ainda possui elementos básicos em sua composição ainda por equilibrar e que por isso mesmo exigem satisfação. Apesar disso ele não os nega, mas os transmuta, canalizando-os para realizações reais que o libertem cada vez mais da ilusão da Maya, tornando-os elementos impulsionadores de sua evolução. Num determinado ponto do filme, inclusive, um dos membros da tripulação Mouse, fala com Neo sobre isso, dizendo-lhe, que “Negar os nossos impulsos é negar aquilo que faz de nós humanos”. Ciente disso, o verdadeiro iniciado é extremamente consciente de seus impulsos, não os recalcando hipocritamente para as regiões do subconsciente, onde irão se acumulando, como esqueletos no armário, de onde continuarão a atuar sem nenhum controle, disciplina ou educação, até invadirem como uma enchente de um rio bravio, a consciência, dominando-a e arrastando-a as maiores perversões. Por isso o verdadeiro iniciado, sabe que deve vigiar seus sentidos, para através de um sistema iniciático sério, de uma disciplina superior, não recalcar, mas trabalhar, transformar suas Nidhanas, ou tendências negativas, em Skandhas, ou características positivas.

Num determindado nível dessa etapa da iniciação de Neo, Morfeu o conduz até o Oráculo. Vemos que a entrada do elevador é guardada por um cego, que vê. Ele, o cego, que responde ao sinal que Morfeu lhe faz com a cabeça, representa os iniciados, guardiões da Luz, cegos para o mundo ilusório, mas iluminado para a realidade. Já dentro do elevador o Mestre diz então a Neo, para tentar “Não pensar em termos de certo e errado.”, pois para os que chegam ao Oráculo, certo e errado, bem e mal, feio e bonito, todos os pares de opostos se anulam. Às portas do Oráculo, Morfeu, o Mestre diz ao seu discípulo, “Só posso te mostrar a porta. Você tem de atravessá-la”, indicando assim que cada passo do discípulo em prova é dado por sua própria conta, pois na Senda da Iluminação ninguém caminhará, ou tomará as decisões por ele.

Porém, quando Neo coloca a mão na maçaneta da porta, esta lhe é aberta, mais uma vez por uma sacerdotisa. Essa atuação constante do elemento feminino, demonstra a necessidade da interação dinâmica de ambas as polaridades humanas, de acordo com certas regras esotéricas..

Assim macho e fêmea, interagem ciclicamente no processo iniciático de crescimento espiritual, através do entrelaçamento das forças de Fohat e Kundalini. Ao integrarem-se dessa forma, ambas as energias dão origem ao Andrógino Divino, um ser verdadeiramente equilibrado, mas que conserva as características do corpo que ocupa, se masculino, vive e relaciona-se como homem, se feminino, vive e relaciona-se como mulher, podendo em alguns casos fazer opção pelo Brahmacharya, ou voto de castidade. O resultado da integração dinâmica das polaridades cósmicas, é totalmente diferente das expressões caóticas homossexuais ou bissexuais, dois tipos que representam seres decaídos, em oposição ao Andrógino Divino, que é a perfeição evolutiva humana. Já dentro da sala do Oráculo, Neo encontra várias crianças, especialmente um menino, uma espécie de pequeno monge, do qual aprende alguns mistérios, sobre esse mundo ilusório, num episódio que lembra bem aquela passagem bíblica, onde o Cristo bíblico, ensina que aquele que não se tornar como estas crianças, não entrará no reino dos céus. Dentro do Oráculo, uma cozinha, onde a Pitonisa, ou profetisa (novamente uma mulher), manipulando um forno moderno, quebra as expectativas do discípulo. A cozinha nos faz lembrar o laboratório dos alquimistas e o forno o Athanor, ou forno utilizado pelos alquimistas, Adeptos da Arte Real.

Num determinado ponto de sua conversa ela, a Pitonisa, cita-lhe o celebre axioma socrático, “Conhece-te a ti mesmo”, que via-se as portas do oráculo de Delfos, o qual essa etapa do filme representa. Só que as portas do Oráculo de Delfos, as palavras citadas no filme, estavam escritas em grego e de forma mais integral exortavam, “Homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo e os Deuses.”.

A mulher que representa a Pitonisa do Oráculo, lhe afirma de forma metafórica, que “Ser o escolhido é como estar apaixonado. Ninguém pode te dizer se você está. Você simplesmente sabe. Não tem dúvida, nenhuma”. Assim ao lhe falar sobre o escolhido, ela descreve o processo de iluminação avatárica, pois este não é uma coisa que se busca e que se consegue, ou que fica-se esperando, ele simplesmente é, como algo que simplesmente acontece, e nesse ponto do filme, Neo, não é o escolhido. A Pitonisa, afirma que ele tem o dom, isso diríamos nós todos temos, mas ele parece que “está esperando por algo”. Quando Neo lhe indaga, a respeito do que poderia estar esperando ela lhe responde ” Sua próxima vida talvez”. Dessa forma, Neo age como a maioria das pessoas, que iniciam-se na Senda, e que protela para a próxima vida a iluminação, esperando, pensando que; Afinal ela não é para agora, quem sabe mais tarde…

Ao sair do Oráculo, Neo, encontra-se com Morfeu e este lhe adverte, “Que o que foi dito era para você e apenas para você”, assim é com tudo que é comunicado nas verdadeiras iniciações Assúricas, com aquilo que é falado do iniciador para o iniciando, de boca-para-ouvido, de maneira sutil e discreta, quase que imperceptivelmente.

Quando porém, os agentes de Matrix capturam Morfeu, um representante dos processos internos personalísticos, intelectualiza a existência humana e de forma convincente, compara o seu desenvolvimento humano sobre a terra, que na maioria das vezes, foi totalmente controlado pela personalidade caótica, ou seja por esses mesmos processos internos, ao o de um vírus. Dessa maneira, o agente se coloca como a cura para o mal, que segundo ele é representado pela maior de todas as criações de Deus na Terra, o Ser Humano, ignorando em seu discurso, o desenvolvimento do Espirito Humano, capaz dos maiores gestos de sacrifício, altruísmo e fraternidade, única esperança para o planeta. Esse Espirito Humano, quando plenamente desenvolvido, subjuga a natureza animal e mecânica e converte o Homem, na expressão de Deus na face da Terra. Esse espírito humano, quer o chamemos, Deus, Bramam, Ala, Jeová, Tao, opõe-se aos processos mecânicos, instintivos e animalescos, que controlam os seres ainda inconscientes, atuando de forma a libertar a Centelha Divina, promovendo o nascimento do Avatar, ou como é expresso no filme do Escolhido. Vemos isso, quando Neo toma a decisão de sacrificar-se, dando-se em holocausto pelo seu amigo e Mestre Morfeu.

Apesar de conhecermos intelectualmente o exposto acima, as esclarecedoras palavras de Morfeu, após ser resgatado devem ser consideradas; “Cedo ou tarde, você vai perceber, como eu, que há uma diferença entre conhecer o caminho e percorrer o caminho“.

Num determinado ponto do fim do filme a personagem Trinity, reproduz um dos mais antigos mitos da humanidade, ao trazer Neo de volta a vida, fazendo com que ele obtenha sucesso na última e derradeira iniciação conhecida por nós como Morte.

Quase no final do filme, vemos através das palavras do personagem principal, que o Avatar não significa um fim, mas um começo, de algo novo, ilimitado, sem fronteiras, um novo ciclo, livre de Maya, sem ilusão, onde tudo é possível ao ser desperto. Ele dirigi-se a Matrix, a estrutura geradora da ilusão, declarando-se decidido a “…mostrar a essas pessoas o que [Matrix] não quer que elas vejam. Vou mostrar a elas um mundo sem você. Um mundo sem regras, sem controles. Um mundo onde tudo é possível.”.

Sua última frase, dirigida a Matrix, a Maya, a Ilusão, ou melhor dizendo, dirigindo-se aquilo que torna possível esse processo de auto-hipnose, nossa personalidade, pode ser considerada como dirigida a cada um de nós. Ele fala calmamente sobre a decisão que deixa a cada um dos espectadores, “Para onde vamos daqui, é uma escolha que deixo para você.”.

O filme termina, com Neo saindo do chão e voando, reproduzindo o arquétipo da ascensão, ou da subida aos céus, que simboliza a realização plena do iniciado, já tornado um verdadeiro Adepto, fazendo parte agora de outro processo evolutivo, relativo ao desenvolvimento dos deuses.

Lembre-se: Tudo que ofereço é a verdade. Nada Mais.” Morfeu

Socializando o introvertido

(Artigo retirado do “Toronto Observer”, de autoria de Jenny Yuen e traduzido por mim, uma introvertida também assumida!)

* * *

Uma introvertida assumida diz que não há problema em ser desse jeito. Ela deve saber. É uma psicóloga que escreveu um livro sobre esse assunto.

Sendo uma introvertida, Marti Olsen Laney sabe como é difícil para se socializar. Algumas vezes, logo que chega em uma festa, ela vai direto para o banheiro. Mas ela não é do tipo que paralisa diante de uma multidão. Na verdade, esta psicóloga californiana parecia muito à vontade no debate com cerca de 20 pessoas do qual participou e falou sobre a personalidade introvertida. Talvez isso seja previsível, mas os que compareceram na palestra sentaram-se afastados um dos outros. Mas tudo bem. Realmente. A autora de “Introvert Advantage” revela que ser um introvertido é bem normal. “Nós todos crescemos em uma sociedade extrovertida”, disse Olsen Laney. “Existe mesmo um conceito negativo com relação aos introvertidos”.

Pensando de maneira aberta

Muitas pessoas preferem passar o seu tempo sozinhas, trabalham melhor independentes do que em grupo, e gostam de celebrar seus aniversários com os amigos mais próximos do que com grandes grupos. Esta personalidade introvertida é freqüentemente estereotipada como sendo instável, solitária, e anti-social, porém Olsen Laney diz que existem muitas vantagens em ser introvertido.

Ela diz que os introvertidos tendem a ser joviais, determinados, bons ouvintes, pensadores criativos e com muito conhecimento sobre si mesmos. “Os introvertidos têm a mente aberta. Eles também se expressam melhor pela escrita do que falando”, diz Olsen.

Comportamento freqüentemente confundido com indiferença

A introversão pode afetar a vida familiar quando se tem uma oposição entre pais extrovertidos e filhos introvertidos. Isto pode também ter impacto na carreira se o chefe achar que o empregado introvertido não contribui o suficiente, pois os introvertidos tendem a guardar a informação para si mesmos. Este tipo de comportamento costuma ser confundido com indiferença.

“Se você perguntar a eles, vai ficar maravilhado com as idéias que eles irão te contar”, diz ela.

Mesmo assim, Olsen Laney diz que existem maneiras para os introvertidos enfrentarem as funções sociais desconfortáveis sem perder a cabeça. Ela diz que eles podem ser sociáveis em eventos que há conversas interessantes, mas não quando é uma festa que eles acham insignificante.

“Pessoas introvertidas não gostam de ser interrompidas porque é difícil recuperar a linha de raciocínio de novo”, diz ela. “Boa parte das razões que fazem os introvertidos serem vistos desse jeito é porque consideram o ‘jogar conversa fora’ pouco compensador para o seu modo de pensar”.

Sendo um introvertido em um mundo extrovertido

Olsen Laney recomenda que os introvertidos recuperem sua energia física tirando folgas ou passando algum tempo sozinhos para eliminar os estímulos extras e não serem dominados ou sentirem a necessidade de mudar a própria personalidade.

“Todos os introvertidos devem ser extrovertidos em sua vida sem ter que mudar a si próprios completamente”, diz ela. “É importante encontrar o equilíbrio de ter uma ocupação onde você pode ser extrovertido e ainda ter tempo para si mesmo”.

Entrevista com Carl G. Jung

Pequeno trecho da entrevista feita com o psiquiatra Carl G. Jung, com legenda em Português.

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