Pare de se esconder de si mesmo!

Você se torna as pessoas com quem passa o seu tempo.

Já parou pra pensar nisso?

É fato. Inconscientemente acabamos por nos tornar as pessoas com que mais convivemos. É uma tendência tão sutil, que quando você se der conta (se isso acontecer, pois também é fato que muitas pessoas passam suas vidas sem nem se aproximar de uma conscientização disso) irá se chocar por não ter notado antes o quanto foi influenciado. Por isso, a grande pergunta é: como encontrar a si mesmo, em meio a tanta influência? Pergunte-se: o tipo de influência que estou recebendo é realmente benéfica? Diz respeito e agrega valor ao que realmente penso e sou e ao que desejo para minha vida? Olhe para as pessoas com quem mais convive. Elas refletem aquilo que você gostaria de ser? A presença delas estimula em você o que você tem de melhor?

Em outros posts já falei da suprema importância de se escolher bem as pessoas com quem pretendemos conviver mais ou ter intimidade. Família a gente não escolhe, tá certo, mas todo o resto sim. Pessoas negativas, “doentinhas”, que dizem coisas como “a vida não é fácil”, que gostam de competir para ver quem tem mais “problemas” ou está vivendo uma “tragédia pessoal” pior, que adoram criticar a maneira como você (ou outros) vive a sua vida, que se comparam constantemente, que acham que só existe um meio de se “viver a vida”, que são cheias de “certezas”, que se apegam a tradições e condicionamentos ultrapassados, deprimidos crônicos, críticos profissionais, fomentadores de desgraças, encorajadores de atitudes medíocres, defensores do “normal”, propagadores de baixarias e promiscuidade, pseudo-moralistas, fanáticos religiosos, enfim. Acho que exemplifiquei o suficiente, certo? Eu gostaria de dizer para fugir desses infelizes exemplos como o diabo foge da cruz, mas sei que nem sempre é possível. Portanto, esforce-se para evitá-los como pode e trabalhe com dedicação e disciplina em prol do seu autoconhecimento. A única maneira de se tornar imune a todas essas influências nefastas e limitantes é fortalecendo a si próprio. E a única maneira de se fortalecer nesse sentido é se autoconhecendo. E como se autoconhecer? Ficando sozinho

"Nosce te ipsum" - inscrição grega (na foto) traduzida para o latim do Oráculo de Delfos. "Conhece-te a ti mesmo".
“Nosce te ipsum” – inscrição grega (na foto) traduzida para o latim do Oráculo de Delfos. “Conhece-te a ti mesmo”.

O que nos  leva ao texto de hoje, do nosso super-Osho, em que ele nos incita a parar de nos escondermos de nós próprios e de ter medo da “solidão”. Não adianta se iludir. Por mais que se rodeie de amigos, de distrações, de pensamentos, você é, inevitavelmente, sozinho. E voltando a sua atenção para esse estado natural de ser é que você tem uma verdadeira chance de descobrir quem você, de fato, é. O que os outros te dizem, onde você vive, estuda, trabalha etc. são apenas “acidentes”. Não se apegue a eles.

Vamos a Osho (os grifos são meus):

+++

O homem nasce sozinho e morre sozinho, mas, entre esses dois pontos, ele vive em sociedade, ele vive com os outros.

Solidão é sua realidade básica; a sociedade é simplesmente acidental. E a menos que o homem possa viver sozinho, possa conhecer sua solidão em sua total profundidade, ele não pode se familiarizar consigo mesmo. Tudo o que acontece em sociedade é apenas externo: não é você, é apenas suas relações com os outros. Você permanece desconhecido. Pelo lado de fora, você não pode ser revelado.

Mas nós vivemos com os outros. Por causa disso, o autoconhecimento fica completamente esquecido. Você sabe alguma coisa de você, mas indiretamente – é algo dito a você pelos outros. É estranho, absurdo, que os outros devam lhe dizer sobre você. Seja qual for a identidade que você carregue, ela é dada a você pelos outros; ela não é real, é uma rotulação. Um nome é dado a você. Esse nome é dado como um rótulo, porque será difícil para a sociedade se relacionar com uma pessoa sem nome. Não somente o nome é dado, a própria imagem que você pensa ser é dada pela sociedade: que você é bom, que você é ruim, que você é belo, que você é inteligente, que você é moral, um santo, ou seja o que for. A imagem, a forma, também é dada pela sociedade, e você não sabe o que você é. Nem seu nome revela nada, nem a forma que a sociedade lhe deu. Você permanece desconhecido para si mesmo.

Esta é a ansiedade básica. Você existe, mas você é um desconhecido para si mesmo. Esta falta de conhecimento da pessoa sobre ela mesma é a ignorância, e esta ignorância não pode ser destruída por nenhum conhecimento que os outros possam lhe dar. Eles podem lhe dizer que você não é este nome, que você não é esta forma, que você é uma “alma eterna”, mas isso também está sendo dado pelos outros, isso também não é próximo. A menos que você chegue até si mesmo diretamente, você permanecerá na ignorância. E a ignorância cria ansiedade. Você não tem somente medo dos outros, você tem medo de si mesmo – porque você não sabe quem você é e o que está escondido dentro de você. O que será possível, o que irromperá de você no momento seguinte, você não sabe. Você permanece apreensivo e a vida se torna uma ansiedade. Há muitos problemas que criam ansiedade, mas esses problemas são secundários. Se você penetrar profundamente, então, cada problema no final revelará que a ansiedade básica, a angústia básica, é que você é ignorante de si mesmo – da fonte de onde você vem, do fim para o qual você está se movendo, do ser que você é exatamente agora. Daí, toda religião dizer para se entrar em solitude, na solidão, de modo que você possa por um tempo deixar a sociedade e tudo o que a sociedade lhe deu, e se encarar diretamente.

Mahavir viveu, por doze anos, sozinho na floresta. Ele ficou sem falar durante aquele tempo, porque no momento em que você fala, você entra na sociedade. A língua é a sociedade. Ele permaneceu completamente silencioso, ele não falava. A ponte básica foi cortada, de modo que ele ficasse sozinho. Quando você não fala, você está sozinho, profundamente sozinho. Não há como se mover até os outros. Durante doze longos anos ele viveu sozinho, sem falar. O que ele estava fazendo? Ele estava tentando descobrir quem ele era. É melhor tirar fora todos os rótulos, é melhor ir para longe dos outros, de modo que não haja nenhuma necessidade da imagem social. Ele estava jogando fora todo o lixo que a sociedade lhe dera; ele estava tentando ficar totalmente nu, sem nenhum nome, sem nenhuma forma. Eis o que significa a nudez de Mahavir. Não se tratava apenas de jogar as roupas fora. Era algo mais profundo. Era a nudez de ficar totalmente só. Você também usa roupas em função da sociedade: elas são para esconder seu corpo, ou elas são para cobri-los aos olhos dos outros, porque a sociedade não aprova seu corpo todo. Assim, seja o que for que a sociedade não aprove, você tem de esconder. Somente algumas partes do corpo são permitidas ficarem descobertas. A sociedade escolhe você em partes. Sua totalidade não é aprovada, nem aceita.

O mesmo está acontecendo com a mente – não somente com o corpo. Seu rosto é aprovado, suas mãos são aprovadas, mas seu corpo todo não é aprovado, principalmente as partes do corpo que possam insinuar alguma coisa de sexo. Elas são desaprovadas, não aceitas. Desse modo, a importância das roupas. E isto está acontecendo com a mente também: sua mente toda não é aceita, somente algumas partes dela. Assim, você tem de esconder a mente e reprimi-la. Você não pode abrir sua mente. Você não pode abrir sua mente diante do seu mais íntimo amigo, porque ele julgará. Ele dirá: “É isso o que você pensa!? É isso que se passa na sua mente!?”. Então, você tem de lhe dar somente aquilo que pode ser aceito – uma parte muito diminuta – e tudo o mais que existe em você, tem de ser escondido completamente. A parte escondida cria muitas doenças. Toda a psicanálise de Freud consiste em trazer para fora a parte escondida. Levam anos antes de a pessoa ser curada. Mas o psicanalista não está fazendo nada, ele está simplesmente trazendo para fora a parte reprimida. Simplesmente trazê-la para fora se torna uma força curativa.

O que isso significa? Significa que a supressão é a enfermidade. É uma carga, uma carga pesada. Você gostaria de confessar a alguém; você gostaria de dizer, expressar; você queria que alguém aceitasse você totalmente. É isso o que significa amor – você não será rejeitado. O que quer que você seja – bom, mau, santo, pecador – alguém aceitará sua totalidade, não rejeitará nenhuma parte sua. Eis por que o amor é a maior força curativa, ele é a mais antiga psicanálise. Sempre que você ama uma pessoa, você está aberto a ela, e só por estar aberto, suas partes cortadas, divididas são religadas – você se torna um.

Mas, até o amor se tornou impossível. Nem à sua esposa você pode dizer a verdade. Nem com seu amante você pode ser totalmente autêntico, porque mesmo os olhos dele ou dela estão julgando. Ele ou ela também quer uma imagem a ser seguida, um ideal – sua realidade não é importante, o ideal é importante. Você sabe que se você expressar sua totalidade, você será rejeitado, você não será amado. Você tem medo, e por causa desse medo o amor se torna impossível. A psicanálise traz a parte escondida para fora, mas o psicanalista não está fazendo nada, ele está ali sentado simplesmente ouvindo-o. Ninguém nunca o ouviu, parece. Eis por que você agora precisa da ajuda de um profissional. Ninguém está pronto para ouvi-lo. Ninguém tem tempo. Ninguém tem muito interesse em você. Assim surgiu a ajuda profissional. Você está pagando alguém para ouvi-lo. E então entra ano, sai ano, ele o ouvirá todos os dias, ou duas vezes por semana, ou três vezes por semana, e você será curado. Isto é milagroso! Por que você deveria ser curado só por ser ouvido? É porque alguém lhe presta atenção sem nenhum julgamento e você pode dizer qualquer coisa que esteja dentro de você. E só por falar, aquilo vêm à superfície e se torna uma parte do consciente. Quando você corta algo, proíbe algo, reprime algo, você está criando uma divisão entre o consciente e o inconsciente, o aceito e o rejeitado. Essa divisão tem de ser jogada fora.

Mahavir buscou a solidão, de modo que ele pudesse ser como ele era, sem medo de ninguém. Como ele não tinha que mostrar uma face para alguém, ele pôde jogar fora todas as máscaras, todas as faces. Então, ele pôde ficar sozinho, totalmente nu, como se fica sob as estrelas, ao lado do rio e na floresta. Não havia ninguém para julgá-lo e ninguém diria: “Você não tem permissão de fazer isto. Você tem que se comportar. Você tem que ser deste modo assim e assim.”. Deixar a sociedade significa deixar a situação onde a repressão se tornou inevitável. Assim, nudismo significa ficar como a pessoa é, sem barreiras, sem qualquer retenção. Mahavir entrou no silêncio, na solitude, e disse: “A menos que eu me descubra – não o eu que outros me deram, pois esse é falso, mas o Eu com o qual nasci -, eu não voltarei para a sociedade. A menos que eu saiba quem eu sou, eu não voltarei para a sociedade. A menos que eu encare diretamente a minha realidade, a menos que eu tenha encontrado o essencial no homem, não o acidental, eu não falarei, porque é inútil falar.”.

Vocês são acidentais. Seja o que for que você pense que você é, é a parte acidental. Por exemplo: você nasce na Índia. Você poderia ter nascido na Inglaterra ou na França ou no Japão. Isso é a parte acidental. Mas só por ter nascido na Índia, você tem uma identidade diferente. Você é um hindu. Você se pensa um hindu – mas você poderia ter se pensado um budista no Japão, ou um cristão na Inglaterra, ou um comunista na Rússia. Você não fez nada para ser um hindu, é apenas um acidente. Onde quer que você esteja, você teria se juntado à situação. Você se pensa religioso, mas sua religião é puramente acidental. Se você tivesse nascido num país comunista, você não teria sido religioso, você teria sido tão irreligioso lá, quanto você é religioso aqui. Você nasceu numa família jainista; então, você não acredita em Deus, sem você ter descoberto que não há nenhum Deus. Mas bem ao lado de sua casa, uma outra criança nasceu no mesmo dia, e ela é hindu. Ele acredita em Deus e você não. Isso é acidental, não é essencial. Depende das circunstâncias. Você fala híndi, um outro fala Gujaráti, outro fala Francês – estes são acidentes. A língua é acidental. O silencio é essencial. Sua alma é essencial; seu Eu é acidental. E descobrir o essencial é a busca, a única busca.

Como descobrir o essencial? Buda saiu em silêncio durante seis anos. Jesus também foi para o ermo. Seus seguidores, os apóstolos, queriam ir com ele. Eles o seguiram e a certo momento, num certo ponto, ele disse: “Parem. Vocês não devem vir comigo. Agora, eu devo ficar sozinho com meu Deus.”. Ele entrou no deserto. Quando ele saiu de volta, ele era um homem totalmente diferente: ele tinha se defrontado consigo mesmo.

A solidão torna-se o espelho. A sociedade é o engano. Eis por que você tem medo de ficar sozinho – porque você terá de se conhecer na sua nudez, na sua ausência de ornatos. Você tem medo. Ficar sozinho é difícil. Sempre que você está sozinho, você imediatamente começa a fazer alguma coisa, de modo a não ficar sozinho. Você pode começar a ler o jornal, ou talvez você ligue a TV, ou você pode ir a um clube para se encontrar com alguns amigos, ou talvez visitar alguém da família – mas você tem de fazer algo. Por quê? Porque no momento em que você está sozinho sua identidade se derrete, e tudo que você sabe sobre si mesmo fica falso e tudo o que é real começa a vir à tona.

Todas as religiões dizem que o homem tem de entrar em retiro para conhecer a si mesmo.
A pessoa não precisa ficar lá para sempre, isso é inútil; mas a pessoa tem de ficar em solitude por um tempo, por um período. E a extensão do período dependerá de cada indivíduo. Maomé ficou em solitude durante alguns meses; Jesus por somente alguns dias; Mahavir durante doze anos e Buda durante seis anos. Depende. Mas a menos que você chegue ao ponto onde você possa dizer “agora conheci o essencial”, é imperativo ficar sozinho.

Osho, The Book of The Secrets, V.2, # 69

Fonte: Osho Sukul

Deus não é uma solução. Mas um problema!

(…) “Lembre-se de minha afirmação anterior de que a experiência do mistério não vem de esperá-lo, e sim quando você abandona todos os seus programas, pois eles são baseados em medo e desejo. Descarte-os e virá o fulgor.”

Joseph Campbell

Neste post, trago aquele vídeo do Osho que mencionei no post “Osho em: Deus x Religião“, em que ele fala que não acredita em Deus e porquê. O vídeo é ótimo e divertido (como todos os vídeos do Osho) e só fiquei frustrada porque só descobri que o vídeo legendado já existia num site da internet depois que já o tinha traduzido e legendado também… Mas tudo bem, vou trabalhar em outros (fiz um acordo com o pessoal da Osho International Foundation).

Pois bem! O vídeo em questão traz a visão de Osho a respeito da forma tradicional de se entender Deus e de porque essa forma é irracional. Abaixo do vídeo coloquei um outro excerto de um capítulo do livro “A Divina Melodia” em que perguntam a Osho como se faz para “saber mais sobre Deus”. Depois de ver o vídeo e ler o texto, repare novamente na citação de Campbell que introduz este post…

+++

Eu gostaria de poder saber mais a respeito de Deus. Você pode me ajudar, Bhagwan?

Não há jeito de se saber mais a respeito de Deus. Você pode conhecer Deus, mas você não pode saber mais a respeito de Deus. Saber mais a respeito de Deus não é conhecê-Lo. Saber mais é informação; conhecer Deus é uma dimensão totalmente diferente. Saber a respeito é informação – você pode continuar, sabendo mais e mais a respeito, mas nunca chegará a Deus. Conhecer Deus é totalmente diferente de saber a respeito de Deus.

Você pode saber muito sobre o amor sem conhecer absolutamente o amor. Você pode ir às livrarias, consultar as enciclopédias e coletar toda a informação possível sobre o amor – mas se o amor não aconteceu a você, você não saberá o que é o amor. Você pode coletar todas as histórias sobre o amor – Laila e Majanu, Shiri e Farahad -, pode coletar histórias sobre todos os amantes do mundo; isso também não ajudará. O amor tem que acontecer a você; você tem que se apaixonar. Você tem que se arriscar, tem que jogar tudo – só então você saberá.

Você diz: “Eu gostaria de poder saber mais a respeito de Deus.” Primeira coisa: saber mais não será de muita ajuda. Assim que uma pessoa
se torna um estudioso, um pândita – bem-informada. Não estou aqui para ajudá-lo a tornar-se mais bem- informado; você já tem muitas informações. Eu estou aqui para destruir o seu conhecimento, tírá-lo de você. Você tem que aprender como desaprender.

Você diz, ‘que “Eu gostaria”. “Gostaria” é uma coisa muito fraca, que não faz com que ninguém chegue até Deus. Mais insistência, um desejo mais profundo é necessário … um desejo que se torne uma chama em você. Uma fome é necessária; “gostaria” não ajudará. Uma sede é necessária … como se você estivesse perdido no deserto do Saara, e por milhas à sua volta, apenas areia, areia, areia, e um sol ardente, nenhuma gota de água com você, e não se avista nenhum verde, e você está com sede, todo o seu ser está por um fio – a qualquer momento você pode morrer – e a sede aumenta, e você se torna uma chama … nessa sede Deus é possível.

Torne-se sedento. “Gostaria” não é o suficiente; é muito fraco;

Ouvi contar …

Um mendigo faminto parou numa casa de campo e pediu alguma comida. A dona da casa trouxe-lhe alguma coisa, e ele sentou-se na porta dos fundos, deliciando-se com a comida.

Logo que ele sentou, uma pequena galinha ruiva passou correndo, fugindo de um galo que vinha em seu alcanço. O mendigo jogou um pedaço de seu pão para o galo, que parou instantaneamente sua perseguição, e avidamente engoliu o pedaço de pão.
“Nossal” exclamou o mendigo. “Espero que eu nunca fique com tanta fome assim!”

Você tem que estar tremendamente faminto. Não pode ser apenas uma curiosidade. Deus não pode ser um objeto de curiosidade; Deus não pode ser um objeto de seu pequeno desejo. Deus não é a satisfação de uma vontade, não é um sonho seu. Deus tem que ser como uma chama em suas entranhas. Quando você começar a sentir que nada mais importa, quando Deus é a prioridade máxima e você está pronto a sacrificar tudo, quando Deus se torna um desejo tão urgente, absorvente, que até mesmo a vida não tem mais sentido sem Deus – só então você chegará a Ele. E aí, não há necessidade de ninguém que o ajude; seu desejo fará o trabalho.

Nessa sede premente, nessa intensidade, tudo o que é escuro em você desaparece. Nessa chama, tudo o que é inútil é consumido. Você se torna ouro puro.

Deus é a sua realidade, assim como é a minha realidade. Deus é a sua realidade assim como era a de Jesus Cristo ou de Gautama Buda. A diferença é que você ainda não é capaz de separar o joio do trigo; o trigo está em você, mas há muito joio misturado. Num tremendo desejo de conhecer, de ser, o joio é exterminado – e não há outra maneira.

Quando você vai a um Mestre, ele, na verdade, não o ajuda a chegar a Deus: ele o ajuda a se tornar cada vez mais sedento. Ele o ajuda a se tornar cada vez mais intensamente faminto. Ele lhe dá sede e fome; ele lhe dá uma paixão louca pelo impossível.

Um homem veio até Buda e perguntou: “Se eu o seguir, serei capaz de conhecer a verdade?” Buda disse: “Isso não é certo; não posso garanti-lo. Posso garantir apenas uma coisa: eu o tornarei cada vez mais sedento. Então, tudo o mais dependerá de você. Posso transferir minha sede para você, se você estiver pronto para permitir tamanha sede … pois é doloroso. A jornada é dolorosa; todo crescimento é doloroso. Se você permitir que eu crie essa dor em você, a própria dor o purificará. A dor é um processo de purificação.”

Por isso nunca diga que você gostaria de saber a respeito de Deus, nem que gostaria de saber mais. Ou Deus é conhecido ou não é – mais ou menos seria absurdo. Você não pode dividir Deus assim: “Eu sei um pouquinho, alguém sabe um pouco mais, alguém sabe quase a metade e alguém sabe cem por cento.” Deus não pode ser dividido; ou você sabe ou não sabe. E o conhecimento de Deus não é como qualquer outro conhecimento. Não é como o conhecimento científico, que você vai aumentando cada vez mais, como uma progressão que continua e nunca termina. Não é um conhecimento a partir do exterior. O conhecimento de Deus não é bem um conhecimento, é mais como o amor. Você desaparece em seu amado – essa é a única maneira de conhecer. E quanto mais você desaparece em seu amado, mais você sabe que não sabe.

Os maiores conhecedores de Deus sempre dizem que não sabem. Eles são como gotas no oceano: elas caem no oceano e desaparecem, e o oceano cai nelas e desaparece. Então, quem é o conhecedor e quem é o conhecido?

Kabir disse: “Eu estava procurando e procurando e procurando, e então eu me perdi; aí aconteceu o milagre dos milagres. Quando eu não estava mais lá, você estava, bem em frente a mim. E quando eu estava lá, procurando e procurando, você estava tão distante – nem mesmo um vestígio. E agora, olhe … Eu desapareci. Procurando, eu me perdi completamente; toda a minha busca me absorveu, me destruiu completamente. Agora eu não estou mais … e meu Senhor, você está aqui bem à minha frente.”

Kabir disse que aquele que procura nunca alcança o procurado. O homem nunca se defronta com Deus – porque, a menos que você desapareça, ele não pode aparecer; assim, não há ponto de encontro. Quando você está, ele não está; quando ele está, você não está – assim, como você pode afirmar que sabe? Quando você não está – só então ele está. Quando o conhecedor desaparece, o conhecimento aparece; não pode ser apenas a satisfação de uma vontade.

Posso ajudá-lo a se tornar uma chama – sedenta, faminta, ardente; posso dar-lhe a dor. Então todo o resto depende de você – o quanto você entra nessa dor, nesse fogo. Você pode dar um salto, e Deus pode acontecer num momento repentino. Não há necessidade de esperar, nem de adiar. Neste exato momento pode acontecer … se você estiver pronto para entrar totalmente nessa dor.

Osho em: Deus x Religião

“Jesus disse: ‘Se aqueles que vos guiam disserem, ‘Olhem, o reino está no céu’, então, os pássaros do céu vos precederão, se vos disserem que está no mar, então os peixes vos precederão. Pois bem, o reino está dentro de vós, e também em vosso exterior. Quando conseguirdes conhecer a vós mesmos, então sereis conhecidos e compreendereis que sois filhos do Pai vivo. Mas se não vos conhecerdes, vivereis na pobreza e sereis essa pobreza.’”

O evangelho de Tomé (“As palavras secretas de Jesus, o vivo“)

Quando Osho fala sobre Deus é sempre aquela “confusão”.  Em alguns momentos ele fala como um teísta, em outros, como um ateísta. Mas, para entender o porquê desse comportamento paradoxal é preciso compreender que quando Osho (e outros sábios) está falando de Deus, ele não está falando de Deus. Tá, eu não ajudei. ;-)

Colocando de outra forma: quando um sábio (como Osho), fala em “deus”, ele não fala do Deus que nós entendemos como deus… Na verdade é até indiferente se o “d” é maiúsculo ou minúsculo, pois nomes próprios só deveriam ser dados a entidades e criaturas físicas. O que não é o caso de deus. A partir do momento que você pensa que “deus” é masculino, ou mesmo feminino, ou que está no céu, ou ainda que “ouve” as suas preces ou se preocupa com o que você faz ou deixa de fazer; você está confessando abertamente que nunca teve uma experiência direta de “deus”. Que apenas acredita nas fábulas e lendas de escrituras sagradas, que interpretou equivocadamente as mitologias, que ou entendeu errado ou nem entendeu as metáforas. É por isso que “crer em deus” normalmente traz mais problemas do que soluções!

Recentemente, assisti a um trecho de uma das palestras do Osho em que ele fala exatamente disso, “deus não é a solução, mas sim um problema“. (gostaria de traduzir e legendar esse vídeo, mas estou aguardando o parecer da Osho International Foundation, pois eles detêm os direitos das imagens… se conseguir, posto o vídeo aqui no Inconsciente, se não, transcrevo em português o vídeo em outro post) Pois bem, quem ouve Osho dizendo “eu não acredito que Deus  não exista, eu tenho certeza disso!” (risos) pode estranhar ler um texto como este que trago neste post. Mas esse comportamento aparentemente contraditório dele é proposital. Da mesma forma que um koan zen (aquelas frases, diálogos, sentenças que por parecerem contraditórias visam balançar as “certezas” do aprendiz, retirá-lo da sua segurança intelectual e fazê-lo experimentar a realidade de sua indagação), Osho tenta nos desviar das nossas noções preconcebidas de “deus”. Esqueça tudo o que você pensa que “deus” é. Esqueça o que as religiões te disseram, o que os sacerdotes, familiares e tradições te fizeram acreditar.

Isso me lembrou uma citação de Albert Einstein, que li recentecemente. Einstein nunca foi ateu, porém, ele próprio se incomodava com a ideia popular que se tem de deus, e foi um crítico ferrenho das religiões. Basicamente, o que ele diz é o seguinte:

“A opinião comum de que sou ateu repousa sobre grave erro. Quem a pretende deduzir de minhas teorias científicas não as entendeu.

Creio em um Deus pessoal e posso dizer que, nunca, em minha vida, cedi a uma ideologia atéia.

Não há oposição entre a ciência e a religião. Apenas há cientistas atrasados, que professam idéias que datam de 1880.

Aos dezoito anos, eu já considerava as teorias sobre o evolucionismo mecanicista e casualista como irremediavelmente antiquadas. No interior do átomo não reinam a harmonia e a regularidade que estes cientistas costumam pressupor. Nele se depreendem apenas leis prováveis, formuladas na base de estatísticas reformáveis. Ora, essa indeterminação, no plano da matéria, abre lugar à intervenção de uma causa, que produza o equilíbrio e a harmonia dessas reações dessemelhantes e contraditórias da matéria.

Há, porém, várias maneiras de se representar Deus.

  • Alguns o representam como o Deus mecânico, que intervém no mundo para modificar as leis da natureza e o curso dos acontecimentos. Querem pô-lo a seu serviço, por meio de fórmulas mágicas. É o Deus de certos primitivos, antigos ou modernos.
  • Outros o representam como o Deus jurídico, legislador e agente policial da moralidade, que impõe o medo e estabelece distâncias.
  • Outros, enfim, como o Deus interior, que dirige por dentro todas as coisas e que se revela aos homens no mais íntimo da consciência.”

Acho que Einstein conseguiu sintetizar brilhantemente o “problema de deus” e também da forma mística de se “acreditar em deus”. É algo que o mitólogo Joseph Campbell também tentou esclarecer aos seus estudantes e leitores. O que me faz lembrar de uma historinha real que Campbell conta em sua famosa entrevista que rendeu o livro e o DVD “O Poder do Mito“. Ele conta que certa vez (estou confiando na minha memória aqui, então alguns detalhes podem estar faltando!), foi apresentado a um padre católico. Enquanto conversavam, o padre perguntou a Campbell se acreditava em Deus, no que ele respondeu “não”. Então o padre perguntou se existisse uma forma de demonstrar ou provar racionalmente a existência de Deus, se seria mais fácil para as pessoas acreditarem. Campbell disse que se houvesse uma forma de demonstrar racionalmente a existência de deus, então nós não precisaríamos ter “fé”. E não é verdade? Quando perguntaram ao psiquiatra suíço Carl Gustav Jung (o pai da Psicologia Analítica) se ele acreditava na existência de deus, ele respondeu: “Não, eu sei.” Grande diferença né? Acreditar e saber.

Os verdadeiros místicos não acreditam em deus. Eles sabem. Você não precisa ter fé quando tem certeza. Quando verdadeiramente sabe.

O texto abaixo, de Osho, é um trecho do capítulo “Torne-se uma chama”, retirado do livro “A Divina Melodia“. Começa com a pergunta de uma pessoa, que deixei em itálico, e então a resposta de Osho. Os grifos são meus.

+++

Percebi, na palestra de ontem, que estou resistindo à palavra “deus”. Meus pensamentos se voltam. para um fato que ocorreu, há vários anos, quando eu estava cuidando de um homem muito doente num hospital – ele estava morrendo. Pediu-me que chamasse um padre, pois ele estava com medo. Quando o padre chegou, o homem doente lhe disse diretamente:

“Deus o amaldiçoe.”

E o padre se afastou, dizendo-me: “Não vale a pena fazer nada por este homem.” Eu disse ao padre: “Este homem está muito doente, e não sabe o que está dizendo.”


Mas o padre, assim mesmo, recusou-se a ajudá-lo. Desde esse dia, nun¬ca mais fui a uma igreja. Sei que Deus está dentro de mim. Então, porque essa resistência? Por favor, ajude-me.

A PALAVRA “DEUS” não é Deus. A palavra “amor” não é amor. A palavra “fogo” não é fogo. Por isso, o mais importante é lembrar-se de não se apegar muito às palavras, não ficar muito obcecado com as palavras. As palavras são apenas símbolos indicativos: use-as, mas não se sinta muito oprimido por elas. Se a palavra “deus” lhe causa problemas, esqueça essa palavra. “Alá” também serve, ou “Rarn”, ou “X y Z” – escolha outra palavra, se esta provoca uma associação errada. Mas se você começar a criar uma resistência contra o próprio Deus, contra a própria verdade, apenas você será responsável e apenas você estará perdendo algo de imenso valor. Mas isso acontece. Nós usamos a linguagem; tornamo-nos tão obcecados com a linguagem, que nos esquecemos de que ela não é a realidade. Na verdade, tem-se que colocar a linguagem de lado para se ver a realidade.

O incidente é significativo. Se você tivesse se tornado resistente em relação aos padres, não haveria nada de errado nisso; mas não foi isso que aconteceu. O padre recusou-se a ajudar – não Deus. Rejeite os padres, não há nenhum problema nisso; na verdade, quanto mais você evitar os padres, mais próximo ficará de Deus. Os padres não são necessários, de maneira alguma. Eles continuam propagando que são necessários, enfatizando que sem eles não há possibilidade de você entrar algum dia no mundo de Deus, mas esta é a proposição deles. Esse é o negócio deles, seu comércio secreto; eles têm que criar essa atmosfera. Do contrário, nenhum intermediário é necessário; Deus é seu, gratuitamente. Não é necessário nenhum agente intermediário; Deus está disponível imediatamente. Mas é claro que os padres fizeram um grande negócio – o maior de todos – e negociam uma mercadoria que é invisível; assim, você nunca poderá provar se eles a entregam ou não. A mercadoria em si é invisível – um belo jogo.

Ouvi contar …


“Por que aquele menino pequeno está chorando?”, perguntou uma velha senhora bondosa a um moleque esfarrapado.
“Porque outro garoto roubou-lhe o doce”, ele respondeu. “E como é que você está com o doce, agora?”
“É claro que eu estou com o doce”, respondeu o moleque. “Eu sou o advogado dele.”

Perceberam? O padre irá explorá-lo; ele se torná seu advogado, seu agente, e apenas o explora. Ele próprio está completamente inconsciente de Deus – do contrário, não seria padre. Teria sido um profeta, mas não um padre. “Padre” é uma palavra feia: aquele que está usando a religião como um negócio, explorando as pessoas em nome de Deus. O profeta é aquele que o ajuda a se transformar, a se transfigurar. O profeta não está tão preo¬cupado com Deus, como está com você, com a sua realidade. Quando sua realidade começar a se manifestar, você saberá o que é Deus – porque você é Deus em semente. Podemos nos esquecer completamente de Deus: Buda nunca falou sobre ele, Mahavir também não. E Buda ajudou imensamente. Ele insistia: Deus não é o problema, Deus não é a questão; a questão é o seu ser interior. Um profeta está preocupado com o seu ser. Se o seu ser desabrochar, florescer, nessa fragrância você saberá o que é Deus. Não há outra maneira.

Através da oração, do templo, da igreja, do ritual, da tradição, você não chegará a lugar algum; apenas o padre ficará cada vez mais rico. E esse investimento torna-se tão grande que os padres e os pol íticos se juntam para explorar as pessoas. Essa é a maior conspiração: através dos séculos, os padres e os políticos andaram juntos. Eles são os maiores culpados. Jesus foi crucificado porque não era um padre … Começou. a se comportar como um profeta, e é claro que os padres ficaram com medo. Sempre que há um profeta os padres ficam com medo – porque ele irá destruir todo o seu negócio. Jesus foi crucificado por causa dos padres; eles estavam por trás de tudo. Nenhum profeta jamais será tolerado pelos padres – não pode ser tole¬rado; é perigoso.
Por isso, se o seu incidente ajudou-o a ficar ciente dos padres, foi bom.

Mas, de alguma forma, sua associação deu errado. Não vá à igreja, não há necessidade; Deus está em toda parte. Não vá a nenhum padre, não há necessidade; Deus está disponível para você – direta e imediatamente. Mas se você tiver uma resistência à palavra “deus”, isso se tornará uma barreira; irá tolhê-lo, inibi-lo, não permitirá que você flua para o infinito. E não há razão para isso – Deus não fez nada. O padre afastou-se e foi embora, mas você sabe se Deus também foi? Deus nunca se afastou de ninguém. Na verdade, pelo fato de o padre ter-se afastado, Deus pode ter cuidado ainda mais do moribundo – pois não havia outro auxílio. Quando um homem está desamparado, Deus simplesmente começa a fluir em direção a ele. Em imenso desamparo, você se torna receptivo. Quando o homem estava completamente desamparado, e o padre foi embora, e a morte estava chegando – nesse estado de desamparo, ele deve ter feito um contato; você não pôde vê-lo do lado de fora.

Seja contra os padres. Mas não há necessidade, não se justifica que você tenha alguma resistência em relação a Deus.

Você diz: “Sei que Deus está dentro de mim.” Você não sabe, você não sabe absolutamente. Você ouviu dizer isso. Você me ouviu dizer, ouviu Jesus dizer “Deus está em você”, mas você não sabe absolutamente. Por que, uma vez que você sabe, não há problemas; sabendo que “Deus está em mim”, imediatamente Deus está fora também. No momento em que você perceber um único raio do divino penetrando em você, conhecerá tudo o que existe para ser conhecido. Conhecido o de dentro, o de fora é conhecido. Conhecido o de fora, este se torna conhecido dentro também – pois o de dentro e o de fora não são duas coisas separadas; são dois aspectos da mesma energia.

Assim, esse pensamento de que “Deus está dentro de mim” pode ser um outro truque de sua resistência, pois você não quer ver Deus fora. Você é contra isso, pois bem no fundo de sua mente você sente que, se Deus está lá, então você precisará de um mediador, precisará de alguém para guiá-lo até lá. Se Deus está fora, lá em cima no céu, então alguém será necessário para guiá-lo. Sozinho, você não será capaz de encontrá-lo. Então você diz:

“Deus está dentro de mim” – assim não há necessidade do padre. Você está dizendo isso apenas para evitar o padre – mas você não sabe.
Deus é tudo. A distinção entre o de fora e o de dentro é falsa. Dentro e fora são um; apenas uma realidade, de uma ponta a outra. Não são duas, não é dual, por isso não a divida.

Ouvi contar. ..

Quando Xerxes estava na praia com sua armada, e olhou para o Helesponto, perguntou a si mesmo: “Como farei para meus homens atravessarem?” Ele ordenou a seus generais que construíssem uma ponte de barcos, e eles obedeceram. Mas uma tempestade veio e destroçou sua ponte. Num acesso de raiva violenta, ele ordenou a execução dos supervisores que dirigiram o trabalho. Mas isso não foi suficiente para satisfazê-lo, pois a sua raiva era grande, quase louca. Então ele ordenou a seus escravos que dessem trezentas chicotadas no mar.

Mas isso é uma tolice – trezentas chicotadas no marl Mas é assim que a mente funciona; nossa mente é muito infantil. Você já reparou numa criança pequena? Se ela se machuca com uma porta ou um móvel, ela bate na porta ou no móvel, como se eles fosse o inimigo, como se eles tivessem feito alguma coisa a ela. Ela pode ter tropeçado, mas acha que a cadeira é responsável. E essa atitude infantil continua. As pessoas ficam senis, mas sua atitude infantil nunca muda.

No seu caso, um padre não se comportou bem, mas se você for um pouco razoável. .. Primeira coisa: se um padre não agiu bem, isto não significa que todos os padres estejam errados. Segunda coisa: foi o padre que não agiu bem, não Deus. Terceira coisa: você não sabe o que aconteceu àquele moribundo, no mais profundo do seu ser.

Não se apresse em tirar conclusões. Um homem sábio nunca conclui tão facilmente, pois todas as conclusões fazem Sua mente fechar-se. Você não sabe o suficiente; conclusões são perigosas. Uma conclusão só está certa quando você já conheceu tudo. Os homens mais sábios do mundo disseram que nada sabiam; como podemos nós concluir? E qualquer coisa que saiba-mos é tão pequena, tão ínfima… como se você tivesse lido apenas uma linha da Bíblia e, a partir dessa linha, concluísse alguma coisa. Seria tolice; não seria sábio.

Você pergunta: Então, por que essa resistência? Não penso que a resistência dependa do incidente. Na verdade, todo mundo é resistente em relação a Deus; as desculpas podem ser diferentes. Essa história é uma desculpa – porque não é razoável ficar resistente a Deus apenas por causa desse incidente. Por isso, deve ser uma desculpa. Você quis a resistência – essa história apenas lhe forneceu um argumento, uma desculpa.

Todo mundo é resistente em relação a Deus – por quê? Porque, se quiser conhecer Deus, você tem que desaparecer: essa é a resistência. Você tem que morrer para que Deus viva em você. Você tem que desaparecer completamente, totalmente; você tem que estar vazio, tem que esvaziar-se. Somente no seu vazio Deus pode descer; quando você está muito cheio ele não pode entrar. Sua taça está muito cheia de você mesmo; ela tem que ser esvaziada – esta é a resistência.

Não dê muita importância às desculpas – elas são insignificantes. O problema real se esconde por trás das desculpas. O problema real é: para se tornar religiosa, a pessoa tem que negar a si mesma – este é o único sacrifício necessário. O ego tem que ser abandonado. A mente tem que parar, para que Deus esteja presente – então, é claro que há resistência.

Por isso, esqueça esse incidente. Ele não tem nada a ver … Na verdade, é muito raro eu encontrar uma pessoa que não seja resistente, que não esteja, no fundo, lutando contra Deus. É natural; tente compreender. Queremos permanecer nós mesmos: Deus é o maior perigo. Por isso, as pessoas vão aos padres. Elas poderiam ir diretamente a Deus, mas vão ao padre – pois não querem realmente ir para Deus. O padre protege-as de Deus. Elas vão às escrituras, pois estas estão mortas, e não se pode encontrar um Deus vivo numa escritura. Essa é a maneira de esquivar-se.

As pessoas não vão a um Mestre vivo, porque ir a um Mestre vivo significa saltar no fogo. Você desaparece – mas somente através desse desaparecimento Deus aparece.

Ser realmente religioso é cometer suicídio. É isso mesmo que eu quero dizer – suicídio. Quando uma pessoa se mata, isto não é um suicídio; apenas o corpo muda – ela nascerá de novo. Isso é apenas uma mudança de corpo, uma mudança de roupas, de moradia. Mas quando um homem abandona o ego, ele comete um suicídio real, autêntico; agora ele não voltará mais. Agora não terá mais necessidade de outra moradia neste mundo de miséria, neste mundo de escuridão, neste mundo que é quase um inferno. Ele não voltará mais. Abandonado o ego, sua jornada está terminada; você terá aprendido a lição. Esta é a resistência.

Por isso, por favor esqueça essa desculpa. Do contrário, você continuará pensando nela – e esta não é a causa verdadeira.

Há alguém aí?

“Siga a verdade interior que te faz vibrar positivamente. Que te dá sincera alegria apesar das tristezas e dificuldades. Que não está, em essência, atrelada a bens transitórios e, portanto, não te tira o sono porque poderias perdê-la. Que te entusiasma e te surpreende, inclusive, inúmeras vezes. Aquilo que te realiza porque te fez sentir plenitude mesmo que exteriormente cercado de escassez.”

(J. Campbell)

Um texto curtinho, porém repleto dos melhores insights de Osho! Traduzido por mim.

+++

Eu sinto como se só existisse aos olhos de outro. Sinto-me tão irreal. O que posso fazer, ou não fazer?

A primeira coisa: não é só você que somente existe nos olhos de outros; todo mundo existe dessa maneira. Este é o modo comum da existência. Você usa o outro como um espelho. A opinião dos outros se torna muito importante, de imenso valor, por que essas opiniões o definem. Alguém diz que você é tão bonito(a); naquele momento você se torna bonito(a). Alguém diz que você é um tolo(a); nesse momento você começa a suspeitar; talvez você é um tolo? Você pode ficar enraivecido, você pode negar, mas lá no fundo você suspeita de sua inteligência…

Se você que saber quem você é, terá que fechar seus olhos; terá que se voltar para dentro de si. Você terá que esquecer todo o mundo, terá que esquecer o que dizem sobre você. Você terá que ir para bem dentro de si e encontrar a sua própria realidade.

É isto que estou ensinando aqui – a não depender dos outros, não olhar nos olhos deles. Não há respostas em seus olhos. Eles são tão inconscientes quanto você – como poderiam te definir?

Você está olhando nos olhos dos outros para encontrar quem você é. Sim, algumas reflexões estão lá, a sua face está refletida. Porém a sua face não é você; você está muito além da sua face. A sua face tem mudado tanto que você não pode ser ela.

… Você não é a face. Em algum lugar lá fundo está escondida a sua consciência; ela nunca é refletida nos olhos de ninguém.  Sim, algumas coisas são refletidas: as suas ações. Você faz algo; e isso é refletido nos olhos de alguém. Mas as suas ações não são você. Você é imensamente maior do que suas ações…

O seu ser nunca é refletido nos olhos dos outros. O seu ser você só poderá conhecer de um jeito… e este é fechando os seus olhos para todos os espelhos. Você precisa entrar em sua própria existência interior, para encará-lo diretamente.  Ninguém poderá lhe dar uma ideia disso, do que é. Você pode saber, mas não pelos outros. Isso nunca poderá ser um conhecimento emprestado, somente uma experiência direta, uma experimentação direta, imediata.

(The Discipline of Transcendence)

VOCÊ é o Responsável!

“OSHO. Nunca nasceu…nunca morreu… apenas visitou este planeta Terra entre 1931 e 1990.”
(Inscrição na tumba de Osho)

Osho

Osho

Se há um fator que parece ser essencial (num sentido de obrigatório) para qualquer transformação, seja ela interior ou exterior, na vida de um ser humano, este é a responsabilidade. Qualquer autor, professor, mestre, guru, etc., honesto dirá que a primeira atitude que uma pessoa deve tomar, se realmente deseja mudar sua vida para melhor, é a de tomar para si 100% das responsabilidades por tudo que acontece consigo e a sua volta. Eu já escrevi, transcrevi e traduzi bastante textos sobre isso. E hoje, trago um novo texto de Osho, traduzido por mim, em que ele bate novamente nessa tecla: Pare de reclamar e culpar os outros. A responsabilidade pela sua vida e tudo o que acontece (ou deixa de acontecer) nela é toda SUA.

O texto é um trecho retirado do capítulo 5, do “Book of Wisdom”.

+++

Você é responsável

As pessoas freqüentemente fazem com que eu me sinta estúpido, como posso mudar isso?

A mente comum sempre joga a responsabilidade em alguém. É sempre o outro que está fazendo você sofrer. A sua esposa está fazendo você sofrer, o seu marido está fazendo você sofrer, os seus pais estão fazendo você sofrer, os seus filhos estão fazendo você sofrer, ou o sistema financeiro da sociedade, capitalismo, comunismo, fascismo, a ideologia política predominante, a estrutura social, ou o destino, carma, Deus… dê o nome que preferir!

As pessoas possuem milhões de maneiras de se esquivar da responsabilidade. Mas no momento que você diz que outra pessoa – X, Y, Z – está fazendo você sofrer, então você não pode fazer nada para mudar isso. O que poderia fazer? Quando a sociedade muda, e o comunismo chega e há um mundo sem classes, então todo mundo será feliz. Antes disso, não é possível. Como você pode ser feliz em uma sociedade que é pobre? E como você pode ser feliz em uma sociedade que é dominada pelos capitalistas?  Como você pode ser feliz em uma sociedade que é burocrática? Como você pode ser feliz em uma sociedade que não permite a sua liberdade?

Desculpas e desculpas e desculpas – desculpas somente para evitar uma única ideia que é “Eu sou responsável por mim. Ninguém mais é responsável por mim; é completa e totalmente  minha responsabilidade. Seja o que for que eu seja, sou minha própria criação.” Este é o significado do sutra.

Dirija toda a culpa para um

E este um é você.

Uma vez que essa ideia seja compreendida:

“Eu sou responsável pela minha vida – por todo o meu sofrimento, pela minha dor, por tudo que aconteceu comigo e que está acontecendo – eu escolhi dessa maneira; estas são as sementes que eu plantei e que agora estou colhendo os frutos; eu sou responsável – uma vez que esta ideia se torne uma compreensão natural para você, então tudo o mais é simples. Então a vida começa a tomar um novo rumo, começa a se mover para uma nova dimensão. Essa dimensão é conversão, revolução, mutação – por que uma vez que eu saiba que sou responsável, eu também sei que posso me desprender daquilo a qualquer momento que eu decidir. Ninguém pode me impedir de me desprender do sofrimento.

Alguém pode impedir você de abandonar a sua miséria, de transformar a sua miséria em felicidade? Ninguém. Mesmo que você esteja na cadeia, acorrentado, aprisionado, ninguém pode aprisionar VOCÊ; a sua alma continua livre. É claro que você está em uma situação bem limitadora, mas mesmo nesta situação limitadora, você pode cantar uma música. Você pode tanto chorar lágrimas de desamparo, ou pode cantar uma canção. Mesmo com correntes nos seus pés você pode dançar; então até mesmo o som das correntes irá adicionar melodia a isso.

Próximo sutra: Seja grato a todos.

Atisha é realmente muito muito científico. Primeiro ele diz: Tome responsabilidade total por si mesmo. Em segundo ele diz: Seja grato a todos. Agora que ninguém é responsável pela sua miséria a não ser você – se a miséria é toda coisa sua, então o que sobra?

Seja grato a todos.

Por que todo mundo está criando um espaço para você ser transformado – mesmo aqueles que pensam que estão obstruindo você, mesmo esses que você pensa que são inimigos. Os seus amigos, os seus inimigos, boas e más pessoas, circunstâncias favoráveis, circunstâncias desfavoráveis – todos juntos estão criando o contexto em que você pode ser tranformado e se tornar um Buda. Seja grato a todos – àqueles que ajudaram,  àqueles que atrapalharam, àqueles que foram indiferentes. Seja grato a todos, pois todos juntos estão criando o contexto em que Budas são criados, em que você pode se tornar um Buda.

Osho – O Amor pelos Livros

Osho em sua biblioteca

Osho em sua biblioteca

Vez ou outra eu posto aqui no blog algum texto ou insight de Osho. Mas hoje, resolvi escrever sobre algo que considero como uma curiosidade a respeito dele: o amor que tinha (e que eu compartilho ;-) ) pelos livros!

Segundo sites na internet, a biblioteca pessoal de Osho é considerada a maior do mundo: 150.000 títulos. Todos lidos por ele. Entre 1970 e 1981 ele lia de 10 a 15 livros por dia! A imensa coleção de obras iniciou quando ele era ainda criança, e os títulos eram conseguidos por livreiros de Puna e Mumbai (Índia).

A biblioteca, depois de reformada

Uma parte da biblioteca, depois de reformada

Na internet, encontrei um vídeo do próprio Osho falando sobre sua biblioteca. Ele conta as confusões que o seu crescente número de livros causava em sua casa; problemas que iam desde a óbvia falta de espaço até visitantes e parentes um tanto folgados que não só pegavam livros emprestados sem pedir, como os devolviam (às vezes…) todos riscados.  Ele diz que normalmente fazia esse tipo de pessoa comprar um livro novo…

A biblioteca de Osho era composta por livros dos mais diversos assuntos: religião, filosofia, psicologia, literatura, poesia. Ele era um leitor eclético e voraz. No vídeo, ele conta ainda que as crianças sabiam respeitar mais os livros do que os adultos, e que por isso, tinha várias crianças de sua família como “guardas” de sua biblioteca. Para Osho, um livro era um caso de amor. E acho que o mesmo vale para todos os que realmente apreciam os livros e a leitura.

Osho, escolhendo um título de sua vasta coleção

Osho, escolhendo um título de sua vasta coleção

Infelizmente, não consegui encontrar o vídeo legendado em português, nem o original só em inglês. O único que descobri disponível é um legendado em espanhol. Mas, tanto para quem entende inglês, como para quem arranha no espanhol, é possível compreender o que mostra vídeo sem muitos problemas!

O vídeo possui 15 minutos:

http://video.google.com/videoplay?docid=-2834891596045121482

Alguns dos títulos que Osho mais gostava:

  • Ana Karênina – L. Tolstói
  • Assim Falava Zarathustra – F. Nietzche
  • Tao Te Ching – Lao Tzu
  • O Profeta – Khalil Gibran
  • Folhas de Relva – Walt Withman
  • Dhammapada – Gautama Buda
  • Siddharta – Hermann Hesse
  • Aos Pés do Mestre – J. Krishnamurti
  • Mulla Nasruddin – estórias de Mulla Nasruddin
  • O Espírito Zen – Alan Watts
  • O Ser e o Nada – Jean-Paul Sartre
  • Alice no País das Maravilhas – Lewis Carroll
  • Os Analectos – Confúcio
  • O Manifesto Comunista – Marx e Engels
  • I Ching – desconhecido
  • A Psicanálise e o Inconsciente – D.H. Lawrence
  • Investigações Filosóficas – Ludwig Wittgenstein
  • Poética – Aristóteles
  • Escute Zé Ninguém – Wilhelm Reich
  • Guerra e Paz – L. Tolstói
  • Sede de Viver – Irving Stone
  • O Talmude – autores judeus
  • O Sermão da Montanha – Jesus Cristo
  • Diálogos de Sócrates – Platão
  • Relatos de Belzebu a seu neto (Do Todo e de Tudo) – George Gurdjieff

A Necessidade de Aprovação e Reconhecimento

Para fechar este ano com chave de ouro, um texto de Osho, em que ele fala da louca necessidade que as pessoas têm por reconhecimento, reconhecimento esse que acaba sendo mais importante do que o amor pelo trabalho em si, ou do que a realização pessoal. Por que precisamos tanto de reconhecimento? Por que só nos motivamos a buscar um objetivo pensando em como seremos admirados ou premiados por ele? A maior parte das pessoas só se esforça verdadeiramente em um trabalho, quando têm a esperança de um reconhecimento. Isso, evidentemente, quando não escolhem um determinado trabalho só pela possibilidade de admiração que possam obter com ele. É o caso do jovem que tem um talento incrível na cozinha, mas que larga a alegria de cozinhar para se tornar advogado, e com isso ser mais “respeitado”. Ou pior, com a desculpa de “ganhar mais dinheiro”. Ou da moça que gostaria de dar aulas, mas os pais e familiares sempre sonharam que ela deveria ser médica, e ela acaba por ingressar em medicina. Coisas que acontecem todos os dias, em todos os lugares.

Por que procuramos tão desesperadamente pela aprovação dos outros? Será que todo mundo realmente sabe o que é melhor para você?  Quando alguém insiste que sua vida deveria de ser de uma maneira e não de outra, ou que você será mais respeitado ou admirado sendo de um jeito e não do seu jeito, pare para observar se essa pessoa é realmente alguém que você poderia considerar “realizado” ou “feliz”. Pois só tenta convencer quem não está convencido. O fato de uma pessoa tentar te convencer a algo que você não sente como sendo o ideal para você, significa que esta pessoa quer que você acredite no que ela diz para que assim ela mesma possa acreditar. A sua crença na ilusão criada (ou alimentada) por ela, faz com que esta mesma ilusão pareça mais verdadeira ou realista do que realmente é. Uma mentira, quando contada muitas vezes, acaba se tornando verdade, não é? Por isso que é tão difícil quebrar com uma tradição. Por mais ultrapassada, obsoleta ou inútil que seja, ela é importante pelo simples poder da repetição e da crença cega. É a história de que ter uma formação acadêmica garante um futuro melhor (lembre-se que a maior parte das pessoas consideradas ricas não possuem diploma de ensino superior!), ou que “um bom partido” (para casar!) é aquele que tem dinheiro, ou “status”… E quantas pessoas destróem suas vidas, apagam suas potencialidades e se limitam por causa dessas idéias, porque pensam que agindo em conformidade com elas serão felizes e farão felizes as pessoas de sua família e convívio social… É a loucura do reconhecimento: é impossível agradar todo mundo, e quando se tenta, acaba desagradando mais ainda a todos e pior, a si mesmo.

Que as palavras de Osho sirvam como reflexão e renovação de promessas (desta vez voltadas para a sua verdadeira felicidade interior) para este novo ano, que em breve se iniciará! Um excelente  2009 para todos os leitores do Inconsciente Coletivo! :-)

+++

Querido Osho,

Por que sinto necessidade de obter aprovação e de ser reconhecido, especialmente em meu trabalho? Isso me coloca numa armadilha – eu não consigo fazer as coisas sem isso. Eu sei que estou nessa armadilha, mas eu fui pego nela e não vejo como sair.

Você poderia me ajudar a encontrar a porta?

“A questão é do Kendra.

É preciso lembrar que a necessidade de obter aprovação e de ser reconhecido é uma questão que diz respeito a todo mundo. A estrutura de toda a nossa vida é essa que nos foi ensinada: a menos que exista um reconhecimento, nós somos ninguém, nós não temos valor. O trabalho não é o importante, mas sim o reconhecimento. E isso coloca as coisas de cabeça para baixo. O trabalho deveria ser o importante – uma alegria em si mesmo. Você deveria trabalhar, não para ser reconhecido, mas porque você curte ser criativo, você ama o trabalho em si mesmo.

Existiram poucas pessoas como Vincent Van Gogh, capazes de escapar da armadilha que a sociedade lhes impingiu. Ele continuou pintando – com fome, sem casa, sem agasalhos, sem remédios, doente – mas ele continuou pintando. Nem uma pintura sequer estava sendo vendida, não havia reconhecimento de parte alguma, mas o estranho era que em tais condições ele ainda era feliz – feliz porque era capaz de pintar o que queria pintar. Reconhecido ou não, o seu trabalho era intrinsecamente valioso.

Aos trinta e três anos ele cometeu suicídio – não por causa de alguma miséria ou angústia, mas simplesmente porque ele havia pintado o seu último quadro, um pôr-do-sol, no qual havia trabalhado por quase um ano. Ele tentou dezenas de vezes e destruiu, porque não havia atingido aquele seu padrão. Finalmente ele conseguiu pintar o pôr-do-sol da maneira como desejava.

Ele cometeu suicídio escrevendo uma carta para seu irmão, ‘Eu não estou cometendo suicídio por desespero. Eu estou cometendo suicídio por não mais existir qualquer motivo para continuar vivendo – o meu trabalho está concluído. Além disso, tem sido difícil encontrar alternativas para meu sustento. Até aqui as coisas estavam indo bem, porque eu tinha algum trabalho para fazer, algum potencial dentro de mim precisava se exteriorizar, tinha que florescer. De modo que agora, não há sentido em viver como um mendigo. Eu ainda não tinha pensado e nem mesmo tinha olhado para isso, mas agora essa é a única coisa a ser feita. Eu floresci até o meu limite máximo, eu estou realizado, e agora parece ser apenas uma estupidez ficar me arrastando, procurando alternativas de sustento. Por que razão? Para mim isso não é um suicídio; eu apenas cheguei a uma realização, a um ponto final e alegremente estou deixando o mundo. Alegremente eu vivi e alegremente estou deixando o mundo.’

Agora, após quase um século, cada uma de suas pinturas vale milhões de dólares. Existem apenas duzentas pinturas disponíveis. Ele deve ter pintado milhares, mas elas foram destruídas; e ninguém prestou atenção nelas.

Agora, ter um quadro de Van Gogh significa que você tem um senso estético. O quadro dele traz um reconhecimento para você. O mundo não deu qualquer reconhecimento ao trabalho dele, mas ele nunca se preocupou com isso. E esta deve ser a maneira de ver as coisas: você deve trabalhar se amar aquele trabalho.

Não peça reconhecimento. Se ele vier, aceite-o tranqüilamente; se ele não vier não pense a respeito. A sua realização deve estar no próprio trabalho. E se todos aprendessem esta simples arte de amar o seu trabalho, seja qual ele for, curtindo-o sem pedir por qualquer reconhecimento, nós teríamos um mundo mais belo e mais celebrante. Do jeito que o mundo é, vocês têm estado presos num padrão miserável. O que você faz é bom, não porque você ama fazê-lo, não porque você o faz perfeitamente, mas porque o mundo o reconhece, lhe dá uma premiação, lhe dá medalhas de ouro, prêmios Nobel.

Eles têm tirado todo o valor intrínseco da criatividade e destruído milhões de pessoas – pois você não pode dar prêmios Nobel a milhões de pessoas. E têm criado o desejo por reconhecimento em todo mundo, de modo que ninguém consegue trabalhar em paz, curtindo qualquer coisa que esteja fazendo. E a vida consiste em pequenas coisas. Para as pequenas coisas não existem premiações, nenhum título concedido pelos governos, nenhuma graduação honorária dada pelas universidades.

Um dos grandes poetas do século XX, Rabindranath Tagore, viveu em Bengala, Índia. Ele publicou suas poesias e seus romances em bengali – mas não recebeu qualquer reconhecimento. Então ele traduziu um pequeno livro, GITANJALI, Oferta de Canções, para o inglês. E ele estava consciente de que o original tinha uma beleza que a tradução não tinha e não conseguiria ter – porque essas duas línguas, o bengali e o inglês têm estruturas diferentes, maneiras diferentes de expressar.

O bengali é muito doce. Mesmo se estiver brigando, vai parecer que você está envolvido numa conversação agradável. É uma linguagem muito musical, cada palavra é musical. Essa qualidade não existe no inglês, não pode ser trazida para ele. O inglês tem qualidades diferentes. Mas de alguma maneira ele conseguiu traduzir e a tradução – que é pobre comparada com o original – recebeu o prêmio Nobel. Então, de repente, toda a Índia ficou sabendo. O livro esteve disponível em bengali e em outros idiomas indianos por anos, e ninguém prestava atenção nele.

Todas as universidades quiseram lhe dar um título de Doutor. Calcutá, onde ele vivia, foi a primeira universidade a lhe conceder o título de Doctor of Letters. Ele recusou, dizendo, ‘Vocês não estão dando uma graduação a mim nem estão reconhecendo o meu trabalho, vocês estão dando reconhecimento ao prêmio Nobel, porque o livro esteve aqui de uma forma muito mais bela e ninguém se preocupou em escrever ao menos uma crítica’. Ele recusou-se a receber qualquer doutorado honorário. Ele dizia, ‘Isso é um insulto para mim’.

Jean-Paul Sartre, um dos grandes romancistas e homem de tremendo insight sobre a psicologia humana, recusou o prêmio Nobel. Ele disse, ‘Eu recebi recompensa suficiente enquanto estava criando o meu trabalho. Um prêmio Nobel não consegue acrescentar coisa alguma a isso – ao contrário, ele me joga para baixo. Ele é bom para amadores que estão em busca de reconhecimento, eu já sou bastante velho, eu já desfrutei o suficiente. Eu amei tudo o que fiz. Essa foi a minha própria recompensa, eu não quero qualquer outra recompensa, porque nada pode ser melhor do que aquilo que eu já recebi.’ E ele estava certo. Mas as pessoas certas são poucas no mundo. O mundo está cheio de pessoas vivendo dentro das armadilhas.

Por que você deve se preocupar com reconhecimento? Preocupação com reconhecimento somente faz sentido se você não ama o seu trabalho, nesse caso ele não tem significado, então o reconhecimento parece ser um substituto. Você detesta o trabalho, não gosta dele, mas você o faz porque será reconhecido, será apreciado e aceito. Ao invés de pensar no reconhecimento, reconsidere o seu trabalho. Você gosta dele? – então ponto final. Se você não gosta, então, troque-o!

Os pais e os professores estão sempre reforçando que você deve ser reconhecido, que deve ser aceito. Esta é uma estratégia muito esperta para manter as pessoas sob controle.

Quando eu cursava a universidade, me disseram repetidas vezes, ‘Você deve parar de fazer essas coisas… Você continua formulando perguntas que sabe perfeitamente bem que não podem ser respondidas e que colocam o professor numa situação embaraçosa. Você tem que parar com isso, caso contrário essas pessoas irão se vingar. Elas têm o poder e poderão reprová-lo.’

Eu dizia, ‘Não me preocupo com isso. Neste momento eu estou curtindo formular perguntas e fazê-los sentirem-se ignorantes. Eles não são corajosos o bastante para simplesmente dizer, ‘Eu não sei.’ Desse modo, não haveria qualquer embaraço. Mas eles querem fingir que sabem tudo. Eu estou curtindo isso; a minha inteligência está sendo aguçada. Quem se preocupa com exames? Eles poderão me reprovar apenas quando eu aparecer nos exames – e quem vai aparecer? Se eles estiverem com essa idéia de que podem me reprovar, eu não entrarei nos exames, e repetirei a mesma série. Eles terão que me aprovar pelo simples medo de ter que me encarar por mais um ano novamente.’

Todos eles me aprovaram e me ajudaram a passar porque queriam ficar livres de mim. Aos olhos deles, eu estava destruindo os outros estudantes, porque eles começaram a questionar coisas que, por séculos, eram aceitas sem questionamentos.

Quando eu estava ensinando na universidade, a mesma coisa aconteceu, sob um ângulo diferente. Agora eu estava formulando perguntas aos estudantes para trazer a atenção deles ao fato de que todo o conhecimento que eles tinham acumulado era emprestado e que eles nada sabiam. Eu lhes dizia que não me importava com a graduação deles, eu me importava com a experiência autêntica deles – e eles não tinham nenhuma. Eles estavam simplesmente repetindo os livros, que estavam desatualizados, que já tinha sido provado que estavam errados há muito tempo. Agora as autoridades da universidade estavam ameaçando-me, ‘Se você continuar por esse caminho, atormentando os alunos, você será colocado para fora da universidade.’

Eu disse, ‘Isso é estranho – eu era um estudante e não podia formular perguntas aos professores; agora eu sou um professor e não posso formular perguntas aos estudantes! Então, qual função esta universidade está preenchendo? Este deve ser um lugar onde as perguntas são formuladas, onde os questionamentos começam. As respostas devem ser encontradas na vida e na existência, não nos livros.

Eu disse, ‘Vocês podem me colocar para fora da universidade, mas lembrem-se, estes mesmos estudantes, em nome de quem vocês estão me colocando para fora, irão reduzir a cinzas toda a universidade. Eu disse ao vice-reitor, ‘Você deve vir e ver a minha sala’.

Ele não conseguiu acreditar – na minha sala havia pelo menos duzentos estudantes… E não havia espaço, de modo que eles sentavam em qualquer lugar que encontrassem – nas janelas, no chão. Ele disse, ‘O que está acontecendo, pois tem apenas dez alunos matriculados na sua matéria?’

Eu disse, ‘Essas pessoas vêm para ouvir. Elas abandonam as suas aulas e adoram estar aqui. Esta aula é um diálogo. Eu não sou superior a eles e eu não posso recusar ninguém que queira vir à minha aula. Se ele é meu aluno ou não, não importa, se ele vem me ouvir, então é meu aluno. Na verdade, você deveria me permitir utilizar o auditório. Estas salas de aula são muito pequenas para mim.’

Ele disse, “Auditório? Você quer dizer, toda a universidade reunida no auditório? O que, então, os outros professores estarão fazendo?’

Eu disse, ‘Isso é bom para eles pensarem a respeito. Eles deveriam ir embora e se enforcar! Eles deveriam ter feito isso há muito tempo. Ao ver que seus alunos não estavam indo assistir suas aulas, isso já era uma indicação suficiente.’

Os professores ficaram com raiva e as autoridades também. Finalmente eles tiveram que me ceder o auditório, mas com muita relutância, porque os alunos ficaram pressionando. Mas eles disseram, ‘Isto é estranho, alunos que nada têm a ver com filosofia, religião ou psicologia, por que eles devem estar indo lá?’

Muitos alunos disseram ao vice-reitor, ‘Nós gostamos disso. Não sabíamos que filosofia, religião e psicologia poderiam ser tão interessantes, tão intrigantes, senão já teríamos nos inscrito nelas. Nós pensávamos que essas matérias eram secas e que somente um tipo de pessoas muito ligado a livros se inscreveria nelas. Nós nunca tínhamos visto pessoas com muita energia se inscrevendo nessas matérias. Mas esse homem fez com que essas matérias ficassem tão significantes que parece que mesmo se formos reprovados em nossas próprias matérias, isso não vai importar. O que nós estamos fazendo está tão correto e está tão claro para nós, que nem pensamos em mudar isso.’

Contra o reconhecimento, contra a aceitação, contra as graduações… Mas, finalmente eu tive que deixar a universidade, não por causa de suas ameaças, mas porque eu reconheci que aquilo era um desperdício, pois milhares de estudantes poderiam ser ajudados por mim. Eu poderia ajudar milhões de pessoas do lado de fora, no mundo. Por que eu deveria permanecer apegado a uma pequena universidade? O mundo inteiro poderia ser a minha universidade.

E você pode ver. Eu fui condenado.
Esse foi o único reconhecimento que eu recebi.

Eu fui descrito de maneira totalmente incorreta. Tudo o que pode ser dito contra uma pessoa, foi dito contra mim; tudo o que pode ser feito contra um homem foi feito contra mim. Você acha que isso é reconhecimento? Mas eu amo o meu trabalho. Eu o amo tanto que nem mesmo o chamo de trabalho; eu simplesmente o chamo de minha alegria.

E todas as pessoas mais velhas, bem reconhecidas, me diziam, ‘O que você está fazendo não irá lhe trazer qualquer respeitabilidade no mundo.’

Mas eu dizia, ‘Eu nunca pedi por isso e não vejo o que poderei fazer com a respeitabilidade. Eu não posso comê-la nem bebê-la.’

Aprenda uma coisa básica. Faça o que você quer fazer, o que ama fazer, e nunca peça por reconhecimento. Isso é mendicância. Por que alguém deve pedir por reconhecimento? Por que alguém deve ansiar por aceitação?

Olhe no fundo de si mesmo. Talvez você não goste do que está fazendo, talvez você tenha medo de encarar que está no caminho errado. A aceitação irá ajudá-lo a achar que está certo. O reconhecimento irá fazê-lo achar que está indo para o objetivo correto.

A questão diz respeito aos seus próprios sentimentos internos, ela nada tem a ver com o mundo externo. Por que depender dos outros? Todas essas coisas dependem dos outros – você está se tornando dependente.

Eu não aceitarei qualquer prêmio Nobel. Toda essa condenação de todas as nações ao redor do mundo, de todas as religiões, é mais valiosa para mim. Aceitar o prêmio Nobel significa que eu estou me tornando dependente – agora eu não estarei mais satisfeito comigo mesmo, mas sim com o prêmio Nobel. Neste exato momento eu só posso estar satisfeito comigo mesmo, nada mais existe com que eu possa me satisfazer.

Dessa maneira você se torna um indivíduo. Para ser um indivíduo, viva em total liberdade, apoiado em seus próprios pés, beba a sua própria fonte. Isso é o que torna um homem verdadeiramente centrado, enraizado. Este é o início do seu florescimento supremo.

Essas pessoas tidas como reconhecidas, honradas, estão cheias de lixo e de nada mais. Mas elas estão cheias do lixo que a sociedade quer que elas estejam repletas – e a sociedade as compensa lhes dando premiações.

Qualquer homem, que tem algum senso de sua individualidade, vive pelo seu próprio amor, pelo seu próprio trabalho, sem se preocupar com o que os outros pensam a respeito. Quanto mais valioso for o seu trabalho, menor será a chance de obter alguma respeitabilidade para com ele. E se o seu trabalho for o trabalho de um gênio, então você não verá nenhum respeito enquanto viver. Você será condenado enquanto viver… Depois de dois ou três séculos, erguerão estátuas para você, os seus livros serão respeitados – porque demora quase dois ou três séculos para a humanidade compreender o tamanho da inteligência que um gênio tem hoje. O espaço de tempo é grande.

Sendo respeitado por idiotas, você terá que se comportar de acordo com suas maneiras e expectativas. Para ser respeitado por essa humanidade doente, você terá que ser mais doente que ela. Então eles irão respeitá-lo. Mas, o que você irá ganhar? Você perderá a sua alma e nada ganhará.

É preciso coragem para ser feliz…

“Siga a sua felicidade e o Universo irá abrir portas para você onde antes só haviam paredes.”

Joseph Campbell

Neste texto de Osho, ele fala como nos esforçamos para manter a nossa infelicidade e como somos covardes frente à mudança que pode nos trazer a felicidade. Em outros posts, eu havia trago outros trechos dos discursos de Osho, sobre como as pessoas utilizam a própria infelicidade para serem mais aceitas pelos outros (A sua felicidade incomoda todo mundo). Parece que quando somos miseráveis (não só no sentido financeiro) os outros nos tratam melhor.  Conheço pessoas que são doentes “crônicos”, não porque realmente há algo de errado com sua saúde ou seu corpo, mas porque foi essa a única maneira que conseguiram para chamar a atenção de familiares, para fazer amigos ou até para manter um cônjuge ao seu lado. Pior do que isso, é que o estado de infelicidade é comumente admitido como sendo, na verdade, o estado “normal” de um indivíduo (Um Buda é impossível para Freud). No texto de hoje, Osho fala que não é preciso nada, além de um pouco mais de coragem para ser feliz e que a primeira atitude corajosa que uma pessoa decidida a ser feliz deve ter é se responsabilizar por absolutamente tudo que acontece em sua vida. Tomando essa primeira atitude, as coisas simplesmente passam a acontecer para você, de modo a reforçar ainda mais o caminho que você escolheu para ser feliz.

+++

A coragem para ser feliz

Continuamos a perder muitas coisas na vida só por  causa da falta de coragem. Na verdade, nenhum esforço é necessário para conquistar – só é preciso coragem – e as coisas começarão a vir até você, em vez de você ir atrás delas. Pelo menos no mundo interior é assim.

E para mim, ser feliz é a maior coragem. Ser infeliz é uma atitude muito covarde. Na realidade, para ser infeliz, não é preciso nada. Qualquer covarde pode ser, qualquer tolo pode ser. Todo mundo é capaz de ser infeliz; para ser feliz é preciso coragem – é um risco tremendo.

Não temos o costume de pensar assim. Nós pensamos: “ O que é preciso para ser feliz? Todo mundo quer ser feliz.” Isso está absolutamente errado. É muito raro uma pessoa estar pronta para ser feliz – as pessoas investem tanto na infelicidade! Elas adoram ser infelizes. Na verdade, elas são felizes por serem infelizes.

Há muitas coisas para se entender – sem entendê-las é muito difícil se livrar da mania de ser infeliz. A primeira coisa é: ninguém está prendendo você; é você que decidiu ficar na prisão da infelicidade. Ninguém prende ninguém. O homem que está pronto para sair dela, pode sair quando quiser. Ninguém mais é responsável. Se uma pessoa é infeliz, é ela mesma a responsável. Mas a pessoa infeliz nunca aceita a responsabilidade – é por isso que continua infeliz. Ela diz: “ Estão me fazendo infeliz” .

Se outra pessoa está fazendo com que você seja infeliz, naturalmente não há nada que você possa fazer. Se você mesmo está causando a sua infelicidade, alguma coisa pode ser feita… alguma coisa pode ser feita imediatamente. Então ser ou não ser infeliz está nas suas mãos. Todavia as pessoas ficam jogando nos outros a responsabilidade – às vezes na mulher, às vezes no marido, às vezes na família, no condicionamento, na infância, na mãe, no pai… outras vezes na sociedade, na história, no destino, em Deus – mas não param de jogar nos outros. Os nomes são diferentes, mas o truque é sempre o mesmo.

Um homem torna-se realmente um homem quando aceita a responsabilidade total – é responsável pelo quer que seja. Essa é a primeira forma de coragem, a maior delas. É muito difícil aceitá-la porque a mente vai continuar dizendo: “Se você é responsável, porque criou isso?”.  Para evitar isso, dizemos que os outros são responsáveis: “O que eu posso fazer? Não tem jeito… sou uma vítima! Sou jogado daqui para ali por forças maiores que eu e  não posso fazer nada. Posso no máximo chorar porque sou infeliz e ficar ainda mais infeliz chorando”. E tudo cresce – se você cultiva uma coisa, ela cresce. Então você vai cada vez mais fundo… mergulha cada vez mais fundo.

Ninguém, nenhuma outra força, está fazendo nada a você. É você e só você. Isso resume toda a filosofia do karma – que é o seu fazer; karma significa ‘fazer’. Você fez e pode desfazer. E não é preciso esperar, postergar. Não é preciso tempo – você pode simplesmente pular fora disso.

Mas nós nos habituamos. Se pararmos de ser infelizes, nos sentiremos muito sozinhos, perderemos nossa maior companhia. A infelicidade virou nossa sombra – nos segue por toda a parte. Quando não há ninguém por perto, pelo menos a infelicidade está ali presente  – você se casa com ela. E trata-se de um casamento muito, muito longo; você está casado com a sua infelicidade há muitas vidas.

Agora chegou a hora de se divorciar dela. Isto é o que eu chamo de a grande coragem – divorciar-se da infelicidade, perder o hábito mais antigo da mente humana, a companhia mais fiel.

OSHO, The Buddha Disease, # 27

Não dá para acreditar: eu sou feliz

Texto de Osho, que dispensa apresentações, sobre a arte de ser verdadeiramente feliz: não se desvie daquilo que você é, da sua essência. (em outro post, trouxe um texto relativamente parecido, que vale a pena ser lido também: “A sua felicidade incomoda todo mundo”.) Os grifos são meus…

+++

“Meu médico insistiu para que eu viesse vê-lo’, disse o paciente ao psiquiatra. ‘Não sei o porquê – pois eu sou feliz no casamento, tenho segurança no meu trabalho, muitos amigos, nenhum problema…’   ‘Hmmmm,’ disse o psiquiatra, procurando por seu caderno de anotações, ‘e há quanto tempo você vem se sentindo assim?’

Felicidade não é algo fácil de se acreditar. Parece que o homem não pode ser feliz. Se você falar sobre sua tristeza, depressão e miséria, todo mundo irá acreditar. Isso parece ser natural. Mas se você falar sobre a sua felicidade, ninguém acreditará em você – isso parece ser não-natural.

Sigmund Freud, depois de quarenta anos de pesquisas a respeito da mente humana, trabalhando com milhares de pessoas, observando milhares de distúrbios mentais, chegou à conclusão de que a felicidade é uma ficção: o homem não pode ser feliz. No máximo, nós podemos fazer coisas um pouco mais confortáveis, e isso é tudo. No máximo, nós podemos tornar a infelicidade um pouco menor, e isso é tudo. Mas, feliz, o homem não pode ser.

Isso parece ser muito pessimista, mas se olharmos para o homem moderno, veremos que é exatamente assim; parece que isso é um fato.

Buda diz que o homem pode ser feliz, tremendamente feliz. Krishna canta canções sobre a felicidade suprema – satchitanand. Jesus fala a respeito do Reino de Deus. Mas como você pode acreditar em tão poucas pessoas, as quais podemos contar nos dedos, contra toda a massa, milhões e milhões de pessoas ao longo dos séculos, que permanecem infelizes, caminhando mais e mais em direção à infelicidade. Toda a vida dessas pessoas é uma história de miséria e nada mais. E depois vem a morte! Como acreditar naquelas poucas pessoas?

Ou elas estão mentindo, ou elas estão enganadas. Ou elas estão mentindo por algum motivo, ou elas são meio malucas, enganadas pelas próprias ilusões. Elas devem estar vivendo para satisfazer um desejo. Elas queriam ser felizes e começaram a acreditar que elas eram felizes. Mais do que um fato, isso parece uma crença, uma crença desesperada, Mas como aconteceu dessas poucas pessoas se tornarem felizes?

Se você deixar o homem de lado, se você não prestar muita atenção ao homem, então Buda, Krishna, Cristo irão parecer que são mais verdadeiros. Se você olhar para as árvores, se você olhar para os pássaros, se você olhar para as estrelas, então verá que tudo está vibrando em tremenda felicidade. Parece que a felicidade é a matéria-prima com a qual a existência é feita. E somente o homem é infeliz.

No fundo, alguma coisa está errada.

Buda não está enganado, nem está mentindo. E eu digo isso a você, não com base na autoridade da tradição; eu digo isso a você com base na minha própria autoridade. O homem pode ser feliz, mais feliz que os pássaros, mais feliz que as árvores, mais feliz que as estrelas, porque o homem tem algo que nenhuma árvore, nenhum pássaro, nenhuma estrela tem. O homem tem consciência.

Mas quando você tem consciência, então duas alternativas são possíveis: ou você pode tornar-se infeliz, ou você pode tornar-se feliz. A escolha é sua. As árvores simplesmente estão felizes porque elas não podem ser infelizes. A felicidade delas não é liberdade; elas têm que ser felizes.  Elas não sabem como ser infelizes, não existe outra alternativa.

Esses pássaros gorjeando nas árvores, eles são felizes. Não porque eles tenham escolhido ser felizes; eles simplesmente são felizes porque eles não conhecem outra maneira de ser. A felicidade deles é inconsciente. Ela é simplesmente natural.

O homem pode ser tremendamente feliz, e tremendamente infeliz. Ele é livre para escolher. Essa liberdade é um risco. Essa liberdade é muito perigosa, porque você se torna responsável. E algo aconteceu com essa liberdade. Alguma coisa está errada. O homem está, de uma certa maneira, de cabeça para baixo.

Você veio até a mim, procurando por meditação. A meditação é necessária somente porque você não escolheu ser feliz. Se você tivesse escolhido ser feliz, não haveria nenhuma necessidade de meditação. A meditação é medicinal: se você está doente, então o medicamento é necessário. Os Budas não precisam de meditação. Uma vez que você começou a escolher a felicidade, uma vez que você decidiu que você tem que ser feliz, então nenhuma meditação é necessária. A meditação começará a acontecer naturalmente, por ela mesma.

A meditação é uma função do estar feliz. A meditação segue o homem feliz como uma sombra: em qualquer lugar que ele for, qualquer coisa que ele estiver fazendo, ele estará meditativo. Ele estará intensamente centrado.

A palavra ‘meditação’ e a palavra ‘medicação’ têm a mesma raiz; e isso é muito significativo. A meditação também é medicinal. Você não carrega vidros de remédios nem receitas médicas se você estiver com saúde. Naturalmente, quando você não está com saúde, você tem que ir ao médico. Ir ao médico não é uma grande coisa para ficar fazendo alarde. A pessoa deve se sentir feliz se o médico não for necessário.

Existem muitas religiões, porque existem muitas pessoas infelizes. Uma pessoa feliz não precisa de religião. Uma pessoa feliz não precisa de templo, nem de igreja, porque para uma pessoa feliz, todo o universo é um templo, toda a existência é uma igreja. Uma pessoa feliz não tem nada parecido com uma atividade religiosa, porque toda a sua vida já é religiosa.

Qualquer coisa que você fizer com felicidade será uma prece; seu trabalho se tornará um culto, a sua própria respiração terá um esplendor, uma graça. Não que você repita constantemente o nome de Deus – somente as pessoas tolas fazem isso – porque Deus não tem nome algum, e por repetir algum suposto nome você simplesmente tornará estúpida a sua mente. Por repetir o Seu nome você não irá a lugar algum. Um homem feliz simplesmente vê Deus em todo lugar. E você precisa de olhos felizes para ver Deus.

Se você quer ser feliz, então comece a fazer escolhas naturais. Há muitas ocasiões em que você terá que ser desobediente – seja!  Haverá muitas ocasiões em que você terá que ser rebelde – seja!  Não há nenhum desrespeito implícito nisso. Seja respeitoso com seus pais. Mas lembre-se de que a sua mais profunda responsabilidade é com o seu próprio ser.

Todo mundo está sendo empurrado e manipulado. Ninguém sabe qual é o seu destino. O que você realmente sempre quis fazer, foi deixado de lado. E como você pode ser feliz? Alguém que poderia ter sido um poeta, tornou-se simplesmente um emprestador de dinheiro. Alguém que poderia ter sido um pintor, tornou-se um médico. Alguém que poderia ter sido um médico, um belo médico, é agora um homem de negócios. Todo mundo está fora do lugar. Todo mundo está fazendo alguma coisa que nunca quis fazer; daí a infelicidade.

A felicidade acontece quando a sua vida se encaixa com o que você é, quando se encaixa tão harmoniosamente que qualquer coisa que você fizer será pura alegria. Então, de repente, você descobrirá que a meditação segue você. Se você ama o trabalho que está fazendo, se você ama a maneira como está vivendo, então você está meditativo. Então nada irá desviar você. Quando você se desvia de certas coisas, isso simplesmente demonstra que você não está realmente interessado naquelas coisas.

Nós temos nos desviado por motivos não naturais: dinheiro, prestígio, poder. Ouvir o pássaro cantar não vai lhe dar dinheiro. Ouvir o pássaro cantar não vai lhe dar poder e prestígio. Observar uma borboleta não irá ajudá-lo economicamente, politicamente, socialmente. Essa coisas não lhe trarão remuneração, mas essas coisas irão fazê-lo feliz.

Uma pessoa verdadeira tem coragem de se voltar para as coisas que a fazem feliz. Se com isso ela permanecer pobre, ela permanecerá pobre; ela não reclamará disso, ela não guardará nenhum rancor. Ela dirá: ‘Eu escolhi o meu caminho, eu escolhi o cantar dos pássaros e as borboletas e as flores. Eu posso não ser rico, tudo bem, mas eu sou rico porque eu sou feliz.’

Esse tipo de homem não necessita de qualquer método para se centrar, por que não é preciso, ele está centrado. Seu centramento está por toda a sua vida. Vinte e quatro horas por dia ele está centrado.
Em qualquer lugar que você vê dinheiro, você já não é mais você mesmo. Em qualquer lugar que você vê poder e prestígio, você já não é mais você mesmo. Em qualquer lugar que você vê respeitabilidade, você já não é mais você mesmo. Imediatamente você esquece tudo – você esquece os valores intrínsecos de sua vida, a sua felicidade, a sua alegria, o seu deleite.

Você sempre escolhe algo do lado de fora, e você barganha com algo do lado de dentro. Você perde o interior e ganha o lado de fora. Mas o que você vai fazer com isso? Mesmo se você tiver todo o mundo aos seus pés, mas se você tiver perdido a si mesmo; mesmo se você tiver conquistado todas as riquezas do mundo, mas se você tiver perdido seu próprio tesouro interior, o que você fará com tudo aquilo? Essa é a miséria.

Se você puder aprender uma coisa comigo, então que essa coisa seja: esteja alerta, consciente a respeito de seus próprios motivos mais internos, a respeito de seu próprio destino mais interno. Nunca perca você mesmo de vista, de outra maneira você será infeliz. E quando você estiver infeliz, as pessoas irão dizer: ‘medite e você se tornará feliz!’ Elas dirão: ‘Esteja centrado e você se tornará feliz; ore e você se tornará feliz; vá ao templo, seja religioso, seja um cristão ou um hindu, e você será feliz’. Tudo isso é tolice.
Seja feliz! e a meditação virá em seguida. Seja feliz, e a religião virá em seguida. Felicidade é a condição básica. As pessoas se tornam religiosas somente quando elas estão infelizes; então a religião delas é falsa. Tente entender porque você está infeliz.

Muitas pessoas vêm a mim e dizem que elas são infelizes, e elas querem que eu lhes dê alguma meditação. Eu digo: primeiro, a coisa básica é compreender porque vocês estão infelizes. E se vocês não removerem todas as causas básicas de sua infelicidade, eu posso lhes dar uma meditação, mas isso não vai ser de grande ajuda, porque as causas básicas permanecem aí.

Um certo homem poderia ter sido um grande e belo dançarino, mas ele está sentado num escritório arquivando fichas. Sem qualquer possibilidade para a dança. O homem poderia ter curtido dançar sob as estrelas, mas ele segue simplesmente acumulando contas bancárias. E ele diz que está infeliz: ‘me dê alguma meditação.’ Eu posso dar a ele, mas o que essa meditação irá fazer? O que se espera que ela possa fazer? Ele vai permanecer o mesmo homem: acumulando dinheiro e sendo competitivo no mercado. A meditação poderá ajudar da seguinte maneira: poderá fazer com que ele fique um pouco mais relaxado para seguir fazendo essas tolices, e de uma maneira ainda melhor.

Então, o meu chamado é somente para aqueles que são realmente ousados, aqueles que desafiam o demônio, aqueles que estão prontos para mudar os seus próprios padrões de vida, aqueles que estão prontos para apostar tudo – porque na verdade você nada tem para apostar: somente a sua infelicidade, a sua miséria. Mas as pessoas se agarram até mesmo a isso.
O que mais você tem para apostar? Só a miséria. E o único prazer que você tem é falar a respeito dela. Observe as pessoas falando a respeito de suas misérias: quão felizes elas se tornam! Elas pagam por isso: elas vão aos psicanalistas para falar a respeito de suas misérias – e elas pagam por isso! Alguém as escuta atentamente, e elas se sentem felizes.

As pessoas seguem falando a respeito de suas misérias, repetidamente. Elas até mesmo exageram, elas enfeitam, elas fazem com que as suas misérias pareçam ainda maiores. Elas fazem com que elas pareçam maiores do que a duração de suas vidas. Por que? Você nada tem para apostar. Mas as pessoas se apegam ao conhecido, ao que é familiar. A miséria é tudo o que elas têm conhecido; isso tem sido a vida delas. Nada têm a perder, mas com tanto medo de perder…

Comigo, a felicidade vem primeiro, a alegria vem primeiro. A atitude celebrativa vem primeiro. Uma filosofia afirmativa de vida vem primeiro. Curta! E se você não puder curtir o seu trabalho, mude. Não espere! Porque todo o tempo que você está esperando, você está esperando por Godot. E Godot nunca vem. A pessoa simplesmente espera, e desperdiça sua própria vida. Por quem e por que você está esperando?
Se você puder ver o ponto, que você está miserável dentro de um certo padrão de vida, e que todas as velhas tradições dizem: Você está errado. Eu gostaria de dizer que o padrão é que está errado. Tente entender a diferença na ênfase: Você não está errado! É só o seu padrão, a maneira de viver que você aprendeu é que está errado. As motivações que você aprendeu e aceitou como suas, não são suas. Elas não irão realizar o seu destino. Elas vão contra a sua essência, elas vão contra o que lhe é elementar.

Lembre-se disso: ninguém mais pode decidir por você. Todos os mandamentos deles, todas as ordens deles, todas as moralidades deles, são simplesmente para matar você. Você tem que decidir ser você mesmo. Você tem que tomar sua vida em suas próprias mãos. De outra maneira a vida vai seguir batendo em sua porta e você nunca estará lá; você estará sempre em algum outro lugar.

Se você tinha que ser um dançarino, a vida virá por aquela porta, porque ela pensa que você é um dançarino. Ela bate na porta, mas você não está lá; você é um bancário. E como a vida vai saber que você se tornou um bancário? Deus vem a você da maneira que ele quer você seja; ele conhece apenas aquele endereço. Mas você nunca é encontrado lá, você está sempre em algum outro lugar, escondendo-se atrás da máscara de alguém que não é você, com os trajes de alguém que não é você e usando o nome de alguém que não é você.
Como você espera que Deus possa encontrá-lo? Ele segue procurando por você. Ele sabe o seu nome, mas você abandonou aquele nome. Ele conhece o seu endereço, mas você nunca morou lá. Você permitiu que o mundo desviasse você.

Por que na cabeça de todo mundo surge essa idéia de que a meditação traz felicidade? De fato, sempre que eles encontram uma pessoa feliz, eles encontram uma mente meditativa, essas duas coisas estão associadas. Sempre que eles encontram uma bela atmosfera meditativa circundando um homem, eles sempre descobrem que ele estava tremendamente feliz; vibrante com a alegria, radiante. Essas coisas se tornaram associadas. E eles pensam que a felicidade vem quando você está meditativo. E é exatamente o oposto: a meditação é que vem quando você está feliz.

Mas ser feliz é difícil e aprender a meditar é fácil. Ser feliz significa uma drástica mudança em sua maneira de viver, uma mudança abrupta, porque não há nenhum tempo a perder. Uma mudança súbita, um repentino estrondo de trovão (a sudden clash of thunder), uma descontinuidade.

Isso é o que eu entendo por sânias: uma descontinuidade com o passado. Um repentino estrondo de trovão, e você morre para o velho e então, revigorado, você recomeça do bê-a-bá. Você nasce de novo. Você começa de novo a sua vida, como você começaria se os padrões não tivessem sido impostos a você pelos seus pais, pela sociedade, pelo Estado; como se ninguém tivesse desviado você. Mas você foi desviado.
Você tem que deixar de lado todos os padrões que foram impostos a você, e você tem que encontrar a sua própria chama interior.

Não se preocupe muito com o dinheiro, porque ele é o maior desvio da felicidade. E a ironia das ironias é que as pessoas pensam que elas serão felizes quando elas tiverem dinheiro. Dinheiro nada tem a ver com felicidade. Se você é feliz e você tem dinheiro, você pode usá-lo para a felicidade. Se você é infeliz e tem dinheiro, você usará aquele dinheiro para mais infelicidades. Porque o dinheiro é simplesmente uma força neutra.

Eu não sou contra o dinheiro, lembre-se. Não me interprete mal. Eu não sou contra o dinheiro, eu não sou contra nada. Dinheiro é um meio. Se você for feliz e você tiver dinheiro, você se tornará mais feliz. Se você for infeliz e tiver dinheiro, você se tornará mais infeliz, por que o que você fará com o seu dinheiro? O dinheiro vai realçar o seu padrão, seja qual ele for. Se você for miserável e tiver poder, o que você fará com o seu poder? Você irá envenenar a si próprio ainda mais com o seu poder, você se tornará mais miserável.

Mas as pessoas seguem atrás do dinheiro como se o dinheiro fosse trazer felicidade. As pessoas seguem procurando por respeitabilidade como se respeitabilidade fosse lhe dar felicidade. As pessoas estão prontas a qualquer momento, para mudar os seus padrões, para mudar os seus caminhos, desde que haja mais dinheiro disponível em algum outro lugar.

Uma vez que o dinheiro esteja ali, então de repente você não é mais você mesmo, você está pronto para mudar.

Esse é o caminho do homem mundano. Eu não digo que pessoas mundanas são aquelas que têm dinheiro. Eu chamo de pessoas mundanas aquelas que mudam os seus motivos por causa do dinheiro. Eu não digo que as pessoas que não tem dinheiro não sejam mundanas. Elas podem ser simplesmente pobres. Eu digo que as pessoas não são mundanas quando elas não mudam seus motivos por causa de dinheiro. Só por ser pobre não equivale a ser espiritual. E só por ser rico não é equivalente a ser um materialista. O padrão materialista de vida é aquele em que o dinheiro predomina acima de tudo. A vida não materialista é aquela em que o dinheiro é simplesmente um meio; a felicidade predomina, a alegria predomina, a sua própria individualidade predomina. Você sabe quem você é, e para onde está indo, e você não está se desviando. Então, de repente, você vê que a sua vida adquiriu uma qualidade meditativa.

Mas em algum ponto do caminho, todo mundo se perdeu. Você foi educado por pessoas que não se realizaram. Você foi educado por pessoas que não tinham saúde. Você pode sentir pena delas. Eu não estou lhe dizendo para ser contra elas. Eu não as estou condenando, lembre-se. Simplesmente sinta compaixão por elas. Os pais, os professores do colégio e da universidade, os chamados líderes da sociedade, eles foram pessoas infelizes. Eles criaram um padrão infeliz em você.

E você ainda não assumiu a sua própria vida. Eles viveram segundo uma interpretação errada, e essa foi a miséria deles. E você também está vivendo segundo uma interpretação errada.

A meditação ocorre naturalmente a uma pessoa feliz. A meditação ocorre naturalmente a uma pessoa alegre. A meditação é muito simples para uma pessoa que pode celebrar, que pode curtir a vida. Mas você tem tentado isso de uma outra maneira, e assim não é possível.

Os 10 Mandamentos de Osho

Osho

Osho

Post atrasado de hoje, com os “10 Mandamentos de Osho”. Lembrando que Osho não se considerava guru, mestre, “avatar”, profeta ou o que for. Esses “mandamentos” são apenas um resumo, uma conclusão de tudo o que ele tentava mostrar para as pessoas em seus discursos e palestras.

+++

Em 1970 perguntaram a Osho  pelos   seus 10   mandamentos.

Esta foi sua resposta:

Você pergunta pelos meus dez mandamentos. Isso é muito difícil, porque eu sou contra qualquer tipo de mandamento. Todavia, só pela brincadeira, eu estabeleço o que se segue:

1.      Não obedeça a ordens, exceto àquelas que venham de dentro.

2.      O único Deus é a própria vida.

3.      A verdade está dentro, não a procure em nenhum outro lugar.

4.      O amor é a oração.

5.      O vazio é a porta para a verdade, é o meio, o fim e a realização.

6.      A vida é aqui e agora.

7.      Viva completamente acordado.

8.      Não nade, flutue.

9.      Morra a cada momento para que você possa se renovar a cada momento.

10.    Pare de buscar. O que é, é: pare e veja.

Osho, A Cup of Tea, 123