O que é mais importante: ser você mesmo ou conhecer a si mesmo?

Não morra antes de conhecer o seu ser autêntico.

Osho

Fim de ano, correria. Não pensem que eu abandonei o Inconsciente Coletivo! Estou trabalhando em algumas traduções e textos exclusivos, e por isso o blog tem estado paradinho nos últimos dias.

Mas hoje eu quebro o “silêncio” com um vídeo de Osho que acabou de sair do “forno da tradução”… ;-) Ao contrário dos outros vídeos que traduzi, esse não é um trecho, mas uma palestra completa com 1h e 44 min de duração! É um projeto novo da Osho International, ainda sendo aperfeiçoado, por isso todo feedback (comentários, elogios, críticas) é extremamente necessário para melhorar ainda mais esse trabalho!!

O vídeo está hospedado no site DotSub. Por enquanto não haverá novos vídeos legendados no Youtube, a ideia é testar esse novo sistema. Eventualmente, se os vídeos legendados aparecem no Youtube, eu aviso.

Para fazer a legenda rodar, é preciso clicar onde está escrito “English 100%” e selecionar “Portuguese (Brazil)“. Qualquer dúvida é só perguntar!

Enfim, antes de partir direto para a palestra, um pequeno comentário meu… ;-)

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Há um tempo atrás li, em um dos textos transcritos das palestras de Osho, um dos (por que são realmente muitos!) ensinamentos mais marcantes que já li dele. São duas partes que eu costurei aqui, mas que têm tudo a ver com o vídeo de hoje… compartilho com vocês (grifos são meus):

A vida é realmente uma dança se você for original – e seu destino é ser original. Basta olhar como Krishna é diferente de Buda. Se Krishna tivesse seguido Buda, teríamos ficado sem um dos homens mais belos desta Terra. Ou, se Buda tivesse seguido Krishna, ele não teria passado de um sujeito qualquer. Imagine só Buda tocando flauta – ele teria perturbado o sono de muita gente, não era tocador de flauta. Imagine só Buda dançando; pareceria tão ridículo, simplesmente absurdo.

Esse é o mesmo caso de Krishna. Sentado sob um árvore sem uma flauta, sem uma coroa de penas de pavão, sem belos trajes – só sentado como um mendigo sob uma árvore, de olhos fechados, sem ninguém dançando em torno dele, nenhuma dança, nenhuma música – Krishna pareceria tão pobre, tão miserável. Buda é Buda, Krishna é Krishna e você é você. E você não é, de maneira nenhuma, menos do que ninguém. Respeite-se, respeite sua voz interior e siga-a.

“Ainda há tempo – saia dessa prisão em que você viveu até agora! Só é preciso um pouco de coragem, só um pouco da coragem do jogador. Não há nada a perder, lembre-se disso. Você só vai perder seus grilhões, só vai perder o tédio, esse sentimento constante de que está perdendo algo. O que há mais a perder? Saia do rebanho e se aceite – mesmo que fique contra Moisés, Jesus, Buda, Mahavira, Krishna, aceite-se. Sua responsabilidade não é para com Buda ou Zaratustra ou Kabir ou Nanak; sua responsabilidade é pra consigo mesmo.

Mas você consegue distinguir em si mesmo quais são as vozes (sim – plural – porque é, de fato, uma legião) dos seus condicionamentos e qual é a sua verdadeira voz? Com toda essa poluição sonora e visual na sua cabeça (e fora dela, porque não?), como encontrar a si mesmo? A melhor maneira é sendo você mesmo. Mas como ser você mesmo? Observando as vozes que falam na sua mente, toda vez que você precisa fazer uma escolha, tomar uma decisão, independente de qual for. É você mesmo falando? Ou seria a voz do seu pai? Sua mãe? O professor da catequese??? A partir do momento em que você passa a identificar quem está realmente falando (tomando as decisões, norteando seus pensamentos em uma determinada direção), você deixa de ser escravo desse condicionamento. Quando conseguir identificar – e consequentemente se libertar – de todas essas vozes, só aí você encontrará a voz do seu ser autêntico. Só aí você poderá ser realmente você mesmo. Não estranhe se você começar a parecer “excêntrico” ou estranho aos olhos dos outros…

Normalmente escutamos por aí (ou até mesmo dizemos isso) com relativa frequência, “eu sou eu mesma (o)” ou “eu sou autêntica (o)”. Será? Será que você já teve verdadeiramente a oportunidade de ser você mesmo alguma vez na sua vida? De fazer o que queria mesmo com todos a sua volta querendo o contrário ou algo diferente para você? Ou será que nós acabamos por aceitar o que os outros querem, muitas vezes porque sequer conseguimos identificar em nós mesmos o que – em nossa essência, livre da domesticação – queremos?

Um dos aspectos que mais gosto nos dizeres do Osho é que ele trata a questão do “errar” com naturalidade. A única forma de realmente se aprender alguma coisa é pela tentativa-erro-acerto. Primeiro você tenta, se errar aprende a acertar. Se acertar logo de cara, ótimo.  Só existe problema se você ficar insistindo em cometer o mesmo erro. É aquela história do “você pode perder tudo, mas não perca a lição“. Se perdeu a lição, aí sim você realmente perdeu tudo. Nada, absolutamente nada, acontece por acaso. E nisso inclui-se os “abacaxis” da sua vida. O importante é saber que você tem o direito de errar, quantas vezes precisar (não é tudo que aprendemos logo na primeira tentativa!).

Uma pessoa só deixa de ser boa quando pára de se tornar melhor. E você se torna melhor ao se arriscar a tentar. Mesmo que não dê em nada. Mesmo que piore. A noite é mais escura um pouco antes do amanhecer, lembra? É mais preocupante ter uma vida sem muitos altos e baixos do que ter uma vida com muitos altos e baixos. Por que se você tem uma vida muito “regular”, “neutra”, isso quer dizer que você não está vivendo muito. (não confundir a “regularidade” mencionada aqui com “equilíbrio”, nem os altos e baixos com “extremos” – eles dizem respeito somente às tentativas de aprendizagem) Você não está utilizando todo o seu potencial, não está indo corajosamente em direção ao desconhecido. A vida é mistério. Se a sua está carente de mistério, algo precisa ser mudado!

Não morra antes de conhecer o seu ser autêntico!!!

E vamos a Osho:

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O vídeo está temporariamente indisponível (em virtude de testes que estão sendo feitos) para acesso público. Para assistir é preciso fazer um cadastro no site DotSub e acessar novamente (dar um “reload” ou atualizar no seu navegador) esse post.

O Ego precisa de problemas…

“Vivi uma vida longa e passei por muitos problemas, muitos dos quais nunca aconteceram.”

(Mark Twain)

“Se seu problema tem solução, então não há com que se preocupar. E se seu problema não tem solução, toda preocupação será em vão.”

(Provérbio Tibetano)

Eu adoro esse dito tibetano que citei acima!

Se você tem um problema que é possível solucionar, então por que se preocupar? Se você tem um problema que não tem solução, então por que se preocupar???

E não é verdade?

Agora imagine se dar conta de que, na realidade, todos os seus problemas, são criações suas, não existem de fato. São oriundos ou resultados de seus pré-julgamentos, preconceitos, ignorância (no sentido correto da palavra, que diz respeito a ignorar uma informação, desconhecer. O sentido popular, que a coloca como sinônimo de “burro” em hipótese alguma se aplica aqui), medo do desconhecido, imaturidade, irresponsabilidade, desatenção etc. Ou seja, nada mais são do que problemas interiores superestimados – um “complexo de Diva” do seu Ego – por mais que às vezes aparentem ser externos à nós e que só crescem e se multiplicam pela nossa própria vontade – ou seria um vício ? -  de continuar a criar e aumentar problemas. E aí? Isso deixa a nossa situação de “pessoas preocupadas” ou “cheias de problemas a resolver” ainda mais boba… ou não?

Pois hoje trago um texto, que considero não apenas profundo, mas divertidíssimo, de Osho, a respeito das tempestades em copos d’água que tanto insistimos em fazer.  Aqui, ele nos provoca a viver de maneira mais espontânea, inocente, natural – a reconhecer que, de fato, os problemas não existem, e que esse reconhecimento é Iluminação. Você nasceu um Buda, só precisa se dar conta disso.

Ou, em outras palavras, deixe de ser “Maria do Bairro”!!! ;-)

(lembram da Maria do Bairro? Aquela novela mexicana tragicômica em que a protagonista simplesmente não conseguia ter um momento de alegria sem antes passar por um sem número de “problemas” completamente absurdos? Era tanta “tragédia” que por fim se tornava hilário! rs)

Ah, antes que eu me esqueça:  assim que o novo vídeo legendado do Osho estiver no Youtube (”Sonhos são a sua vida não vivida”), eu aviso!

Os grifos são meus:

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O ego não se sente bem, à vontade, com montículos; ele quer montanhas. Mesmo se isso for uma miséria, não deve ser um montículo, deve ser um Everest. Mesmo que isso seja miserável, o ego não quer ser ordinariamente miserável; ele quer ser extraordinariamente miserável.

As pessoas continuam sempre criando grandes problemas do nada. Eu tenho conversado com milhares de pessoas sobre os problemas delas e realmente não encontrei ainda um problema real! Todos os problemas são falsos – você os cria porque sem problemas você se sente vazio. Não há nada para fazer, nada com o que lutar, nenhum lugar para ir. As pessoas vão de um guru para outro, de um mestre para outro, de um psicanalista para outro, de um grupo de encontros para outro, porque se não forem, eles se sentem vazios e subitamente, sentem que a vida é insignificante. Você cria os problemas para que você possa sentir que a vida é um grande trabalho, um crescimento, e que você precisa lutar muito.

O ego só pode existir quando existe luta, lembre-se – quando ele luta. E se lhe digo, ‘Mate três moscas e você ficará iluminado, você não irá acreditar em mim. Você dirá, ‘Três moscas? Isso não parece muito. E ficarei iluminado? Isso não parece ser inverossímil. Se eu disser que você terá que matar setecentos leões, é claro que isso parece mais! Quanto maior o problema maior o desafio…E com o desafio surge seu ego, ele paira nas alturas. Você cria os problemas. Eles não existem.

Os padres, os psicanalistas e os gurus – eles estão felizes porque todo o negócio deles existe por sua causa. Se você não criar montículos do nada e você não transformar seus montículos em montanhas, qual o sentido de gurus lhe ajudarem? Primeiro você precisa estar na condição de ser auxiliado.

Os mestres verdadeiros dizem outra coisa. Eles dizem, “Por favor, vejam o que você está fazendo, que bobagem você está fazendo. Primeiro você cria um problema, depois você vai em busca de uma solução. Apenas veja que você está criando o problema, exatamente no princípio, quando você estiver criando o problema, essa é a solução – não o crie!” Mas isso não lhe agradará porque então você está subitamente voltando para si mesmo. Nada para fazer? Nada de iluminação? Nada de satori? Nada de samadhi? E você está profundamente cansado, vazio, tentando preencher-se com qualquer coisa.

Você não tem nenhum problema; somente isso precisa ser entendido. Agora mesmo você pode deixar todos os problemas porque eles são criações suas. Dê outra olhada nos seus problemas: quanto mais profundamente você olhar, menores eles parecerão. Continue olhando para eles e aos poucos, eles começarão a desaparecer. Prossiga olhando e subitamente você descobrirá que há uma vacuidade… Uma bela vacuidade lhe cerca. Nada para fazer, nada para ser, porque você já é isso.

Iluminação não é algo a ser alcançado, é somente para ser vivido. Quando digo que alcancei a iluminação, estou simplesmente dizendo que decidi viver isso. Já chega! E desde então tenho vivido-a. É uma decisão de que agora toda essa besteira de criar problemas e encontrar soluções acabou.

Toda essa bobagem é um jogo que você está jogando consigo mesmo: você mesmo está escondendo e você mesmo está procurando, você é ambas as partes. E vocês sabem disso! Eis porque quando digo isso vocês riem, dão risadas. Não estou falando sobre alguma coisa ridícula; vocês o compreendem. Vocês estão rindo de si mesmos. Apenas observem a si mesmos rindo, apenas olhem para seus próprios sorrisos; vocês o compreendem! Isso tem que ser assim porque é seu próprio jogo: você está escondendo e esperando que você mesmo seja capaz de procurar e encontrar a si mesmo.

Você pode encontrar a si mesmo agora porque é você que está escondendo. Eis porque os mestres Zen prosseguem batendo. Sempre quando alguém chega e diz, “Eu gostaria de ser um Buda”, o mestre fica muito zangado. Porque ele está pedindo uma bobagem, ele é um Buda. Se Buda chegar para mim e perguntar como ser um Buda, que devo fazer? Irei bater na cabeça dele. “A quem você pensa que está enganando? Você é um Buda!”

Não crie problemas desnecessários para você. E o entendimento descerá sobre você se você observar como você torna um problema cada vez maior, como você o engendra, e como você ajuda a roda a girar cada vez mais rápido. Assim de repente, você está no topo da sua miséria e você está necessitando da simpatia do mundo inteiro.

O ego precisa de problemas. Se você compreender isso, na própria compreensão as montanhas viram montículos novamente, e então os montículos também desaparecem. Subitamente há vacuidade, pura vacuidade por toda parte. Isso é tudo o que a iluminação é – um profundo entendimento de que problemas não existem. Assim, sem nenhum problema para resolver, o que você vai fazer? Imediatamente você começa a viver. Você irá comer, irá dormir, irá amar, irá bater papo, irá cantar, irá dançar. O que tem mais para fazer? Você se tornou um deus, você começou a viver!

Se as pessoas pudessem dançar um pouco mais, cantar um pouco mais, serem um pouco mais malucas, a energia delas estaria fluindo mais, e os problemas delas irão desaparecer aos poucos. Daí eu insistir tanto na dança. Dance até o orgasmo; deixe que toda a energia se torne dança e subitamente, você verá que você não tem nenhuma cabeça. A energia presa na cabeça se move ao redor, criando belos padrões, pinturas, movimentos. E quando você dança chega um momento que o seu corpo não é mais uma coisa rígida, se torna flexível, fluido. Quando você dança chega um momento quando sua fronteira não está mais tão clara; você se funde e se dissolve com o cosmos, as fronteiras ficam misturadas. Assim você não cria qualquer problema.

Viva, dance, coma, durma, faça as coisas tão totalmente quanto possível. E lembre-se sempre: quando você flagrar a si mesmo criando algum problema, dê o fora dele, imediatamente.

Extraído de: Ancient Music in the Pines – Osho Int.

Vendendo Felicidade

“A única coisa que pode crescer é a coisa a que você dá energia.”

(Ralph Waldo Emerson)

“Existem duas escolhas primordiais na vida: aceitar as condições como elas existem ou aceitar a responsabilidade de mudá-las.”

(Denis Waitley)

“Algumas vezes você está tão condicionado a uma mentira, que a própria verdade vem bater na sua porta e você a manda embora.”

(Siddharta Gautama – Buda)

“Se sua vida não é feliz, então, saiba que você está vivendo da maneira errada. O sofrimento é o critério de se estar errado; e a felicidade é o critério de se estar certo – não há nenhum outro critério”.

(Osho)

Segundo vídeo de Osho traduzido e legendado por mim, atendendo a pedidos! ;-)

Neste vídeo Osho nos fala da dificuldade que a maioria das pessoas têm em não só aceitar, mas dar valor àquilo que lhes foi dado de graça. Por isso, ele “vendia” a felicidade.

Aqui no Ocidente, principalmente, esse é o pensamento padrão: algo só tem valor real se você teve que pagar um alto preço por isso. Até mesmo coisas como alegria, amor, atenção precisam estar devidamente “etiquetadas” com algum preço, pois se simplesmente forem distribuídas a quem quiser, dificilmente alguém – verdadeiramente – apreciará seus reais valores. Na verdade, a maioria das pessoas sequer guardaria com carinho ou respeito, algo que não tiveram que arduamente “conquistar” de algum modo.

É interessante o fato de que esse é um pensamento bem arraigado. É muito comum ouvir por aí alguém, cheio de orgulho, bater no peito e enumerar tudo aquilo que conseguiu, e principalmente, como sofreu pra conseguir… Normalmente, inclusive, as pessoas falam como se o nível de sofrimento vivenciado por elas fosse diretamente proporcional à sua (auto-suposta) sabedoria ou espiritualidade. Acreditam que quanto mais problemas surgem ou possuem em suas vidas, então mais sábias ou evoluídas elas devem ser. Ou pior, quanto mais horrível o sofrimento de suas vidas, mais elas estão próximas de “Deus”… (!!!) Taí mais uma crença irracional, derivada da má interpretação das metáforas utilizadas por Jesus, mas que nos é empurrada goela abaixo como se fosse uma tradição ou educação válida. A menos que alguém realmente acredite na equação “Deus” = sofrimento (sendo a palavra “Deus” uma variável, podendo ser utilizado também “espiritualidade”, “sabedoria” etc etc), isso é totalmente ilógico.

Alguém aí já ouviu aquele papo de “Deus dá o frio conforme o cobertor“? O correto seria “Deus dá o frio conforme a sua vontade de continuar passando frio“!!!A sua vida nada mais é do que um reflexo do que você pensa, do que você é.

Sofrimento, seja mais ou menos, é inevitável. Enquanto sermos criaturas cheias de desejos, teremos, eventualmente, problemas, conflitos. Porém o seu sofrimento é algo para ser transcendido. É dele que você tira suas lições de vida (ou pelo menos é isso o que deveria fazer!), e então segue em frente. Os seus problemas servem para te mostrar tudo aquilo que você precisa aprender sobre si mesmo. Porém, ficar chafurdando no lamaçal dos problemas, falando deles como se fossem evidências do quanto você é bom (tem quem realmente acredite que ter problemas é sinônimo de ser “bonzinho”), nada mais são do que sintomas do quanto você está longe da sua própria essência divina.

Você não encontrará sábios reclamando da vida. Você não vê mestres comparando quem tem o pior problema. Você não vê pessoas verdadeiramente felizes e espiritualizadas gritando o quanto sofreram para chegar onde estão… Isso tudo são características de gente infeliz, pobre de espírito, que precisa pagar um alto preço para dar valor a coisas que, de outro modo, poderiam ter tido de graça – se realmente fossem sábias para perceber isso.

É como diz Osho no final da entrevista: “para essas pobres pessoas, nós temos que por um preço em tudo“…

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Pessoal, a legenda do vídeo não está embutida nele, como no vídeo anterior (Deus não é uma solução; mas um problema!). Aqui no meu player ela abre automaticamente, mas para quem não abrir, basta clicar naquela setinha localizada no lado direito do menu do vídeo e acionar a legenda, como mostram as setas alaranjadas na figura abaixo:

oshobliss

Espero que gostem! ;-)

YouTube Preview Image

Vídeos de Osho em Português – Novidade!

Pessoal, como eu havia mencionado no post “Deus não é uma solução, mas um problema“, eu estava conversando com a Osho International Foundation sobre a possibilidade de eles postarem os vídeos que eu traduzisse e legendasse no Youtube. Pois bem, o primeiro vídeo que traduzi já se encontra no canal oficial da Osho Foundation, e eles permitiram que eu continuasse com o trabalho!

Por causa de questões de direitos e copyright, os vídeos do Osho só podem serem publicados pelo pessoal da própria fundação, por isso, esses vídeos não serão encontrados no meu canal no Youtube, nem poderão ser veiculados em sites e blogs de outra forma que não pelo recurso de “embed”.

Enfim. Para quem não viu, o primeiro vídeo que traduzi está abaixo:

YouTube Preview Image

Os outros vídeos de Osho estão no canal deles, que pode ser visitado pelo link: http://www.youtube.com/user/OSHOInternational .

Antes de passar para a tradução e legendagem do próximo vídeo, resolvi fazer uma enquete, para saber qual vídeo os interessados em Osho gostariam que fosse o próximo a aparecer em português!

Abaixo listei alguns, se tiver um que não esteja na lista, é só me avisar pelos comentários.

Qual vídeo de Osho você gostaria de ver legendado em português?

  • Dreams are your Unlived Life ("Sonhos são a sua vida não vivida") (10.0%, 7 Votes)
  • Selling Bliss ("Vendendo felicidade") (7.0%, 5 Votes)
  • Being in Love ("Estar apaixonado") (6.0%, 4 Votes)
  • I Live Spontaneously ("Eu vivo espontaneamente") (6.0%, 4 Votes)
  • Marriage and Children ("Casamento e filhos") (6.0%, 4 Votes)
  • Don't Use This Planet Like a Waiting Room ("Não use esse planeta como uma sala de espera") (6.0%, 4 Votes)
  • Why do I get so Sensitive? ("Porque eu fico tão sensível?") (4.0%, 3 Votes)
  • Absolutely Free to be Funny ("Totalmente livre para ser engraçado") (4.0%, 3 Votes)
  • I wonder if this could be Love? ("Eu me pergunto se isso pode ser amor?") (4.0%, 3 Votes)
  • Your Morality is not Real ("A sua moralidade não é real") (4.0%, 3 Votes)
  • Meditations for Contemporary People ("Meditações para pessoas modernas") (4.0%, 3 Votes)
  • Silence over Tibet - The Music of OM ("Silêncio sobre o Tibet - A música do OM") (4.0%, 3 Votes)
  • ZEN and the Art of Escaping the Circle of Life and Death ("Zen e a Arte de Escapar do Ciclo da Vida e da Morte") (4.0%, 3 Votes)
  • Science and the Inner Journey ("Ciência e a Jornada Interior") (4.0%, 3 Votes)
  • Love is Like a Spring Breeze ("O amor é como uma brisa primaveril") (4.0%, 3 Votes)
  • Jealousy - society's device to divide and rule ("Inveja - o artifício da sociedade para dividir e dominar") (3.0%, 2 Votes)
  • Anybody who gives you a belief system is your enemy ("Qualquer um que lhe dê um sistema de pensamento é seu inimigo") (3.0%, 2 Votes)
  • Emotional Wellness - Almost Drunk with Emotion ("Bem-estar emocional - Praticamente embriagado de emoção") (3.0%, 2 Votes)
  • Waking Up the World ("Acordando o mundo") (3.0%, 2 Votes)
  • No Faith for Nostradamus ("Não acredito em Nostradamus") (3.0%, 2 Votes)
  • The Compulsion to Reach Power and Prestige ("A compulsão por atingir poder e prestígio") (1.0%, 1 Votes)
  • Behave as if you are the First Here ("Comporte-se como se fosse o primeiro aqui") (1.0%, 1 Votes)
  • Love and Hate are One ("Amor e Ódio são Um") (1.0%, 1 Votes)
  • Sex and Death - Two Great Taboos ("Sexo e Morte - Dois grandes tabus") (1.0%, 1 Votes)
  • Sensitivity can be shared ("A sensibilidade pode ser compartilhada") (1.0%, 1 Votes)
  • What is the Need of Nations? ("Qual é a carência das nações?") (0.0%, 0 Votes)
  • Strange Consequences ("Estranhas Consequências") (0.0%, 0 Votes)
  • My Way of Life is not Philosophy ("Meu modo de vida não é Filosofia") (0.0%, 0 Votes)
  • Compassion - The Ultimate Flowering of Love ("Compaixão - a última florescência do amor") (0.0%, 0 Votes)
  • The Rule of a Barbarious Society ("A regra de uma sociedade cruel") (0.0%, 0 Votes)

Total Voters: 70

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Aí eu vou traduzindo conforme os mais solicitados.. ;-)

Pare de se esconder de si mesmo!

Você se torna as pessoas com quem passa o seu tempo.

Já parou pra pensar nisso?

É fato. Inconscientemente acabamos por nos tornar as pessoas com que mais convivemos. É uma tendência tão sutil, que quando você se der conta (se isso acontecer, pois também é fato que muitas pessoas passam suas vidas sem nem se aproximar de uma conscientização disso) irá se chocar por não ter notado antes o quanto foi influenciado. Por isso, a grande pergunta é: como encontrar a si mesmo, em meio a tanta influência? Pergunte-se: o tipo de influência que estou recebendo é realmente benéfica? Diz respeito e agrega valor ao que realmente penso e sou e ao que desejo para minha vida? Olhe para as pessoas com quem mais convive. Elas refletem aquilo que você gostaria de ser? A presença delas estimula em você o que você tem de melhor?

Em outros posts já falei da suprema importância de se escolher bem as pessoas com quem pretendemos conviver mais ou ter intimidade. Família a gente não escolhe, tá certo, mas todo o resto sim. Pessoas negativas, “doentinhas”, que dizem coisas como “a vida não é fácil”, que gostam de competir para ver quem tem mais “problemas” ou está vivendo uma “tragédia pessoal” pior, que adoram criticar a maneira como você (ou outros) vive a sua vida, que se comparam constantemente, que acham que só existe um meio de se “viver a vida”, que são cheias de “certezas”, que se apegam a tradições e condicionamentos ultrapassados, deprimidos crônicos, críticos profissionais, fomentadores de desgraças, encorajadores de atitudes medíocres, defensores do “normal”, propagadores de baixarias e promiscuidade, pseudo-moralistas, fanáticos religiosos, enfim. Acho que exemplifiquei o suficiente, certo? Eu gostaria de dizer para fugir desses infelizes exemplos como o diabo foge da cruz, mas sei que nem sempre é possível. Portanto, esforce-se para evitá-los como pode e trabalhe com dedicação e disciplina em prol do seu autoconhecimento. A única maneira de se tornar imune a todas essas influências nefastas e limitantes é fortalecendo a si próprio. E a única maneira de se fortalecer nesse sentido é se autoconhecendo. E como se autoconhecer? Ficando sozinho

"Nosce te ipsum" - inscrição grega (na foto) traduzida para o latim do Oráculo de Delfos. "Conhece-te a ti mesmo".
“Nosce te ipsum” – inscrição grega (na foto) traduzida para o latim do Oráculo de Delfos. “Conhece-te a ti mesmo”.

O que nos  leva ao texto de hoje, do nosso super-Osho, em que ele nos incita a parar de nos escondermos de nós próprios e de ter medo da “solidão”. Não adianta se iludir. Por mais que se rodeie de amigos, de distrações, de pensamentos, você é, inevitavelmente, sozinho. E voltando a sua atenção para esse estado natural de ser é que você tem uma verdadeira chance de descobrir quem você, de fato, é. O que os outros te dizem, onde você vive, estuda, trabalha etc. são apenas “acidentes”. Não se apegue a eles.

Vamos a Osho (os grifos são meus):

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O homem nasce sozinho e morre sozinho, mas, entre esses dois pontos, ele vive em sociedade, ele vive com os outros.

Solidão é sua realidade básica; a sociedade é simplesmente acidental. E a menos que o homem possa viver sozinho, possa conhecer sua solidão em sua total profundidade, ele não pode se familiarizar consigo mesmo. Tudo o que acontece em sociedade é apenas externo: não é você, é apenas suas relações com os outros. Você permanece desconhecido. Pelo lado de fora, você não pode ser revelado.

Mas nós vivemos com os outros. Por causa disso, o autoconhecimento fica completamente esquecido. Você sabe alguma coisa de você, mas indiretamente – é algo dito a você pelos outros. É estranho, absurdo, que os outros devam lhe dizer sobre você. Seja qual for a identidade que você carregue, ela é dada a você pelos outros; ela não é real, é uma rotulação. Um nome é dado a você. Esse nome é dado como um rótulo, porque será difícil para a sociedade se relacionar com uma pessoa sem nome. Não somente o nome é dado, a própria imagem que você pensa ser é dada pela sociedade: que você é bom, que você é ruim, que você é belo, que você é inteligente, que você é moral, um santo, ou seja o que for. A imagem, a forma, também é dada pela sociedade, e você não sabe o que você é. Nem seu nome revela nada, nem a forma que a sociedade lhe deu. Você permanece desconhecido para si mesmo.

Esta é a ansiedade básica. Você existe, mas você é um desconhecido para si mesmo. Esta falta de conhecimento da pessoa sobre ela mesma é a ignorância, e esta ignorância não pode ser destruída por nenhum conhecimento que os outros possam lhe dar. Eles podem lhe dizer que você não é este nome, que você não é esta forma, que você é uma “alma eterna”, mas isso também está sendo dado pelos outros, isso também não é próximo. A menos que você chegue até si mesmo diretamente, você permanecerá na ignorância. E a ignorância cria ansiedade. Você não tem somente medo dos outros, você tem medo de si mesmo – porque você não sabe quem você é e o que está escondido dentro de você. O que será possível, o que irromperá de você no momento seguinte, você não sabe. Você permanece apreensivo e a vida se torna uma ansiedade. Há muitos problemas que criam ansiedade, mas esses problemas são secundários. Se você penetrar profundamente, então, cada problema no final revelará que a ansiedade básica, a angústia básica, é que você é ignorante de si mesmo – da fonte de onde você vem, do fim para o qual você está se movendo, do ser que você é exatamente agora. Daí, toda religião dizer para se entrar em solitude, na solidão, de modo que você possa por um tempo deixar a sociedade e tudo o que a sociedade lhe deu, e se encarar diretamente.

Mahavir viveu, por doze anos, sozinho na floresta. Ele ficou sem falar durante aquele tempo, porque no momento em que você fala, você entra na sociedade. A língua é a sociedade. Ele permaneceu completamente silencioso, ele não falava. A ponte básica foi cortada, de modo que ele ficasse sozinho. Quando você não fala, você está sozinho, profundamente sozinho. Não há como se mover até os outros. Durante doze longos anos ele viveu sozinho, sem falar. O que ele estava fazendo? Ele estava tentando descobrir quem ele era. É melhor tirar fora todos os rótulos, é melhor ir para longe dos outros, de modo que não haja nenhuma necessidade da imagem social. Ele estava jogando fora todo o lixo que a sociedade lhe dera; ele estava tentando ficar totalmente nu, sem nenhum nome, sem nenhuma forma. Eis o que significa a nudez de Mahavir. Não se tratava apenas de jogar as roupas fora. Era algo mais profundo. Era a nudez de ficar totalmente só. Você também usa roupas em função da sociedade: elas são para esconder seu corpo, ou elas são para cobri-los aos olhos dos outros, porque a sociedade não aprova seu corpo todo. Assim, seja o que for que a sociedade não aprove, você tem de esconder. Somente algumas partes do corpo são permitidas ficarem descobertas. A sociedade escolhe você em partes. Sua totalidade não é aprovada, nem aceita.

O mesmo está acontecendo com a mente – não somente com o corpo. Seu rosto é aprovado, suas mãos são aprovadas, mas seu corpo todo não é aprovado, principalmente as partes do corpo que possam insinuar alguma coisa de sexo. Elas são desaprovadas, não aceitas. Desse modo, a importância das roupas. E isto está acontecendo com a mente também: sua mente toda não é aceita, somente algumas partes dela. Assim, você tem de esconder a mente e reprimi-la. Você não pode abrir sua mente. Você não pode abrir sua mente diante do seu mais íntimo amigo, porque ele julgará. Ele dirá: “É isso o que você pensa!? É isso que se passa na sua mente!?”. Então, você tem de lhe dar somente aquilo que pode ser aceito – uma parte muito diminuta – e tudo o mais que existe em você, tem de ser escondido completamente. A parte escondida cria muitas doenças. Toda a psicanálise de Freud consiste em trazer para fora a parte escondida. Levam anos antes de a pessoa ser curada. Mas o psicanalista não está fazendo nada, ele está simplesmente trazendo para fora a parte reprimida. Simplesmente trazê-la para fora se torna uma força curativa.

O que isso significa? Significa que a supressão é a enfermidade. É uma carga, uma carga pesada. Você gostaria de confessar a alguém; você gostaria de dizer, expressar; você queria que alguém aceitasse você totalmente. É isso o que significa amor – você não será rejeitado. O que quer que você seja – bom, mau, santo, pecador – alguém aceitará sua totalidade, não rejeitará nenhuma parte sua. Eis por que o amor é a maior força curativa, ele é a mais antiga psicanálise. Sempre que você ama uma pessoa, você está aberto a ela, e só por estar aberto, suas partes cortadas, divididas são religadas – você se torna um.

Mas, até o amor se tornou impossível. Nem à sua esposa você pode dizer a verdade. Nem com seu amante você pode ser totalmente autêntico, porque mesmo os olhos dele ou dela estão julgando. Ele ou ela também quer uma imagem a ser seguida, um ideal – sua realidade não é importante, o ideal é importante. Você sabe que se você expressar sua totalidade, você será rejeitado, você não será amado. Você tem medo, e por causa desse medo o amor se torna impossível. A psicanálise traz a parte escondida para fora, mas o psicanalista não está fazendo nada, ele está ali sentado simplesmente ouvindo-o. Ninguém nunca o ouviu, parece. Eis por que você agora precisa da ajuda de um profissional. Ninguém está pronto para ouvi-lo. Ninguém tem tempo. Ninguém tem muito interesse em você. Assim surgiu a ajuda profissional. Você está pagando alguém para ouvi-lo. E então entra ano, sai ano, ele o ouvirá todos os dias, ou duas vezes por semana, ou três vezes por semana, e você será curado. Isto é milagroso! Por que você deveria ser curado só por ser ouvido? É porque alguém lhe presta atenção sem nenhum julgamento e você pode dizer qualquer coisa que esteja dentro de você. E só por falar, aquilo vêm à superfície e se torna uma parte do consciente. Quando você corta algo, proíbe algo, reprime algo, você está criando uma divisão entre o consciente e o inconsciente, o aceito e o rejeitado. Essa divisão tem de ser jogada fora.

Mahavir buscou a solidão, de modo que ele pudesse ser como ele era, sem medo de ninguém. Como ele não tinha que mostrar uma face para alguém, ele pôde jogar fora todas as máscaras, todas as faces. Então, ele pôde ficar sozinho, totalmente nu, como se fica sob as estrelas, ao lado do rio e na floresta. Não havia ninguém para julgá-lo e ninguém diria: “Você não tem permissão de fazer isto. Você tem que se comportar. Você tem que ser deste modo assim e assim.”. Deixar a sociedade significa deixar a situação onde a repressão se tornou inevitável. Assim, nudismo significa ficar como a pessoa é, sem barreiras, sem qualquer retenção. Mahavir entrou no silêncio, na solitude, e disse: “A menos que eu me descubra – não o eu que outros me deram, pois esse é falso, mas o Eu com o qual nasci -, eu não voltarei para a sociedade. A menos que eu saiba quem eu sou, eu não voltarei para a sociedade. A menos que eu encare diretamente a minha realidade, a menos que eu tenha encontrado o essencial no homem, não o acidental, eu não falarei, porque é inútil falar.”.

Vocês são acidentais. Seja o que for que você pense que você é, é a parte acidental. Por exemplo: você nasce na Índia. Você poderia ter nascido na Inglaterra ou na França ou no Japão. Isso é a parte acidental. Mas só por ter nascido na Índia, você tem uma identidade diferente. Você é um hindu. Você se pensa um hindu – mas você poderia ter se pensado um budista no Japão, ou um cristão na Inglaterra, ou um comunista na Rússia. Você não fez nada para ser um hindu, é apenas um acidente. Onde quer que você esteja, você teria se juntado à situação. Você se pensa religioso, mas sua religião é puramente acidental. Se você tivesse nascido num país comunista, você não teria sido religioso, você teria sido tão irreligioso lá, quanto você é religioso aqui. Você nasceu numa família jainista; então, você não acredita em Deus, sem você ter descoberto que não há nenhum Deus. Mas bem ao lado de sua casa, uma outra criança nasceu no mesmo dia, e ela é hindu. Ele acredita em Deus e você não. Isso é acidental, não é essencial. Depende das circunstâncias. Você fala híndi, um outro fala Gujaráti, outro fala Francês – estes são acidentes. A língua é acidental. O silencio é essencial. Sua alma é essencial; seu Eu é acidental. E descobrir o essencial é a busca, a única busca.

Como descobrir o essencial? Buda saiu em silêncio durante seis anos. Jesus também foi para o ermo. Seus seguidores, os apóstolos, queriam ir com ele. Eles o seguiram e a certo momento, num certo ponto, ele disse: “Parem. Vocês não devem vir comigo. Agora, eu devo ficar sozinho com meu Deus.”. Ele entrou no deserto. Quando ele saiu de volta, ele era um homem totalmente diferente: ele tinha se defrontado consigo mesmo.

A solidão torna-se o espelho. A sociedade é o engano. Eis por que você tem medo de ficar sozinho – porque você terá de se conhecer na sua nudez, na sua ausência de ornatos. Você tem medo. Ficar sozinho é difícil. Sempre que você está sozinho, você imediatamente começa a fazer alguma coisa, de modo a não ficar sozinho. Você pode começar a ler o jornal, ou talvez você ligue a TV, ou você pode ir a um clube para se encontrar com alguns amigos, ou talvez visitar alguém da família – mas você tem de fazer algo. Por quê? Porque no momento em que você está sozinho sua identidade se derrete, e tudo que você sabe sobre si mesmo fica falso e tudo o que é real começa a vir à tona.

Todas as religiões dizem que o homem tem de entrar em retiro para conhecer a si mesmo.
A pessoa não precisa ficar lá para sempre, isso é inútil; mas a pessoa tem de ficar em solitude por um tempo, por um período. E a extensão do período dependerá de cada indivíduo. Maomé ficou em solitude durante alguns meses; Jesus por somente alguns dias; Mahavir durante doze anos e Buda durante seis anos. Depende. Mas a menos que você chegue ao ponto onde você possa dizer “agora conheci o essencial”, é imperativo ficar sozinho.

Osho, The Book of The Secrets, V.2, # 69

Fonte: Osho Sukul

Deus não é uma solução. Mas um problema!

(…) “Lembre-se de minha afirmação anterior de que a experiência do mistério não vem de esperá-lo, e sim quando você abandona todos os seus programas, pois eles são baseados em medo e desejo. Descarte-os e virá o fulgor.”

Joseph Campbell

Neste post, trago aquele vídeo do Osho que mencionei no post “Osho em: Deus x Religião“, em que ele fala que não acredita em Deus e porquê. O vídeo é ótimo e divertido (como todos os vídeos do Osho) e só fiquei frustrada porque só descobri que o vídeo legendado já existia num site da internet depois que já o tinha traduzido e legendado também… Mas tudo bem, vou trabalhar em outros (fiz um acordo com o pessoal da Osho International Foundation).

Pois bem! O vídeo em questão traz a visão de Osho a respeito da forma tradicional de se entender Deus e de porque essa forma é irracional. Abaixo do vídeo coloquei um outro excerto de um capítulo do livro “A Divina Melodia” em que perguntam a Osho como se faz para “saber mais sobre Deus”. Depois de ver o vídeo e ler o texto, repare novamente na citação de Campbell que introduz este post…

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Eu gostaria de poder saber mais a respeito de Deus. Você pode me ajudar, Bhagwan?

Não há jeito de se saber mais a respeito de Deus. Você pode conhecer Deus, mas você não pode saber mais a respeito de Deus. Saber mais a respeito de Deus não é conhecê-Lo. Saber mais é informação; conhecer Deus é uma dimensão totalmente diferente. Saber a respeito é informação – você pode continuar, sabendo mais e mais a respeito, mas nunca chegará a Deus. Conhecer Deus é totalmente diferente de saber a respeito de Deus.

Você pode saber muito sobre o amor sem conhecer absolutamente o amor. Você pode ir às livrarias, consultar as enciclopédias e coletar toda a informação possível sobre o amor – mas se o amor não aconteceu a você, você não saberá o que é o amor. Você pode coletar todas as histórias sobre o amor – Laila e Majanu, Shiri e Farahad -, pode coletar histórias sobre todos os amantes do mundo; isso também não ajudará. O amor tem que acontecer a você; você tem que se apaixonar. Você tem que se arriscar, tem que jogar tudo – só então você saberá.

Você diz: “Eu gostaria de poder saber mais a respeito de Deus.” Primeira coisa: saber mais não será de muita ajuda. Assim que uma pessoa
se torna um estudioso, um pândita – bem-informada. Não estou aqui para ajudá-lo a tornar-se mais bem- informado; você já tem muitas informações. Eu estou aqui para destruir o seu conhecimento, tírá-lo de você. Você tem que aprender como desaprender.

Você diz, ‘que “Eu gostaria”. “Gostaria” é uma coisa muito fraca, que não faz com que ninguém chegue até Deus. Mais insistência, um desejo mais profundo é necessário … um desejo que se torne uma chama em você. Uma fome é necessária; “gostaria” não ajudará. Uma sede é necessária … como se você estivesse perdido no deserto do Saara, e por milhas à sua volta, apenas areia, areia, areia, e um sol ardente, nenhuma gota de água com você, e não se avista nenhum verde, e você está com sede, todo o seu ser está por um fio – a qualquer momento você pode morrer – e a sede aumenta, e você se torna uma chama … nessa sede Deus é possível.

Torne-se sedento. “Gostaria” não é o suficiente; é muito fraco;

Ouvi contar …

Um mendigo faminto parou numa casa de campo e pediu alguma comida. A dona da casa trouxe-lhe alguma coisa, e ele sentou-se na porta dos fundos, deliciando-se com a comida.

Logo que ele sentou, uma pequena galinha ruiva passou correndo, fugindo de um galo que vinha em seu alcanço. O mendigo jogou um pedaço de seu pão para o galo, que parou instantaneamente sua perseguição, e avidamente engoliu o pedaço de pão.
“Nossal” exclamou o mendigo. “Espero que eu nunca fique com tanta fome assim!”

Você tem que estar tremendamente faminto. Não pode ser apenas uma curiosidade. Deus não pode ser um objeto de curiosidade; Deus não pode ser um objeto de seu pequeno desejo. Deus não é a satisfação de uma vontade, não é um sonho seu. Deus tem que ser como uma chama em suas entranhas. Quando você começar a sentir que nada mais importa, quando Deus é a prioridade máxima e você está pronto a sacrificar tudo, quando Deus se torna um desejo tão urgente, absorvente, que até mesmo a vida não tem mais sentido sem Deus – só então você chegará a Ele. E aí, não há necessidade de ninguém que o ajude; seu desejo fará o trabalho.

Nessa sede premente, nessa intensidade, tudo o que é escuro em você desaparece. Nessa chama, tudo o que é inútil é consumido. Você se torna ouro puro.

Deus é a sua realidade, assim como é a minha realidade. Deus é a sua realidade assim como era a de Jesus Cristo ou de Gautama Buda. A diferença é que você ainda não é capaz de separar o joio do trigo; o trigo está em você, mas há muito joio misturado. Num tremendo desejo de conhecer, de ser, o joio é exterminado – e não há outra maneira.

Quando você vai a um Mestre, ele, na verdade, não o ajuda a chegar a Deus: ele o ajuda a se tornar cada vez mais sedento. Ele o ajuda a se tornar cada vez mais intensamente faminto. Ele lhe dá sede e fome; ele lhe dá uma paixão louca pelo impossível.

Um homem veio até Buda e perguntou: “Se eu o seguir, serei capaz de conhecer a verdade?” Buda disse: “Isso não é certo; não posso garanti-lo. Posso garantir apenas uma coisa: eu o tornarei cada vez mais sedento. Então, tudo o mais dependerá de você. Posso transferir minha sede para você, se você estiver pronto para permitir tamanha sede … pois é doloroso. A jornada é dolorosa; todo crescimento é doloroso. Se você permitir que eu crie essa dor em você, a própria dor o purificará. A dor é um processo de purificação.”

Por isso nunca diga que você gostaria de saber a respeito de Deus, nem que gostaria de saber mais. Ou Deus é conhecido ou não é – mais ou menos seria absurdo. Você não pode dividir Deus assim: “Eu sei um pouquinho, alguém sabe um pouco mais, alguém sabe quase a metade e alguém sabe cem por cento.” Deus não pode ser dividido; ou você sabe ou não sabe. E o conhecimento de Deus não é como qualquer outro conhecimento. Não é como o conhecimento científico, que você vai aumentando cada vez mais, como uma progressão que continua e nunca termina. Não é um conhecimento a partir do exterior. O conhecimento de Deus não é bem um conhecimento, é mais como o amor. Você desaparece em seu amado – essa é a única maneira de conhecer. E quanto mais você desaparece em seu amado, mais você sabe que não sabe.

Os maiores conhecedores de Deus sempre dizem que não sabem. Eles são como gotas no oceano: elas caem no oceano e desaparecem, e o oceano cai nelas e desaparece. Então, quem é o conhecedor e quem é o conhecido?

Kabir disse: “Eu estava procurando e procurando e procurando, e então eu me perdi; aí aconteceu o milagre dos milagres. Quando eu não estava mais lá, você estava, bem em frente a mim. E quando eu estava lá, procurando e procurando, você estava tão distante – nem mesmo um vestígio. E agora, olhe … Eu desapareci. Procurando, eu me perdi completamente; toda a minha busca me absorveu, me destruiu completamente. Agora eu não estou mais … e meu Senhor, você está aqui bem à minha frente.”

Kabir disse que aquele que procura nunca alcança o procurado. O homem nunca se defronta com Deus – porque, a menos que você desapareça, ele não pode aparecer; assim, não há ponto de encontro. Quando você está, ele não está; quando ele está, você não está – assim, como você pode afirmar que sabe? Quando você não está – só então ele está. Quando o conhecedor desaparece, o conhecimento aparece; não pode ser apenas a satisfação de uma vontade.

Posso ajudá-lo a se tornar uma chama – sedenta, faminta, ardente; posso dar-lhe a dor. Então todo o resto depende de você – o quanto você entra nessa dor, nesse fogo. Você pode dar um salto, e Deus pode acontecer num momento repentino. Não há necessidade de esperar, nem de adiar. Neste exato momento pode acontecer … se você estiver pronto para entrar totalmente nessa dor.

Osho em: Deus x Religião

“Jesus disse: ‘Se aqueles que vos guiam disserem, ‘Olhem, o reino está no céu’, então, os pássaros do céu vos precederão, se vos disserem que está no mar, então os peixes vos precederão. Pois bem, o reino está dentro de vós, e também em vosso exterior. Quando conseguirdes conhecer a vós mesmos, então sereis conhecidos e compreendereis que sois filhos do Pai vivo. Mas se não vos conhecerdes, vivereis na pobreza e sereis essa pobreza.’”

O evangelho de Tomé (”As palavras secretas de Jesus, o vivo“)

Quando Osho fala sobre Deus é sempre aquela “confusão”.  Em alguns momentos ele fala como um teísta, em outros, como um ateísta. Mas, para entender o porquê desse comportamento paradoxal é preciso compreender que quando Osho (e outros sábios) está falando de Deus, ele não está falando de Deus. Tá, eu não ajudei. ;-)

Colocando de outra forma: quando um sábio (como Osho), fala em “deus”, ele não fala do Deus que nós entendemos como deus… Na verdade é até indiferente se o “d” é maiúsculo ou minúsculo, pois nomes próprios só deveriam ser dados a entidades e criaturas físicas. O que não é o caso de deus. A partir do momento que você pensa que “deus” é masculino, ou mesmo feminino, ou que está no céu, ou ainda que “ouve” as suas preces ou se preocupa com o que você faz ou deixa de fazer; você está confessando abertamente que nunca teve uma experiência direta de “deus”. Que apenas acredita nas fábulas e lendas de escrituras sagradas, que interpretou equivocadamente as mitologias, que ou entendeu errado ou nem entendeu as metáforas. É por isso que “crer em deus” normalmente traz mais problemas do que soluções!

Recentemente, assisti a um trecho de uma das palestras do Osho em que ele fala exatamente disso, “deus não é a solução, mas sim um problema“. (gostaria de traduzir e legendar esse vídeo, mas estou aguardando o parecer da Osho International Foundation, pois eles detêm os direitos das imagens… se conseguir, posto o vídeo aqui no Inconsciente, se não, transcrevo em português o vídeo em outro post) Pois bem, quem ouve Osho dizendo “eu não acredito que Deus  não exista, eu tenho certeza disso!” (risos) pode estranhar ler um texto como este que trago neste post. Mas esse comportamento aparentemente contraditório dele é proposital. Da mesma forma que um koan zen (aquelas frases, diálogos, sentenças que por parecerem contraditórias visam balançar as “certezas” do aprendiz, retirá-lo da sua segurança intelectual e fazê-lo experimentar a realidade de sua indagação), Osho tenta nos desviar das nossas noções preconcebidas de “deus”. Esqueça tudo o que você pensa que “deus” é. Esqueça o que as religiões te disseram, o que os sacerdotes, familiares e tradições te fizeram acreditar.

Isso me lembrou uma citação de Albert Einstein, que li recentecemente. Einstein nunca foi ateu, porém, ele próprio se incomodava com a ideia popular que se tem de deus, e foi um crítico ferrenho das religiões. Basicamente, o que ele diz é o seguinte:

“A opinião comum de que sou ateu repousa sobre grave erro. Quem a pretende deduzir de minhas teorias científicas não as entendeu.

Creio em um Deus pessoal e posso dizer que, nunca, em minha vida, cedi a uma ideologia atéia.

Não há oposição entre a ciência e a religião. Apenas há cientistas atrasados, que professam idéias que datam de 1880.

Aos dezoito anos, eu já considerava as teorias sobre o evolucionismo mecanicista e casualista como irremediavelmente antiquadas. No interior do átomo não reinam a harmonia e a regularidade que estes cientistas costumam pressupor. Nele se depreendem apenas leis prováveis, formuladas na base de estatísticas reformáveis. Ora, essa indeterminação, no plano da matéria, abre lugar à intervenção de uma causa, que produza o equilíbrio e a harmonia dessas reações dessemelhantes e contraditórias da matéria.

Há, porém, várias maneiras de se representar Deus.

  • Alguns o representam como o Deus mecânico, que intervém no mundo para modificar as leis da natureza e o curso dos acontecimentos. Querem pô-lo a seu serviço, por meio de fórmulas mágicas. É o Deus de certos primitivos, antigos ou modernos.
  • Outros o representam como o Deus jurídico, legislador e agente policial da moralidade, que impõe o medo e estabelece distâncias.
  • Outros, enfim, como o Deus interior, que dirige por dentro todas as coisas e que se revela aos homens no mais íntimo da consciência.”

Acho que Einstein conseguiu sintetizar brilhantemente o “problema de deus” e também da forma mística de se “acreditar em deus”. É algo que o mitólogo Joseph Campbell também tentou esclarecer aos seus estudantes e leitores. O que me faz lembrar de uma historinha real que Campbell conta em sua famosa entrevista que rendeu o livro e o DVD “O Poder do Mito“. Ele conta que certa vez (estou confiando na minha memória aqui, então alguns detalhes podem estar faltando!), foi apresentado a um padre católico. Enquanto conversavam, o padre perguntou a Campbell se acreditava em Deus, no que ele respondeu “não”. Então o padre perguntou se existisse uma forma de demonstrar ou provar racionalmente a existência de Deus, se seria mais fácil para as pessoas acreditarem. Campbell disse que se houvesse uma forma de demonstrar racionalmente a existência de deus, então nós não precisaríamos ter “fé”. E não é verdade? Quando perguntaram ao psiquiatra suíço Carl Gustav Jung (o pai da Psicologia Analítica) se ele acreditava na existência de deus, ele respondeu: “Não, eu sei.” Grande diferença né? Acreditar e saber.

Os verdadeiros místicos não acreditam em deus. Eles sabem. Você não precisa ter fé quando tem certeza. Quando verdadeiramente sabe.

O texto abaixo, de Osho, é um trecho do capítulo “Torne-se uma chama”, retirado do livro “A Divina Melodia“. Começa com a pergunta de uma pessoa, que deixei em itálico, e então a resposta de Osho. Os grifos são meus.

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Percebi, na palestra de ontem, que estou resistindo à palavra “deus”. Meus pensamentos se voltam. para um fato que ocorreu, há vários anos, quando eu estava cuidando de um homem muito doente num hospital – ele estava morrendo. Pediu-me que chamasse um padre, pois ele estava com medo. Quando o padre chegou, o homem doente lhe disse diretamente:

“Deus o amaldiçoe.”

E o padre se afastou, dizendo-me: “Não vale a pena fazer nada por este homem.” Eu disse ao padre: “Este homem está muito doente, e não sabe o que está dizendo.”


Mas o padre, assim mesmo, recusou-se a ajudá-lo. Desde esse dia, nun¬ca mais fui a uma igreja. Sei que Deus está dentro de mim. Então, porque essa resistência? Por favor, ajude-me.

A PALAVRA “DEUS” não é Deus. A palavra “amor” não é amor. A palavra “fogo” não é fogo. Por isso, o mais importante é lembrar-se de não se apegar muito às palavras, não ficar muito obcecado com as palavras. As palavras são apenas símbolos indicativos: use-as, mas não se sinta muito oprimido por elas. Se a palavra “deus” lhe causa problemas, esqueça essa palavra. “Alá” também serve, ou “Rarn”, ou “X y Z” – escolha outra palavra, se esta provoca uma associação errada. Mas se você começar a criar uma resistência contra o próprio Deus, contra a própria verdade, apenas você será responsável e apenas você estará perdendo algo de imenso valor. Mas isso acontece. Nós usamos a linguagem; tornamo-nos tão obcecados com a linguagem, que nos esquecemos de que ela não é a realidade. Na verdade, tem-se que colocar a linguagem de lado para se ver a realidade.

O incidente é significativo. Se você tivesse se tornado resistente em relação aos padres, não haveria nada de errado nisso; mas não foi isso que aconteceu. O padre recusou-se a ajudar – não Deus. Rejeite os padres, não há nenhum problema nisso; na verdade, quanto mais você evitar os padres, mais próximo ficará de Deus. Os padres não são necessários, de maneira alguma. Eles continuam propagando que são necessários, enfatizando que sem eles não há possibilidade de você entrar algum dia no mundo de Deus, mas esta é a proposição deles. Esse é o negócio deles, seu comércio secreto; eles têm que criar essa atmosfera. Do contrário, nenhum intermediário é necessário; Deus é seu, gratuitamente. Não é necessário nenhum agente intermediário; Deus está disponível imediatamente. Mas é claro que os padres fizeram um grande negócio – o maior de todos – e negociam uma mercadoria que é invisível; assim, você nunca poderá provar se eles a entregam ou não. A mercadoria em si é invisível – um belo jogo.

Ouvi contar …


“Por que aquele menino pequeno está chorando?”, perguntou uma velha senhora bondosa a um moleque esfarrapado.
“Porque outro garoto roubou-lhe o doce”, ele respondeu. “E como é que você está com o doce, agora?”
“É claro que eu estou com o doce”, respondeu o moleque. “Eu sou o advogado dele.”

Perceberam? O padre irá explorá-lo; ele se torná seu advogado, seu agente, e apenas o explora. Ele próprio está completamente inconsciente de Deus – do contrário, não seria padre. Teria sido um profeta, mas não um padre. “Padre” é uma palavra feia: aquele que está usando a religião como um negócio, explorando as pessoas em nome de Deus. O profeta é aquele que o ajuda a se transformar, a se transfigurar. O profeta não está tão preo¬cupado com Deus, como está com você, com a sua realidade. Quando sua realidade começar a se manifestar, você saberá o que é Deus – porque você é Deus em semente. Podemos nos esquecer completamente de Deus: Buda nunca falou sobre ele, Mahavir também não. E Buda ajudou imensamente. Ele insistia: Deus não é o problema, Deus não é a questão; a questão é o seu ser interior. Um profeta está preocupado com o seu ser. Se o seu ser desabrochar, florescer, nessa fragrância você saberá o que é Deus. Não há outra maneira.

Através da oração, do templo, da igreja, do ritual, da tradição, você não chegará a lugar algum; apenas o padre ficará cada vez mais rico. E esse investimento torna-se tão grande que os padres e os pol íticos se juntam para explorar as pessoas. Essa é a maior conspiração: através dos séculos, os padres e os políticos andaram juntos. Eles são os maiores culpados. Jesus foi crucificado porque não era um padre … Começou. a se comportar como um profeta, e é claro que os padres ficaram com medo. Sempre que há um profeta os padres ficam com medo – porque ele irá destruir todo o seu negócio. Jesus foi crucificado por causa dos padres; eles estavam por trás de tudo. Nenhum profeta jamais será tolerado pelos padres – não pode ser tole¬rado; é perigoso.
Por isso, se o seu incidente ajudou-o a ficar ciente dos padres, foi bom.

Mas, de alguma forma, sua associação deu errado. Não vá à igreja, não há necessidade; Deus está em toda parte. Não vá a nenhum padre, não há necessidade; Deus está disponível para você – direta e imediatamente. Mas se você tiver uma resistência à palavra “deus”, isso se tornará uma barreira; irá tolhê-lo, inibi-lo, não permitirá que você flua para o infinito. E não há razão para isso – Deus não fez nada. O padre afastou-se e foi embora, mas você sabe se Deus também foi? Deus nunca se afastou de ninguém. Na verdade, pelo fato de o padre ter-se afastado, Deus pode ter cuidado ainda mais do moribundo – pois não havia outro auxílio. Quando um homem está desamparado, Deus simplesmente começa a fluir em direção a ele. Em imenso desamparo, você se torna receptivo. Quando o homem estava completamente desamparado, e o padre foi embora, e a morte estava chegando – nesse estado de desamparo, ele deve ter feito um contato; você não pôde vê-lo do lado de fora.

Seja contra os padres. Mas não há necessidade, não se justifica que você tenha alguma resistência em relação a Deus.

Você diz: “Sei que Deus está dentro de mim.” Você não sabe, você não sabe absolutamente. Você ouviu dizer isso. Você me ouviu dizer, ouviu Jesus dizer “Deus está em você”, mas você não sabe absolutamente. Por que, uma vez que você sabe, não há problemas; sabendo que “Deus está em mim”, imediatamente Deus está fora também. No momento em que você perceber um único raio do divino penetrando em você, conhecerá tudo o que existe para ser conhecido. Conhecido o de dentro, o de fora é conhecido. Conhecido o de fora, este se torna conhecido dentro também – pois o de dentro e o de fora não são duas coisas separadas; são dois aspectos da mesma energia.

Assim, esse pensamento de que “Deus está dentro de mim” pode ser um outro truque de sua resistência, pois você não quer ver Deus fora. Você é contra isso, pois bem no fundo de sua mente você sente que, se Deus está lá, então você precisará de um mediador, precisará de alguém para guiá-lo até lá. Se Deus está fora, lá em cima no céu, então alguém será necessário para guiá-lo. Sozinho, você não será capaz de encontrá-lo. Então você diz:

“Deus está dentro de mim” – assim não há necessidade do padre. Você está dizendo isso apenas para evitar o padre – mas você não sabe.
Deus é tudo. A distinção entre o de fora e o de dentro é falsa. Dentro e fora são um; apenas uma realidade, de uma ponta a outra. Não são duas, não é dual, por isso não a divida.

Ouvi contar. ..

Quando Xerxes estava na praia com sua armada, e olhou para o Helesponto, perguntou a si mesmo: “Como farei para meus homens atravessarem?” Ele ordenou a seus generais que construíssem uma ponte de barcos, e eles obedeceram. Mas uma tempestade veio e destroçou sua ponte. Num acesso de raiva violenta, ele ordenou a execução dos supervisores que dirigiram o trabalho. Mas isso não foi suficiente para satisfazê-lo, pois a sua raiva era grande, quase louca. Então ele ordenou a seus escravos que dessem trezentas chicotadas no mar.

Mas isso é uma tolice – trezentas chicotadas no marl Mas é assim que a mente funciona; nossa mente é muito infantil. Você já reparou numa criança pequena? Se ela se machuca com uma porta ou um móvel, ela bate na porta ou no móvel, como se eles fosse o inimigo, como se eles tivessem feito alguma coisa a ela. Ela pode ter tropeçado, mas acha que a cadeira é responsável. E essa atitude infantil continua. As pessoas ficam senis, mas sua atitude infantil nunca muda.

No seu caso, um padre não se comportou bem, mas se você for um pouco razoável. .. Primeira coisa: se um padre não agiu bem, isto não significa que todos os padres estejam errados. Segunda coisa: foi o padre que não agiu bem, não Deus. Terceira coisa: você não sabe o que aconteceu àquele moribundo, no mais profundo do seu ser.

Não se apresse em tirar conclusões. Um homem sábio nunca conclui tão facilmente, pois todas as conclusões fazem Sua mente fechar-se. Você não sabe o suficiente; conclusões são perigosas. Uma conclusão só está certa quando você já conheceu tudo. Os homens mais sábios do mundo disseram que nada sabiam; como podemos nós concluir? E qualquer coisa que saiba-mos é tão pequena, tão ínfima… como se você tivesse lido apenas uma linha da Bíblia e, a partir dessa linha, concluísse alguma coisa. Seria tolice; não seria sábio.

Você pergunta: Então, por que essa resistência? Não penso que a resistência dependa do incidente. Na verdade, todo mundo é resistente em relação a Deus; as desculpas podem ser diferentes. Essa história é uma desculpa – porque não é razoável ficar resistente a Deus apenas por causa desse incidente. Por isso, deve ser uma desculpa. Você quis a resistência – essa história apenas lhe forneceu um argumento, uma desculpa.

Todo mundo é resistente em relação a Deus – por quê? Porque, se quiser conhecer Deus, você tem que desaparecer: essa é a resistência. Você tem que morrer para que Deus viva em você. Você tem que desaparecer completamente, totalmente; você tem que estar vazio, tem que esvaziar-se. Somente no seu vazio Deus pode descer; quando você está muito cheio ele não pode entrar. Sua taça está muito cheia de você mesmo; ela tem que ser esvaziada – esta é a resistência.

Não dê muita importância às desculpas – elas são insignificantes. O problema real se esconde por trás das desculpas. O problema real é: para se tornar religiosa, a pessoa tem que negar a si mesma – este é o único sacrifício necessário. O ego tem que ser abandonado. A mente tem que parar, para que Deus esteja presente – então, é claro que há resistência.

Por isso, esqueça esse incidente. Ele não tem nada a ver … Na verdade, é muito raro eu encontrar uma pessoa que não seja resistente, que não esteja, no fundo, lutando contra Deus. É natural; tente compreender. Queremos permanecer nós mesmos: Deus é o maior perigo. Por isso, as pessoas vão aos padres. Elas poderiam ir diretamente a Deus, mas vão ao padre – pois não querem realmente ir para Deus. O padre protege-as de Deus. Elas vão às escrituras, pois estas estão mortas, e não se pode encontrar um Deus vivo numa escritura. Essa é a maneira de esquivar-se.

As pessoas não vão a um Mestre vivo, porque ir a um Mestre vivo significa saltar no fogo. Você desaparece – mas somente através desse desaparecimento Deus aparece.

Ser realmente religioso é cometer suicídio. É isso mesmo que eu quero dizer – suicídio. Quando uma pessoa se mata, isto não é um suicídio; apenas o corpo muda – ela nascerá de novo. Isso é apenas uma mudança de corpo, uma mudança de roupas, de moradia. Mas quando um homem abandona o ego, ele comete um suicídio real, autêntico; agora ele não voltará mais. Agora não terá mais necessidade de outra moradia neste mundo de miséria, neste mundo de escuridão, neste mundo que é quase um inferno. Ele não voltará mais. Abandonado o ego, sua jornada está terminada; você terá aprendido a lição. Esta é a resistência.

Por isso, por favor esqueça essa desculpa. Do contrário, você continuará pensando nela – e esta não é a causa verdadeira.

Há alguém aí?

“Siga a verdade interior que te faz vibrar positivamente. Que te dá sincera alegria apesar das tristezas e dificuldades. Que não está, em essência, atrelada a bens transitórios e, portanto, não te tira o sono porque poderias perdê-la. Que te entusiasma e te surpreende, inclusive, inúmeras vezes. Aquilo que te realiza porque te fez sentir plenitude mesmo que exteriormente cercado de escassez.”

(J. Campbell)

Um texto curtinho, porém repleto dos melhores insights de Osho! Traduzido por mim.

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Eu sinto como se só existisse aos olhos de outro. Sinto-me tão irreal. O que posso fazer, ou não fazer?

A primeira coisa: não é só você que somente existe nos olhos de outros; todo mundo existe dessa maneira. Este é o modo comum da existência. Você usa o outro como um espelho. A opinião dos outros se torna muito importante, de imenso valor, por que essas opiniões o definem. Alguém diz que você é tão bonito(a); naquele momento você se torna bonito(a). Alguém diz que você é um tolo(a); nesse momento você começa a suspeitar; talvez você é um tolo? Você pode ficar enraivecido, você pode negar, mas lá no fundo você suspeita de sua inteligência…

Se você que saber quem você é, terá que fechar seus olhos; terá que se voltar para dentro de si. Você terá que esquecer todo o mundo, terá que esquecer o que dizem sobre você. Você terá que ir para bem dentro de si e encontrar a sua própria realidade.

É isto que estou ensinando aqui – a não depender dos outros, não olhar nos olhos deles. Não há respostas em seus olhos. Eles são tão inconscientes quanto você – como poderiam te definir?

Você está olhando nos olhos dos outros para encontrar quem você é. Sim, algumas reflexões estão lá, a sua face está refletida. Porém a sua face não é você; você está muito além da sua face. A sua face tem mudado tanto que você não pode ser ela.

… Você não é a face. Em algum lugar lá fundo está escondida a sua consciência; ela nunca é refletida nos olhos de ninguém.  Sim, algumas coisas são refletidas: as suas ações. Você faz algo; e isso é refletido nos olhos de alguém. Mas as suas ações não são você. Você é imensamente maior do que suas ações…

O seu ser nunca é refletido nos olhos dos outros. O seu ser você só poderá conhecer de um jeito… e este é fechando os seus olhos para todos os espelhos. Você precisa entrar em sua própria existência interior, para encará-lo diretamente.  Ninguém poderá lhe dar uma ideia disso, do que é. Você pode saber, mas não pelos outros. Isso nunca poderá ser um conhecimento emprestado, somente uma experiência direta, uma experimentação direta, imediata.

(The Discipline of Transcendence)

VOCÊ é o Responsável!

“OSHO. Nunca nasceu…nunca morreu… apenas visitou este planeta Terra entre 1931 e 1990.”
(Inscrição na tumba de Osho)

Osho

Osho

Se há um fator que parece ser essencial (num sentido de obrigatório) para qualquer transformação, seja ela interior ou exterior, na vida de um ser humano, este é a responsabilidade. Qualquer autor, professor, mestre, guru, etc., honesto dirá que a primeira atitude que uma pessoa deve tomar, se realmente deseja mudar sua vida para melhor, é a de tomar para si 100% das responsabilidades por tudo que acontece consigo e a sua volta. Eu já escrevi, transcrevi e traduzi bastante textos sobre isso. E hoje, trago um novo texto de Osho, traduzido por mim, em que ele bate novamente nessa tecla: Pare de reclamar e culpar os outros. A responsabilidade pela sua vida e tudo o que acontece (ou deixa de acontecer) nela é toda SUA.

O texto é um trecho retirado do capítulo 5, do “Book of Wisdom”.

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Você é responsável

As pessoas freqüentemente fazem com que eu me sinta estúpido, como posso mudar isso?

A mente comum sempre joga a responsabilidade em alguém. É sempre o outro que está fazendo você sofrer. A sua esposa está fazendo você sofrer, o seu marido está fazendo você sofrer, os seus pais estão fazendo você sofrer, os seus filhos estão fazendo você sofrer, ou o sistema financeiro da sociedade, capitalismo, comunismo, fascismo, a ideologia política predominante, a estrutura social, ou o destino, carma, Deus… dê o nome que preferir!

As pessoas possuem milhões de maneiras de se esquivar da responsabilidade. Mas no momento que você diz que outra pessoa – X, Y, Z – está fazendo você sofrer, então você não pode fazer nada para mudar isso. O que poderia fazer? Quando a sociedade muda, e o comunismo chega e há um mundo sem classes, então todo mundo será feliz. Antes disso, não é possível. Como você pode ser feliz em uma sociedade que é pobre? E como você pode ser feliz em uma sociedade que é dominada pelos capitalistas?  Como você pode ser feliz em uma sociedade que é burocrática? Como você pode ser feliz em uma sociedade que não permite a sua liberdade?

Desculpas e desculpas e desculpas – desculpas somente para evitar uma única ideia que é “Eu sou responsável por mim. Ninguém mais é responsável por mim; é completa e totalmente  minha responsabilidade. Seja o que for que eu seja, sou minha própria criação.” Este é o significado do sutra.

Dirija toda a culpa para um

E este um é você.

Uma vez que essa ideia seja compreendida:

“Eu sou responsável pela minha vida – por todo o meu sofrimento, pela minha dor, por tudo que aconteceu comigo e que está acontecendo – eu escolhi dessa maneira; estas são as sementes que eu plantei e que agora estou colhendo os frutos; eu sou responsável – uma vez que esta ideia se torne uma compreensão natural para você, então tudo o mais é simples. Então a vida começa a tomar um novo rumo, começa a se mover para uma nova dimensão. Essa dimensão é conversão, revolução, mutação – por que uma vez que eu saiba que sou responsável, eu também sei que posso me desprender daquilo a qualquer momento que eu decidir. Ninguém pode me impedir de me desprender do sofrimento.

Alguém pode impedir você de abandonar a sua miséria, de transformar a sua miséria em felicidade? Ninguém. Mesmo que você esteja na cadeia, acorrentado, aprisionado, ninguém pode aprisionar VOCÊ; a sua alma continua livre. É claro que você está em uma situação bem limitadora, mas mesmo nesta situação limitadora, você pode cantar uma música. Você pode tanto chorar lágrimas de desamparo, ou pode cantar uma canção. Mesmo com correntes nos seus pés você pode dançar; então até mesmo o som das correntes irá adicionar melodia a isso.

Próximo sutra: Seja grato a todos.

Atisha é realmente muito muito científico. Primeiro ele diz: Tome responsabilidade total por si mesmo. Em segundo ele diz: Seja grato a todos. Agora que ninguém é responsável pela sua miséria a não ser você – se a miséria é toda coisa sua, então o que sobra?

Seja grato a todos.

Por que todo mundo está criando um espaço para você ser transformado – mesmo aqueles que pensam que estão obstruindo você, mesmo esses que você pensa que são inimigos. Os seus amigos, os seus inimigos, boas e más pessoas, circunstâncias favoráveis, circunstâncias desfavoráveis – todos juntos estão criando o contexto em que você pode ser tranformado e se tornar um Buda. Seja grato a todos – àqueles que ajudaram,  àqueles que atrapalharam, àqueles que foram indiferentes. Seja grato a todos, pois todos juntos estão criando o contexto em que Budas são criados, em que você pode se tornar um Buda.

Osho – O Amor pelos Livros

Osho em sua biblioteca

Osho em sua biblioteca

Vez ou outra eu posto aqui no blog algum texto ou insight de Osho. Mas hoje, resolvi escrever sobre algo que considero como uma curiosidade a respeito dele: o amor que tinha (e que eu compartilho ;-) ) pelos livros!

Segundo sites na internet, a biblioteca pessoal de Osho é considerada a maior do mundo: 150.000 títulos. Todos lidos por ele. Entre 1970 e 1981 ele lia de 10 a 15 livros por dia! A imensa coleção de obras iniciou quando ele era ainda criança, e os títulos eram conseguidos por livreiros de Puna e Mumbai (Índia).

A biblioteca, depois de reformada

Uma parte da biblioteca, depois de reformada

Na internet, encontrei um vídeo do próprio Osho falando sobre sua biblioteca. Ele conta as confusões que o seu crescente número de livros causava em sua casa; problemas que iam desde a óbvia falta de espaço até visitantes e parentes um tanto folgados que não só pegavam livros emprestados sem pedir, como os devolviam (às vezes…) todos riscados.  Ele diz que normalmente fazia esse tipo de pessoa comprar um livro novo…

A biblioteca de Osho era composta por livros dos mais diversos assuntos: religião, filosofia, psicologia, literatura, poesia. Ele era um leitor eclético e voraz. No vídeo, ele conta ainda que as crianças sabiam respeitar mais os livros do que os adultos, e que por isso, tinha várias crianças de sua família como “guardas” de sua biblioteca. Para Osho, um livro era um caso de amor. E acho que o mesmo vale para todos os que realmente apreciam os livros e a leitura.

Osho, escolhendo um título de sua vasta coleção

Osho, escolhendo um título de sua vasta coleção

Infelizmente, não consegui encontrar o vídeo legendado em português, nem o original só em inglês. O único que descobri disponível é um legendado em espanhol. Mas, tanto para quem entende inglês, como para quem arranha no espanhol, é possível compreender o que mostra vídeo sem muitos problemas!

O vídeo possui 15 minutos:

http://video.google.com/videoplay?docid=-2834891596045121482

Alguns dos títulos que Osho mais gostava:

  • Ana Karênina – L. Tolstói
  • Assim Falava Zarathustra – F. Nietzche
  • Tao Te Ching – Lao Tzu
  • O Profeta – Khalil Gibran
  • Folhas de Relva – Walt Withman
  • Dhammapada – Gautama Buda
  • Siddharta – Hermann Hesse
  • Aos Pés do Mestre – J. Krishnamurti
  • Mulla Nasruddin – estórias de Mulla Nasruddin
  • O Espírito Zen – Alan Watts
  • O Ser e o Nada – Jean-Paul Sartre
  • Alice no País das Maravilhas – Lewis Carroll
  • Os Analectos – Confúcio
  • O Manifesto Comunista – Marx e Engels
  • I Ching – desconhecido
  • A Psicanálise e o Inconsciente – D.H. Lawrence
  • Investigações Filosóficas – Ludwig Wittgenstein
  • Poética – Aristóteles
  • Escute Zé Ninguém – Wilhelm Reich
  • Guerra e Paz – L. Tolstói
  • Sede de Viver – Irving Stone
  • O Talmude – autores judeus
  • O Sermão da Montanha – Jesus Cristo
  • Diálogos de Sócrates – Platão
  • Relatos de Belzebu a seu neto (Do Todo e de Tudo) – George Gurdjieff
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