(Com 20 personalidades, britânica leva vida ‘normal’ com a filha)

 A história de Kim Noble é um caso raro de “personalidade múltipla”, e claro, extremo. Guardadas as devidas proporções, todos somos “muitos” em um só corpo: possuímos vários “eus” (ou “máscaras”, ou “personas”)  para várias situações, que apresentamos de acordo com o momento e a conveniência. A grande diferença é que não vivemos esses eus como “identidades singulares” propriamente ditas – que possuem nomes próprios por exemplo -, os vivemos e encaramos apenas como “partes” diferentes de nós mesmos. Mas continua sendo uma legião habitando um corpo… O que torna ainda mais interessante quando alguém, por algum motivo, vive esses eus como se fossem “pessoas únicas”, o que é o caso dos que possuem o (suposto) Transtorno Dissociativo de Identidade.

Kim encontrou um modo de lidar com sua condição ao se voltar para a pintura em tela. Inclusive, a maioria das “personalidades” que ela possui, gosta de pintar. Segundo John Morton, um dos médicos que diagnosticou o transtorno em Kim, apenas uma das personalidades aceita o “distúrbio”. Nenhuma das outras parece reconhecer a existência real de outras personalidades no mesmo corpo.

Quem se interessar, pode ver algumas pinturas das várias personalidades de Kim, clicando aqui.

Evidentemente, nem todos os cientistas reconhecem essa condição como um “Transtorno” psiquiátrico genuíno.  Muitos acreditam que não passa de um “fingimento” de alguém que na verdade tem uma memória muito boa, mas que cria uma “personalidade diferente” para não se responsabilizar por atos que “normalmente” não teria coragem de cometer…

É algo que dá o que pensar…

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Aos 51 anos, uma mulher britânica precisa conciliar seu trabalho como pintora, o papel de mãe e suas múltiplas personalidades que podem se manifestar a qualquer momento. Kim Noble geralmente acorda como Patricia, sua personalidade dominante, mas pode se transformar em Ken, um jovem deprimido, em Salome, uma católica fervorosa, em Abi, uma solteira em busca de amor, ou em qualquer das vinte personalidades que ela manifesta. Kim foi diagnosticada com Transtorno Dissociativo de Identidade, de acordo com informações do jornal Daily Mail.

Há mais de seis anos, Patricia é a personalidade que mais aparece, mas pelo menos três outras se manifestam diariamente. Cada uma delas não sabe o que a outra faz, apesar de saberem da existência de todas graças às constantes sessões de terapia que Kim atende com um psiquiatra. As mudanças de personalidade são súbitas. Kim fecha os olhos, o rosto se contorce em algumas caretas, e ela “acorda” como outra pessoa. A transformação pode ocorrer no mercado, enquanto ela dirige, no meio de uma refeição, a qualquer momento. Sua filha, hoje com 14 anos, já está completamente acostumada com a condição da mãe.

Kim Noble e sua filha Aimee

Kim não se lembra da gravidez, nem de ter dado à luz. Por seu transtorno, a filha foi retirada de seus cuidados logo após o nascimento. O trauma da separação fez Kim criar uma personalidade só para armazenar e bloquear a recordação do momento. Após seis meses, entretanto, a criança foi devolvida à mãe já que nenhuma das personalidades de Kim era uma ameaça ao bebê.

Psiquiatras acreditam que a personalidade múltipla é justamente uma maneira de compartimentar más memórias no cérebro, para que a pessoa possa evitá-las. A britânica provavelmente sofreu graves traumas na infância, e desde os primeiros anos de vida apresentava comportamentos estranhos. Na puberdade, ela começou as consultas com psiquiatras e, aos 20 anos, foi diagnosticada por engano como esquizofrênica. Apenas com mais de 30 anos, ela descobriu ter o Transtorno Dissociativo de Identidade. Hoje, a personalidade Patricia tenta comandar a vida de todas as outras, chegando a deixar recados e enviar e-mails para as outras personalidades. Ela pinta quadros, escreveu um livro e tenta conciliar as diferentes pessoas que vivem dentro de si.

Fonte: Terra

(Irlanda: idoso carbonizado foi vítima de combustão espontânea)

Um dos fenômenos mais intrigantes estudados pela Parapsicologia, na minha opinião, vira notícia essa semana. Já havia comentando brevemente o assunto num post mais antigo. Para quem  nunca ouviu falar da Combustão Humana Espontânea, transcrevo aqui uma descrição bem geral desse fenômeno, que retirei do livro “Dicionário do Mundo Misterioso“, de Gilberto Schoereder. Mais abaixo, coloquei um vídeo que também explica de modo bem básico o mistério. Porque é, de fato, um mistério – já foram propostas inúmeras teorias, e até o momento não conseguimos sair do reino das especulações (algumas tão absurdas quanto o próprio fenômeno que tentam explicar…).

Os grifos são meus!

 

 

COMBUSTÂO HUMANA ESPONTÂNEA

Um dos mais indecifráveis fenômenos estudados pela parapsicologia, e conhecido internacionalmente pelas siglas SHC (Spontaneous Human Combustion). A combustão humana espontânea, como o nome indica, consiste numa auto-inflamação de um ser humano, às vezes queimando completamente o corpo, outras vezes restringindo-se a pontos específicos do corpo. O fenômeno também foi conhecido como pirocinesia ou pirogenese. Não parece haver qualquer critério quanto ao tipo de pessoas que podem ser atingidas pelo fenômeno, assim como nenhum estudo ainda conseguiu chegar às possíveis causas. Em alguns casos fatais, o corpo da vítima foi completamente destruído por um fogo de origem desconhecida, chegando até mesmo a transformar os ossos em pó, uma operação que, em condições normais, só pode ser executada a temperaturas altíssimas – cerca de 1.500 graus – e durante um longo período de tempo.

Existem casos registrados do  fenômeno em que as vítimas foram destruídas em poucos minutos. Outra característica para a qual não se tem explicação é o fato de os corpos serem queimados sem que danifiquem objetos que se encontram próximos a vítima. Foram registrados casos ocorridos em recintos fechados em que apenas o corpo queimou, ficando o restante do aposento absolutamente intocado. Não existem explicações naturais para o fenômeno.

Para complicar a possibilidade de se estabelecer uma relação entre as vítimas, sabe-se que a combustão humana espontânea ocorre com maior frequência durante os períodos em que a atividade magnética do Sol está em seu ponto mais elevado, o que levou alguns dos estudos para o campo das estruturas magnéticas do corpo. Os casos de “combustão localizada” também são muitos, e uma das características consiste no fato de que as vítimas por vezes sequer percebem que estão queimando, como se houvesse uma insensibilização da área. As pequenas chamas que surgem no corpo das pessoas são azuis, o que, segundo especialistas, indica uma origem interna e não externa como alguns pesquisadores acreditaram durante muito tempo. Essa chama pode se prender  aos objetos que entram em contato com ela, podendo até mesmo passar de uma pessoa para outra, se houver o contato.

Segundo alguns estudiosos, esses casos de combustão humana espontânea poderiam e deveriam ser estudados por outras áreas da ciência, mas geralmente não se dá muita atenção ao fenômeno, especialmente devido à absoluta ausência de explicações viáveis. Alguns parapsicólogos ainda estão em dúvida quanto ao fato de o fenômeno pertencer ou não ao campo de pesquisa da parapsicologia.

 

Imagem de Amostra do You Tube

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Um médico legista da Irlanda afirmou que um homem que morreu queimado dentro de casa foi vítima de uma combustão espontânea – possivelmente o primeiro caso deste tipo na Irlanda.

Michael Faherty, 76 anos, morreu em sua casa em Galway no dia 22 de dezembro de 2010. O corpo carbonizado foi encontrado com a cabeça virada para a lareira.

Contra as suspeitas, o legista de West Galway, Ciaran McLoughlin, disse em uma audiência na Justiça do país, que o incêndio não foi a causa do fogo que matou Faherty. McLoughlin disse também que não há indícios de incêndio criminoso.

O fogo ficou restrito à sala de Faherty e os únicos danos ocorreram no corpo da vítima – que ficou totalmente queimado -, no teto logo acima de onde ele estava e o chão onde o corpo estava.

Parecer raro

O legista afirmou que foi a primeira vez em 25 anos de carreira que deu um parecer de combustão espontânea.

McLoughlin disse ter consultado livros sobre o assunto e feito pesquisas para esclarecer a causa da morte.

O especialista forense afirmou ter encontrado informações sobre combustão espontânea em um livro, e notou que estes casos quase sempre ocorrem perto de uma lareira ou de uma chaminé.

O incêndio foi totalmente investigado e minha conclusão é de que se encaixa na categoria de combustão humana espontânea, para o qual não há uma explicação adequada“, afirmou.

 

Fonte: Terra/BBC Brasil

(Palácio maia de 2 mil anos é descoberto no México)

Essa notícia não dava pra deixar passar em branco!

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Até agora, evidências mais antigas eram de 250 d.C., embora tenham sido encontrados restos cerâmicos de pelo menos um século antes

Um grupo de especialistas descobriu um palácio maia com cerca de 2 mil anos de antiguidade no sítio arqueológico Plan de Ayutla, em Chiapas, no México.

“A descoberta constitui a primeira evidência arquitetônica de uma ocupação tão avançada entre as antigas cidades maias da bacia do Alto Usumacinta (no município de Ocosingo)”, diz a nota do Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH).

A instituição destacou o palácio maia descoberto no sítio arqueológico da selva Lacandona deve ser aberto ao público no próximo ano.

Palácio maia de 2 mil anos deve ser aberto ao público no próximo ano

Palácio maia de 2 mil anos deve ser aberto ao público no próximo ano

 

O diretor do projeto, Luis Alberto Martos, explicou que esta nova descoberta foi localizada em um pátio fundo situado na Acrópole norte do sítio arqueológico, que representa a primeira evidência de uma ocupação avançada entre 50 a.C. e 50 d.C., entre as antigas cidades maias no Alto Usumacinta.

Martos acrescentou que, até agora, as evidências mais antigas eram do ano 250 d.C., embora existissem restos cerâmicos de pelo menos um século antes.

Segundo ele, o palácio descoberto está conformado “por quartos com muros de quase um metro de largura, cujas esquinas são arredondadas, um traço precoce da arquitetura maia”.

Fonte: IG/ EFE

(Meteoritos contêm componentes de DNA criados no espaço, diz Nasa)

Pesquisadores da Nasa (agência espacial americana) encontraram provas de que os meteoritos podem conter estruturas de DNA que foram geradas no espaço.

Componentes de DNA são detectados em meteoritos desde os anos 1960, mas os cientistas tinham dúvidas se eles realmente se originavam no espaço ou se vinham por meio de uma contaminação de vida terrestre.

Pela primeira vez, provas nos dão a certeza de que estes compostos de DNA foram de fato criados no espaço“, diz Callahan, autor do estudo publicado na versão on-line do “PNAS”, na segunda-feira (8).

Anteriormente, cientistas do Centro Espacial Goddard descobriram aminoácidos em amostras do cometa Wild 2, além de vários meteoritos ricos em carbono.

Os aminoácidos são usados na produção de proteínas, moléculas essenciais à vida, que estão presentes em tudo, desde estruturas capilares até enzimas –catalisadores que aceleram ou regulam reações químicas.

Meteoro

Os dados mais recentes indicam que determinados componentes de DNA chamados de nucleobases –blocos de construção do código genético– chegam à Terra por meio de meteoritos em uma diversidade e quantidade que supera a anteriormente imaginada.

Essa descoberta significa que o ambiente interno de asteroides e cometas é capaz de abrigar moléculas biológicas essenciais.

No novo estudo, um grupo analisou amostras de 12 meteoritos ricos em carbono, nove dos quais foram retirados da Antártida, que indicaram a existência de adenina e guanina. As duas se conectam a outro par para formar os “degraus da escada” de um DNA.

Os pesquisadores também identificaram em dois meteoritos, pela primeira vez, traços de três moléculas relacionadas a nucleobases, sendo que dois quase nunca são usados em biologia –as nucleobases análogas–, o que provaria que as substâncias dos meteoritos vieram do espaço e não de uma contaminação terrestre.

Fonte: Folha.com

(Ateus fazem campanha para mostrar que são vítimas de preconceito)

Interessante a campanha da ATEA…

Gostei particularmente do anúncio “Religião não define caráter“. Nada mais verdadeiro!!!

Mas esse é o tipo de notícia que não dá pra deixar passar sem fazer algum comentário.

Primeiramente, é muito interessante ver a reação das pessoas frente a esse tipo de anúncio. Convenhamos, vemos o tempo inteiro outdoors dizendo “Deus é Fiel”, “Só Jesus salva” e coisas semelhantes e está tudo certo. Mas quando alguém resolve por num outdoor que todo mundo é ateu em relação ao “deus/deuses”  dos outros (o que é a mais pura e realista verdade quando estamos nos referindo ao senso comum em relação a deus e fé) as pessoas acham que é provocação. Por que?

Não há nada de errado nos anúncios, inclusive, não são mais  desrespeitosos do que um enorme “Só Jesus é a verdade” – que já vi por aí . Muito pelo contrário, são sacadas bem inteligentes que mostram o outro lado da moeda em relação a religião. É uma tentativa de conscientizar as pessoas de que nem todo mundo sente necessidade de acreditar num  “deus”, muito menos de seguir uma religião. Qual o problema nisso?

Só me chamou a atenção o fato do presidente da ATEA comparar o preconceito contra ateus com o preconceito contra negros, mulheres ou homossexuais. Menos… sério, bem menos… Se é pra falar em preconceito, vamos falar em preconceito religioso no geral ok? Eu não acho que os ateus sofrem muito mais preconceito do que os muçulmanos, ou até mesmo do que um católico perdido em meio a uma multidão evangélica (e vice-versa – e olha que o Jesus é o mesmo!!!)…

Além do mais, sejamos honestos. Já que o problema é preconceito, acesse sites ateus/céticos, assista os documentários do Dawkins ou vá a feiras/encontros/congressos desses grupos e veja o tipo de provocação sarcástica que costumam fazer em relação as pessoas que acreditam em “deus” ou são religiosas. São piadas extremamente agressivas, normalmente insinuando que só ignorantes ou pessoas praticamente irracionais (ou que gostam de nutrir o pensamento mágico, como preferirem) podem conseguir acreditar numa fábula como “deus” ou seguir uma religião. Tem até canal ateu (com vídeos no Youtube) praticamente dedicado a tirar sarro da crença alheia. Uma boa ideia para os ateus que se sentem vítimas de preconceito é talvez controlar o seu próprio preconceito em relação a crença dos outros. Dar o exemplo, sabe?

Então temos o seguinte: os ateus acham os religiosos/espiritualistas ilógicos e irracionais e esses, por sua vez, acham os ateus amorais e possivelmente perversos. Bem, tendo em vista que os ateus normalmente se consideram mais intelectualizados/eruditos/lógicos e racionais do que o restante das pessoas (vide o teor das piadas/livros/artigos/comentários/documentários que criam), não seria mais lógico que ao invés de lamentarem o “enorme” preconceito supostamente sofrido eles dessem o exemplo, sendo pessoas verdadeiramente morais, éticas, humanistas, dedicadas a defenderem seus pontos de vista sem que para isso precisem ridicularizar ou até mesmo agredir as crenças dos outros? (Essa campanha é legal porque faz exatamente isso: defende de maneira educada outro ponto de vista… melhor assim)

Convenhamos, nós entendemos as razões dos religiosos em serem assim… A maioria das pessoas segue uma religião por puro condicionamento, tradição, criação, meio. Nasci no Brasil, sou católica (ou de alguma outra religião cristã), nasci na Índia sou hinduísta etc. Normalmente a religião é tão acidental quanto a língua que a pessoa fala. E como a religião demanda uma crença absoluta, e como por séculos esteve não apenas  associada, mas era quem criava e observava as regras de conduta, é óbvio que na mente da maioria religião é sinônimo de ordem, moralidade, ética. Não é da noite pro dia que se muda a mentalidade das pessoas, ainda mais uma mentalidade que é antiga…Eu só penso que a melhor forma de fazer as pessoas entenderem um pensamento diferente, como no caso do ateísmo, é pelo exemplo. Fazer piada ou comparações cínicas normalmente só fazem com que o preconceito se aprofunde ainda mais. É possível criticar um pensamento, argumentar contra, sem insinuar que a pessoa autora do pensamento é burra ou um macaco melhorado. Sério.

Particularmente também não defendo religião, mas sou plenamente a favor da religiosidade, da espiritualidade. Sei que espiritualidade não é algo em que se acredita, mas que se vive, se experimenta e sente. “Deus” não precisa de religião, e os mensageiros jamais devem ser mais importantes do que a mensagem (logo, a idolatria ao mensageiro é uma forma de perder a verdade que ele intencionava que fosse compreendida).

Já disse isso no Inconsciente outras vezes e repito: as brigas sobre “deus” nada mais são do que brigas por conceitos. Um concorda com determinado conceito, outro não. Isso só é problema quando deus é crença, é religião, é sistema filosófico, é o que o pai ou a mãe ensinou. E os ateus provam que são também crentes na inexistência de deus no momento que acham que é um problema o conceito oposto. Dois lados, uma única e mesma moeda. Precisa mais lógica que isso?

Ah,  e pra fechar meu comentário, gostaria de enumerar alguns grandes cientistas e filósofos da História, que eram também dedicados a “crenças religiosas irracionais”, numa tentativa de esclarecer que crença religiosa tem muito pouco ou mesmo nada a ver com nível intelectual ou estudo -  frequentemente é uma crença puramente emocional.

Dá pra fazer boa Ciência mesmo sendo religioso, viu? Alguém avise o Dawkins. Vamos lá:

- Isaac Newton: astrônomo, físico e… Alquimista e Teólogo;

- Nicolau Copérnico: astrônomo, matemático e… Astrólogo e Cônego da Igreja Católica;

- Johannes Kepler: astrônomo, matemático e… Astrólogo;

- Blaise Pascal – físico, matemático, filósofo e… Teólogo;

- Guilherme de Ockham – criador da teoria “Navalha de Occam” (idolatrada por céticos e ateus do mundo todo), foi um lógico (sim, pasme), teólogo e frade franciscano;

- Francis Bacon – filósofo, considerado o “fundador da Ciência Moderna” e… Rosacruz e Alquimista;

- Giordano Bruno – inesquecível, além de filósofo e contestador do status quo, foi Teólogo e Frade Dominicano;

Se alguém lembrar mais nomes, por favor, comente!!! ;-)

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“Somos a encarnação do mal para grande parte da sociedade”, diz presidente da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (ATEA)

A campanha era para ser veiculada na parte traseira dos ônibus, mas empresas de São Paulo, Salvador, Florianópolis e Porto Alegre se recusaram a fazê-lo. A saída foi utilizar outdoors. Pelo menos em Porto Alegre, que desde o começo do mês é a primeira cidade brasileira a exibir uma campanha que defende o ateísmo.

Afinal, o que há de tão problemático com os anúncios? De acordo com Daniel Sottomaior, presidente da organização responsável pela campanha, o que incomoda é o conteúdo. Ele diz que as mensagens foram feitas com o objetivo de conscientizar a população de que o ateísmo pode conviver com outras religiões e não deve ser encarado como uma deficiência moral. “Todos os grupos que sofrem algum tipo de preconceito procuram fazer campanhas educativas para tentar minimizar o problema. Foi o que fizemos”, afirma.

Diante das mensagens veiculadas nos outdoors, as reações foram variadas. “Foram interpretadas como provocação por alguns grupos religiosos. Além disso, muitos acharam de mau gosto ou preconceituoso. Acho que isso foi coisa de quem não entendeu ou não quis entender”, diz. Daniel diz que seu objetivo é mostrar que ser ateu é difícil. “As pessoas ficam chocadas quando você revela que não acredita em um deus. Muitos chegam a perder emprego e, principalmente, amigos”.

Punição
Para o sociólogo americano e estudioso das religiões Phil Zuckerman o ateísmo ainda é fonte de muito preconceito. Segundo ele, ateus sofrem até mesmo perseguições. “Mesmo atualmente, em algumas nações, ser ateu é passível de punição com pena de morte. Nos Estados Unidos existe um forte estigma em ser ateu, principalmente no sul, onde a religiosidade é mais forte”, conta.

No Brasil, um país laico, a intolerância pode aparecer nas situações mais improváveis. A professora da Universidade Federal de Minas Gerais Vera Lucia Menezes de Oliveira e Paiva perdeu um filho de dois anos, atropelado. Diante do sofrimento da família no velório da criança, Vera escutou uma frase que a deixou bastante magoada. “Uma amiga me disse: ‘Quem sabe isso não aconteceu para você aprender a ter fé?’. Isso apenas reforçou minha convicção de que eu não queria acreditar em nenhum deus que pudesse levar o meu filho inocente”, revela.

Apesar de tudo, Vera afirma que não se perturba com comentários acerca de sua escolha. “Acho natural que uma pessoa religiosa queira demonstrar sua fé. Entendo e convivo com pessoas bastante religiosas sem problema algum. Só não gosto quando ficam argumentando sobre o quanto é maravilhoso acreditar em Deus. Tenho direito a ter minha crença pessoal.Ou a falta dela.”

Daniel diz que atitudes como estas, vindas de amigos e familiares, fazem com que ateus não “saiam do armário”. Ele afirma que esta expressão, usada inicialmente para descrever homossexuais que ainda não se assumiram, encaixa-se perfeitamente no momento pelo qual o ateísmo vem passando. “Estamos atrasados uns 30 anos em relação à luta contra o preconceito, se compararmos com homossexuais ou negros. Sou bastante cético, mas tenho a esperança de que possamos alcançar o mesmo patamar daqui a algumas décadas”, revela.

Exagero
Há quem veja afirmações como as dada por Daniel como exagero. O filósofo Luiz Felipe Pondé, professor da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), considera ações como as desenvolvidas pela ATEA como marketing. “O preconceito diminuiu muito, principalmente nos meios universitários e empresariais. Acho a comparação de ateus com negros e homossexuais um exagero. Tem um pouco de marketing aí.”

Pondé admite que muitas pessoas ainda têm dificuldade em enxergar a possibilidade de uma vida sem um deus. “Muitos associam moral pública à religião. Isso também é um absurdo. Pessoas matam umas as outras acreditando ou não em Deus. O que acontece é que muitos ateus ficam alardeando coisas assim, mas acho que hoje o cenário já é bem diferente”, afirma.

Apesar de não ser tão enfático, Zuckerman admite que em alguns lugares do mundo o ateísmo não é mais visto como algo depreciativo. “Em muitas sociedades, como no Canadá e na Suíça, ser ateu não tem nada de mais. A Austrália, por exemplo, tem um primeiro-ministro ateu. Cada país tem uma dinâmica diferente.”

(Estátuas maias de 1,3 mil anos são encontradas no México)

Arqueólogos no México descobriram estátuas de 1,3 mil anos que aparentemente representam guerreiros maias da cidade de Copán. As esculturas foram encontradas no sítio arqueológico da cidade maia de Toniná (sul do México) – que, na época, estaria em guerra com Copán, que fica no atual território de Honduras.

As estátuas aparentemente reproduzem guerreiro capturados, com as mãos atadas às costas, em posição de humilhação, pouco antes de serem decapitados.

Os longos cabelos seriam usados para segurar-lhes a cabeça durante a execução. Arqueólogos acreditam que os homens reproduzidos nas esculturas foram enviados de Copán para Tonina numa missão, mas acabaram presos e provavelmente mortos.

Fotos:

Fonte: BBC Brasil/EFE

(Estudo identifica tribo que ‘não conhece conceito de tempo’)

Tribo Amondawa não tem uma palavra equivalente a tempo, nem mesmo para descrever períodos como mês ou ano

Pesquisadores brasileiros e britânicos identificaram uma tribo amazônica que, segundo eles, não tem noção do conceito abstrato de tempo.

Chamada Amondawa, a tribo não tem as estruturas linguísticas que relacionam tempo e espaço – como, por exemplo, na tradicional ideia de “no ano que vem”.

O estudo feito com os Amondawa, chamado “Língua e Cognição”, mostra que, ainda que a tribo entenda que os eventos ocorrem ao longo do tempo, este não existe como um conceito separado.

A ideia é polêmica, e futuras pesquisas tentarão identificar se isso se repete em outras línguas faladas na Amazônia.

O primeiro contato dos Amondawa com o mundo externo ocorreu em 1986, e, agora, pesquisadores da Universidade de Portsmouth (Grã-Bretanha) e da Universidade Federal de Roraima começaram a analisar a ideia de tempo da forma como ela aparece no idioma falado pela tribo.

“Não estamos dizendo que eles são ‘pessoas sem tempo’ ou ‘fora do tempo’”, explicou Chris Sinha, professor de psicologia da língua na Universidade de Portsmouth.

Pesquisadores estudaram a língua da tribo Amondawa

Pesquisadores estudaram a língua da tribo Amondawa

“O povo Amondawa, como qualquer outro, pode falar sobre eventos e sequências de eventos”, disse ele à BBC. “O que não encontramos foi a noção de tempo como sendo independente dos eventos que estão ocorrendo. Eles não percebem o tempo como algo em que os eventos ocorrem.”

Tanto que a tribo não tem uma palavra equivalente a “tempo”, nem mesmo para descrever períodos como “mês” ou “ano”.

As pessoas da tribo não se referem a suas idades – em vez disso, assumem diferentes nomes em diferentes estágios da vida, à medida que assumem novos status dentro de sua comunidade.

Mas talvez o mais surpreendente seja a sugestão dos pesquisadores de que não há interconexão entre os conceitos de passagem do tempo e movimento pelo espaço. Ideias como um evento que “passou” ou que “está muito à frente” de outro são comuns em muitas línguas, mas tais construções linguísticas não existem entre os Amondawa.

“Isso não significa que (as construções) estão além das capacidades cognitivas da tribo”, prosseguiu Sinha. “Apenas não são usadas no seu dia-a-dia.”

Quando os Amondawa aprenderam português – que está se tornando mais comum entre eles -, eles facilmente incorporam a noção do tempo em sua linguagem.

A hipótese dos pesquisadores é de que a ausência do conceito de tempo se origina da ausência da “tecnologia do tempo” – por exemplo, sistemas de calendário e relógios. Isso, por sua vez, pode estar relacionado ao fato de que, como muitas tribos, o sistema numérico detalhado dos Amondawa é limitado.

Termos absolutos

Tais argumentos não convencem Pierre Pica, linguista teórico do Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica (CNRS), que foca seus estudos em uma outra língua amazônica, conhecida como Mundurucu.

“Relacionar número, tempo e espaço por uma simples ligação causal parece sem sentido, com base na diversidade linguística que conheço”, disse ele à BBC News.

Pica diz que o estudo sobre os Amondawa “tem dados muito interessantes”, mas argumentos simplificados.

Sociedades pequenas como os Amondawa tendem a usar termos absolutos para relações espaciais normais – por exemplo, referir-se à localização específica de um rio que todos na comunidade conhecem bem, em vez de usar uma palavra genérica para rios.

Em outras palavras, enquanto os Amomdawa podem ver a si mesmos se movendo através de arranjos temporais e espaciais, seu idioma talvez não reflita isso de uma maneira óbvia.

Novos estudos devem aprofundar o conhecimento sobre o assunto, diz Sinha.

“Queremos voltar (à tribo) e verificar (a teoria) novamente antes que a língua desapareça – antes que a maioria da população comece a aprender desde cedo a usar sistemas de calendário.”

Fonte: BBC Brasil

(Ritual sobre brasas faz corações baterem em sincronia)

Estudo mostrou que parentes e amigos daqueles que caminhavam sobre as brasas tiveram batimentos quase idênticos ao do caminhante

Até onde os moradores da pequena vila espanhola de San Pedro Manrique conseguem se lembrar, o povo dali caminha sobre o fogo.

Eles o fazem todo 23 de junho, à meia-noite, celebrando o solstício de verão ao cruzar um tapete de 7 metros de brasas de carvalho – que, após horas queimando, adquiriram um vermelho incandescente. O evento é repleto de pompa e simbolismo: procissões com estátuas religiosas, trombetas soando antes de cada caminhada sobre o fogo, e três virgens (atualmente, três mulheres solteiras).

Assim, quando cientistas quiseram medir o efeito fisiológico de andar sobre brasas para ver se havia escoras biológicas de rituais populares, eles encontraram alguns obstáculos.

“Falamos em medir a pressão arterial, os níveis de cortisona, a tolerância à dor”, contou Ivana Konvalinka, doutoranda em bioengenharia da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, que liderou a equipe. “Falamos até mesmo da ocitocina”, hormônio vinculado ao prazer.

Mas com a dificuldade de se obter tais leituras, eles se conformaram com os batimentos cardíacos – prendendo monitores nos “caminhantes” e espectadores, para ver se os batimentos do público aumentariam como o das pessoas caminhando descalças sobre brasas.

Pesquisadores investigaram o que há em rituais públicos, como a caminhada sobre brasas, que aumentam a coesão de um grupo

Pesquisadores investigaram o que há em rituais públicos, como a caminhada sobre brasas, que aumentam a coesão de um grupo

Porém, até mesmo persuadir as pessoas a usar monitores cardíacos não foi fácil. Antes de chegar, a equipe de pesquisa com antropólogos, psicólogos e especialistas em religiões havia recebido a permissão do prefeito de San Pedro Manrique. Depois ele hesitou, segundo Konvalinka.

“Ele nos disse que, se conseguíssemos recrutar pessoas, então tudo bem”, afirmou ela, “mas ele não aprovava e disse às pessoas que não participassem”.

Algumas pessoas desistiram ou se recusaram, incluindo aquelas que os caminhantes do fogo carregavam nas costas – grupo que os pesquisadores haviam pensado em monitorar. Mas outros abordaram os pesquisadores de última hora. Finalmente, eles monitoraram 12 caminhantes e 17 espectadores que estavam apenas visitando. O prefeito também pediu que os monitores fossem escondidos, ficando invisíveis à multidão que preencheu o anfiteatro especial da cidade para o evento, construído para 3 mil pessoas – cinco vezes o número de moradores locais.

Os pesquisadores queriam investigar o que atrai as pessoas a rituais públicos como a caminhada sobre brasas. “Existe a ideia de que os rituais aumentam a coesão do grupo, mas o que cria esse grupo?” questionou Konvalinka. “Supusemos a existência de algum tipo de medição autônoma do sistema nervoso que pudesse capturar os efeitos emocionais do ritual”.

Os resultados surpreenderam a todos. Os batimentos de parentes e amigos dos caminhantes sobre as brasas seguiram um padrão quase idêntico aos batimentos dos próprios caminhantes, subindo e descendo quase em sincronia – o que não ocorreu com os batimentos dos espectadores visitantes. Os batimentos de parentes se mantiveram sincronizados ao longo do evento, que durou 30 minutos, com 28 participantes realizando travessias de 5 segundos. Os batimentos cardíacos de parentes e amigos se igualaram aos dos participantes o tempo todo – antes, durante e após as travessias. Mesmo pessoas ligadas a outros caminhantes demonstraram padrões similares.

Especialistas não envolvidos no estudo disseram que, apesar do número reduzido de participantes, os resultados eram intrigantes. Eles agregam a pesquisas mostrando os batimentos de fãs de esportes de equipe quando seus times marcam e estudos demonstrando que pessoas em cadeiras de balanço ou batucando os dedos eventualmente sincronizam seus movimentos.

“É apenas um estudo, mas é muito bom”, disse Michael Richardson, professor-assistente de psicologia da Universidade de Cincinnati. “Ela mostra que a conexão a outras pessoas não ocorre apenas na mente. Há esses momentos comportamentais fisiológicos, dos quais não estamos cientes, ocorrendo continuamente com outras pessoas. Existe uma sólida fundação de pesquisas laboratoriais que é completamente consistente com suas descobertas. É sempre difícil conduzir esses estudos no mundo real. Este é o primeiro caso de sucesso em escala relativamente grande, numa situação natural”.

Richard Sosis, professor de antropologia da Universidade de Connecticut, afirmou que o estudo era “bastante empolgante”, contradizendo a “suposição de que os rituais produzem coesão e solidariedade apenas quando há compartilhamento de vocalizações, movimentos e ritmos” – atividades como cantar, dançar ou marchar em conjunto. Com o caminhar sobre brasas, os espectadores apenas observavam, sem compartilhar qualquer atividade ou ritmo com os participantes. E diferentes tipos de espectadores mostraram resultados distintos, com os locais em sincronia, mas não os visitantes.

Segundo Sosis, coeditor de uma nova publicação, “Religion, Brains and Behavior”, pode haver paralelos com rituais mais comuns, como casamentos, batismos ou bar mitzvahs. Ele citou um experimento em que Paul Zak, neuroeconomista, compareceu a um casamento e mediu os níveis de ocitocina da noiva, do noivo e de alguns parentes e amigos, descobrindo que muitos deles experimentaram picos de ocitocina – como se possuíssem um vínculo com o casal.

David Willey, físico da Universidade de Pittsburgh, em Johnstown, pratica a caminhada sobre brasas. Ele argumenta que a prática geralmente não queima, pois as brasas não transmitem calor suficiente em seu breve contato com os pés. A sincronização dos batimentos cardíacos faz sentido, disse ele, comentando seus encontros de caminhar sobre o fogo – onde “existe um acentuado sentimento de grupo”.

Pesquisadores podem encontrar sincronizações similares em outros rituais provocativos, como “dobrar barras de aço com o pescoço, caminhar sobre cacos de vidro e bungee jump”, declarou. “Eles podem vir ao meu quintal, se quiserem”.

Konvalinka declarou que a equipe pretende conduzir outro estudo sobre o caminhar em brasas, desta vez nas Ilhas Maurício. Mas também poderão retornar a San Pedro Manrique. “No final das contas”, disse ele, “acho que o prefeito não ligou de estarmos lá”.

Fonte: Último Segundo/The NYT

(Filhos de ateus buscam a fé fora de casa)

Nem sempre os filhos seguem a religião dos pais. E quando os pais não têm religião, a coisa não é diferente

Larissa Queiroz recebe uma carta de uma instituição filantrópica e, dentro do envelope, descobre um terço de plástico de brinde. A filha Beatriz, de sete anos, adora a novidade e coloca no pescoço na mesma hora. “Expliquei que aquilo não era um colar, disse do que se tratava e me parece que ela ficou ainda mais interessada”, conta a mãe recifense que vive em São Paulo. Desde então, a pequena pede para rezar toda noite. Outro dia, convenceu o pai a levá-la a uma missa pela primeira vez.

As novas gerações de céticos, agnósticos e ateus não casam na igreja, não batizam seus filhos, nem têm religião ou falam de fé. Eles simplesmente desconsideram a existência de Deus. “Esse assunto jamais foi tocado aqui casa, inclusive escolhemos a escola com base nisso. Descartamos todas aquelas com qualquer enfoque religioso”, completa Larissa.

Mas isso não impede que, em alguns casos, seus filhos sintam a necessidade e até cobrem uma discussão sobre fé e religião. De acordo com Eduardo Rodrigues da Cruz, professor do Programa de pós-graduação em Ciências da Religião da PUC de São Paulo, os psicólogos cognitivos tem estudado o assunto com crianças de várias faixas etárias. “Suas conclusões: todos somos naturalmente teístas, e, à medida que crescemos, vamos diversificando nossas posturas”, afirma o doutor em teologia, que também é mestre em física. Ou seja, para ele, a fé é uma postura “natural”, que é racionalizada conforme amadurecemos.

Marina, como seus pais, não tinha religião. Mas acabou se convertendo depois de conhecer o namorado Bernardo

Marina, como seus pais, não tinha religião. Mas acabou se convertendo depois de conhecer o namorado Bernardo

Crente por natureza
O polêmico cientista britânico Richard Dawkins também defende essa ideia. Conhecido como ‘devoto de Darwin’, em seu bestseller “Deus, um delírio”, o autor sugere que todas as crianças são dualistas (aceitam que corpo e alma sejam duas coisas distintas) e teleológicas (demandam designição de um propósito para tudo) por natureza. Assim, o darwinista dá conta de explicar o que poderíamos chamar de hereditariedade religiosa na qual, inevitavelmente, acabamos por seguir a opção de fé de nossos pais. Só que nem sempre é assim.

Em uma noite de mais de uma hora de apagão, escuro total e absoluto, Beatriz, a filha de Larissa, teve uma ideia: “vamos rezar para a luz voltar”. “Eu lógico, relutante, tentei explicar que não adiantaria, mas ela insistiu, insistiu e rezamos. Um minuto depois, a luz voltou”, descreve. Em seu blog, Larissa desabafa: “será que temos como evitar isso? Estou achando que não”.

Marina de Oliveira Pais, carioca, é filha de pai ateu. Sua mãe, assim como muitos brasileiros, foi batizada, mas não pratica nenhuma religião. “Minha mãe não sabe dizer de que doutrina é, por isso também nunca soube muito bem no que acreditar. Eu tinha fé na ‘força do pensamento’, que se pensássemos positivo atrairíamos coisas positivas e se pensássemos negativo atrairíamos coisas negativas”, diz a jovem de 22 anos.

Quando decidiu morar sozinha pela primeira vez, Marina conheceu Bernardo Nogueira, de 20 anos. Apaixonada, ela conseguiu resistir aos convites da família do namorado para ir a uma igreja evangélica só por alguns meses. Mas relata que, já na primeira vez que assistiu ao culto, teve certeza de que estava no lugar certo. “Fiquei maravilhada”, descreve.

Ela então mudou drasticamente seu estilo de vida. “Cortei a bebida, as baladas e os palavrões. Hoje meus pais respeitam minha situação de convertida justamente por essas minhas mudanças comportamentais”, afirma.

Sentir-se acolhida em uma doutrina que se baseia na Bíblia é justamente o que importa hoje para Jaqueline Slongo, de 23 anos. Depois de um tempo separados, ela voltou a viver na cidade natal de Curitiba com o pai ateu. Ironicamente, por conta de uma bolsa de estudos, a então adolescente foi estudar em um colégio católico. O retorno à cidade grande, onde as desigualdades sociais são mais gritantes, o descobrimento da Bíblia e a fase de mudanças, levantaram muitos questionamentos. “Comecei a me questionar sobre a existência de Deus, fazia perguntas para as freiras do colégio, mas as respostas não me saciavam”, lembra.

Black out
Jaqueline começou a achar que havia alguma coisa errada entre o que lia e o que pregavam suas ‘instrutoras espirituais’. “Elas me mandavam rezar, mas eu não curtia”, confessa. Seu pai viajava muito e, como não acreditava em Deus, a filha preferia não falar sobre o assunto com ele. O processo foi sofrido, e aconteceu em meio às transformações da adolescência, à ausência dos pais, e à angústia causada por sintomas de depressão. “Eu era muito agressiva, rebelde, intolerante. Não tinha amigos e sempre me isolava”, conta.

Ela então buscou alívio e conforto na religião. Hoje, a estudante se considera protestante, mas passou por diversas comunidades cristãs diferentes. Diz que não se importa com rótulos, mas sente que é preciso estar em grupo. “Acho importante a vivência em comunidade, pois é no relacionamento com outros que seu caráter se constrói”, afirma.

Com o pai, ficou cinco anos sem poder comentar nada sobre sua fé. Até que, há três meses, consciente da mudança espiritual da filha, ele lhe pediu que comentasse, ‘de forma sucinta’, no que exatamente ela acreditava. A partir de então, ela diz, ele tem pedido que também reze por ele.

Fonte: Ig/Jaqueline Li

(Documentário investiga preferência de meninas por tons rosa)

A princípio talvez possa parecer uma preocupação meio boba, mais um estudo (aparentemente) inútil em meio a tantos outros.

Mas um questionamento muito interessante levantado pelo documentário é que a relação entre a cor rosa e o feminino pode estar mais relacionada com decisões de marketing do que com alguma diferença neuro-psico-emocional significativa entre os sexos… e que o uso do rosa como “cor de menina” pode ser um tanto preocupante quando se observa que também direciona mais as meninas a certos tipos de brinquedos do que a outros…

Não que esteja errado ou seja prejudicial as meninas gostarem de bonecas! Ou de rosa…  O problema não é a cor em si (que particularmente acho linda, apesar de não ser a minha preferida!), o problema é se o tipo de mensagem que pode ser vendida ou associada a ela, a partir do momento que se condiciona que “rosa é de menina”, realmente é o “melhor conceito” de feminilidade…

As partes que considerei mais interessantes estão grifadas!

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Entre os motivos para o gosto pela cor está a pressão da indústria de brinquedos

Um documentário da BBC ouviu cientistas, pais e um profissional ligado à indústria de brinquedos na tentativa de estabelecer por que meninas preferem a cor rosa.

Quando se trata de explicar essa preferência, especialistas não conseguem chegar a um consenso: estudos para determinar se o gosto por certas cores seria cultural ou genético apresentaram resultados contraditórios.

Porém, pais e profissionais estão preocupados com a forma como a indústria vem usando a cor rosa para manipular o comportamento das crianças, influenciando suas escolhas por alguns tipos de brinquedos em detrimento de outros.

Interesse pela cor seria decorrente de influência do mercado

Interesse pela cor seria decorrente de influência do mercado

Estudos
Em 1893, um estudo com 450 mil pessoas feito em Chicago, nos Estados Unidos, concluiu que a maioria das pessoas, homens e mulheres, gosta da cor azul, e que mulheres gostam também do vermelho.

Mais recentemente, investigações feitas por Anya Hurlbert, uma neurocientista da Newcastle University, em Newcastle, no nordeste da Inglaterra, pareceram confirmar o estudo feito em Chicago.

“Existe uma tendência universal de preferência pelo azul e de rejeição de verdes amarelados”, disse Hurlbert. “Homens e mulheres reagiram positivamente a componentes azul-amarelos. Mulheres também reagiram positivamente aos vermelhos-verdes”.

Partindo desses resultados, a neurocientista vai um pouco mais além e acredita ter encontrado a explicação para a preferência feminina pelo rosa:

“Quando você combina essas duas tendências, obtém o rosa”, ela disse.

E ao tentar explicar a origem dessa afinidade, Hurlbert sugere que talvez essa preferência tenha raízes na pré-história, quando habitávamos cavernas.

“As mulheres saíam para procurar frutas, por isso desenvolveram uma maior sensibilidade para tons avermelhados”.

Outros especialistas, no entanto, discordam da teoria de Hulbert e a qualificam de simplória. Steve Palmer, psicólogo da Stanford University, na Califórnia, Estados Unidos, fez vários estudos sobre o assunto e concluiu que as cores de que gostamos dependem das coisas de que gostamos.

“A base para nossas preferências são as interações emocionais com objetos à nossa volta”, disse Palmer.

As pesquisas de Palmer parecem confirmar resultados de estudos feitos pela psicóloga Melissa Hines, da Universidade de Cambridge, na Grã-Bretanha.

Círculo Vicioso
Hines e sua equipe estão tentando determinar a origem da preferência das meninas pelo rosa. O trabalho ainda está em andamento, mas resultados preliminares sugerem que a preferência não seria resultado da influência dos pais e, sim, de indústrias que vendem produtos para crianças.

Hines descreveu o processo: “Meninas têm afinidade em relação a certos brinquedos”, disse. “Elas preferem bonecas, por exemplo, enquanto meninos preferem carros, caminhões e armas”.

“Os brinquedos com que meninos e meninas têm afinidade são oferecidos em cores diferentes”.

“Portanto, como elas gostam de brincar com aqueles brinquedos, começam a gostar daquelas cores”.

Hines explica também que, entre os três e seis anos de idade, as crianças não têm certeza de que sua identidade sexual é permanente.

“Nessa idade, elas acham que vão mudar de sexo se brincarem com os brinquedos errados, então, são bastante rígidas em relação ao tipo de brinquedo e à cor”.

Ela admite que os pais exercem algum papel nesse processo, já que são eles que compram os brinquedos. “Os pais compram os brinquedos, mas nós achamos que são os colegas quem exerce maior pressão. A influência dos colegas nessa idade é muito grande, maior do que a dos pais”.

Segundo Hines, os pais tendem a querer o que os filhos querem: se a filha quer um brinquedo rosa, há grandes chances de que seus pais comprem o brinquedo daquela cor.

“Isto se torna um círculo vicioso”, disse Hines. “A criança quer uma coisa rosa, os pais compram a coisa rosa, a criança aprende a gostar da coisa rosa”.

Marketing

Registros históricos mostram que, no início do século 20, rosa era cor para meninos. Segundo o consultor da indústria de brinquedos Richard Gottlieb, a cor passou a ser considerada “feminina” nos anos 50.

Ele vê com preocupação a forma como a indústria vem usando o rosa para direcionar as meninas a certos tipos de brinquedos.

O consultor fez um estudo com 1.500 mães e suas filhas. Ele perguntou a elas com que tipo de brinquedos brincavam quando crianças.

“Percebemos que houve uma queda no número de meninas brincando com brinquedos de montar, carros, caminhões e brinquedos científicos”, disse Gottlieb. “São brinquedos que, na verdade, deveriam ser considerados neutros”.

Ou seja, as meninas estão sendo incentivadas a ficar longe dos brinquedos neutros – que ajudam a criança a desenvolver a inteligência analítica e espacial – e a cor rosa é usada para sinalizar que brinquedos elas devem escolher.

E ao que parece, o uso do rosa como instrumento de marketing já não se restringe ao público infantil.

“Há exemplos hoje de produtos tipicamente associados a adultos, que não são específicos de um sexo em particular, mas que estão sendo oferecidos na cor rosa”, disse à BBC a especialista em varejo Claire Rayner.

“Você pode comprar geladeiras, forno de micro-ondas, liquidificadores, carros e até telefones celulares na cor rosa”.

“Me parece que cores se tornaram parte integral da estratégia de venda dos comerciantes”. A feminilidade está sendo vendida às meninas – e também às mulheres – em embalagens cor-de-rosa. Mas a cor em si não parece ser o problema.

O que preocupa psicólogos, pais e outros profissionais é o conceito de feminilidade que vem embutido no pacote.

Fonte: BBC Brasil/Último Segundo