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Josep Campbell

Josep Campbell

“Uma mitologia pode ser compreendida como uma organização de figuras mitológicas, conotativas de estados mentais que não pertencem em última instância a esse ou àquele local, embora as figuras em si pareçam, na superfície, sugerir uma localização concreta. As linguagens metafóricas da mitologia e da metafísica não são denotativas de mundos e deuses reais, mas sim conotam níveis e entidades dentro da pessoa por elas tocada. As metáforas só parecem descrever o mundo exterior do tempo e lugar. Seu universo real é o mundo espiritual da vida interior. O Reino de Deus está dentro de você.”

Joseph Campbell

Já cansei de ver em vários sites de ateísmo, fotos ou a citação do nome Joseph Campbell como sendo um “ateu famoso”. Da mesma forma, já vi o nome dele em sites “nova era” ou que pregavam um pseudomisticismo fazerem o mesmo. Porém, você pode estar se perguntando, quem está com a razão? Bem, é esta a intenção deste post, esclarecer que ambos estão profundamente equivocados: o prof. Campbell não era a favor da “fé religiosa” como normalmente é compreendida e praticada, muito menos era ateu.

Sim, Joseph Campbell não era ateu.

Só faz uma alegação estapafúrdia de que ele era ateu, os ateus que jamais tocaram em um único livro de Campbell. Que nunca sequer leram um artigo ou uma entrevista dele. Ateus e céticos que se contentam com o que leram de um outro colega que também havia lido de outro que, por sua vez, achava que Campbell era ateu. Estranhamente, apesar de se julgarem tão “científicos” e “racionais”, cometem os mesmos pecados daqueles de fé cega em um Deus antropomorfizado: só lêem e vêem aquilo que desejam ler e ver, aquilo que é mais conveniente para a manutenção de suas crenças pessoais.

Pois bem. Joseph Campbell era ateu em relação à maneira convencional de se entender Deus. Ele era ateu para a definição de que Deus está no céu, é do sexo masculino, está vendo tudo o que está acontecendo, que escolhe um povo ao invés de outro, que diz que uma religião é mais certa do que outra, que pune os “pecadores” e “infiéis”, que faz o time da França ganhar e o do Brasil perder, entre outras. É à essa noção ridícula e risível de Deus que Joseph Campbell era ateu. Mas isso não quer dizer, em absoluto, que ele não acreditava em “deus”. Na verdade, pelo simples fato de ele ter sido um mitólogo, um dos mais renomados do mundo, a visão que ele tinha de “deus’, e portanto a sua crença “nele”, é completamente diferente.

Em “The Hero’s Journey”, dvd que fala um pouco sobre a vida e obra do professor, ele diz, de maneira bastante enfática (assim como repete várias vezes ao longo de seus livros): “Deus é uma metáfora. Uma metáfora que transcende toda e qualquer categoria de pensamento humano, incluindo a do ser e não-ser.” Ou seja, deus jamais será o que você pensa ou puder imaginar que é. Ele, apesar de utilizarmos o “ele”, não possui sexo. A partir do momento que o nomeamos, nós o limitamos, qualquer definição que possamos inventar nada mais será que uma tentativa pequena, incrivelmente medíocre, de tentar explicar algo que está em nós e muito além de nós. Um mistério muito além do nosso raciocínio. Um mistério realmente transcendental.

Mas para ilustrar melhor isso tudo que estou afirmando, resolvi transcrever um capítulo do livro “Tu és Isso: Transformando a Metáfora Religiosa”, de Joseph Campbell, em que ele conta uma passagem de sua vida (bem engraçada por sinal) em que se deu conta de porque ateus e crentes estão igualmente equivocados.

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O Significado do Mito

Deixe-me começar, explicando a história de meu impulso  para colocar a metáfora no centro de nossa exploração da espiritualidade ocidental.

Quando o primeiro volume do meu “Historical Atlas of World Mythology: The Way of Animal Powers” foi publicado, os editores me enviaram numa turnê publicitária. É o pior tipo de turnê possível porque você tem de se encontrar, sem a menor vontade, com locutores de rádio e repórteres, eles próprios indispostos a ler o livro sobre o qual devem conversar com o entrevistado, para gerar visibilidade.

A primeira pergunta que faziam era sempre: “O que é um mito?” É um bom começo para uma conversa inteligente. Em uma cidade, porém, entrei em uma estação de rádio para um programa de meia hora, ao vivo, em que o entrevistador era um jovem com ar de astuto e que imediatamente me alertou: “Sou difícil, já vou lhe avisando. Estudei Direito.”

A luz vermelha acendeu e ele começou, argumentativo: “A palavra ‘mito’ significa ‘uma mentira’. Mito é uma mentira.” Repliquei com a minha definição de mito. “Não, mito não é uma mentira. Uma mitologia completa é uma organização de imagens e narrativas simbólicas, metafóricas das possibilidades de experiência humana e da realização de determinada cultura em certo momento.”

“É uma mentira”, ele retrucou.

“É uma metáfora.”

“É uma mentira.”

Isso continuou por uns vinte minutos. Quatro ou cinco minutos antes do fim do programa, percebi que o entrevistador não sabia o que era uma metáfora. Resolvi tratá-lo da mesma maneira como estava sendo tratado.

“Não”, eu disse. “Eu lhe digo o que é metafórico. Dê-me um exemplo de metáfora.”

Ele respondeu: “Dê-me você um exemplo.”

Eu resisti. “Não, agora eu estou fazendo a pergunta.” Eu não tinha lecionado por trinta anos à toa. “E eu quero que você me dê um exemplo de uma metáfora.”

O entrevistador ficou totalmente pasmo e chegou a dizer: “Vamos chamar um professor”. Finalmente, depois de um minuto e meio, ele se recompôs e disse: “Vou tentar. Meu amigo John corre muito. Dizem que ele corre como um veado. Isso é uma metáfora.”

Enquanto se passavam os últimos segundos da entrevista, eu repliquei. “Isso não é uma metáfora. A metáfora seria: John é um veado.”

Ele revidou: “Isso é uma mentira.”

“Não”, eu disse. “Isso é uma metáfora.”

E  o programa terminou. O que esse incidente sugere sobre a nossa compreensão de metáfora?

Ele me fez refletir que metade da população mundial acha que as metáforas de suas tradições religiosas, por exemplo, são fatos. E a outra metade afirma que não são fatos, de forma alguma. O resultado é que temos indivíduos que se consideram fiéis porque aceitam as metáforas como fatos, e outros que se julgam ateus porque acham que as metáforas religiosas são mentiras.

“Aí está o esboço de uma fábula que será popular entre os jovens de toda a parte: um homem viaja muito, está quase sempre sozinho. Procura consolo espiritual e evita serviços chatos. É mais inteligente que os pais e a maioria das pessoas que ele conhece. Topa com diversas pistas, estranhamente encantadoras, de que o consolo espiritual pode mesmo ser encontrado.”

(Kurt Vonnegut)

Prof. Campbell, 1984

Prof. Campbell, 1984

Já em outros posts falei um pouco sobre Joseph Campbell: num, traduzi uma lista de livros que ele recomendava aos seus alunos de faculdade, e noutro trouxe os “mandamentos para se ler mitos“. Porém, esses posts serviam mais aos que já conhecem ou estão familiarizados com a obra de Campbell do que àqueles que nunca ouviram falar dele.

Pois bem! O prof. Campbell é muito conhecido no hemisfério norte, particularmente nos EUA, onde nasceu. Ficou famoso por ser um estudioso de mitos que entendeu a mitologia de uma maneira muito mais profunda e universalista. O seu trabalho ficou mundialmente conhecido com a publicação de “O Herói de Mil Faces” em 1949, (livro de cabeceira de roteiristas, produtores e diretores de cinema e televisão, o mais conhecido sendo George Lucas) onde ele esboça pela primeira vez a sua teoria do “Monomito” (termo esse que pegou emprestado de James Joyce, um de seus autores favoritos), que é também conhecida como a “Jornada do Herói”. Segundo Campbell, todos os mitos seguem a estrutura do “monomito”, em algum grau. A tal estrutura é dividida em três fases: Partida (ou separação), Iniciação e Retorno. É a história básica do herói que recebe o “chamado para a aventura”, parte em busca do desconhecido, aprende coisas especiais/novas durante sua jornada, e depois retorna, para compartilhar com os outros o que aprendeu. É simples, porém extremamente eficaz: todo mundo se identifica com o herói que tem sua história contada a partir dessas três fases.

Mas neste post não pretendo discorrer sobre a tese de Campbell. A minha idéia aqui é dar um gostinho do que se pode encontrar em suas obras, especialmente a famosa entrevista que o jornalista Bill Moyers fez com o professor nos anos 80. Esta entrevista,  foi publicada tanto em livro como em DVD e se chama “O Poder do Mito“, e é considerada a melhor maneira de ser “iniciado” na obra de Campbell. Aqui, trago alguns trechos da entrevista, escolhidos por mim (sei que há muitos anos tem na internet uma seleção de trechos, mas o que trago aqui são algumas das partes que mais gostei do livro) para quem quiser saber por que deveria se importar com mitologia, e mais ainda, ler Joseph Campbell!

“A grande questão é quando você estará apto a dizer um sim sincero à sua aventura.”

(Joseph Campbell)

“Nós precisamos estar dispostos a nos livrar da vida que planejamos, para que possamos ter a vida que espera por nós.”

(Joseph Campbell)

Vamos ao prometido:

- “Para ele, (Joseph) mitologia era a ‘canção do universo’, ‘a música das esferas’ - música que nós dançamos mesmo quando não somos capazes de reconhecer a melodia. Ouvimos seus refrões, ‘quer quando escutamos, com altivo enfado, a ladainha ritual de algum curandeiro do Congo, quer quando lemos, com refinado enlevo, traduções de poemas de Lao Tsé, ou rompemos a casca de um argumento de S.Tomás de Aquino, ou apreendemos, num relance, o sentido radiante e bizarro de uma lenda esquimó.” (Bill Moyers)

“No Japão, durante um congresso internacional sobre religião, Campbell entreouviu outro delegado norte-americano, um filósofo social de Nova York, dizendo a um monge xintoísta: ‘Assistimos já a um bom número de suas cerimônias e vimos alguns dos seus santuários. Mas não chego a perceber a sua ideologia. Não chego a perceber a sua teologia.’ O japonês fez uma pausa, mergulhando em profundo pensamento, e então balançou lentamente a cabeça: ‘Penso que não temos ideologia’, disse. ‘Não temos teologia. Nós dançamos.” (Bill Moyers)

“A mitologia tem muito a ver com os estágios da vida, as cerimônias de iniciação, quando você passa da infância para as responsabilidades do adulto, da condição de solteiro para a de casado. Todos esses rituais são ritos mitológicos. Todos têm a ver com o novo papel que você passa a desempenhar, com o processo de atirar fora o que é velho para voltar com o novo, assumindo uma função responsável.” (Campbell)

“… Isto se chama desenvolvimento de uma religião. É como se vê na Bíblia. No início, Deus era apenas o mais poderoso entre vários deuses. Era apenas um Deus tribal, circunscrito. Então, no século VI, quando os judeus estavam na Babilônia, foi introduzida a noção de um Salvador do mundo, e a divindade bíblica migrou para uma nova dimensão. A única maneira de conservar uma velha tradição é renová-la em função das circunstâncias da época. No tempo do Velho Testamento, o mundo era um pequeno bolo de três camadas, que consistia de algumas centenas de milhas em torno dos centros do Oriente Próximo. Ninguém tinha ouvido falar dos astecas ou dos chineses. Quando o mundo se altera, a religião tem que se transformar.” (Campbell)

“A mitologia é a música. É a música da imaginação, inspirada nas energias do corpo. Uma vez um mestre zen parou diante de seus discípulos, prestes a proferir um sermão. No instante em que ele ia abrir a boca, um pássaro cantou. E ele disse: ‘O sermão já foi proferido.’” (Campbell)

“A única mitologia válida hoje é a do planeta - e nós não temos essa mitologia. Aquilo que mais se aproxima de uma mitologia planetária, pelo que sei, é o budismo, que vê todas as coisas como tendo a natureza do Buda. O único problema é chegar ao reconhecimento disso. Não há nada a fazer. A tarefa é apenas reconhecer e então agir em relação à irmandade de todas as coisas.” (Campbell)

“Todos os homens são dotados de razão. Esse é o princípio fundamental da democracia. Como toda a mente é capaz de adquirir um conhecimento verdadeiro, não é preciso que uma autoridade especial, ou uma revelação especial, lhe diga como as coisas deveriam ser.” (Campbell)

“… Os Hindus, por exemplo, não acreditam em revelação especial. Eles falam de um estado em que os ouvidos se abriram para a música do universo.” (Campbell)

“A história que temos no Ocidente, na medida em que se baseia na Bíblia, baseia-se numa visão de universo que pertence ao primeiro milênio antes de Cristo. Não está de acordo nem com nossa concepção do universo, nem com nossa concepção de dignidade humana. Pertence inteiramente a algum outro lugar.” (Campbell)

Uma coisa que se revela nos mitos é que, no fundo do abismo, desponta a voz da salvação. O momento crucial é aquele em que a verdadeira mensagem de transformação está prestes a surgir. No momento mais sombrio, surge a luz.” (Campbell)

“Pois bem, um dos grandes problemas da mitologia é conciliar a mente com essa pré-condição brutal de toda a vida, que sobrevive matando e comendo vidas. Você não consegue se ludibriar comendo apenas vegetais, tampouco, pois eles também são seres vivos. A essência da vida, pois, é esse comer-se a si mesma! A vida vive de vidas, e a conciliação da mente e da sensibilidade humanas com esse fato fundamental é uma das funções de alguns daqueles ritos brutais, cujo ritual consiste basicamente em matar - por imitação daquele primeiro crime primordial, a partir do qual se gestou este mundo temporal, do qual todos participamos. A conciliação entre a mente humana e as condições da vida é fundamental em todas as histórias da criação. Quanto a isso, todas se parecem muito.” (Campbell)

“- E o que sugere a idéia de reencarnação? (pergunta Moyers)

- Sugere que você é mais do que pensa. Existem dimensões do seu próprio ser e um potencial de realizações e ampliação da consciência que não estão incluídos no conceito que você faz de si mesmo. Sua vida é mais profunda e ampla do que você a concebe, aqui. O que você está vivendo é só uma fração infinitesimal daquilo que realmente se abriga no seu interior, aquilo que lhe dá vida, alento e profundidade. E você pode viver em termos dessa profundidade, e quando chega a essa experiência, você percebe, instantaneamente, que é disso que falam todas as religiões.” (Campbell).

“Nem em corpo nem em alma habitamos o mundo daquelas raças caçadoras do milênio paleolítico, a cujas vidas e caminhos de vida, no entanto, devemos a própria forma de nossos corpos e a estrutura das nossas mentes. Lembranças de suas mensagens animais devem estar adormecidas, de algum modo, em nós, pois ameaçam despertar e se agitam quando nos aventuramos em regiões inexploradas. Elas despertam com o terror do trovão. E voltam a despertar, com uma sensação de reconhecimento, quando entramos numa daquelas grandes cavernas pintadas.” (Campbell)

“Os índios se dirigiam a todo ser vivente como ‘vós’ - as árvores, as pedras, tudo. Você também pode se dirigir a qualquer coisa como ‘vós’, e se o fizer sentirá a mudança na sua própria psicologia. O ego que vê um ‘vós’ não é o mesmo que vê uma ‘coisa’. E quando se entra em guerra com outro povo, o objetivo da imprensa é transformar esse povo em ‘coisas’.” (Campbell)

Nossa vida desperta o nosso caráter. Você descobre mais a respeito de você mesmo à medida que vai em frente. Por isso é bom estar apto a se colocar em situações que despertem o mais elevado e não o mais baixo da sua natureza. ‘Não nos deixei cair em tentação’. ” (Campbell)

“Siga a sua felicidade e o Universo abrirá portas para você onde antes só havia paredes.”

Joseph Campbell

Quem nunca ouviu falar de casas ou outro lugares ditos “mal-assombrados”? Muitas pessoas certamente podem dizer que já moraram em uma casa assim, ou já foram vizinhos de algo do tipo! O canal Discovery Channel possui uma série de programas muito bem-sucedida (já estão na quinta temporada nos EUA) que fala exatamente sobre experiências assim, chamada: “Assombrações”. Evidentemente que boa parte das histórias relatadas no programa carecem de relatos e de testemunhas mais confiáveis, sendo utilizadas somente para “encher lingüiça” mesmo… porém outras histórias, as mais famosas e estudadas (com evidências documentadas em vídeo, áudio e foto) continuam sem explicação natural/racional. Serão mesmo espíritos? Em outra série de documentários feita pelo canal, desta vez apenas em países latinos e Espanha, chamada “Fator Desconhecido”, num dos últimos episódios, gravados no Chile, a história de um prédio construído em cima de um antigo cemitério acabou deixando até o mais famoso dos céticos, James Randi, sem palavras.  A população local e os moradores do prédio alegavam que este era mal-assombrado. Um grupo de jovens, com uma câmera na mão e a vontade de encontrar uma explicação para o fênomeno, iniciou uma pesquisa própria, que incluiu um vídeo que gravaram uma noite, na garagem do prédio. Este vídeo, gravado com uma filmadora comum no modo infravermelho, captou a imagem de uma criança, uma menininha, que não estava no local enquanto da gravação. A menina não possui pernas, porém pode-se vê-la nitidamente passando correndo (ou melhor, é isso o que se pode deduzir da cena). O mais estranho é o fato de ela aparecer em um frame do vídeo, e no seguinte desaparecer, algo que seria impossível se fosse uma criança “real” passando pelo local no meio da gravação. O vídeo foi enviado à vários laboratórios, incluindo o da Kodak, para verificação de sua autenticidade. Como era esperado, o vídeo é autêntico. O problema agora era explicar a aparição da menina. Pois bem, chamaram James Randi ( o tal cético profissional…) para analisar o vídeo, e qual foi a surpresa quando ele simplesmente ficou calado durante um momento, e depois disse: “não sei o que dizer”. Pois é. O mistério continua. No Youtube encontrei um vídeo sobre esse vídeo ( :-) ), em espanhol (não tem relação com o documentário, este não consegui encontrar… ainda!). O aúdio não tá uma brastemp, mas você poderá ver do que estou falando.

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E vamos ao nosso Top (traduzido e adaptado por mim do site ListUniverse):

10 - Castelo de Edimburgo (Edimburgo, Escócia)

Castelo de Edimburgo

O castelo de Edimburgo possui a reputação de ser um dos locais mais assombrados da Escócia. E a própria Edimburgo é chamada de a cidade mais assombrada de toda a Europa. Em várias ocasiões, visitantes do castelo relataram um tocador de gaita de foles fantasma, um tocador de tambor sem cabeça, os espíritos dos prisioneiros franceses da Guerra dos Sete Anos, prisioneiros de colônias da Guerra da Revolução Americana - até mesmo o fantasma de um cachorro vagando nos arredores do cemitério de cães.

9 - A Casa Branca (Washington, DC)

O lar dos presidentes dos Estados Unidos. É dito que se ouve o presidente Harrison procurando com afinco por sabe-se-lá o que no sótão da Casa Branca. O presidente Andrew Jackson acredita-se que assombre o seu quarto na Casa Branca. E o fantasma da primeira-dama Abigail Adams foi visto flutuando por um dos corredores da Casa Branca, como se estivesse carregando alguma coisa. Os avistamentos mais freqüentes de fantasmas presidenciais tem sido o de Abraham Lincoln. Eleanor Roosevelt uma vez declarou que acreditava sentir a presença de Lincoln a observando, enquanto trabalhava no quarto de Lincoln. Também durante a administração de Roosevelt, um jovem secretário alegou ter realmente visto o fantasma de Lincoln sentando-se na cama e tirando as botas.

8 - O Queen Mary (Califórnia)

O RMS Queen Mary é um transatlântico que navegou o Oceano Atlântico Norte de 1936 à 1967 pela Cunard Line (depois Cunard White Star Line). O Queen Mary foi adquirido pela cidade de Long Beach, Califórnia, em 1967, e transformado em um hotel. A área mais assombrada do navio é a casa de máquinas, onde um marinheiro de 17 anos foi esmagado até a morte tentando escapar de um incêndio. Batidas e pancadas nos canos ao redor da porta já foram ouvidas e gravadas por várias pessoas. No que é conhecido como a área da recepção do hotel, visitantes têm visto o fantasma de uma “dama de branco”. Fantamas de crianças são ditos que assombram a área ao redor da piscina.

7 - Sanatório de Waverly Hills (Kentucky)

O Sanatório Waverly Hills, localizado em Louisville, Kentucky, abriu em 1910 como um hospital de dois andares para acomodar de 40 a 50 pacientes tuberculosos. Ele ficou popular na televisão por ser um dos hospitais mais “assombrados” da parte leste dos Estados Unidos, tendo aparecido em vários canais internacionais. Os investigadores paranormais que já se aventuraram em Waverly relataram um grande número de fenômenos paranormais estranhos, incluindo vozes de origem desconhecida, lugares frios isolados e sombras inexplicáveis. Gritos foram ouvidos ecoando em seus agora abandonados corredores e aparições fugazes foram encontradas.

6 - A Torre de Londres ( Londres)

O Palácio Real e Fortaleza de Sua Majestade A Torre de Londres, mais comumente conhecida como a Torre de Londres (e historicamente simplicado para A Torre) é um monumento histórico na área central de Londres, Inglaterra, na margem norte do rio Thames. Talvez o mais conhecido residente fantasma é o espírito de Ana Bolena, uma das esposas de Henrique VIII, que também foi decapitada na Torre em 1536. O seu fantasma já foi visto em várias ocasiões, algumas vezes carregando a sua cabeça, na Torre Green e na Torre Chapel Royal.

5 - Penitenciária Eastern State (Filadélfia)

Projetada por John Haviland e aberta em 1829, a Eastern State é considerada a primeira verdadeira penitenciária do mundo. O seu sistema revolucionário de encarceramento, apelidado de “Sistema da Pensilvânia”, originou e encorajou o confinamento em solitária como uma forma de reabilitação.  Em 1 de Junho de 2007, um programa de televisão chamado “Most Haunted” (algo como “Os Mais Assombrados”) foi ao vivo na penitenciária. Parte do grupo foi à cela dos Al Capone. Duas pessoas desmaiaram enquanto “investigavam” a prisão. Um membro da equipe, Yvette, afirmou que “este é o lugar mais maligno que já estive.” Eles alegaram ter tido contato com espíritos, mas não havia nenhuma evidência concreta de que suas alegações eram legítimas.

4 - A Fazenda de Murta (Louisiana)

A Fazenda de Murta foi construída em 1796 pelo general David Bradford e chamada de Laurel Grove. Exaltada como uma “das casas Americanas mais assombradas”, a fazenda é supostamente lar de pelo menos 12 fantasmas. É freqüentemente relatado que 10 assassinatos aconteceram na casa, mas os registros históricos apenas indicam o assassinato de William Winter. Possivelmente o mais conhecido dos supostos fantasmas de Murta, Chloe (algumas vezes Cleo), de acordo com os relatos, era uma escrava que pertencia a Clark e Sara Woodruff. De acordo com uma história, Clark Woodruff pressionou ou forçou Chloe a ser sua amante. Chloe e Clark foram flagrados por Sara Woodruff, e Chloe passou a ouvir pelos buracos de fechadura, tentando saber o que aconteceu com ela.

3 - O Hall de Raynham (Norfolk, Inglaterra)

O hall de Raynham é uma casa de campo em Norfolk, Inglaterra. Por 300 anos ele tem sido a moradia da família Townshend. O hall deu seu nome à área, conhecida como Raynham Leste, e diz-se que é assombrada, concedendo ao local o destaque de ter originado a foto possivelmente mais famosa de um fantasma de todos os tempos, a famosa Dama Marrom descendo as escadas. Entretanto, o fantasma não foi mais relatado desde que a foto foi tirada. O seu mais famoso morador foi Charles Townshend,  segundo Visconde Townshend (1674-1738), líder na Câmara dos Lordes.

2 - A Casa Whaley (Califórnia)

A autora deTraci Regula relata suas experiências com a casa: “Ao longo dos anos, enquanto jantava do outro lado da rua no Old Town Mexican Café, eu me acostumei a reparar que as persianas das janelas do segundo andar (da Casa Whaley) algumas vezes se abriam enquanto estávamos comendo o jantar, muito depois da casa já estar fechada. Em uma visita recente, eu pude sentir a energia em vários pontos da casa, principalmente na sala de audiências, onde eu também senti o cheiro fraco de um cigarro, supostamente o cartão de visitas de Whaley. No corredor, eu senti cheiro de perfume, inicialmente atribuído à jovem que estava como docente, mas depois, com umas fungadas secretas em sua direção enquanto falava com ela sobre a casa, descobri que a moça não tinha cheiro algum.”

1 - A Paróquia de Borley (Essex, Inglaterra)

A assombração da paróquia de Borley durante os anos de 1920 e 1930, é indiscutivelmente uma das mais famosas da Grã-Bretanha, e também uma das mais controversas. A riqueza dos avistamentos e experiências de testemunhas independentes, sugerem que apesar de muito do fenômeno poder ser explicado de maneira racional, uma porcentagem permanece que, ainda nos dias de hoje, pode ser considerada como inexplicável.

LIVRO RECOMENDADO:

Poltergeist: As Casas Mal-Assombradas
Poltergeist: As Casas Mal-Assombradas

O mundo realmente parece ser um lugar cheio de mistérios sem explicação. No post de hoje, uma nova lista traduzida por mim, do site List Universe. O ítem número 1 deste Top pode causar uma certa polêmica, mas gostando ou não, continua sendo o maior mistério para o ser humano. Da lista, os meus preferidos são “El chupacabra” e o “Mothman”. Inclusive, o Discovery Channel, em sua série de programas “Prova Infalível” teve um episódio dedicado à Mutilação de Gado. Neste episódio foram mostrados vários casos de mutilações ocorridas nos E.U.A., principalmente no estado do Texas, e foram entrevistados desde fazendeiros, jornalistas à cientistas. Pois bem. Digamos que os dois cientistas convidados do programa (doutores em suas respectivas áreas), uma antropóloga forense e um entomólogo (especialista em insetos), tenham passado o maior constrangimento de suas vidas (”pagaram o maior mico”) em uma rede de tv.

O programa iniciou com o peão responsável pelo gado em uma fazenda explicando como acontece o sumiço e o posterior reaparecimento de uma vaca nos casos de mutilação. Mostraram o pequeno furo no pescoço, por onde todo o sangue é extraído sem se perder uma gota (observação minha: sinceramente não consigo compreender como é que alguém pode achar que isso é feito por outro animal, ou que possa ser algo “normal” ou “natural”, mas enfim). A língua é retirada, assim como as partes “moles” (área das tetas e mucosas). E o restante da vaca é deixada ali. Então… a “hipótese quase certeza” dos dois cientistas é que a vaca tenha ou morrido de causas naturais (claro…) ou que tenha comido algo envenenado, e depois tenha sido devorada por insetos e outros animais. Como era de se esperar, um experimento “quase certo de que provaria a hipótese” foi feito, em que uma vaca morta foi colocada no campo, e filmada por três câmeras, dia e noite, durante uma semana.

O vídeo mostrou os insetos, vermes etc. começarem a se alimentar da vaca, assim como porcos selvagens e aves carniceiras. Como era esperado, eles atacavam primeiro as partes moles. Porém… porém… ao final do experimento, apesar das comemorações (prematuras) dos cientistas, a explicação deles e a suposta “prova infalível” de que essa era a resposta, simplesmente se provou ser, para dizer o mínimo, insuficiente (na verdade a explicação deles só explicava para o público o que os dois preferiam acreditar). A maneira como a vaca ficou depois desse experimento não é nem remotamente parecido com a maneira como as vacas ficam depois da mutilação. A primeira característica da mutilação é a precisão cirúrgica com que órgãos, partes moles e sangue são retirados. Não foi explicado. Segundo, as vacas mutiladas não se decompõem nem incham, nem liberam líquidos ou odores. Não foi explicado ( a vaca do experimento virou um balão e alagou a área ao seu redor com líquidos de sua decomposição). Terceiro, as vacas mutiladas eram jovens, sem doenças e sem terem morrido por envenenamento. O peão as vê no final da tarde, e na manhã seguinte simplesmente estão mortas e mutiladas, ou seja, não levaram uma semana inteira para perder seus órgãos e sangue. Não foi explicado (inclusive os fazendeiros se ofenderam aqui, pois os cientistas subestimaram a sua capacidade de identificar a causa da morte de um animal e a diferença entre um cadáver fresco e um antigo). Quarto e o mais estranho: NENHUM animal, ave carniceira ou inseto se aproxima do cadáver. Tanto é que uma vaca mutilada ficou 5 semanas jogada no campo e sequer iniciou decomposição. Na verdade, se não estivesse toda mutilada, parecia estar dormindo. Não foi explicado.

Quinto fator, convenientemente esquecido pelos cientistas: a maneira como a vaca estava caída no chão, e o impacto do solo sugerem (para não dizer que é óbvio) que o animal tenha sido erguido por alguns metros e depois jogado de volta ao solo. Alguns fazendeiros, que não quiseram se identificar, disseram ver luzes no campo na noite anterior ao aparecimento de animais mutilados, e uns afirmam ter visto vacas serem “erguidas” ou “flutuarem” sobre o solo… Nem preciso dizer que não havia explicação alguma, não é mesmo? Pois bem, os dois cientistas ficaram nervosos, trêmulos e hesitantes. Foram obrigados a concordar com o peão sem estudo que aparentemente destruiu toda a sua pesquisa científica e a sua “prova infalível”. Acho que nem preciso dizer que este documentário é altamente recomendável para todos que se interessam pelo assunto. Quanto ao Mothman, deixo para outro post. E vamos para os outros 10 mistérios inexplicáveis:

10 - O Mothman (”Homem Mariposa”)

“Mothman” é o nome dado a uma estranha criatura relatada nas áreas de Charleston e Point Pleasant, West Virginia, entre Novembro de 1966 e Dezembro de 1967. Antes e depois destas datas há relatos apenas esporádicos de avistamento, com alguns tendo sido recentemente, em 2007.

A maior parte das testemunhas oculares descrevem o Mothman como uma criatura com asas, do tamanho de um homem, com grandes e brilhantes olhos vermelhos. Freqüentemente aparece como não tendo cabeça, com seus olhos situados no peito. Um número de hipóteses já foram apresentadas para explicar os relatos das testemunhas oculares, indo desde o erro na identificação e coincidência ao fenômeno paranormal e teorias de conspirações.

O Mothman foi identificado pela primeira vez em 1926, por um menino. No mesmo período, três homens que estavam cavando uma cova, em um cemitério ali perto, viram uma figura humana marrom com asas, levantando vôo detrás das árvores. Ambos os incidentes foram reportados separadamente um do outro. Já ocorreram um grande número de avistamentos do Mothman apesar de que não existe nenhuma fotografia da criatura.

(observação minha: quem se interessa pela história do Homem Mariposa deve assistir ao filme “A última Profecia” ou como é o título original: “The Mothman Profecies”, com Richard Gere, Debra Messing e Laura Linney)

9 - D.B. Cooper

D. B. Cooper (ou “Dan Cooper”) é o pseudônimo dado ao notório seqüestrador de aviões que, em 24 de Novembro de 1971, depois de receber um pagamento de resgate de U$200.000, saltou da parte traseira de um Boeing 727 enquanto voava sobre o Noroeste do Pacífico, em algum lugar na área sul de Cascades.

Desde então Cooper nunca mais foi visto e não se sabe se sobreviveu ao salto. Em 1980, um menino encontrou U$5.800 em notas encharcadas de U$20,00 nas margens do rio Columbia. Os números seriais combinaram com àqueles do dinheiro de resgate, que foram anotados para ser mais fácil rastrear Cooper depois.

Cooper escapou do avião pulando pela parte de trás da escada aérea com um páraquedas, fazendo com que as autoridades da aviação incluíssem medidas rigorosas à respeito do design dos aviões para prevenir que isso acontecesse novamente. Além disso, este evento fez com que os aeroportos instalassem detectores de metal pela primeira vez.

8 - O Chupacabras

O Chupacabras é mais comumente associado às comunidades latinas nos EUA, México e Porto Rico (onde houve o primeiro relato). Supostamente é uma criatura pesada, do tamanho de um urso pequeno, com uma linha de espinhos do pescoço até a base da cauda, e o seu nome vem do fato de que supostamente ataque animais e beba seu sangue - especialmente de cabras.

Apesar de que a lenda começou perto de 1987, há muitas similaridades com o “Vampiro de Moca”, nome dado a uma criatura desconhecida que matou animais por toda a cidade de Moca, nos anos 1970. O vampiro de Moca deixava os animais completamente sem sangue,  que aparentemente tinha sido extraído a partir de uma série de cortes circulares.

A descrição mais comum do Chupacabra é a de um ser tipo lagarto, parecendo ter uma pele de couro ou de escamas verde-acizentadas, e espinhos pontudos ou pequenos, correndo por toda as suas costas. Esta forma mede aproximadamente de 1 a 1.2 metros de altura, e permanece de pé e pula de uma maneira parecida a de um canguru. Em pelo menos um avistamento,  a criatura pulou 6 metros. Desta variedade é dito ter um focinho parecido com o de um cachorro ou pantera, uma língua bifurcada protuberante, caninos grandes, e que assobia e chia quando amendrontado, assim como deixa um fedor sulfúrico atrás de si. Quando ele chia, alguns relatos notam que os olhos do chupacabras brilham com um vermelho incomum, que dá náuseas nas testemunhas. Algumas testemunhas o viram com asas como as de morcego.

7 - Pé Grande

Pé grande, também conhecido como Sasquatch (veja o post com o documentário sobre o Pé Grande, clicando aqui) é descrito como um homem meio macaco que habita áreas florestais do pacífico noroeste e partes da província da Columbia Britânica, no Canadá. Ao longo dos anos houveram vários avistamentos e fotografias do Pé Grande mas não há provas conclusivas que comprovam a sua existência.

Muitos especialistas do assunto consideram a lenda do Pé Grande como uma combinação de foclore com boatos, mas há um número de autores e pesquisadores que acreditam que as histórias possam ser verdadeiras. Existe alguma especulação que, como o Monstro do lago Ness, o Pé Grande possa ser um remanescente vivo do tempo dos dinossauros - especificamente um Gigantopithecus blacki - um macaco gigante. Os relatos mais antigos do Pé Grande são de 1924, apesar de relatos de um tipo similar de criatura terem aparecido já nos anos 1860.

6 - O Monstro do Lago Ness

O Lago Ness é o mais extenso lago de água fresca da Grã-Bretanha. Por séculos pessoas têm relatado avistar uma criatura grande vivendo no lago - os avistamentos mais antigos vindo do período de Saint Columba (565 d.C). Apesar de que os avistamentos da criatura em terra, ao redor do lago, supostamente datarem do século dezesseis, o interesse moderno no monstro foi estimulado por um avistamento em 22 de Julho de 1933, quando o sr. George Spicer e sua esposa viram “uma forma animal extraordinária” cruzar a rua em frente ao seu carro. Eles descreveram a criatura como tendo um corpo grande (cerca de 1.2 metros de altura e 7.5 metros de comprimento), e um longo, estreito pescoço, um pouco mais grosso do que uma tromba de elefante e tão longo quanto os 3m - 3.2m da largura da rua; o pescoço tinha um número de ondulações.

Eles não viram os membros por causa de um declive na rua que obscureceu a porção inferior do animal. Ele se moveu pela rua em direção ao lago, à 18 metros de distância, deixando apenas um rastro de pequenos arbustos quebrados em seu caminho.

Não apenas o Monstro do Lago Ness foi repetidamente fotografado, ele também foi filmado - recentemente, em 2007, e também detectado em sonares. Infelizmente, contudo, a filmagem e fotos nunca são claras o suficiente para dar uma resposta definitiva para o que a criatura é.  Alguns especulam que é um plesiossauro, que sobreviveu do restante da população de dinossauros.

5 - Jimmy Hoffa

Jimmy Hoffa foi um sindicalista americano e criminoso condenado. Como presidente da Fraternidade Internacional dos Caminhoneiros de meados dos anos 1950 à meados dos anos 1960, Hoffa exerceu uma influência considerável. Depois de sua condenação, ele serviu perto de uma década na prisão. Em 30 de Julho de 1975, Hoffa desapareceu em um estacionamento em Detroit e nunca mais foi visto.  Ele tinha sido obrigado a se encontrar com dois líderes mafiosos, Anthony “Tony Jack” Giacalone de Detroit, e Anthony “Tony Pro” Provenzano, de Union City, Nova Jersey e Nova York.

De acordo com Donald Frankos (um assassino profissional da Máfia, condenado), Hoffa foi baleado na casa de Giacalone e o seu corpo foi então enterrado nas fundações do estádio dos Giants. Enquanto esta seja a crença mais popular, outro mafioso, Bill Bonanno, alegou que Hoffa foi baleado e colocado no porta-malas de um carro que então foi colocado em um compactador de carros.

Ninguém jamais saberá a verdade sobre Hoffa, mas a equipe dos “Mythbusters” (”Caçadores de Mitos”) cavaram na área em que geralmente atribui-se que Hoffa tenha sido enterrado e não encontraram nada.

4 - Luzes de Marfa

As luzes de Marfa são luzes inexplicáveis (também chamadas luzes fantamas) que têm aparecido em Mitchell Flat, leste de Marfa, Texas. O primeiro relato publicado das luzes foi feito em 1957, mas Robert Reed Ellison (nascido em 1880) as reportou à sua família e relatos de suas aparições se espalharam de boca em boca. Não há nenhum relato verificável anterior aos anos 1950.

As luzes são descritas como tendo o tamanho de uma bola de basquete, flutuando no ar, na altura dos ombros. As cores são geralmente descritas como sendo branco, amarelo, alaranjado ou vermelho, porém azul e verde também são relatados às vezes.  Elas normalmente movem-se lateralmente, mas já foram vistas se movendo rapidamente em várias direções. Os avistamentos são raros, mas há um grande número de evidências fotográficas e filmagens.

Os céticos geralmente consideram as luzes como sendo relacionadas ao tráfego que passa ali perto na US Route 67, ou como sendo um efeito elétrico secundário dos predominantes montes de quatzo da área. Pelo fato de que normalmente aparecem em propriedades privadas, com terrenos em que é difícil de se locomover, existem uma quantidade quase nula de relatos de pessoas que conseguiram se aproximar das luzes.

3 - A Colônia Roanoke

Em 1584, sir Walter Raleigh despachou uma expedição para a costa leste da América do Norte, já que a Rainha Elizabeth I deu a ele permissão de colonizar a Virgínia. Ele retornou da viagem com dois índios americanos, e amostras de animais e plantas. Entre 1585 e 1587, dois grupos de colonizadores foram deixados na ilha de Roanoke (parte da atual Carolina do Norte) para fixar seu assentamento.

Por causa de lutas contínuas com os nativos das tribos locais,  a primeira colônia estava com pouca comida e homens para defender o assentamento; então quando sir Francis Drake os visitou depois de uma invasão no Caribe e se ofereceu para levá-los de volta para a Inglaterra, eles aceitaram e foram embora. Em 1587, 121 novos colonizadores chegaram e descobriram os nativos locais (os Croatans) como sendo amistosos. A primeira criança inglesa nascida nas Américas foi a filha de um desses colonizadores. O grupo tentou ser amigável com algumas outras tribos que os colonizadores anteriores haviam brigado, o que resultou no assassinato de George Howe. Os membros restantes do grupo convenceram o líder a retornar à Inglaterra e trazer ajuda. O líder (John White) retornou à Inglaterra deixando para trás noventa homens, dezessete mulheres e onze crianças.

Quando White retornou em Agosto de 1590, o assentamento estava deserto. Não havia sinais de luta nem restos mortais foram jamais encontrados. A única pista era a palavra “Croatoan” entalhada em um pilar do forte e “Cro” entalhado em uma árvore ali perto. O assentamento ficou conhecido como a “Colônia Perdida” e nenhum dos membros foram vistos novamente. Algumas especulações existem nos dias de hoje, que sugerem que os colonizadores foram embora e se misturaram com algumas das tribos ali perto. Isto é apoiado pelo fato de que muitos anos depois algumas das tribos estavam praticando o Cristianismo e entendiam Inglês.

2 - A Estrada de Bimini

Todo mundo já ouviu a história da cidade perdida de Atlântida, mas o que dizer da Estrada de Bimini? Em 1968 uma formação rochosa submersa foi encontrada perto da área norte da ilha de Bimini, nas Bahamas. É considerada por muitos como sendo natural, mas por causa do arranjo singular das pedras, muitos acreditam que seja parte da cidade perdida de Atlântida (citada pela primeira vez por Platão).

Outro elemento curioso deste mistério é uma profecia feita em 1938, por Edgar Cayce: “Uma porção dos templos será ainda descoberta embaixo do limo das eras e água do mar próximo a Bimini… Espere para ser em 68 ou 69 - não muito longe disso.” Em uma expedição mais recente, o arqueólogo amador Dr. Greg Little descobriu outra linha de rochas com a mesma formação, diretamente abaixo da primeira, levando ele a crer que a estrada está na verdade no topo de um muro ou doca.

Uma possível explicação natural é que a “estrada” é um exemplo de pavimentação em mosaico, um fenômeno natural. Concreções de conchas e areia formam rochas sedimentares duras que com o tempo se fraturam em linhas retas e então em ângulos de 90 graus. Elas são um tanto comuns e uma atração turística popular na ilha da Tasmânia.

1 - A Criação do Homem

Este é provavelmente o mais conhecido e mais controverso dos mistérios conhecidos pelo homem até o momento.  O mistério básico é de onde nós viemos? Muitas pessoas acreditam que nós fomos criados por algum tipo de Deus, outras acreditam que nós naturalmente nos criamos a partir da evolução, e alguns ainda acreditam que nós fomos trazidos à Terra por aliens. Pelo fato de não haver nenhuma evidência conclusiva para nenhum dos argumentos, este assunto permanece o nosso maior mistério.

O conceito de evolução afirma que a partir de uma série de adaptações e mutações, de geração em geração, uma criatura pode se modificar dramaticamente ao longo do tempo. Existem muitos argumentos contra a evolução, a maioria (no Ocidente) pelos cristãos fundamentalistas. O líder da maior Igreja Cristã, Papa Bento XVI, disse recentemente que a evolução não é contrária aos ensinamentos da Igreja ou à crença em Deus desde que ela não exclua Deus como o estimulador e organizador primário do processo.

O conceito do criacionismo afirma que Deus fez o Universo na forma em que ele existe hoje.  Ela tenta explicar os potenciais problemas teológicos causados pelos dinossauros, datação do carbono e registros fósseis em geral. Os criacionistas geralmente acreditam que a terra tenha alguns milhares de anos de idade.

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Recebi por email este artigo interessantíssimo sobre as Catedrais de estilo gótico, de autoria de Suzana Lakatos. O artigo dá um viés mais esotérico para o tema, na verdade o tipo do viés adequado quando se fala de catedrais góticas. Joseph Campbell (o famoso mitólogo) dizia que “um templo é uma paisagem da alma. Ao entrar numa catedral, você penetra num mundo de imagens espirituais. É o ventre materno.” Campbell era fascinado por catedrais (acho que posso dizer o mesmo à meu respeito ;-) ), principalmente pela catedral da pequena cidade francesa de Chartres, que ia com regularidade. Ele dizia ainda que “a catedral me fala a respeito da estrutura espiritual do mundo. É um lugar de meditação, é só caminhar ao redor, é só ficar sentado, é só olhar para todas aquelas belezas.” É mesmo…

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Os Segredos das Catedrais

Uma viagem pelos símbolos e ensinamentos esotéricos
que transformam as igrejas góticas em templos
ecumênicos, nos quais o cristianismo convive ao lado
de antigas tradições, como a Cabala e a alquimia

Catedral de Chartres
Catedral de Chartres

Parada obrigatória para milhares de ocultistas do mundo inteiro, as catedrais e castelos de estilo gótico fascinam por sua grandiosidade e riqueza de detalhes. Diante de Chartres, Notre Dame de Paris, Amiens, Colônia ou o Duomo de Milão, o olhar se eleva e acompanha as delgadas agulhas que apontam para o infinito, como um lembrete místico do destino maior do homem. E, ao transpor o grandioso pórtico central, a respiração fica suspensa. A impressão que se tem é a de estar num bosque petrificado: altas colunas de mármore, encimadas por capitéis e arcos, sustentam o teto abobadado como se fossem árvores gigantescas. A luz, filtrada por vitrais coloridos, envolve a nave numa atmosfera de tranqüilidade e convida à reflexão. É impossível não lembrar a reverência com que os antigos druidas (sacerdotes celtas) penetravam nas florestas, espaços sagrados que imaginavam povoados pelos espíritos da natureza. E, apesar de questionável, também é tentador pensar que, ao se converter ao cristianismo, aqueles filhos do druidismo tenham visto na arquitetura gótica um meio de recriar suas florestas sagradas.

Surgido no início do milênio, no norte da França, coincidentemente antigo território celta, o estilo gótico rapidamente se espalhou pela Itália, Alemanha, Inglaterra, Espanha e Áustria, tornando-se o produto arquitetônico mais autêntico da Idade Média. Para os ocultistas, desvendar seus mistérios corresponde a uma iniciação nos ensinamentos mais sagrados das grandes tradições da humanidade. A Cabala, a alquimia, a astrologia, os ensinamentos druídicos e os principais fundamentos da teologia cristã encontram expressão nesses suntuosos livros de pedra, cuja leitura exige uma boa dose de conhecimento esotérico e também uma apurada capacidade de enxergar além da realidade.

O mistério começa na própria origem das técnicas que permitiram sua construção. Até o surgimento das catedrais góticas, as igrejas eram erguidas seguindo os princípios românicos cuja base está no alicerce e todo o peso se apóia nas paredes, que, por isso, são muito largas. Ao transferir essa sustentação para as abóbadas - portanto, para o teto -, o gótico inverteu a regra básica de construção da época. “Tal inversão coincidiu com a volta dos primeiros templários da Terra Santa, o que permite estabelecer uma ligação entre os fatos, principalmente se lembrarmos que esses nobres tiveram acesso a todo o conhecimento reunido na biblioteca do rei Salomão. Além disso, eram iniciados nos mistérios gregos e egípcios, de onde tiraram a noção da Divina Proporção”, explica Victor Francis ou príncipe Asklepius D’Sparta, grão, mestre da Ordem Civil e Militar dos Cavaleiros do Templo, em São Paul De acordo com ele, a Divina Proporção se baseia no número 0,618, representado pela letra grega Pi. Está presente nas pirâmides egípcias, na escola musical e nas catedrais góticas, particularmente em Chartres e Notre Dame de Paris, ambas na França, que formam triângulos eqüiláteros (pitagóricos), cujas medidas são sempre proporcionais a 0,61 metro.

Chartres - Vista Interna Norte
Chartres - Vista Interna Norte

Difícil acreditar que esse jogo de formas seja casual, pois desde sua origem, a geometria sempre esteve de mãos dadas com a magia, e muitos dos seus símbolos foram adotados para exprimir conceitos esotéricos, como o triângulo, que, entre outras coisas, é um emblema da Trindade Cristã. Esse tipo de associação com o sagrado transformou várias figuras geométricas em egrégoras (centros de energia) de grande poder, capazes de agir sobre o inconsciente do homem, despertando-lhe a energia interior.

Outro efeito sutil - mas intencional - do estilo gótico é a sensação de êxtase que ele provoca. “Enquanto as igrejas românicas eram escuras, lembrando cavernas, as catedrais góticas são exuberantes, convidam a olhar para o alto e dão um sentido ascensional ao ato de estar na igreja”, diz o teólogo Edmundo Pellizari. Em sua interpretação, as igrejas românicas traduzem a influência dos elementos terra e água, fazendo o homem se voltar para dentro de si mesmo. Já o gótico é um símbolo da verticalização da fé e convida a uma união com o divino. Seus elementos seriam o fogo e o ar - purificação iniciática e elevação espiritual -, que se expressam em vitrais e torres, cujas formas lembram labaredas. “Sem falar nas cores das rosáceas (vitrais circulares, geralmente localizados sobre o pórtico central), em que o vermelho se destaca. A intenção era que, durante as Vésperas e na Hora Mariana (horários canônicos correspondentes a 6 e 18 horas), a luminosidade filtrada criasse a sensação de um incêndio, verdadeiro fogo iniciático”, completa Pellizari.

Consideradas pantáculos (espécies de talismãs) do cristianismo, as rosáceas são a principal fonte de entrada de luz no interior das catedrais góticas. Geralmente, há duas delas nas laterais e outra, a principal, sobre o pórtico central, marcando a fronteira entre o sagrado e o profano. Para o ocultista Léo Reisler, essas rosáceas são mandalas perfeitos e funcionam como “um mapa” das tradições que estão sendo passadas: “Uma das chaves para sua interpretação são as cores usadas, que se limitam àquelas que compõem o arco-íris, pois, arquetipicamente, simbolizam a aliança de Deus com o homem, no fim do dilúvio”. Também os alquimistas dão grande importância a esse elemento da arquitetura gótica. E, até o final da Idade Média, a rosácea central era chamada de A Roda, que, na alquimia, simboliza o tempo necessário para o fogo agir sobre a matéria, transmutando-a. Visão reforçada pelo esquema de incidência de luz sobre elas. A rosácea da lateral esquerda, por exemplo, nunca é iluminada pelo sol. Representa, por isso, a cor negra, que é a matéria em seu estado bruto, a morte. Já a da direita se ilumina com o sol do meio-dia e irradia uma luminosidade branca, que é a cor do iniciado que acaba de abandonar as trevas. Finalmente, a rosácea central, ao receber a luz do pôr-do-sol, parece incendiar-se e banha o templo com um tom rubro, sinônimo da perfeição absoluta, da predominância do espírito sobre a matéria. Há, ainda, uma terceira corrente de pensadores que compara as rosáceas a flores, símbolos da pureza, da castidade e do feminino - qualidades valorizadas na era medieval, que, acima de tudo, cultuou a Virgem Maria.

Evocada como intermediadora entre o terreno e o divino, eleita advogada da humanidade, a Virgem Maria inspirou, entre 1170 e 1270, a construção de nada menos que 80 catedrais e 500 igrejas em sua homenagem, só na França. Segundo Cesare Marchi, autor de Grandes Pecadores, Grandes Catedrais, nascia naquela época a idéia do amor romântico, com suas donzelas inatingíveis, cuja imagem idealizada assemelhava-as a deusas. A Virgem Mãe de Deus era o modelo, mas um modelo ambíguo, que esbarrava na realidade de seu passado pagão. Acontece que a maioria das igrejas em honra da Virgem foram erguidas em lugares antes dedicados a uma Madonna. Curiosamente, a uma Madonna negra, cujos atributos estavam associados à sexualidade, à procriação e à fertilidade. No fundo, muitas dessas Madonnas negras eram representações das antigas deusas ctônias (ligadas às forças da terra) do paganismo. Outras estavam associadas à Lua ou a Vênus. Em outras palavras, eram herdeiças da antiga crença em uma Deusa-Criadora, predominante nas concepções religiosas mais arcaicas e retornada com força na Idade Média. É que, ao ser “Noiva de Deus”, “Mãe de Cristo” e “Rainha dos Céus” - inclusive todas essas expressões foram cunhadas na época, a Virgem se revestiu de um poder que suplantava o próprio Deus. Sem falar que o gótico acabou revivendo um dos elementos mais fortemente ligados àquelas ancestrais deusas ctônias. Como divindades subterrâneas, seu poder concentra-se na morte e no renascimento. Assim, ao figurarem nas criptas das catedrais góticas, essas Madonnas fazem reviver, no imaginário coletivo, o sentido iniciático de fertilidade e morte a que se relacionam e que está representado por mitos como os de Cibele, Ísis, Ceres e Réa. Em Chantres, por exemplo, havia uma dessas Madonnas, a Nossa Senhora dos Subterrâneos, que era cultuada pelos templários. Tratava-se de uma estátua de ébano, representando uma jovem com uma criança nos braços. No pedestal, a inscrição Virgini Paritures chama a atenção para uma virgem que iria parir. Já na visão da alquimia, essas Madonnas negras representam Íside Egízia, aquela que casou com Amnael, o anjo caído, e recebeu em troca o segredo da magia. Corresponde à Papisa, do Tarô, muito bem representada em Notre Dame de Paris. Ali, a escultura de uma mulher com um cetro numa das mãos, e dois livros, um deles fechado, na outra, é o símbolo da alquimia e do saber esotérico.

Aliás, um saber de que os construtores góticos, empenhados em fazer dos seus templos verdadeiras antenas em sintonia com as forças do Universo, não abriram mão. A carioca Marília Accioly, uma estudiosa da alquimia, lembra, por exemplo, que a nave central dessas construções sempre aparece ligada a ortotenias: “São veios de energia telúrica, que se unem a campos de radiação cósmica, negativos ou positivos. E só por meio da radiestesia é possível identificar onde os veios positivos predominam. É fácil deduzir, então, que os construtores góticos, assim como os druidas, conheciam as técnicas de radiestesia”. Marília acrescenta, ainda, que cada uma das catedrais góticas funciona como um centro psíquico da Terra, seguindo um mapeamento feito pelo pensador católico Bernard Clairveaux, fundador da Ordem Cisterciense, de monges beneditinos.

Além disso, a maioria delas fica próxima de antigos menires (pedras sagradas) ou de montes, elevações que os antigos filósofos gregos consideravam como centros de energia, omphalós (umbigo) do mundo. Em outras palavras, pontos primordiais, de onde tudo se origina e para onde tudo retorna.

Também a estrutura das catedrais góticas não parece resultado de meros cálculos arquitetônicos. De acordo com Fulcanelli, o grande alquimista que nos anos vinte escreveu O Mistério elas Catedrais, o plano dessas igrejas tem a forma de uma cruz latina estendida no solo. Dentro da alquimia, essa cruz é símbolo do crisol, ou seja, do ponto em que uma determinada matéria perde suas características iniciais para se transmutar em outra completamente diferente. Simbolicamente, a igreja teria então o objetivo iniciático de fazer com que o homem comum, ao penetrar nos seus mistérios, renascesse para uma nova forma de existência, mais espiritualizada. Ainda segundo Fulcanelli, essa intenção é reforçada pelo faro de a entrada desses templos estar sempre voltada para o Ocidente. Assim, ao caminhar na direção do santuário. a pessoa se volta obrigatoriamente para o Oriente, o lugar onde nasce o sol ou seja, sai das trevas e fuma para a Luz, em direção ao berço das grandes tradições espirituais. Esse convite à iniciação está presente até mesmo no piso, em que costuma haver a representação de um labirinto. Chamados de Labirinto de Salomão, eles costumam se localizar no ponto em que a nave e os transeptos (os braços da cruz) se unem. Seu sentido alquímico é o mesmo do mito grego de Teseu, o herói que entra num labirinto a fim de combater o Minotauro e, após vencer o terrível monstro, consegue voltar, graças ao fio que Ariadne (aranha) lhe dera. Filosoficamente, o labirinto são os inúmeros caminhos que o homem tem à sua disposição. Cedo ou tarde, ele entrará em contato com seu monstro interior, sua falta de luz. Aquele que consegue combater e vencer as próprias imperfeições (o Minotauro) pode voltar à vida. Mas só os que possuem o fio de Ariadne (símbolo do conhecimento iniciático) é que conseguem efetivamente retornar à Luz. Em Amiens, norte da França, essa alegoria fica completa, graças à existência de uma grande laje com a representação de um sol de ouro bem no centro do labirinto. Já em Chartres, havia antigamente uma pintura que mostrava o próprio mito de Teseu. Feito com pedras brancas e azuis, esse labirinto está junto ao terceiro pilar da nave central e, linearmente, corresponde a 294 metros de comprimento.

Apesar de sua profunda ortodoxia, também o escritor francês Joris-Karl Huysmans, um positivista convertido ao cristianismo, percebeu um sentido alegórico na estrutura gótica e procurou traduzi-lo em termos de doutrina católica. Para ele, o teto abobadado era símbolo da caridade infinita. As quatro paredes principais representavam os quatro evangelhos, e os vitrais, assim como as escrituras, deixavam passar a luz (fé) e detinham os ventos (heresias). Finalmente, os três pórticos de entrada eram um emblema da Trindade Cristã. Essa idéia foi levada ainda mais longe pelos construtores góticos, que definiam as medidas dos altares, a quantidade de medalhões, a disposição e a dimensão das estátuas etc., seguindo sempre múltiplos de um dos onze números sagrados do cristianismo. Segundo essa matemática teológica, 1 era igual a Deus; 2 referia-se aos Testamentos; 3 dizia respeito às virtude teológicas (castidade, fé e caridade); 4 correspondia aos evangelhos; 5 tinham sido as chagas de Cristo; 6 foram os dias gastos na Criação do mundo; 7 eram os sacramentos da igreja (batismo, confissão, comunhão, casamento, confirmação, ordenação e extrema unção); 8 correspondia às beatitudes (amor, fé, caridade, piedade, humildade, perdão, honestidade e justiça); 9 lembrava os coros angelicais (anjos, arcanjos, virtudes, tronos, principados, querubins, serafins, dominações e potencias); 10 tinham sido os Mandamentos recebidos por Moisés na Tábua da Lei; e 12 foram os apóstolos de Cristo.

Independente da interpretação que se faça dessas combinações numéricas, a constante repetição das mesmas disposições espaciais, sem uma razão técnica que a justifique, faz muitos estudiosos suporem a ação de algum tipo de sociedade secreta por trás dessas construções. E não faltam argumentos aos defensores dessa tese. Primeiro, porque as obras demoravam até centenas de anos para serem concluídas e, mesmo assim, mantinham sua unidade. Dois bons exemplos são as catedrais de Colônia, na Alemanha, e o Duomo de Milão, no norte da Itália, cujas obras arrastaram-se por séculos. Ainda assim, todas as características que identificam o gótico - em especial, a Divina Proporção - estão conservadas. O mais intrigante é que nenhuma das construções góticas possui autor, alguém que assine o projeto. Até hoje o único tipo de identificação encontrada são marcas gravavas nas pedras. Essas marcas representam geralmente instrumentos de trabalho estilizados como martelos e compassos, e eram um tipo de identificação profissional que o mestre-de-obras usava para controlar o trabalho de cada um. Todo artesão possuía uma marca própria – que passava de pai para filho, de mestre para discípulo - e a repetia sempre, em todo lugar onde trabalhasse. Em função de guerras, pestes e outros flagelos, muitas vezes as obras das igrejas ficavam temporariamente interrompidas, e os trabalhadores viajavam, oferecendo os seus serviços em outras cidades e países. Ganharam, assim, o nome de franc maçon, ou pedreiros livres, cujas associações acabaram resultando na Maçonaria. Mas esta, embora detenha antigos conhecimentos esotéricos, se consolidou como ordem iniciática apenas em 1792.

Se a busca dos idealizadores do gótico ainda permanece um enigma, o estudo da origem da expressão arte gótica apenas reforça à idéia de que sua inspiração é totalmente mística. Estudos etimológicos remetem às palavras gregas goès-goèts, de bruxo, bruxaria, que sugere a idéia de uma arte mágica. O alquimista Fulcanelli prefere associar “arte gótica” a argol, que significa idioma particular, oculto, uma espécie de cabala falada, cujos praticantes seriam os argotiers (argóticos), descendentes dos argonautas, que, no mito grego de Jasão, dirigiam o navio Argos, viajando em busca do Tosão de Ouro. Para os ocultistas, Jasão teria sido um grande mestre, que iniciava seus discípulos gregos rios mistérios egípcios, inclusive na geometria sagrada, que é uma das chaves da arquitetura gótica.

Prova dessa herança egípcia está no fato de os Construtores góticos disporem os símbolos que aparecem nos entalhes, nas estátuas, nos medalhões e vitrais de maneira que obedeçam sempre a uma seqüência que torna inevitável a associação de uns com os outros: “Este é um recurso egípcio de memorização e permite a apreensão de um grande número de informações, pois a pessoa, sem perceber, é levada a relacionar cada coisa ao local onde ela se encontra. E, assim, nunca mais esquece o que viu”, explica Léo Reisler. Talvez seja este o motivo pelo qual, muitas vezes, o zodíaco está representado, dentro das catedrais, fora de sua ordem convencional, apesar de normalmente aparecer na entrada. Longe de ser aleatório, esse desmembramento está relacionado ao sentido mais esotérico de cada signo, como se vê a seguir.

Áries - Geralmente sua figura é a de uni carneiro, que simboliza o início do caminho na busca da elevação espiritual.

Touro - Representado pelo próprio Touro, às vezes está associado ao evangelista São Lucas; às vezes, ao próprio Cristo.

Gêmeos - Sua representação usual é de duas figuras humanas abraçadas, que expressam a Capacidade de elevar espiritualmente o próximo por meio da transmissão de conhecimentos. Em Chartres, este signo aparece junto a uma das portas e mostra dois cavaleiros atrás de um grande escudo.

Câncer – Na forma de um caranguejo ou de um lagostim, costuma estar próximo da pia batismal, junte de uma representação do arcanjo Gabriel. Com certeza, trata-se de uma influência da Cabala, que associa a Lua, regente de Câncer, a Gabriel, o emissário dos nascimentos. A intenção é mostrar que, por meio do batismo (um ritual iniciático), o homem pode se re-ligar às esferas espirituais das quais se origina.

Leão – Com a mesma representação de hoje, é emblema do evangelista São Marcos, a quem emprestaria seus atributos de persistência e força de vontade na busca da espiritualização.

Virgem - Algumas vezes aparece como uma jovem segurando uma espiga de milho. Mas pode também estar representado por uma estátua da própria Virgem Maria, com uma estrela na cabeça. É um dos signos mais ricos de significados nas igrejas góticas, já que a maioria delas foi dedicada justamente à Mãe de Cristo. Em Amiens, por exemplo, ela se encontra entre duas árvores. Na iconografia cristã, uma delas representaria a árvore pela qual a humanidade caiu - numa referência ao mito de Eva e da serpente tentadora enroscada numa árvore - enquanto a outra remete à cruz de Cristo, pela qual a humanidade foi redimida.

Libra - Quase sempre aparece como uma mulher segurando uma balança desproporcionalmente grande, no interior da qual há uma pessoa envolta num halo de luz. Seria um lembrete para o homem de que ele também faz parte do divino.

Escorpião - Sua imagem pode ser traduzida por uma águia (símbolo de elevação espiritual) e representa o evangelista São João. Ou, então, aparece como um escorpião mesmo, já com um sentido de regressão espiritual. Só que, como não havia escorpiões na Europa, muitas das suas representações têm pouquíssimo a ver com a realidade. Em ambas as formas, o signo está localizado onde a luz do sol chega por último.

Sagitário - Este signo costuma ser representado por um centauro prestes a disparar sua flecha. Na catedral de Amiens, porém, ele aparece na forma de um sátiro. Mas ambos os simbolismos traduzem a luta que o homem precisa travar no sentido de vencer sua natureza material, a fim de ascender a planos mais elevados.

Capricórnio - Meio cabra, meio peixe, este signo indica as oposições que o homem tem de enfrentar em sua busca de espiritualização.

Aquário - Representado por um homem segurando um livro ou um pergaminho, foi adotado como emblema do próprio cristianismo e do evangelista São Mateus. Esotericamente, seria o ar cósmico, que permeia todas as formas de vida.

Peixes - Rico em significados esotéricos, aparece normalmente como dois peixes unidos por um cordão, nadando em direções opostas. O cordão seria o fio de prata que une o espírito e a alma durante a vida, mas que se rompe na morte. Um dos peixes corresponde, portanto, ao espírito, que permanece acima do plano físico, enquanto o outro, a alma, seria um intermediário direto com a matéria. Por força desse contato, pode perder sua pureza e ser atraída para a Terra. Essa natureza dual, mas elevada, foi associada pelos cristãos primitivos a Cristo, que, segundo os Evangelhos, teria chegado a duvidar da própria força para realizar sua missão sagrada. Em Chartres, o signo aparece como um único peixe, uma carpa, guardada pelos guerreiros da representação de Gêmeos. Outra ligação importante feita entre Cristo e Peixes deriva da associação do nome grego deste signo - Ichths -, que, na visão da época, corresponderia às iniciais da frase: “Jesus Cristo, filho de Deus Salvador”.

Uma curiosidade do cristianismo medieval é que, com exceção do peixe, a maioria dos outros animais eram considerados funestos, embora fosse comum encontrá-los nas catedrais góticas. Dessa fauna maldita faziam parte o dragão e o grifo, figura mitológica meio leão, meio pássaro (invólucros do demônio), o cavalo (usado pelas forças das trevas), o bode (luxúria), a loba (avareza), o tigre (arrogância), o escorpião (traição), o leão (violência), o corvo (malícia), a raposa (heresia), a aranha (o diabo), os sapos (pecados) e até a avestruz (impureza).

Mas a figura mais temida na fauna que povoava o imaginário medieval era o Bafomé, que aparece com destaque na porta de todas as igrejas góticas. Metade homem, metade bode, por muito tempo foi confundido com o demônio cristão. Mas seu sentido é bem outro, como explica Victor Franco: “O Bafomé é um símbolo templário, que expressa a necessidade humana de transcender seus instintos básicos, a fim de ascender espiritualmente e cumprir seu papel evolutivo. Ser parte de Deus, até se confundir com Ele, é o sentido da verdadeira humanização. E este era o ensinamento maior dos idealizadores do gótico, que criaram uma arquitetura viva. Suas catedrais estão tão perfeitamente integradas ao cosmo, que são praticamente forças da natureza”.

Estrelas Nas Trevas

Romanceada e incompreendida, a Idade Média foi, por muito tempo, considerada um período de trevas. Para muitos, esses quase mil anos que separam a desagregação do Império Romano (em 622) da queda de Costantinopla (em 1453) representam o auge de um obscurantismo que levou o saber para as bibliotecas dos mosteiros, guardando-o sob as garras afiadas da Inquisição. Um período negro pelas guerras, pestes e miséria. Mas brilhante pelos inventos - como o moinho de vento e a carriola -, pelo surgimento das cidades e do comércio.

Em nome da fé (e de novas terras), o homem medieval aventurou-se no Oriente e organizou as Cruzadas. Viagens perigosas, que não era prudente enfrentar com ouro nas algibeiras. E, assim, surgiram também as letras de câmbio e os contratos de seguro. As raízes da poesia trovadoresca também vieram na bagagem dos primeiros cruzados e resultaram em obras grandiosas, como a anônima Chonson de Rolond. Mas a Idade Média foi, acima de tudo, alusiva. Poucos sabiam ler, mas todos dominavam a imagem como ferramenta de comunicação, buscavam significados por trás da realidade visível, Assim, aquilo que aos olhos modernos pareceu obscurantismo era o apogeu da linguagem dos símbolos, E talvez o saber humano nunca tenha estado tão revelado e acessível quanto naquela longa noite estrelada.

OS HERDEIROS DE SALOMÃO

No ano de 1099, a Europa cristã comemorou a tomada de Jerusalém das mãos dos “infiéis” e transformou-a numa espécie de posto avançado do cristianismo. Apenas vinte anos mais tarde, um grupo de nobres cavaleiros consagrava-se como ordem religiosa e militar e seguia para lá. Dotados de grande espírito ecumênico, coragem e ambição, partiam a fim de proteger os lugares santos. Mas também de se apoderar do tesouro do rei Salomão, que estaria dividido em túneis secretos do grande Templo localizado no Monte Moria.

Segundo a tradição, esses cavaleiros, comandados por Hughes de Payns, teriam conseguido descobrir o fabuloso tesouro, juntamente com uma imensa biblioteca, o Santo Graal e a Arca da Aliança. Historiadores mais cautelosos, porém, limitam-se a descrevê-los como aventureiros, um tanto mercenários, que vendiam sua habilidade com as armas aos peregrinos de passagem. Seja como for, ao retornarem para a Europa no início de 1200, constituíram uma ordem poderosa e riquíssima, que passou para a história como Ordem dos Templários, cujos participantes só deviam obediência a seu Grão-Mestre. Tamanha independência logo foi encarada como uma ameaça pela monarquia. E, em 1307, o rei francês Felipe IV convence o papa Fernando a persegui-los por heresia, A perseguição começou em Avignon, na França, mas bastaram quatro anos para que a Inquisição exterminasse a Ordem.

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