(‘Praga da dança’ matou centenas de habitantes de Estrasburgo em 1518)

Aproveitando o “ritmo de carnaval”, um artigo bem interessante sobre uma “praga de dança” que virou epidemia na Alsácia, em 1518. As causas de tal epidemia – tão exótica – permanecem ainda um mistério. ;-)

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Epidemia começou em julho, com mulher bailando sem parar por 6 dias.
Transe acabou envolvendo centenas de pessoas e durou até setembro.

Em julho de 1518, a cidade francesa de Estrasburgo, na Alsácia (então parte do Sacro Império Romano-Germânico) viveu um carnaval nada feliz. Uma mulher, Frau Troffea (dona Troffea), começou a dançar em uma viela e só parou quatro a seis dias depois, quando seu exemplo já era seguido por mais de 30 pessoas. Quando a febre da dança completava um mês, havia uns 400 alsacianos rodopiando e pulando sem parar debaixo do Sol de verão do Hemisfério Norte. Lá para setembro, a maioria havia morrido de ataque cardíaco, derrame cerebral, exaustão ou pura e simplesmente por causa do calor. Reza a lenda que se tratava de um bloco carnavaleso involuntário: na realidade ninguém queria dançar, mas ninguém conseguia parar. Os enlutados que sobraram ficaram perplexos para o resto da vida.

Carnaval epidêmico - Vítimas da febre da dança morriam de ataque cardíaco, derrame ou exaustão (Imagem: reprodução)

Carnaval epidêmico - Vítimas da febre da dança morriam de ataque cardíaco, derrame ou exaustão (Imagem: reprodução)

Para provar que a epidemia de dança compulsiva não foi lenda coisa nenhuma, o historiador John Waller lançou, 490 anos depois, um livro de 276 páginas sobre o frenesi mortal: “A Time to Dance, A Time to Die: The Extraordinary Story of the Dancing Plague of 1518”. Segundo o autor, registros históricos documentam as mortes pela fúria dançante: anotações de médicos, sermões, crônicas locais e atas do conselho de Estrasburgo.

276 páginas - Historiador recuperou documentos da época atestando as mortes pela fúria dançante (Imagem: reprodução)

276 páginas - Historiador recuperou documentos da época atestando as mortes pela fúria dançante (Imagem: reprodução)

Um outro especialista, Eugene Backman, já havia escrito em 1952 o livro “Religious Dances in the Christian Church and in Popular Medicine”. A tese é que os alsacianos ingeriram um tipo de fungo (Ergot fungi), um mofo que cresce nos talos úmidos de centeio, e ficaram doidões. (Tartarato de ergotamina é componente do ácido lisérgico, o LSD.)

Waller contesta Backman. Intoxicação por pão embolorado poderia sim desencadear convulsões violentas e alucinações, mas não movimentos coordenados que duraram dias.

O sociólogo Robert Bartholomew propôs a teoria de que o povo estava na verdade cumprindo o ritual de uma seita herética. Mas Waller repete: há evidência de que os dançarinos não queriam dançar (expressavam medo e desespero, segundo os relatos antigos). E pondera que é importante considerar o contexto de miséria humana que precedeu o carnaval sinistro: doenças como sífilis, varíola e hanseníase, fome pela perda de colheitas e mendicância generalizada. O ambiente era propício para superstições.

Uma delas era que se alguém causasse a ira de São Vito (também conhecido por São Guido), ele enviaria sobre os pecadores a praga da dança compulsiva. A conclusão de Waller é que o carnaval epidêmico foi uma “enfermidade psicogênica de massa”, uma histeria coletiva precedida por estresse psicológico intolerável.

Nonstop dancing – Gravura do artista Henricus Hondius (1573-1610) retrata três mulheres acometidas pela praga da dança; obra é baseada em desenho original de Peter Brueghel, que teria testemunhado um dos surtos subsequentes, em 1564 na região de Flandres (Imagem: reprodução)

Nonstop dancing – Gravura do artista Henricus Hondius (1573-1610) retrata três mulheres acometidas pela praga da dança; obra é baseada em desenho original de Peter Brueghel, que teria testemunhado um dos surtos subsequentes, em 1564 na região de Flandres (Imagem: reprodução)

Outros seis ou sete surtos afetaram localidades belgas depois da bagunça iniciada por Frau Troffea. O mais recente que se tem notícia ocorreu em Madagascar na década de 1840.

Fonte: G1/Discovery News

(Comichões, vozes e intuições dão origem a livros psicografados)

SÃO PAULO – De todas as características do espiritismo, uma das mais intrigantes é a psicografia. Foi justamente o ato de escrever sob inspiração de espíritos que tornou Chico Xavier conhecido em todo o Brasil. Em 1932, ele publicou o livro “Parnaso de Além Túmulo”, com poemas que lhe teriam sido ditados por autores mortos como Castro Alves, Olavo Bilac e Augusto dos Anjos. Xavier escreveu um total de 412 livros, mas não se considerava autor de nenhum deles – todos teriam sido psicografados.

“No início, Chico Xavier dizia apenas ouvir vozes. Ele as transcrevia, às vezes até com dúvidas quanto à grafia correta, como se fosse um ditado”, explica Marcel Souto Maior, autor da biografia “As Vidas de Chico Xavier”. Posteriormente, essa relação com os “comunicantes” foi mudando. “Era uma escrita semiconsciente. Cada espírito tinha uma característica. Por exemplo, o Emanuel tem romances gigantescos atribuídos a ele. Já o André Luiz tem momentos que são quase ficção científica”, explica.

Segundo cálculos da Associação de Editoras, Distribuidoras e Divulgadores do Livro Espírita (Adeler), em 2009 foram vendidos dez milhões de livros ligados ao espiritismo. “A esmagadora maioria deles é psicografada”, explica o presidente da entidade, Ary Dourado. Ele explica que esse mercado está crescendo. “As editoras comerciais começaram a investir nesse setor, que historicamente é dominado por instituições espíritas”, diz. O centenário do nascimento de Chico Xavier, comemorado este ano, deve contribuir com esse crescimento. “Sempre que há algum evento de massa, como uma novela ou um filme, o interesse do público pelo espiritismo aumenta”.

Atualmente, o grande nome da psicografia é Zíbia Gasparetto. A médium de 83 anos afirma ter vendido 25 milhões de cópias de seus livros – ou melhor, dos livros psicografados por ela. O sucesso foi tal que ela fundou uma editora, a Vida e Consciência, especializada no filão espírita. Segundo a autora conta na introdução de “Eles Continuam Entre Nós”, seu dom manifestou-se através de um comichão. “Meu braço doía e a mão mexia contra minha vontade. Colocados papeis e lápis na minha frente, comecei a escrever rapidamente”, explica.

A escritora Zibia Gasparetto

A escritora Zibia Gasparetto

O relato aproxima-se da imagem tornada clássica por Chico Xavier: em transe, com uma mão cobre os olhos, enquanto a outra escreve de forma automática. Mas, hoje em dia, nem a própria Zibia Gasparetto age mais assim: ela prefere escrever no computador, porque assim consegue acompanhar mais rapidamente o que os espíritos lhe ditam. Há ainda casos em que nem as famosas vozes estão presentes. É o caso da escritora carioca Mônica de Castro, que só percebeu que seu primeiro livro havia sido psicografado depois de terminá-lo.

“Um dia eu acordei com um nome na cabeça, Rosali”, conta a autora. Junto com o nome, a vontade de escrever. Pouco tempo depois, o livro “Uma História de Ontem” estava pronto. “Quando eu terminei, o Leonel (comunicante de todas as obras psicografadas por Mônica) me passou uma mensagem. Eu nem imaginei que até aquele momento estava psicografando”, conta. Isso acontece por que Monica é, segundo suas próprias palavras, uma médium intuitiva. “Meu processo é todo mental, e o pensamento não precisa de palavras”, teoriza.

Fonte: IG

(Internet está minando capacidade de concentração dos jovens)

Li a notícia e não pude evitar a associação com a ideia da SPA – Síndrome do Pensamento Acelerado, descrita pelo psiquiatra brasileiro e autor best-seller Augusto Cury.

Para os que não estão familiarizados com a SPA, explico: a Síndrome do Pensamento Acelerado se refere aos efeitos do excesso de estímulos que as novas gerações – sim, é um problema “moderno” – têm sofrido (pela tv, internet etc), que acarretam não apenas uma mudança drástica na qualidade dos pensamentos  -, mas principalmente na velocidade que os pensamentos surgem e mudam. A SPA seria então uma hiperatividade funcional não-genética.

Pessoas com SPA têm ansiedade demais e concentração de menos. O que explica o fato, como concluído na pesquisa abaixo, de que os mais jovens, atualmente, não terem “paciência” para ler um texto comprido (que derá um livro inteiro!) , pesquisar mais fontes ou sequer escrever um texto mais elaborado (= longo). Para atrair a atenção de pessoas com SPA é preciso causar muito impacto emocional, afinal, estão sempre procurando – compulsivamente, diga-se de passagem – por mais e mais estímulos. E isso não é observado apenas na Educação – em relação à imensa dificuldade que os professores têm em manter seus alunos concentrados ou pior, em atrair suas atenções – mas em tudo. Hoje, para um filme fazer sucesso, por exemplo, é necessário muito CG (computer graphics) e efeitos especiais. O mesmo padrão se observa com jogos de videogame, que estão cada vez mais detalhados e complexos. Alguém ainda lembra daquele joguinho de fazer a galinha atravessar a rua, dos bons e velhos tempos do Atari? E pensar que aquilo podia divertir famílias inteiras… Novamente, o padrão pode ser notado inclusive nos “novos relacionamentos” – é difícil se manter com uma pessoa de cada vez… O “ficar” é só um exemplo.  A ideia central da SPA é que as pessoas “portadoras da síndrome” nunca tem paz interior: as pequenas coisas do dia-a-dia não provocam nenhum prazer, o agora não é interessante, o que importa é o futuro e a busca por novos – e mais emocionantes – estímulos.

Segundo Cury, os sintomas da SPA são:

- Irritabilidade

- Insatisfação existencial

- Dificuldade de concentração

- Déficit de memória (esquecimento)

- Fadiga excessiva

- Sono alterado e/ou insuficiente

- Perturbações emocionais (flutuação do humor)

- Aversão à rotina

- Sofrimento por antecipação

- Muita ansiedade

Alguns dos sintomas psicossomáticos decorrentes da SPA são:

- Dor de cabeça

- Dores musculares

- Taquicardia

- Gastrite

O autor destaca ainda, em seu livro “Pais Brilhantes, Professores Fascinantes” que:

“Com respeito ao excesso de informação, é fundamental saber que uma criança de sete anos de idade da atualidade tem mais informações na memória do que um ser humano de setenta, há um ou dois séculos.”

(pg. 61)

Para Cury, o grande problema da baixa qualidade de vida do homem moderno reside exatamente no “pensar demais”. É bom pensar, é claro. É necessário, em boa parte das situações da vida. Mas a grande questão, creio eu, reside na seguinte reflexão:

Eu controlo meus pensamentos ou são os meus pensamentos que me controlam?

Você consegue se “desligar”? Consegue manter o “silêncio”, não só exterior, mas interiormente?

Se você sentiu-se impaciente ou inquieto ao ler esse post até aqui, ou observou que possui alguns (ou até todos) dos sintomas da SPA, está na hora de desacelerar… Vá para um lugar silencioso, tenha um hobby relaxante (pintura, artesanato, desenho etc), desligue-se da TV e do computador sempre que puder, faça meditação (tá pra nascer algo melhor do que meditação para tranquilizar a mente e inspirar o espírito), leia um bom livro, pratique um esporte ou atividade física. Enfim, concentre-se em ter pensamentos melhores, ao invés de mais pensamentos. No que se refere ao ato de pensar, menos é sempre mais.

E vamos ao estudo:

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A internet está comprometendo a capacidade de concentração dos jovens, segundo um estudo da University College de Londres.

David Nicholas, o acadêmico responsável pelo trabalho, chegou à conclusão que os adolescentes estão perdendo a capacidade de ler e escrever textos longos, já que a grande rede faz com que as mentes desse grupo populacional funcionem de um modo diferente do cérebro de gerações anteriores.

Durante o estudo, 100 pessoas foram convidadas a responder perguntas que exigiam um pouco de pesquisa. Os mais jovens (de 12 a 18 anos) escreveram suas respostas após consultar metade dos sites visitados por um grupo de pessoas mais velhas instruído a fazer o mesmo. Também foi constatado que as respostas dos mais novos eram mais incompletas.

Segundo Nicholas, 40% dos adolescentes que participaram do estudo não consultaram mais que três das milhares de páginas encontradas na internet sobre um determinado assunto.

Já as pessoas que se educaram antes da chegada da internet voltavam às mesmas fontes e se aprofundavam nelas em vez de pular de uma página para outra.

Há provas empíricas de que a sobrecarga de informação e o pensamento associativo está remodelando o funcionamento do cérebro dos jovens“, destacou o psicólogo Aleks Krotoski.

Fonte: EFE/Terra

O Segredo da Felicidade

“(…) O que os outros dizem é verdade só para eles. É como eles expressam a experiência de vida deles. Mas se você aprender a escutar, verá que entre essas mentiras a verdade aparece.  E você conseguirá perceber essa verdade. Se você não acreditar em si mesmo, se não acreditar em mais ninguém – nem em mim – todas essas mentiras não irão sobreviver, mas a verdade irá sobreviver. Acreditando ou não, o sol estará no céu todo dia.  Não é preciso acreditar na verdade para que ela exista. Mas para as mentiras existirem é preciso que se acredite nelas.”

Don Miguel Ruiz (autor de “Os Quatro Compromissos“)

“Se você quiser ser feliz um dia inteiro, vá fazer compras. É ótimo, mas não dura e depois chega a conta do cartão. Se quiser ser feliz um fim de semana todo faça um programa gostoso, vá pescar, vá jogar golfe. Se quiser ser feliz um mês inteiro, tire férias. Vá para a Austrália, você vai se divertir. Se quiser ser feliz um ano inteiro, herde uma fortuna. Mas se quiser ser feliz a vida toda, precisa fazer diferença na vida das pessoas. Precisa dar a sua contribuição. A maioria das pessoas se preocupa tanto em ter sucesso, que se esquece do significado. E essa é a grande conquista, ter significado, não ter sucesso.

Matthew Kelly (autor de “O Ritmo da Vida” e “O Administrador de Sonhos“)

O documentário/filme que trago hoje se chama “O Segredo da Felicidade“. Quem assistiu e gostou de “Somos Todos Um”, certamente irá gostar do Segredo da Felicidade, pois é muito parecido com o primeiro. Basicamente, um rapaz – um jovem ator -  parte em busca de uma resposta, um método, uma explicação, enfim, uma luz, sobre como ser feliz. Para isso ele entrevista todo tipo de pessoa, desde um morador de rua e um ex-preso político, passando por um mecânico guru, um rabi surfista, uma sacerdotisa Vodu, professores acadêmicos, até autores famosos de espiritualidade e auto-ajuda como Eckhart Tolle e o Rev. Michael Beckwith (mais conhecido por sua participação no filme “O Segredo”). O resultado é um filme repleto de grandes insights, alguns vindo de pessoas que você jamais imaginaria. As citações que introduzem o post eu extrai de duas entrevistas que foram feitas, para dar uma ideia do que é tratado no filme e da qualidade da mensagem que é passada ali.

Inclusive, antes de partir para o vídeo quero deixar como recomendação o livro “Os Quatro Compromissos” de Don Miguel Ruiz. É um livro fininho, objetivo e prático que traz um pouco da filosofia e sabedoria tolteca e, sinceramente, está entre as melhores leituras que já tive. Os quatro compromissos do título se referem às quatro atitudes que você deve se comprometer a tomar, para sair do “sonho do mundo” (os tais condicionamentos, pensamentos padronizados, crenças limitadoras etc) e passar a viver uma vida verdadeiramente autêntica. Não quero entregar muito a ideia do livro, mas cito resumidamente quais seriam esses quatro compromissos, que, apesar de tão simples e acessíveis (você pode começar a colocá-los em prática neste exato instante, não requer nenhum conhecimento e/ou treinamento/iniciação/etc prévios) tem realmente o poder de nos fazer “acordar”. Os quatro compromissos são:

- Seja impecável com a sua palavra: fale com integridade. Diga somente o que quer dizer. Evite utilizar a palavra para falar contra si mesmo (coisas como “Estou gordo (a)”, “Sou burro (a) mesmo”, “Ninguém me entende”, “Nada dá certo para mim”, etc) ou para fazer fofoca dos outros (o que acontece ou deixa de acontecer aos outros não é problema seu, e sua vida não tem como ficar melhor ou mais feliz se você investe seu tempo e energia especulando ou comentando sobre a vida de terceiros…).

- Não leve nada para o lado pessoal: nada que os outros façam é por sua causa. O que os outros dizem e fazem é projeção de suas próprias realidades, do sonho deles. Quando você é imune à opinião e a ação dos outros, você não será vítima de sofrimentos desnecessários. E aqui o autor tem a grande sacada de não limitar o compromisso de não levar nada para o lado pessoal apenas às opiniões e ações negativas. Quando alguém te elogia ou te agrada você também não deve levar para o lado pessoal. Afinal, tudo é projeção. Tanto as coisas ruins que te dizem, como  as boas.

- Não tire conclusões: encontre a coragem de fazer perguntas e de expressar o que você realmente quer. Comunique-se com os outros o mais claramente possível, de modo a evitar desentendimentos, tristeza e drama. Com somente esse compromisso, você pode transformar completamente a sua vida.

- Sempre faça o seu melhor: o seu melhor irá mudar de momento a momento; será diferente quando você está saudável e oposto quando estiver doente. Sob qualquer circunstância, simplesmente faça o seu melhor e você irá evitar o auto-julgamento, a culpa e o arrependimento.

Então, friso novamente aqui a recomendação da leitura desse livro. E vamos ao Segredo da Felicidade:

Parte 1:

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Parte 2:

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Parte 3:

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Parte 4:

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Parte 5:

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Parte 6:

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Parte 7:

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Parte 8:

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Parte 9:

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Parte 10:

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Parte 11:

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Parte 12:

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10 – 10 – 10

Caiu nas minhas mãos o livro mais recente da autora, jornalista e palestrante norte-americana Suzy Welch (ela é casada com Jack Welch, executivo e autor de renome internacional), entitulado “10 – 10 – 10, Hoje, Amanhã e Depois”.  A autora é bem conhecida nos EUA, e “10-10-10” é um best-seller por lá, estando listado no New York Times. Suzy inclusive escreve uma coluna de sucesso na revista The Oprah Magazine (da apresentadora Oprah Winfrey).

10 10 10: Hoje, Amanhã e Depois

Bem, o título me interessou por que trata basicamente de um método para se tomar decisões mais acertadas. A idéia que Suzy vende no livro (ela literalmente vende… 80% dos capítulos são só exemplos de casos bem-sucedidos de pessoas que utilizaram o método proposto por ela – “olha como dá certo!” ) nada mais é do que, ao se deparar com algum dilema, projetar o resultado/reação de uma determinada ação no curto, médio e longo prazo. É isso o que significa o tal 10 – 10 – 10: 10 minutos, 10 meses, 10 anos.  Na verdade, se você ler a orelha e a contra-capa do livro, acabará boa parte da graça de ler o dito cujo, já que o método já é explicado (mesmo que brevemente) ali…

Enfim. Segundo a autora, nem sempre podemos confiar em nossa intuição (ela prioriza bastante a razão). E aqui, antes de continuar, eu sou obrigada a discordar. Você só não pode confiar na sua intuição, quando ainda não está habituado a ouvi-la ou não a tem “treinada”. Mas, é natural que Suzy desmereça a intuição como guia ou auxiliar na tomada de decisões, ela fundamenta bastante suas idéias nas teorias da psicologia evolucionista, que é um tanto materialista. Também tenho a impressão que a autora confunde um pouco intuição com emoção (no sentido de agir na impulsividade). Entretanto, dentro do contexto do livro, isso não é defeito, é apenas detalhe. Continuando a partir da idéia de que a intuição nem sempre é de confiança, ela teve um insight daquele que seria o método (quase) revolucionário para se tomar decisões melhores ou mais acertadas. O tal insight surgiu depois que Suzy passou por alguns maus bocados não só em sua vida afetiva, mas profissional, devido às decisões tomadas com base na emoção (frequentemente negativa – como raiva, tristeza, frustração) e não na razão (avaliando valores, resultados, impacto futuro, planos).

Particularmente, a idéia do 10 – 10 – 10 que Suzy propõe é boa, mas não é exatamente original. O ponto alto do livro, na minha opinião, é o fato da autora explicar, com exemplos de problemas reais, de pessoas reais, como se toma uma decisão fundamentada nos seus próprios valores pessoais, projetando para o futuro o resultado das suas ações no presente. Se todos colhemos apenas o que plantamos, é bom tentar prever quais serão os frutos que se originarão das sementes que plantamos hoje –e, o mais importante: se esses frutos nos agradam ou são aqueles que realmente desejamos para nós. Isso é importante porque nos faz ter maior controle de nossas vidas. Porém (sim, existe um porém – e bem grande, segundo penso) não é tão simples assim projetar reações ou resultados. Muitas vezes você pensa que ao tomar determinada decisão, tal e tal coisa irá (certamente, assim você acredita) acontecer, será essa a tal reação da sua família ou do seu chefe ou dos seus colegas. Mas você se surpreende… não era como havia imaginado. Ou, os seus valores mudam no médio prazo (“10 meses” por exemplo), mas no momento da decisão (agora) esses eram seus valores. Ou, algo totalmente inesperado acontece (coisas da vida!) e muda tudo. O que estou querendo dizer com todas essas possibilidades é que não existe método infalível e que nem sempre a sua razão vai ser sua melhor amiga, especialmente quando você estiver frente a um grande dilema/escolha/decisão. Na verdade, a sua razão vai quase que sempre optar pela zona de conforto, pelo conhecido, pelo menos arriscado. Ou não? O que te faz tomar uma decisão corajosa normalmente é outro tipo de impulso… mais profundo, mais poderoso – um impulso oriundo de um lugar em que as mentiras que você conta para si mesmo não conseguem atingir. Sabe? Pois. O método de Suzy pode ser muito interessante se a pessoa souber dosar razão com intuição e tiver valores pessoais de vida (as coisas que você quer – um bom casamento, uma família unida, um trabalho gratificante etc) que sejam verdadeiramente seus e que estejam bem estabelecidos na sua mente (mesmo que mudem com o tempo). De outro modo, o método só te ajuda a tomar decisões conservadoras, previsíveis.

Recomendo a leitura do livro a todos que sentem que suas vidas estão fora do seu controle, ou que tendem a tomar decisões sempre baseados na emoção (impulsividade – agir no momento), sem equilibrar com a razão. Todavia, continuo a bater insistentemente na tecla de que decisões realmente conscientes envolverão mais do que apenas racionalidade, envolverão principalmente muito autoconhecimento… Mas, no final das contas, é só dele que você precisa mesmo! ;-)

O site oficial do livro no Brasil: http://www.dezdezdez.com.br/

(Senado aprova projeto do Vale Cultura)

Apesar da iniciativa do projeto ser até louvável – à primeira vista – penso que o grande problema com relação à pouca leitura do povo brasileiro não seja apenas uma questão financeira. Não é somente a falta de dinheiro que impede as pessoas de lerem… afinal, existem bibliotecas públicas, recheadas de livros para leitura grátis. Sebos, com livros a preços mais acessíveis. Na internet, vários sites com ebooks gratuitos. E nem por isso as pessoas estão largando a televisão. Lembram daquela “mobilização” da MTV Brasil, em interromper a programação e colocar uma tela preta dizendo aos telespectadores para saírem da frente da tv e ler um livro? Alguém aí pensa que isso surte algum efeito??? É só trocar de canal… A intenção podia ser boa, mas a partir do momento que você precisa “convencer”, “mandar”, enfim, tentar forçar a leitura de um livro “goela abaixo” de alguém, é por que o problema vai um pouco além da simples falta do hábito de ler. Não é só mandar ler um livro. Ler o que? Por que ler? E a grande questão: como ler? O problema da interpretação do que se lê, do saber separar o joio do trigo, na minha opinião, é o mais importante. E logo esse é o mais precariamente trabalhado, principalmente na rede pública de ensino. De que adianta ler se você não compreende o que está lendo? Qual a finalidade de ficar passando os olhos por cima de um aglomerado de palavras que não lhe dizem nada?

Certamente o “Vale Cultura” terá mais uso na compra de ingressos de shows e cinema. E também, é claro, na compra de revistas e gibis. Mas… uma revista de fofoca pode ser considerada “cultura”? Uma revista erótica pode? Faz diferença, intelectual e culturalmente falando, ler “romances de banca” (como os famosos “Sabrina”, “Bianca” etc)? E ler só gibis? É claro que todos os exemplos anteriores podem ser considerados “entretenimento”, diversão, e todo mundo precisa um pouco disso. Mas são “cultura“? Uma pessoa se torna um ser humano melhor com esse tipo de leitura? Esse tipo de material estimula a criatividade ou o senso crítico, por exemplo? As pessoas que mais precisam de leitura são exatamente aquelas que menos irão usufruir do benefício do vale dessa forma. É sempre assim. É como aquelas propagandas do “voto consciente”. Elas só atingem o público que não precisa delas. Não adianta dizer que não se deve trocar o voto por dinheiro, cesta básica, tijolo etc. Só quem não precisa ouvir isso que se importa. É querer ficar remediando ao invés de prevenir. A velha história do tapar o sol com a peneira. Todo esse problema tem sua raíz na educação básica (que aliena mais do que educa). Porém, preciso frisar, não é somente uma questão de acesso a educação, mas do acesso a que TIPO de educação…

O debate vai longe…

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O projeto que cria o Vale Cultura foi aprovado pelo Senado. De autoria do ministério da Cultura o Vale-Cultura é um benefício no valor de R$ 50 semelhante ao Vale Refeição, mas para ser gasto com livros, ingressos de shows, cinema e teatro, por exemplo.
Terão direito ao benefício trabalhadores com carteira assinada que ganham até cinco salários mínimos.
No Senado, foram incluídas no projeto entre as possibilidade de utilização do vale, a compra de revistas culturais e jornais diários, mesmo após críticas de alguns parlamentares de que esta emenda possibilitaria o trabalhador comprar a revista Playboy e gibis com o dinheiro do benefício.
Como sofreu alterações, o texto voltará para análise da Câmara dos Deputados. Estima-se que a iniciativa injetará R$ 7,2 bilhões por ano no mercado cultural do País. De acordo com o relator do projeto na CCJ, senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), o projeto “fortalecerá as cadeias produtivas da economia da cultura; as manifestações de diversidade cultural brasileira; a profissionalização; o fortalecimento técnico dos trabalhadores e empresas do setor; a geração de renda, trabalho e emprego num dos setores mais dinâmicos e criativos da economia”.

O projeto que cria o Vale Cultura foi aprovado pelo Senado. De autoria do ministério da Cultura o Vale-Cultura é um benefício no valor de R$ 50 semelhante ao Vale Refeição, mas para ser gasto com livros, ingressos de shows, cinema e teatro, por exemplo.

Vale Cultura

Terão direito ao benefício trabalhadores com carteira assinada que ganham até cinco salários mínimos.

No Senado, foram incluídas no projeto entre as possibilidade de utilização do vale, a compra de revistas culturais e jornais diários, mesmo após críticas de alguns parlamentares de que esta emenda possibilitaria o trabalhador comprar a revista Playboy e gibis com o dinheiro do benefício.

Como sofreu alterações, o texto voltará para análise da Câmara dos Deputados. Estima-se que a iniciativa injetará R$ 7,2 bilhões por ano no mercado cultural do País. De acordo com o relator do projeto na CCJ, senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), o projeto “fortalecerá as cadeias produtivas da economia da cultura; as manifestações de diversidade cultural brasileira; a profissionalização; o fortalecimento técnico dos trabalhadores e empresas do setor; a geração de renda, trabalho e emprego num dos setores mais dinâmicos e criativos da economia”.

Fonte: Último Segundo/AE

(Saramago enfrenta críticas de conservadores com “Caim”)

Continuando a polêmica em torno de Saramago, dessa vez é o lançamento de seu novo livro “Caim”, que tem levantado críticas belicosas pelas partes religiosas mais conservadoras…

Interessante e um tanto ousada a ideia de vendê-lo junto com a Bíblia, como diz o artigo…

Mal posso esperar para adquirir o meu exemplar! :-)

Os grifos são meus!

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Por Cristina Fuentes-Cantillana MADRI (Reuters) – O escritor português José Saramago apresentou em Madri seu livro “Caim”, um olhar irônico sobre o Velho Testamento que recebeu críticas fortes da Igreja Católica e grupos de direita desde seu lançamento em Portugal, há duas semanas.

Não escrevo para agradar e tampouco escrevo para desagradar“, explicou o autor, Prêmio Nobel de Literatura em 1998. “Escrevo para desassossegar.”

Saramago - Caim

No livro, caim e deus – com seus nomes sempre grafados com letra minúscula – fazem um trato e acordam que o castigo por matar abel será vagar pelo mundo com uma marca na testa e sem chegar a morrer.

Assim, em tom humorístico, o escritor português faz uma crítica à obediência cega.

“É verdade que há um movimento de ‘embotamento‘, com perdão, na sociedade atual, em meu país e em qualquer outro”, disse Saramago na segunda-feira.

“Caim” segue na esteira de “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, de 1991, no qual o autor revisou o Novo Testamento, dando-lhe um novo narrador.

Sua nova obra vem provocando uma reação por parte da extrema direita política portuguesa que Saramago definiu como “muito violenta”, embora tenha dito que quem criticou o livro ainda não teve tempo de fazer sua leitura.

“(A queixa principal) é que não deveria ter feito uma literatura literal em lugar de simbólica”, comentou. “O problema é que as visões simbólicas são muitas.”

Na primeira semana de “Caim” nas livrarias portuguesas e brasileiras já foram vendidos cerca de 30 mil exemplares do livro, que agora está sendo oferecido juntamente com a “Bíblia” em muitas livrarias, segundo um editor de Saramago.

A tiragem inicial em espanhol é de 130 mil exemplares, segundo a editora Alfaguara.

O caim da história presencia os acontecimentos do Velho Testamento, como a ordem dada a Abraão para sacrificar seu filho ou a destruição de Sodoma e Gomorra.

“Todos temos a obrigação de observar nossa sociedade, uma sociedade em que a violência é socialmente aceita”, explicou o autor.

“Criamos um Deus à nossa imagem e semelhança (…) e por isso ele é tão cruel, porque nós somos cruéis.”

Fonte: Estadão/Reuters

Evolução Criativa das Espécies

Eu estava à procura de uma terceira teoria.

Uma que não fosse fantasiosa a ponto de negar evidências fósseis concretas ou que tentasse adaptar datações contraditórias a um mito de criação que deveria ser lido como poesia, nunca como prosa, e que portanto jamais deveria ser considerado meramente em seu sentido literal.

Uma que não fosse reducionista, que não resumisse a vida a uma mera luta por sobrevivência, as criaturas vivas à máquinas sem sentido, e o nosso inegável mundo interior, a nossa mente, a nossa Consciência a reles e medíocres epifenômenos do cérebro (a todos aqueles que se veem dessa forma, só tenho a lamentar).

Acredito que o físico teórico nuclear indiano, Amit Goswami, pode ter encontrado uma forma de unir evolução e design inteligente, tendo como fundamento para uma nova biologia, a física quântica, e não mais a física clássica. A ideia do autor é não só conciliar ciência e espiritualidade, mas preencher as imensas lacunas que continuam a assombrar ambas as TEORIAS – Darwinista e do Design Inteligente.

Goswami explica a evolução da vida pelo que chama “primado da Consciência”. Basicamente ele parte da premissa que a Consciência é a base da existência, não a matéria; e que, na verdade, tudo é, de fato, consciência. Desse modo ele evita o dualismo (mente x matéria) e cria um novo paradigma para uma nova biologia, assentado nos princípios da Física Quântica. Lembrando que toda vez que Goswami fala em “Deus”, ele não fala do “Deus” como entendendido e conceituado pelas religiões. O “Deus” da evolução criativa é um princípio organizador, não físico e não material;  jamais um fantasmão barbudo e legislador, que pode ser “encontrado” em algum endereço metafísico que essa ou aquela religião diz ser a única a conhecer…

Nem preciso dizer que o livro dele é considerado “pseudociência”, não é? Mas ao invés de se limitar por essas interpretações suspeitas e prematuras, nada como estudar as ideias que Goswami apresenta no livro por contra própria, certo? Então. A ideia desse post é trazer alguns dos argumentos apresentados pelo autor e, assim, despertar a curiosidade do leitor, de forma a abrir a mente para outras possibilidades. Por que, convenhamos, é um saco ter só duas opções… ;-)

Pois. Para os que estão cansados da dicotomia Darwin x Deus, transcrevo abaixo alguns trechos introdutórios que considerei instigantes do livro “Evolução Criativa das Espécies“, que fica aqui como uma recomendação não só de leitura, mas de reflexão. Evidentemente que os trechos em questão servem apenas como aperitivo, todos os argumentos expostos abaixo são exaustiva e gradualmente explicados pelo autor no livro já mencionado.

Evolução Criativa das Espécies

Para conhecer melhor as ideias de Amit Goswami, recomendo também assistir a excelente entrevista que ele deu para o programa Roda Viva, que você pode ver clicando aqui.

Eventuais grifos são meus!

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“A teoria da evolução de Darwin é a base da biologia, mas todo biólogo moderno – em seus momentos de total honestidade – ouve estalidos dessa base ranger.

O darwinismo é uma teoria de evolução contínua. Mas, agora, é um segredo público o fato de que algumas lacunas fósseis – descontinuidades nas linhagens fósseis evolucionárias – representam uma séria ameaça à comprovação plena da teoria de Darwin. Sabe-se também que a teoria de Darwin e a existência de Deus são ideias mutuamente excludentes. No entanto, se, na melhor hipótese, a teoria de Darwin é uma teoria incompleta da evolução, capaz apenas de explicar suas eras contínuas, há espaço para que Deus faça seu retorno.

As teorias do desígnio inteligente procuram reviver Deus, seja de forma explícita, como no criacionismo, seja implícita, apontando a inteligência e deixando o indivíduo inferir a existência de um desenhista, mas terminam negando também a evolução. Que modo engenhoso de evitar as lacunas fósseis: sem evolução, não há lacunas fósseis para se explicar. Infelizmente, há muitas evidências críveis a favor da ancestralidade evolucionária do ser humano para que esse desvio funcione.”

(pág 15)

“Embora os teóricos do desígnio inteligente não percebam, existe uma forte evidência experimental do desígnio e propósito da vida: a evolução da vida vai da simplicidade para a complexidade. Analisando apenas os dados fósseis, qualquer pessoa inteligente pode distinguir entre momentos passados e futuros. Em outras palavras, o registro fóssil da evolução biológica proporciona uma inconfundível flecha do tempo. Os teóricos do desígnio inteligente não perceberam a importância deste fato por causa de sua noção preconcebida de que sequer existe evolução.

Os darwinistas, todavia, tentam compreender a tendência evolucionária na direção da complexidade e da inteligência. Mas suas tentativas baseiam-se no conceito do determinismo genético – segundo o qual a evolução é determinada e movida pela necessidade de sobrevivência dos genes (Dawkins, 1976). Esta ideia permite que os biólogos atribuam todo e qualquer indício seguro de inteligência da vida – sentimentos, significados e, com certeza, a própria consciência, apenas citando alguns – a epifenômenos adaptativos do impulso genético pela sobrevivência às mudanças ambientais. O conceito é muito fraco, por dois motivos. Primeiro, foram apresentados fortes argumentos teóricos, mostrando que as moléculas das quais os genes constituem parte não têm a capacidade de processar sentimento, significado ou consciência. Então, como essas qualidades podem se desenvolver por adaptação a partir do nada? Segundo, a maior parte dos biólogos acredita que a biologia esteja essencialmente ligada à física, mas recentemente a própria física, sob a pressão de fortes dados experimentais, abandonou o determinismo estrito e cedeu espaço para uma ocasional escolha consciente.

(…)

A simpatia que uma parcela do público americano sente pela teoria do desígnio inteligente não tem origem meramente religiosa. Ela pode ser localizada no desconforto sentido diante das atitudes implícitas no evolucionismo darwiniano ou, mesmo, no próprio materialismo científico. Como esses pontos de vista podem ser levados a sério se eles agridem a inteligência do ser humano, sua capacidade de processar sentimento e significado, e sua própria consciência, rotulando-os como uma dança sem sentido e epifenomenal de partículas elementares e de seus conglomerados, os genes? As pessoas também se sentem desconfortáveis porque o darwinismo não diz nada de significativo acerca do futuro da evolução humana. Será que a evolução leva a uma inteligência maior? O darwinismo é equívoco: a evolução pode levar a organismos mais ou menos complexos, a uma inteligência mais ou menos acentuada. Não se pode prever; o resultado fica por conta do acaso e da necessidade de sobrevivência.”

(pág. 17)

“Muita gente descarta de antemão a ideia do desígnio inteligente porque ‘todo mundo sabe’ que Darwin e seus seguidores mostraram que a evolução deixa de lado o desígnio inteligente e o desenhista. É certo que a tão elogiada teoria de Darwin tenta explicar a evolução sem evocar o conceito do desígnio inteligente. Contudo, também é verdade que, segundo a teoria de Darwin, a evolução é contínua e deveria produzir um registro fóssil contínuo de toda a evolução. Infelizmente, os registros fósseis mostram lacunas gritantes em muitos pontos importantes. Em outras palavras, a evolução não é apenas contínua, como também descontínua (Eldredge & Gould, 1972). A evolução foi comparada a uma prosa com pontuação: os sinais de pontuação são descontinuidades em um texto que, de outro modo, seria contínuo. O darwinismo não pode oferecer uma explicação plenamente crível para essa descontinuidade. Neste livro (Evolução Criativa das Espécies), leva-se a descontinuidade na evolução biológica muito  a sério e mostra-se que, como os conhecidos saltos descontínuos das próprias experiências criativas da espécie humana (Harman & Reingold, 1984), as lacunas fósseis são assinaturas da criatividade biológica. E a criatividade é um sinal definitivo de inteligência. Deste modo, mostra-se que a evolução prova o desígnio inteligente.”

“Todo biólogo deve estar dolorosamente ciente de que a biologia é uma ciência incompleta. Ela precisa de novos princípios organizadores, princípios não físicos e não materiais, para explicar três mistérios perenes: a diferença entre vida e não-vida (Davis, 1988), o desenvolvimento de um embrião até a forma biológica adulta (Sheldrake, 1981) e, como enfatizado aqui e por Eldredge & Gould (1971), os pontos descontínuos da evolução. Infelizmente, não é politicamente correto para um biólogo admitir essas deficiências em público.”

(pág 19)

“A principal evidência científica para a evolução biológica são os dados fósseis. Segundo o darwinismo, a história da evolução é contínua: a transição entre uma espécie anterior a uma posterior é incremental e contínua, e os dados fósseis deveriam refletir isso. Infelizmente, esta premissa não prosperou; sabe-se das famosas lacunas fósseis já mencionadas, lacunas que aparecem quando os dados fósseis são vistos como uma cronologia dos ancestrais evolucionários. O próprio Darwin conhecia esse problema, mas tinha confiança – justificadamente – em que investigações posteriores iriam apresentar os fósseis intermediários que ocupariam as lacunas. Com efeito, de vez em quando se ouve falar na descoberta de intermerdiários, mas, segundo a teoria de Darwin, milhares e milhares desses intermediários já deveriam ter sido descobertos até o momento. Tais descobertas não aconteceram. Assim, as lacunas fósseis suscitam dúvidas legítimas sobre a veracidade do darwinismo (e de sua encarnação posterior, o neodarwinismo) como a teoria completa da evolução.”

(pág. 21)

“Na ciência, os resultados experimentais constituem o juiz supremo; se os dados falseiam as previsões de uma teoria, deve-se abrir mão da teoria, ou, no mínimo, modificar adequadamente seu escopo. Assim, analisem-se os dados.

Os biólogos afirmaram que o criacionismo não suporta bem esse teste científico supremo. Esta afirmativa é correta. De acordo com a teoria do criacionismo, Deus criou o mundo há 6 mil anos, em apenas seis dias. Demonstrou-se, acima de qualquer dúvida, que esta afirmativa é falsa; há muitos dados geológicos e até físicos (datação radioativa) que mostram, de forma convincente, que a Terra tem aproximadamente 5 bilhões de anos.

Mas os criacionistas fizeram a afirmativa, igualmente válida, de que a teoria da evolução de Darwin é falsa por causa das lacunas fósseis. Uma das principais previsões teóricas de Darwin era que as lacunas acabariam sendo preenchidas à medida que se aprimorassem as investigações empíricas; muitos biólogos posteriores expressaram otimismo similar. O fato é que se aprimoraram as técnicas de investigação empírica, e, assim como se pode afirmar com precisão a idade da Terra, pode-se afirmar com precisão que as lacunas fósseis são bem reais: estão aí para ficar.

É claro que alguns elementos intermediários acabaram causando sensação. Por exemplo, nos relatos de intermediários feitos pelo biólogo J.G.M. Thewissen e seus colaboradores (1994), fez-se muito alarido em torno do fóssil intermediário de um animal que podia se mover tanto em terra como na água, uma baleia terrestre, por assim dizer. Mas quantos casos desse tipo existem hoje? Uma busca minuciosa pelos campos da internet mostra apenas cinquenta casos de intermediários em toda a linhagem de peixes, anfíbios e répteis de umas 42 mil espécies.

A descoberta de intermediários é importante porque desacredita o criacionismo em favor do evolucionismo; infelizmente, evolucionismo e darwinismo não são a mesma coisa. Repete-se: segundo as previsões teóricas do darwinisnmo e de suas versões posteriores, deveria haver milhares e milhares de casos registrados de intermediários, preenchendo a maioria das lacunas fósseis. Isso não aconteceu, e, portanto, a questão das lacunas fósseis não pode ser refutada simplesmente por uns poucos casos de descoberta de fósseis de transição.”

(pág. 25)

“Para alguns biólogos, o fato de os dados fósseis terem lacunas sugere claramente que há dois ritmos de evolução, um lento e outro rápido. A ideia é que, durante os períodos rápidos de evolução, não há tempo suficiente para a formação de fósseis, daí as lacunas fósseis. Na descrição bastante evocativa de Niles Eldredge e Stephen Jay Gould, a evolução é como uma prosa contínua, modulada por sinais de pontuação – vírgulas e pontos. O darwinismo é uma teoria da evolução no ritmo lento; só pode explicar a prosa contínua. Então, qual o mecanismo por detrás do ritmo rápido da evolução, dos sinais de pontuação? Cria-se um mistério. Em vez de lidar com o mistério, os biólogos tradicionais procuram febrilmente teorias para justificar as lacunas fósseis, sem terem de introduzir o inconveniente ritmo rápido. Sem ritmo rápido, sem novos mecanismos. O lento e confiável par darwinista do acaso e da necessidade terão de bastar.”

(pág. 29)

Só os cálculos de probabilidade já tiram do darwinismo a capacidade de explicar a evolução, seja micro, seja macro. (…) (Robert) Shapiro (biólogo) mostrou que o número máximo de eventos aleatórios disponíveis em 1 bilhão de anos de evolução é de 2,5 x 1051. O astrofísico Arne Wyller (2003), com base em premissas muito conservadoras, deduziu que, para criar o bilhão de espécies multicelulares que já existiram na Terra até hoje (segundo o biólogo de Harvard, Richard Lewontin), teriam sido necessários mais de 10¹°°°°°°°°°°°° eventos aleatórios. Este número, obviamente, é muito, muito maior do que o número máximo de eventos aleatórios disponíveis, segundo os cálculos de Shapiro.”

(pág. 30)

“Na física quântica, os objetos são representados como possibilidades (uma onda de possibilidade); entretanto, quando um observador observa, as possibilidades entram em colapso e se tornam realidade (por exemplo, a onda se torna uma partícula após o colapso). Esse é o efeito do observador. Mais importante ainda, o colapso quântico de possibilidades em uma realidade é descontínuo, e, assim, a descontinuidade dos sinais de pontuação da evolução se acomoda instantaneamente, caso sejam vistos como exemplos de criatividade quântica – o colapso descontínuo da possibilidade quântica em uma realidade. Esta premissa forma o núcleo da teoria da evolução criativa.

E, principalmente, a causação descendente introduzida pelo colapso quântico é consistente com uma filosofia, o idealismo monista, que evita o dualismo e transcende o materialismo. Sob a égide desta filosofia, a consciência se firma como a base da existência, na qual a matéria existe como ondas de possibilidades. A causação descendente do evento do colapso consiste na consciência que escolhe a realidade em meios às possibilidades.

(pág. 32)

Suponha-se que se postule que a consciência é a base de toda existência e que tudo é feito de consciência. Então, a matéria consiste de possibilidades da própria consciência. O colapso de uma onda de possibilidade quântica de matéria para a realidade material que o ser humano experimenta, consiste na consciência que escolhe entre suas próprias possibilidades, e o dualismo não emerge.”

(pág. 43)

“Em sua natureza básica, a consciência é cósmica, a primeira e única. O ego é uma individualidade ilusória, separada, que surge por causa da identificação da consciência com o cérebro e seu subsequente condicionamento.”

(pág. 46)

“A teoria darwiniana da evolução baseia-se na seleção natural e a natureza seleciona os organismos mais aptos a sobreviver. Na visão materialista um organismo é apenas um feixe de moléculas que são completamente especificadas por suas propriedades físicas e químicas. Em nenhum ponto dessas propriedades o indivíduo irá encontrar uma propriedade chamada capacidade de sobrevivência. Nenhuma parcela de matéria inanimada tentou sobreviver ou, de algum modo, tentou manter sua integridade sob quaisquer circunstâncias. Mas os corpos vivos exibem uma propriedade chamada capacidade de sobrevivência.

Agora, o paradoxo. Um darwinista diria que a capacidade de sobrevivência da forma viva advém da adaptação evolucionária mediante a seleção natural. Mas a seleção natural em si depende da sobrevivência do mais apto. É possível perceber a circularidade do argumento? A sobrevivência depende da evolução, mas a evolução depende da sobrevivência.”

(pág. 58)

“A evolução começa com uma célula viva, a primeira que provoca todo o processo. A vida não poderia ter se originado duas vezes, em relação a isso, todos os biólogos concordam. A célula não-nucleada torna-se nucleada, depois multicelular, ramificando-se pelos três reinos – fungos, plantas e animais. Cada uma dessas transformações é um gigantesco salto quântico de criatividade. No reino animal, a transformação criativa produz primeiro os invertebrados, depois os vertebrados, começando pelos peixes. Dos peixes vêm os anfíbios, depois os répteis. Estes dão um salto quântico até os ramos das aves e dos mamíferos.

Vê-se, de certo modo, uma única vida evoluindo em muitos ramos, transformando-se por meio de muitos saltos quânticos e, ao mesmo tempo, mantendo-se nos vários estados diferentes de homeostase testemunhados na biosfera da Terra, sua biota. Chama-se essa consciência quântica, identificada com essa vida única em evoluçã na Terra, de consciência Gaia.”

(pág. 182)

(Saramago chama Igreja de ‘reacionária’ e Bento XVI de ‘cínico’)

“As insolências reacionárias da Igreja Católica precisam ser combatidas com a insolência da inteligência viva, do bom senso, da palavra responsável. Não podemos permitir que a verdade seja ofendida todos os dias por supostos representantes de Deus na Terra, os quais, na verdade, só têm interesse no poder.” (Saramago)

Perfeito.

Na verdade seria possível estender essa crítica (assim como as outras críticas de Saramago contidas no artigo abaixo) à maioria das igrejas ditas “cristãs”, e até para outras seitas e religiões.

Simplesmente perfeito.

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‘As insolências reacionárias da Igreja Católica precisam ser combatidas’, conclamou o ganhador do Nobel de 98

ROMA - O escritor português e Nobel de Literatura (1998) José Saramago chamou o papa Bento XVI de “cínico” e disse que a “insolência reacionária” da Igreja precisa ser combatida com a “insolência da inteligência viva”.

“Que Ratzinger tenha a coragem de invocar Deus para reforçar seu neomedievalismo universal, um Deus que ele jamais viu, com o qual nunca se sentou para tomar um café, mostra apenas o absoluto cinismo intelectual desta pessoa”, disse Saramago em um colóquio com o filósofo italiano Paolo Flores D’Arcais, que hoje lança Il Fatto Quotidiano.

Saramago, por sua vez, encontra-se na capital italiana para divulgar o livro O Caderno e se reunir com amigos italianos, como a vencedora do Nobel de Medicina Rita Levi Montalcini (1986).

No colóquio com Flores D’Arcais, Saramago afirmou que sempre foi um ateu “tranquilo”, mas que agora está mudando de ideia.

“As insolências reacionárias da Igreja Católica precisam ser combatidas com a insolência da inteligência viva, do bom senso, da palavra responsável. Não podemos permitir que a verdade seja ofendida todos os dias por supostos representantes de Deus na Terra, os quais, na verdade, só têm interesse no poder”, afirmou.

Segundo Saramago, a Igreja não se importa com o destino das almas e sempre buscou o controle de seus corpos.

Perguntado se o pouco compromisso dos escritores e intelectuais poderia ser uma das causas da crise da democracia, o escritor disse que sim. Porém, disse que este não seria o único motivo, já que toda a sociedade encontra-se nesta condição, o que provoca uma crise de autoridade, da família, dos costumes, uma crise moral em geral.

Saramago destacou que o fascismo está crescendo na Europa e mostrou-se convencido de que, nos próximos anos, ele “atacará com força”. Por isso, ressaltou, “temos que nos preparar para enfrentar o ódio e a sede de vingança que os fascistas estão alimentando”.

A visita de Saramago a Roma acontece a um dia do lançamento do seu mais novo livro Caim, no qual volta a tratar da religião.

Fonte: Estadão

(Único filme em que Anne Frank aparece é divulgado)

As cenas são de 1941 e mostram a menina na janela da casa onde vivia antes da ocupação nazista

AMSTERDÃ  - O canal oficial de Anne Frank no YouTube, lançado recentemente, divulgou a única filmagem em que a garota aparece. O filme em preto e branco é de julho de 1941 e mostra Anne na janela da casa em que vivia em Amsterdã. Nas imagens, a menina observa um casal de vizinhos, que estava prestes a casar. O diário que a garota judia escreveu durante a Segunda Guerra foi incluído na lista de “Memórias do Mundo” da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), que inclui arquivos e documentos de valor excepcional, conforme o órgão anunciou recentemente.  O livro se tornou um dos livros mais lidos do mundo e narra a vida cotidiana na Holanda durante a Segunda Guerra Mundial, mostrando a repercussão da ocupação nazista.

YouTube Preview Image

Antes de serem disponibilizadas na internet, as cenas só podiam ser assistidas pelos visitantes da Casa Anne Frank, na capital holandesa. O museu fica no edifício onde a família de Anne e outras quatro pessoas judias permaneceram escondidas nos anos da ocupação nazista, durante a Segunda Guerra Mundial.

Anne Frank tornou-se famosa postumamente pelos diários que deixou enquanto se escondia dos nazistas com sua família judia em Amsterdã durante a 2ª Guerra Mundial. Eles acabaram presos em 1944. Ela morreu aos 15 anos em um campo de concentração. Das oito pessoas que viviam no esconderijo, apenas o pai de Anne, Otto H. Frank, sobreviveu ao holocausto.

Anne Frank

Anne e sua família foram forçados a trabalhar em um campo de concentração holandês, Westerbork, desmantelando pilhas num abrigo para reciclagem.

O diário de Anne Frank, que primeiro foi publicado em 1947 e agora traduzido em mais de 70 línguas, continua como um dos livros mais vendidos do mundo.

Fonte: Estadão

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