O Imperativo Noético e os Mitos da Ciência

Recentemente li na excelente newsletter do IONS (Institute of Noetic Sciences) um artigo bem interessante que, em resumo, fala sobre a psicologia humana X entendimento da realidade (a compreensão é outro problema…). Como nossos paradigmas internos, nossos condicionamentos, afetam nossa percepção da realidade, e como, é claro, isso afeta (ou mesmo altera) o que entendemos por “fatos” ou “não fatos”. E por tabela, todo o nosso conhecimento “científico”. Mas ninguém está imune a esse relativismo, é preciso frisar.

Assim, traduzi livremente o artigo que, espero, traga mais luz a essa percepção “emergente” da realidade – que já inclusive aparece em outros posts aqui do blog, mas de outros modos e com outras palavras… e para servir como referência de pesquisa aos que se interessam por “Ciência Alternativa” ou “Nova Ciência.  Os grifos coloridos são meus!

- Ah, e comemorando a nova hospedagem do blog, em servidor muito mais rápido! -

 

“A mente pode sonhar que não está mais sonhando e você não saberá que esse é mais um sonho. Só saberá que estava sonhando quando acordar.”

Osho

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 artigo de Mr. Ranjan

tradução de Karina – InconscienteColetivo.net

 

Um casal de namorados estava viajando com outros em um ônibus, através de uma pitoresca região montanhosa. Quando observam um hotel num local adorável, os dois decidem parar o ônibus e descer. Na estrada, alguns minutos depois, uma rocha enorme despenca e destroi o ônibus, matando instantaneamente todos que estavam nele. Ao ver isso, o casal exclamou “Quisera nós ainda estarmos nesse ônibus!”

Porque eles desejaram isso?

O processo do Conhecer

O Homo Sapiens possui três cérebros, que evoluíram mais ou menos independentemente: cada desenvolvimento biológico foi também um maior avanço tecnológico. O primeiro cérebro, o cérebro reptiliano, é o local da inteligência comportamental. O segundo, o cérebro mamífero, é o local da inteligência emocional. O terceiro, o neocórtex, é o cérebro racional. Eles operam dois sistemas neurofisiológicos em contraponto: um sistema de autopreservação e um sistema de preservação da espécie. Porque a rede de comunicações entre estes três cérebros é altamente sofisticada, nós experimentamos a nós mesmos como uma única identidade.

O filósofo e físico americano Thomas Kuhn propôs que um paradigma interno interpreta toda a informação que chega ao cérebro através dos sentidos, enquadrando a nossa percepção, pensamento e comportamento. Joseph LeDoux, um neurocientista do Center for Neural Science (Centro para Ciência Neural) da Universidade de Nova York mostrou como a arquitetura do cérebro dá ao cérebro emocional, ou cérebro mamífero, o poder de assaltar o nosso cérebro racional, ou neocórtex, através da amígdala. Consequentemente, nós não podemos pensar um pensamento ou considerar uma nova informação no neocórtex se esta é estranha à programação do cérebro mamífero, que é determinado pelo nosso paradigma interno.

Em minha análise, um paradigma interno consiste de três mitos arquetípicos:

1. O Mito da Criação – enquadramento da realidade, que aborda a questão, Onde Estou?

2. O Mito da Origem – enquadramento do pertencer, que aborda a questão, O que Sou Eu?

3. Os Mitos do herói  – de identidade e individualidade, que aborda a questão, Quem Sou Eu?

Nós vemos o mundo através desses mitos. Coletivamente, eles formam o núcleo de uma identidade cultural.

Onde? O que? Quem? As nossas respostas a essas três questões arquetípicas criam caminhos neurais únicos no cérebro que enquadram as construções da realidade  através das quais nós interpretamos informações. Nós selecionamos do mundo constantemente as informações que melhor se encaixam nas nossas respostas e apagamos as informações estranhas aos nossos mitos, não importando quão válida seja a informação. Como resultado, o que pode ser perfeitamente óbvio para uma pessoa será totalmente imperceptível para alguém com um conjunto diferente de mitos. Com efeito, esses mitos programam o cérebro, moldando caminhos neurais únicos que agem como filtros nas experiências. Os cérebros humanos são fisiologicamente incapazes de  processar informações estranhas aos mitos que os programaram.

Isto possui implicações para o desenvolvimento científico. A menos que haja garantias para combater este fenômeno, os dados que são válidos dentro de um novo conjunto de mitos, mas que são anomalias em pelo menos um dos mitos atuais, serão descartados. Daí, a observação lacônica  de Max Planck, “A ciência avança funeral por funeral.

Os seguintes pontos sobre esses três mitos também devem ser observados:

  • Eles não estão abertos à avaliação racional, porque estão fora do alcance do nosso intelecto.
  • Eles atuam no cérebro mamífero como um programa de computador sequestrando qualquer informação que não se encaixe. De fato, para o nosso neocórtex, informações estranhas não existem.
  • Tal sequestro pode tomar a forma de negros sob o apartheid, os direitos de LGBT para a direita religiosa, ou medicina alternativa para  pesquisadores biomédicos fundamentalistas.
  • Eles formam o fundamento subjetivo de qualquer sistema de conhecimento, incluindo a Ciência Ocidental.

Eu chamo esses três mitos de imperativo noético. Por que “noético”? Porque o que estou falando envolve todos os nossos três cérebros, assim como o nosso acesso ao que Teilhard de Chardin descreveu como noosfera – a esfera de cognição acima e além da geosfera e da biosfera. A palavra “noético” (noetic) deriva do grego noos ou nous, que significa conhecimento interior ou consciência.

E porque “imperativo”?  Primeiramente porque estes três mitos enquadram o nosso comportamento, eles são a fonte suprema de toda ação. Em segundo lugar porque o resultado de sua influência faz paralelo ao “imperativo territorial” que Robert Ardrey mostrou governar o mundo animal. O estudo do comportamento animal mostrou que através do contraponto das necessidades de estimulação (acessadas através de desafio), segurança (conseguida através do pertencer a um grupo) e identidade (alcançada através da posição naquele grupo), o imperativo territorial integra o bem de um e o bem de todos para manifestar uma moralidade natural. No nível humano, essa integração é alcançada através de um equilíbrio dinâmico entre as necessidades de verdade, justiça, e amor. A moralidade real em que vivemos é o produto do enquadramento dado a essas três necessidades pelos três mitos em que acreditamos.

 A História da Programação Ocidental

O Imperativo Noético Medieval

O Mito Medieval da Criação:  Ptolomeu (150 d.C) apresentou uma criação geocêntrica com as estrelas e os planetas girando embutidos em esferas celestes. Imóvel de sua região ultraperiférica, o céu, foi a morada de Deus e todos os eleitos. O modelo de Ptolomeu do universo medieval era a resposta para a pergunta: Onde estou?

O Mito Medieval da Origem: Na realidade ptolomaica, os seres humanos eram anjos caídos a tentar encontrar o seu caminho de volta para o céu. Esta história de origem medieval explicou onde nós pertencemos e respondeu a pergunta, O que Sou?

O Mito Medieval do Herói: A vitória do herói estava em matar os dragões da tentação e do mal. O impulso que guiava o indivíduo era a luta entre a subida cansativa do caminho para o céu (o reto e estreito) e a descida do caminho para o inferno (irritantemente cheia de guloseimas maravilhosas como sexo, bebida, e riquezas). Esta foi a resposta para a pergunta: Quem sou eu? Definiu a identidade pessoal e o caminho para a busca da individualidade.

O Imperativo Noético Copernicano

O Mito da Criação de Ontem: O nosso mais recente mito de criação foi originalmente formulado por Copérnico, Galileu e Newton. A resposta para a pergunta “Onde Estou?” é um “uni-verso” físico que se estica ao infinito – sem céu nem inferno. Do mapa dos céus de Copérnico, telescópio de Galileu e as leis matemáticas de Newton, toda uma nova realidade passou a governar a percepção humana. O novo ícone para a criação foi o relógio - mecanicista, entrópico, e essencialmente sem sentido.

As novas ideias não triunfaram porque eram científicas; levou 150 anos para desenvolver a instrumentação que validou Galileu. Até ali, a razão estava do lado da Igreja Católica. Elas venceram porque permitiram que muitas pessoas da classe baixa fizessem fortunas, e que de outro modo teriam permanecido pobres. Por exemplo, de cada dez navios que saíam de Veneza, apenas um retornava.  As quotas em um navio de partida eram baratas, se ele retornasse, essas quotas baratas se tornavam uma fortuna. Mas com um telescópio, alguém poderia identificar um navio duas horas antes de alguém à olho nu. Se alguém comprasse as quotas antes das notícias de que um navio em retorno se tornassem públicas, esse alguém faria fortuna fácil. Telescópios foram inestimáveis. Por uma miríade de razões,  a visão de mundo “sem-céu/paraíso” de Copérnico venceu e se tornou a base do materialismo.

O Mito da Origem de Ontem: O nosso mais recente mito de origem veio a nós através de William Smith, Charles Darwin e Karl Marx. Em resposta à questão “O Que Sou?” , eles  nos deram uma nova história da humanidade, a qual tende a ficar truncada de espécies à raça à nação – tornando o nacionalismo tóxico, uma superstição secular.

Como ironicamente observado pelo autor best-seller Simon Winchester em seu livro The Map That Changed the World (O Mapa que Mudou o Mundo), William Smith, sendo um homem inculto, não estava ciente da “certeza” da igreja de que o mundo foi criado “às 9:00 da manhã, uma Segunda-feira, 23 de Outubro, 4.004 a.C”. Então a percepção de Smith estava livre para estender a história da criação da igreja de uns meros  quatro mil anos para milhões de anos, esticando os parâmetros da nossa busca pela origem da vida. Ao criar a ciência da geologia, Smith lançou as bases sobre as quais Darwin pudesse formular a teoria da evolução.

A Teoria da Evolução de Darwin é uma história da origem congruente com o universo regular. Mas é uma teoria de um tipo particular de evolução em que a humanidade é o “chefão” e a competição é o modo como chegamos a isso. “Sobrevivência dos mais aptos” é uma luta sangrenta e sem sentido pela sobrevivência e status de alfa. A teoria de Darwin é uma história  de crescimento aleatório governado por comportamento implacável, levando a uma indefinida, porém muito descrita, Utopia  – “um céu secular” ou “um céu-substituto”.

Karl Marx forneceu o clímax que toda boa história precisa. Na hierarquia anterior, a soberania estava com Deus, e várias classes de seres humanos seguiam abaixo. Na nova hierarquia, todos os humanos são primeira classe porque as classes inferiores, à la Darwin, são os animais, plantas e minerais. Nesta visão, o desenlace da grande história humana era alcançar uma sociedade sem classes. A Soberania se tornou secular.  No universo regular,  os blocos de construção são átomos sólidos, e não há paraíso/céu. Em uma sociedade, os blocos de construção são pessoas. Esta nova história da origem investiu a soberania “no povo”, dando origem a políticas seculares – comunismo, capitalismo, democracia, materialismo e socialismo. O que ninguém percebeu é que uma sociedade sem classes  não é natural, porque vai contra a ordem da natureza, que é conduzida na hierarquia.

O Mito do Herói de Ontem: O nosso mais recente mito do herói veio até nós pela psicologia, especificamente pela resposta de Freud à pergunta “Quem Sou?” A nova força conduzindo o indivíduo era o sexo. Através de suas posses e de seu poder sobre os outros, a classificação estava assegurada para o acesso ao sexo. O pináculo do status alfa masculino era de ser rico o suficiente e poderoso o suficiente para possuir mulheres, para aproveitar o sexo sem compromissos. A vitória do herói era uma vitória sobre as mulheres e, por tabela, a natureza. “Eu trago a vocês a Natureza e todos os seus filhos para colocá-la a seu serviço e torná-la sua escrava”, escreveu Roger Bacon em 1268.  O poder sobre todas as pessoas e a natureza – não o fortalecimento dos outros -, foi a medida da estatura masculina, e seus heróis contemporâneos são Rambo e James Bond.

No imperativo noético de ontem, o científico substituiu o imperativo noético medieval da “palavra de Deus” como a suprema validação, justificação e racionalização da existência humana. O absolutismo científico excluiu qualquer informação estranha ao seu imperativo noético associado, onde os seres humanos são peças sem classe, egoístas, de uma realidade mecânica/regular.

Mas aí a Física Quântica aconteceu!

 

 

 O Imperativo Noético Emergente?

O Mito da Criação de Amanhã: Como descrito por laureados Nobel como David Bohm, em Wholeness and the Implicate Order (Totalidade e a Ordem Implicada) e Michael Talbot em The Holographic Universe (O Universo Holográfico), a física quântica substitui o “uni-verso” com o “multi-verso”, ou universos paralelos. O contínuo espaço-tempo – universo que conhecemos – é apenas um conjunto de frequências, um canal de TV por assim dizer, que os humanos podem perceber. O olho humano pode decodificar frequências de aproximadamente 10 14 através de 10 15 ciclos por segundo. Mude isso para 10 34   através de 10 35   e um outro universo, outro canal de TV, é decodificado. A Física Quântica mudou a nossa imagem da criação tão radicalmente que ela muda tudo, tornando o imperativo noético Copernicano obsoleto.

O Mito da Origem de Amanhã:

  • A cooperação, não a competição, conduz a evolução. O que se manifesta em organismos unicelulares inventando organismos multicelulares e todas as complexas formas de vida que vemos se desenvolvendo através da evolução é um magnífico empreendimento cooperativo.
  • O “jogo  limpo”, no sentido da justiça, prevalece sobre o interesse próprio em todo o reino animal. A etologia mostra que o “jogo limpo” substitui o auto-interesse em toda a natureza – com macacos e até mesmo com cães.
  • Os seres humanos são um sistema de circuito aberto, não circuito fechado. Em seu livro, Social Intelligence (Inteligência Social), Daniel Goleman descreve o mecanismo de sistema aberto humano:

Estas células especializadas (neurônios espelho) permitem a formação de um link (conexão) funcional entre dois cérebros, um circuito de feedback que atravessa as barreiras da pele e do crânio entre os corpos. Em termos de sistemas, durante a conexão entre esses dois cérebros, com o output (o que se produz/envia) de um tornando-se o input (o que se recebe) que conduz o funcionamento do outro… formando o que equivale a um circuito intercerebral. Quando duas entidades estão conectadas em um circuito de feedback (“retroalimentação”), conforme a primeira muda, assim acontece com a segunda.

 

Isto significa que outras pessoas causam impacto em nossa fisiologia, e portanto em nossa saúde, e assim, por limitar-se ao individual, o atual modelo biomédico está obsoleto.

Campos invisíveis controlam o funcionamento e expressão da célula biológica. O biólogo de desenvolvimento Bruce Lipton escreveu que as trocas de proteína no controle da expressão genética são primariamente “ligadas” e “desligadas” pelo o que ele chama de “sinais ambientais”. Estes sinais incluem a identidade de alguém:

A célula se engaja no comportamento quando seu cérebro, a membrana, reage aos sinais ambientais. Na verdade, cada proteína funcional em nosso corpo é criada como uma imagem complementar de um sinal ambiental. Se uma proteína não tiver um sinal ambiental para se ligar, ela não irá funcionar… [Assim] todas as proteínas em nossos corpos são um complemento eletro/físico-magnético à alguma coisa no ambiente.

A pesquisa que Lipton escreveu sugere que nós, nossa identidade, existe independente do corpo, mantendo a promessa de que a identidade transcende a morte.

O Mito do Herói de Amanhã: No novo mito de identidade, a vitória do herói manifesta uma forma (um corpo) que consegue decodificar mais e mais do cosmo.  Teilhard de Chardin olhou para a evolução física do corpo como um resultado de um aperfeiçoamento em organização em um nível (função) invisível, psíquico. Ele chamava a esse processo de complexificação. A Etologia corrobora a hipótese de que a forma segue a função. E assim o é com o fenômeno da neuroplasticidade, que é a ciência de como o cérebro muda sua estrutura e função em resposta a um input. O desenvolvimento morfológico, então (morfologia é o estudo da forma), é o resultado de um organismo procurando maior função, e não o contrário.

O efeito Baldwin é o fenômeno na natureza em que mudanças na estrutura e funcionamento do corpo, ambientalmente induzidas ou por inputs aprendidos através da neuroplasticidade, tornam-se geneticamente codificadas e passadas de geração a geração. O caso de tais mutações evolucionárias positivas é ainda apoiado pelo seguinte:

  • Em seu ensaio “Did Meditating Make Us Human?” (Terá a Meditação nos Tornado Humanos?), Matt Rossano, um professor de psicologia da Universidade do Sudeste do Louisiana, sugeriu que a meditação criou as vias neurais que provocaram o surgimento do ser humano anatomicamente moderno – a nova e melhorada versão dos Neandertais. A hipótese dele é que a função cria a forma.
  • Em Vibrational Medicine (Medicina Vibracional), o médico Richard Gerber indica que a meditação aumenta a coerência, ou nível de organização, dos campos invisíveis que ativam a célula. Isto corrobora a noção de complexificação de Teilhard de Chardin.
  • Como a jornalista de ciência Lynne McTaggart descreve, a teoria do biofóton sugere que uma “internet de luz” controla o funcionamento do corpo através de algo chamado super-radiância (luz coerente) que flui pelos microtúbulos e dendritos. Tal “internet administrativa” seria um dos mecanismos de complexificação: quanto maior a coerência da super-radiância, mais sofisticado o organismo.

Utilizando esses mecanismos, como evoluímos? Como é a vitória que cria um corpo mais sofisticado para decodificar o cosmos alcançado? O Buda ensinou que o primeiro passo é parar de reprimir as partes inaceitáveis de nós mesmos, os ganchos para qualidades negativas como ganância, luxúria, gula, que sequestram nossas vidas e revertem o processo evolutivo. Ao invés disso, devemos dominar nossas energias interiores, especificamente pelo controle da nossa atenção. A neurociência mostra, através do elixir da neuroplasticidade, que prestar atenção é quase mágico em seu poder para alterar o cérebro e ampliar os circuitos funcionais. Meditação, é o treinamento sistemático em prestar atenção.

Nos Vedas, antigos textos indianos, essas energias interiores são vistas operando através de vórtices, chamados chakras. Quanto maior o domínio de alguém, mais rápido girarão os vórtices e mais coerente (organizado) a luz emanada através deles. A teoria do biofóton nos permite um vislumbre das consequências. O Buda ensinou que devemos fazer girar os vórtices, o que não significa “girar a roda”, mas alcançar um equilíbrio dinâmico entre a verdade, justiça e amor, que ele chamou de dharma. Manifestando a luz  de coerência crescente culmina em uma pessoa se tornar um chakravartin, aquele que atinge o domínio pleno das energias humanas. O resultado de tal realização é a evolução de um corpo que é capaz de perceber frequências mais altas e decodificar mais dos vários canais de TV de criação que agora estamos começando a descobrir.

Olhando o Quadro Maior

Então, porque o casal desejou ter permanecido no ônibus? Foi este um desejo de morte ou “culpa de sobrevivente”? Ambas as respostas estão confinadas a uma visão menor, como o imperativo noético de ontem. Qual é a imagem vista em sua totalidade?

Se o casal não tivesse parado o ônibus para descer, o ônibus teria passado pela pedra antes que ela descesse, e todos teriam sobrevivido.

O novo imperativo noético leva em conta o quadro maior ao reavaliar os dados estranhos ao (e portanto rejeitados pelo) imperativo noético de ontem. Também podemos verificar se aqueles com a “autoridade” para avaliar tais dados estão fazendo julgamentos válidos. Eles estão rejeitando os dados porque não são válidos ou simplesmente porque ameaçam a sua segurança psicológica, desafiando os seus imperativos noéticos internalizados? Isso foi o que a Igreja fez com o trabalho de Galileu, o que os cientistas fizeram com a formulação de Boltzmann do átomo, e que representa a politização atual de mudança climática. Dados que são ininteligíveis em um imperativo noético podem ser perfeitamente óbvios em outro.

Hoje, a pesquisa científica está pintando um quadro maior de como as coisas funcionam, criando um novo imperativo noético em que tudo está vivo e vibrante. Tal como acontece com o casal e o ônibus, será que realmente temos que esperar que establishment científico de hoje morra antes que possamos reivindicar a nova história de amanhã?

(Cientistas do Cern preveem descobertas sobre universo paralelo)

Operações do Grande Colisor de Hadrons podem mudar completamente o modo como se enxerga o funcionamento do universo

Os físicos que investigam a origem do universo esperam ter, no ano que vem, as primeiras provas da existência de conceitos caros aos escritores de ficção científica, como mundos ocultos e dimensões extras.

À medida que o Grande Colisor de Hádrons (LHC) do Cern, nas proximidades de Genebra, opera com uma força maior, eles falam cada vez mais sobre uma “Nova Física” no horizonte, que poderia mudar por completo os pontos de vista atuais sobre o universo e o seu funcionamento.

“Universos paralelos, formas desconhecidas de matéria, dimensões extras…Isso não é coisa de ficção científica barata, mas teoria física muito concreta que os cientistas tentam confirmar com o LHC e outros experimentos.”

Cientista analisa colisão de partículas no Cern, na fronteira entre França e Suíça
Cientista analisa colisão de partículas no Cern, na fronteira entre França e Suíça

Isso foi o que escreveram os integrantes do Grupo de Teoria do centro internacional de pesquisa no boletim direcionado aos funcionários do Cern este mês.

Enquanto as partículas se chocam no vasto complexo subterrâneo do LHC a energias cada vez maiores, os “extra bits do universo” – se é que eles existem como o previsto – poderão ser vistos no computador, afirmam os teóricos.

O otimismo é crescente entre as centenas de cientistas que trabalham no Cern, ao longo da fronteira entre França e Suíça, numa experiência de 10 bilhões de dólares, que inicialmente apresentou problemas, mas este ano vem cumprindo suas metas.

Colisão de prótons

Em meados de outubro, disse o diretor-geral Rolf Heuer à equipe no último fim de semana, os prótons eram colididos ao longo do anel subterrâneo de 27 quilômetros a uma taxa de 5 milhões por segundo – duas semanas antes da data prevista para esse número.

No ano que vem, as colisões ocorrerão – se tudo continuar seguindo bem – a uma taxa que produzirá o que os físicos chamam de “femtobarn inverso”, mais bem descrito como uma quantidade colossal de informações para a avaliação dos analistas.

As colisões recriam o que aconteceu numa minúscula fração de segundo após o “Big Bang” primordial, 13,7 bilhões de anos atrás, que gerou o universo que conhecemos hoje e tudo o que ele contém.

Depois de séculos de observações cada vez mais sofisticadas da Terra, apenas 4 por cento do universo é conhecido – porque o restante é formado pelo que tem sido chamado de matéria escura e energia escura (porque são invisíveis).

Fonte: Último Segundo/Reuters

Amit Goswami no Brasil!

Recebi hoje, da editora Aleph, a excelente notícia de que o físico nuclear Amit Goswami estará no Brasil em Agosto, realizando dois workshops!

O evento é realmente imperdível, então eu não podia deixar de avisar os leitores aqui do Inconsciente Coletivo!

Os workshops acontecerão em São Paulo – SP, em um final de semana: dias 28 e 29/08. Para mais informações basta conferir o release abaixo, ou acessar o site: http://www.amitgoswami.com.br .

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Amit no Brasil Amit Goswami no Brasil em Agosto
AMIT GOSWAMI, um dos cientistas do filme Quem somos nós?, e autor do best-seller

A Física da Alma, estará em São Paulo em agosto de 2010.

Goswami nos convida a uma mudança revolucionária em nossa visão de mundo de acordo com os princípios transformadores da física quântica.

Não perca esta oportunidade de estar frente a frente com uma das grandes referências mundiais nos estudos que unem ciência e espiritualidade.

Workshops
Goswami reinterpreta os principais métodos da medicina convencional e da alternativa, propondo um modelo totalmente novo e integrativo a partir do qual a probabilidade de cura é muito maior. A partir dos conceitos da física quântica, Goswami mostra como podemos usufruir dessa ciência revolucionária para nosso desenvolvimento criativo e para uma mudança de mentalidade da sociedade como um todo.
Inscreva-se

Você sabe que horas são?

segurando o tempo...

segurando o tempo...

O título deste post pode parecer estranho à princípio, mas diz respeito a um dos documentários mais interessantes que vi nos últimos tempos. É o título de um documentário que fala sobre o tempo. O físico de partículas, prof. Brian Cox é quem nos apresenta os mistérios das horas que passam.. supondo que o tempo realmente exista, é claro. Ou que exista como nós o pensamos, é claro. Não vou mentir, o documentário termina com um ponto de interrogação maior do que o que iniciou. O prof. Brian nos fala da obsessão humana pelo tempo, partindo lá das mais antigas civilizações, com especial atenção aos Maias, chegando até os dias de hoje, com cientistas e laboratórios do mundo todo unidos para entender o que é o tempo.

Com Brian descobrimos que um dia nunca tem precisamente 24 horas. Que o nosso planeta está desacelerando, e que há 600 milhões de anos atrás, por exemplo, um dia inteiro tinha menos de 22 horas. E tudo vai ficando cada vez mais estranho conforme o professor nos guia pelas principais teorias físicas sobre o tempo, e chega ao ponto de dizer que o tempo não passa de uma ilusão…

Da introdução do documentário:

Há um aspecto em nossas vidas que todos admitimos como certo. É algo tão familiar, habitualmente não pensamos nisso duas vezes.

Um dos fatores chaves de ser um ser humano é que podemos dizer o tempo. Nos permite tirar sentido do mundo: passado, presente, futuro. Mas não é nem de perto franco e direto como você pode pensar.

Nós temos maneiras de medir o passar do tempo, mas não sabemos o que acontece quando o tempo passa. Eu nem posso dizê-lo no momento o que o momento significa. Mesmo momentaneamente.

Saber o tempo não é fácil.

- “Estou bem certo de que a fluidez do tempo é no final das contas uma ilusão…”

- “Não há um grande relógio no céu que pulsa na mesma taxa para todos, não importa aonde estão ou o que estão fazendo.”

O tempo teve um começo?

Por que o tempo pulsa?

E o nosso futuro já existe?

Eu tentarei responder uma das mais simples perguntas que você pode fazer: “Que horas são?”

O documentário está dividido em 6 partes:

Parte 1:

Imagem de Amostra do You Tube

Parte 2:

Imagem de Amostra do You Tube

Parte 3:

Imagem de Amostra do You Tube

Parte 4:

Imagem de Amostra do You Tube

Parte 5:

Imagem de Amostra do You Tube

Parte 6:

Imagem de Amostra do You Tube

Você realmente sabe que horas são?

Os Mistérios Inexplicáveis do Universo

Quem nunca parou para pensar quando e como tudo o que conhecemos começou? Até o momento, todas as teorias levantadas para explicar o nascimento do Universo (da vida então nem se fala) provocam mais perguntas do que as respondem.

Depois  que a Física Quântica nos mostrou que somos todos 99,9999% feitos de luz, que os átomos que nos compõem já foram de estrelas (sim, é como diz aquela música do Moby: “We are all made of stars” – nós somos todos feitos de estrelas), agora nos resta saber como tudo isso foi possível, e como aconteceu.

Neste excelente documentário do canal History Channel, estudiosos e pesquisadores tentam responder as questões que mais intrigam a ciência sobre o universo:

No começo eram as trevas… e então: BANG! Nasceu um sistema que se expande infinitamente, feito de tempo, espaço e matéria.

Agora vá mais longe do que jamais imaginou: além dos limites de nossa existência, em um lugar chamado O Universo.

O sol teria uma companheira mortal que ameaça a vida em nosso planeta?

É possível viajar no tempo? – É uma das maiores questões.

Para onde foi a Anti-Matéria? – A mente busca explicações.

Como a água em Marte desapareceu?

E o que havia antes do Big Bang?  – Esse é o maior mistério de toda a Ciência.

O documentário está dividido em 5 partes:

Parte 1:

Imagem de Amostra do You Tube

Parte 2:

Imagem de Amostra do You Tube

Parte 3:

Imagem de Amostra do You Tube

Parte 4:

Imagem de Amostra do You Tube

Parte 5:

Imagem de Amostra do You Tube

O Universo Holográfico

Continuando na temática de que o que conhecemos e afirmamos ser a “realidade” nada mais é do que pura ilusão mental, um texto sobre o livro “O Universo Holográfico”, de Michael Talbot:


O HOLOGRAMA

O holograma é uma invenção dos anos 60, e de forma geral é um mecanismo ótico que produz imagens tridimensionais. Seu princípio foi descoberto em 1947, mas o modelo só pôde ser construído após a invenção do laser. Para produzí-lo, divide-se um único raio laser em dois feixes separados. O primeiro feixe é projetado no objeto a ser fotografado. Então, faz-se com que o segundo feixe colida com a luz refletida do primeiro. Quando isso acontece, eles produzem um padrão de interferência que é registrado num filme. Iluminada pela luz natural, a imagem do filme não se parece em nada com o objeto fotografado, mostrando um conjunto de curvas concêntricas entremeadas, num desenho indecifrável. Mas, assim que um outro feixe de raio laser ilumina o filme, uma imagem tridimensional do objeto original reaparece em pleno espaço, podendo ser vista por cima, por baixo ou por qualquer lado, mas não podendo ser tocada. Esta imagem holográfica apresenta algumas características que estão deixando os cientistas intrigados e perplexos.

Suponhamos que o objeto fotografado seja uma maçã. Peguemos então o filme holográfico e vamos dividí-lo ao meio, em dois pedaços. Projetemos agora o laser sobre uma dessas metades. O que vemos projetado no espaço a três dimensões ? Meia maçã ? Nenhuma maçã ? Não ! Se projetarmos o laser em qualquer uma das metades, ainda assim obteremos a maçã inteira projetada no espaço. E se continuarmos partindo a foto em milhares de pedaços e projetarmos o laser sobre um minúsculo fragmento, ainda assim obteremos a maçã inteira projetada a três dimensões. Uma imagem menos nítida, mas ainda assim a maçã inteira.

Nesta foto mágica, cada parte contém a totalidade, cada uma das partes da imagem interpenetra todas as outras.

O TODO NAS PARTES

Esta característica do holograma – a parte no todo e o todo nas partes – tem assustado os cientistas e modificado algumas concepções importantes sobre o Universo. Segundo o físico nuclear David Bohm, o Universo inteiro funciona como um holograma, em que cada uma das partes interpenetra as outras. Qualquer alteração se transmite ao Todo. Cada célula do nosso corpo reflete o cosmo inteiro. Da mesma forma, todo passado e as implicações para todo futuro também estão presentes em cada minúscula porção do espaço e do tempo. Resumindo, a totalidade de tempo e espaço encontra-se presente em cada ponto de tempo e de espaço. Impressionante !

Nós contemos o Universo inteiro no nosso mundo, no nosso corpo, nas nossas células. É devido a este princípio que a acupuntura permite alcançar todo corpo através de uma determinada parte do mesmo, por exemplo, a orelha. O corpo inteiro está presente na orelha, como mostra o diagrama do “Homenzinho na Orelha”. Os iridologistas, por sua vez, vislumbram as condições de todo corpo pelos desenhos da íris; no “Do-in” pode-se fazer o mesmo pelos pés, e os quiromantes lêem a vida física e temporal na palma das mãos. São todos desdobramentos do mesmo princípio que rege o holograma. Na verdade, cada parte do corpo o contém inteiro, numa perspectiva espaço-temporal, da mesma forma que cada pequena entidade do Universo reflete o padrão de sistemas infinitamente maiores, e da própria totalidade. Esta idéia foi maravilhosamente expressa por William Blake no seu célebre verso em “Auguries of Innocence”:

Enxergar o mundo num grão de areia
E o céu numa flor silvestre,
Segurar o infinito na palma da sua mão,
E a eternidade em uma hora.

O CÉREBRO HOLOGRÁFICO

O princípio holográfico, além de ser um modelo de reflexo do Universo nas partes, tem sido usado para explicar como o cérebro processa a informação. Neurologistas têm ficado cada vez mais surpresos com pesquisas que demonstram que a memória se distribui por todo cérebro indistintamente, e as lembranças não se localizam numa região específica, como se pensava anteriormente. O Prêmio Nobel em neurofisiologia, Dr. Karl Pribam, sugere que, como num holograma, as sensações que chegam até o cérebro são gravadas em todas as suas partes. O processo de evocar uma determinada memória equivale à reprodução de uma imagem holográfica. Segundo Pribram, o cérebro é um holograma e reproduz um padrão holográfico.

Para provar que perceberam estava errado, o biólogo da Universidade de Indiana, Paul Pietsch, idealizou uma experiência um tanto quanto tétrica. Pietsch havia observado que podia remover o cérebro de uma salamandra sem matá-la e, embora o animal permanecesse em letargia sem o cérebro, seu comportamento voltava completamente ao normal assim que este era recolocado. Pietsch tomou os hábitos alimentares da salamandra como referência para suas experiências . Então, inverteu os hemisférios esquerdo e direito do cérebro e, para seu espanto, assim que ela se recuperou rapidamente voltou à alimentação normal. Pietsch tentou várias outras alternativas: virou o cérebro de cabeça para baixo, cortou-o em fatias, embaralhou, e, chegou a picar em pedacinhos os cérebros de suas infelizes cobaias. No entanto, sempre que recolocava o que havia sobrado desses cérebros, ou parte deles, o comportamento dos animais voltava ao normal.

Desnecessário dizer que Pietsch mudou de idéia, passando a considerar a teoria de Pribram.

A MEMÓRIA INFINITA

Entre várias características peculiares ao holograma, vale a pena destacar uma outra, além da que relaciona o todo com as partes. Esta segunda característica é o fato de que os hologramas têm uma capacidade fantástica de armazenar informações, podendo gravar uma infinidade de imagens sobre uma mesma chapa. Assim, quando modificamos o ângulo da chapa, uma determinada imagem aparece e a outra que estava projetada desaparece. Esse efeito se relaciona ao ângulo de incidência no qual os dois feixes de raio laser atingiram o filme fotográfico ao gravar uma determinada imagem. Ela só se projetará no espaço tridimensional quando for iluminada por um raio laser projetado no mesmo ângulo em que a imagem foi gravada  originalmente. Assim, é possível registrar muitas imagens diferentes sobre a mesma superfície, cada uma com o seu respectivo “ângulo de reprodução”. Os pesquisadores calcularam que um pequeno pedaço de filme poderia armazenar milhões de imagens, cada uma podendo ser evocada através do seu ângulo original de gravação. Uma chapa assim gravada mostra uma multiplicidade de imagens projetando-se seguidamente ao ser girada diante do laser.

Esta segunda característica explica possíveis mecanismos de recordação de fatos. Sendo o cérebro um holograma, quando nos colocamos num determinado “ângulo de lembrança”, iremos evocar aquela recordação em particular, ou seja, a nossa capacidade de lembrar é análoga ao ato de emitir um feixe de raio laser em direção a um desses pedaços de filme evocando uma imagem específica. Da mesma forma, quando somos incapazes de lembrar alguma coisa, isto corresponde a emitir vários feixes a um pedaço de filme com múltiplas imagens mas sem encontrar o ângulo certo para recuperar a “imagem” que estamos procurando. Os pesquisadores dessa área estão convictos que a visão que os moribundos têm na hora da morte, quando “vêem” a vida inteira numa fração de segundo, equivale, no sistema holográfico cerebral, ao ato de girar rapidamente uma chapa holográfica com milhões de imagens gravadas diante do laser.

A Teoria do Centésimo Macaco

Resolvi postar aqui uma reportagem já relativamente antiga, da revista Galileu, à respeito da Ressonância Mórfica, ou Teoria do Centésimo Macaco. Apesar de muitos “céticos” a chamarem de “mito”, esta teoria ainda sim, para mim, é muito digna não só de ser mais conhecida, como também serve para muita reflexão. Particularmente a idéia proposta nesta teoria mexe muito com a minha imaginação. E também provoca conexões com outras muitas teorias de psicologia, física quântica, filosofia oriental… Na verdade, a minha opinião é a de que a Ressônancia Mórfica é a mais pura realidade. Enfim, leia a reportagem e tire suas conclusões…

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Ressonância mórfica: a teoria do centésimo macaco
Na biologia, surge uma nova hipótese que promete revolucionar toda a ciência

Por José Tadeu Arantes,

Era uma vez duas ilhas tropicais, habitadas pela mesma espécie de macaco, mas sem qualquer contato perceptível entre si. Depois de várias tentativas e erros, um esperto símio da ilha “A” descobre uma maneira engenhosa de quebrar cocos, que lhe permite aproveitar melhor a água e a polpa. Ninguém jamais havia quebrado cocos dessa forma. Por imitação, o procedimento rapidamente se difunde entre os seus companheiros e logo uma população crítica de 99 macacos domina a nova metodologia. Quando o centésimo símio da ilha “A” aprende a técnica recém-descoberta, os macacos da ilha “B” começam espontaneamente a quebrar cocos da mesma maneira.

Não houve nenhuma comunicação convencional entre as duas populações: o conhecimento simplesmente se incorporou aos hábitos da espécie. Este é uma história fictícia, não um relato verdadeiro. Numa versão alternativa, em vez de quebrarem cocos, os macacos aprendem a lavar raízes antes de comê-las. De um modo ou de outro, porém, ela ilustra uma das mais ousadas e instigantes idéias científicas da atualidade: a hipótese dos “campos mórficos”, proposta pelo biólogo inglês Rupert Sheldrake. Segundo o cientista, os campos mórficos são estruturas que se estendem no espaço-tempo e moldam a forma e o comportamento de todos os sistemas do mundo material.

Átomos, moléculas, cristais, organelas, células, tecidos, órgãos, organismos, sociedades, ecossistemas, sistemas planetários, sistemas solares, galáxias: cada uma dessas entidades estaria associada a um campo mórfico específico. São eles que fazem com que um sistema seja um sistema, isto é, uma totalidade articulada e não um mero ajuntamento de partes.

Sua atuação é semelhante à dos campos magnéticos, da física. Quando colocamos uma folha de papel sobre um ímã e espalhamos pó de ferro em cima dela, os grânulos metálicos distribuem-se ao longo de linhas geometricamente precisas. Isso acontece porque o campo magnético do ímã afeta toda a região à sua volta. Não podemos percebê-lo diretamente, mas somos capazes de detectar sua presença por meio do efeito que ele produz, direcionando as partículas de ferro. De modo parecido, os campos mórficos distribuem-se imperceptivelmente pelo espaço-tempo, conectando todos os sistemas individuais que a eles estão associados. A analogia termina aqui, porém. Porque, ao contrário dos campos físicos, os campos mórficos de Sheldrake não envolvem transmissão de energia. Por isso, sua intensidade não decai com o quadrado da distância, como ocorre, por exemplo, com os campos gravitacional e eletromagnético. O que se transmite através deles é pura informação. É isso que nos mostra o exemplo dos macacos. Nele, o conhecimento adquirido por um conjunto de indivíduos agrega-se ao patrimônio coletivo, provocando um acréscimo de consciência que passa a ser compartilhado por toda a espécie.

Até os cristais

O processo responsável por essa coletivização da informação foi batizado por Sheldrake com o nome de “ressonância mórfica”. Por meio dela, as informações se propagam no interior do campo mórfico, alimentando uma espécie de memória coletiva. Em nosso exemplo, a ressonância mórfica entre macacos da mesma espécie teria feito com que a nova técnica de quebrar cocos chegasse à ilha “B”, sem que para isso fosse utilizado qualquer meio usual de transmissão de informações.

Parece telepatia. Mas não é. Porque, tal como a conhecemos, a telepatia é uma atividade mental superior, focalizada e intencional que relaciona dois ou mais indivíduos da espécie humana. A ressonância mórfica, ao contrário, é um processo básico, difuso e não-intencional que articula coletividades de qualquer tipo. Sheldrake apresenta um exemplo desconcertante dessa propriedade.

Quando uma nova substância química é sintetizada em laboratório – diz ele -, não existe nenhum precedente que determine a maneira exata de como ela deverá cristalizar-se. Dependendo das características da molécula, várias formas de cristalização são possíveis. Por acaso ou pela intervenção de fatores puramente circunstanciais, uma dessas possibilidades se efetiva e a substância segue um padrão determinado de cristalização. Uma vez que isso ocorra, porém, um novo campo mórfico passa a existir. A partir de então, a ressonância mórfica gerada pelos primeiros cristais faz com que a ocorrência do mesmo padrão de cristalização se torne mais provável em qualquer laboratório do mundo. E quanto mais vezes ele se efetivar, maior será a probabilidade de que aconteça novamente em experimentos futuros.

Com afirmações como essa, não espanta que a hipótese de Sheldrake tenha causado tanta polêmica. Em 1981, quando ele publicou seu primeiro livro, A New Science of Life (Uma nova ciência da vida), a obra foi recebida de maneira diametralmente oposta pelas duas principais revistas científicas da Inglaterra. Enquanto a New Scientist elogiava o trabalho como “uma importante pesquisa científica”, a Nature o considerava “o melhor candidato à fogueira em muitos anos”.

Doutor em biologia pela tradicional Universidade de Cambridge e dono de uma larga experiência de vida, Sheldrake já era, então, suficientemente seguro de si para não se deixar destruir pelas críticas. Ele sabia muito bem que suas idéias heterodoxas não seriam aceitas com facilidade pela comunidade científica. Anos antes, havia experimentado uma pequena amostra disso, quando, na condição de pesquisador da Universidade de Cambridge e da Royal Society, lhe ocorreu pela primeira vez a hipótese dos campos mórficos. A idéia foi assimilada com entusiasmo por filósofos de mente aberta, mas Sheldrake virou motivo de gozação entre seus colegas biólogos. Cada vez que dizia alguma coisa do tipo “eu preciso telefonar”, eles retrucavam com um “telefonar para quê? Comunique-se por ressonância mórfica”.

Era uma brincadeira amistosa, mas traduzia o desconforto da comunidade científica diante de uma hipótese que trombava de frente com a visão de mundo dominante. Afinal, a corrente majoritária da biologia vangloriava-se de reduzir a atividade dos organismos vivos à mera interação físico-química entre moléculas e fazia do DNA uma resposta para todos os mistérios da vida. A realidade, porém, é exuberante demais para caber na saia justa do figurino reducionista.

Exemplo disso é o processo de diferenciação e especialização celular que caracteriza o desenvolvimento embrionário. Como explicar que um aglomerado de células absolutamente iguais, dotadas do mesmo patrimônio genético, dê origem a um organismo complexo, no qual órgãos diferentes e especializados se formam, com precisão milimétrica, no lugar certo e no momento adequado?

A biologia reducionista diz que isso se deve à ativação ou inativação de genes específicos e que tal fato depende das interações de cada célula com sua vizinhança (entendendo-se por vizinhança as outras células do aglomerado e o meio ambiente). É preciso estar completamente entorpecido por um sistema de crenças para engolir uma “explicação” dessas. Como é que interações entre partes vizinhas, sujeitas a tantos fatores casuais ou acidentais, podem produzir um resultado de conjunto tão exato e previsível? Com todos os defeitos que possa ter, a hipótese dos campos mórficos é bem mais plausível. Uma estrutura espaço-temporal desse tipo direcionaria a diferenciação celular, fornecendo uma espécie de roteiro básico ou matriz para a ativação ou inativação dos genes.

Ação modesta

A biologia reducionista transformou o DNA numa cartola de mágico, da qual é possível tirar qualquer coisa. Na vida real, porém, a atuação do DNA é bem mais modesta. O código genético nele inscrito coordena a síntese das proteínas, determinando a seqüência exata dos aminoácidos na construção dessas macromoléculas. Os genes ditam essa estrutura primária e ponto. “A maneira como as proteínas se distribuem dentro das células, as células nos tecidos, os tecidos nos órgãos e os órgãos nos organismos não estão programadas no código genético”, afirma Sheldrake. “Dados os genes corretos, e portanto as proteínas adequadas, supõe-se que o organismo, de alguma maneira, se monte automaticamente. Isso é mais ou menos o mesmo que enviar, na ocasião certa, os materiais corretos para um local de construção e esperar que a casa se construa espontaneamente.”
A morfogênese, isto é, a modelagem formal de sistemas biológicos como as células, os tecidos, os órgãos e os organismos seria ditada por um tipo particular de campo mórfico: os chamados “campos morfogenéticos”. Se as proteínas correspondem ao material de construção, os “campos morfogenéticos” desempenham um papel semelhante ao da planta do edifício. Devemos ter claras, porém, as limitações dessa analogia. Porque a planta é um conjunto estático de informações, que só pode ser implementado pela força de trabalho dos operários envolvidos na construção. Os campos morfogenéticos, ao contrário, estão eles mesmos em permanente interação com os sistemas vivos e se transformam o tempo todo graças ao processo de ressonância mórfica.

Tanto quanto a diferenciação celular, a regeneração de organismos simples é um outro fenômeno que desafia a biologia reducionista e conspira a favor da hipótese dos campos morfogenéticos. Ela ocorre em espécies como a dos platelmintos, por exemplo. Se um animal desses for cortado em pedaços, cada parte se transforma num organismo completo.

Forma original

O sucesso da operação independe da forma como o pequeno verme é seccionado. O paradigma científico mecanicista, herdado do filósofo francês René Descartes (1596-1650), capota desastrosamente diante de um caso assim. Porque Descartes concebia os animais como autômatos e uma máquina perde a integridade e deixa de funcionar se algumas de suas peças forem retiradas. Um organismo como o platelminto, ao contrário, parece estar associado a uma matriz invisível, que lhe permite regenerar sua forma original mesmo que partes importantes sejam removidas.

A hipótese dos campos morfogenéticos é bem anterior a Sheldrake, tendo surgido nas cabeças de vários biólogos durante a década de 20. O que Sheldrake fez foi generalizar essa idéia, elaborando o conceito mais amplo de campos mórficos, aplicável a todos os sistemas naturais e não apenas aos entes biológicos. Propôs também a existência do processo de ressonância mórfica, como princípio capaz de explicar o surgimento e a transformação dos campos mórficos. Não é difícil perceber os impactos que tal processo teria na vida humana. “Experimentos em psicologia mostram que é mais fácil aprender o que outras pessoas já aprenderam”, informa Sheldrake.

Ele mesmo vem fazendo interessantes experimentos nessa área. Um deles mostrou que uma figura oculta numa ilustração em alto contraste torna-se mais fácil de perceber depois de ter sido percebida por várias pessoas. Isso foi verificado numa pesquisa realizada entre populações da Europa, das Américas e da África em 1983. Em duas ocasiões, os pesquisadores mostraram ilustrações a pessoas que não conheciam suas respectivas “soluções”. Entre uma enquete e outra, uma das figuras e sua “resposta” foram transmitidas pela TV. Verificou-se que o índice de acerto na segunda mostra subiu 76% para esta ilustração, contra apenas 9% para a ilustração não mostrada na TV.

Aprendizado

Se for definitivamente comprovado que os conteúdos mentais se transmitem imperceptivelmente de pessoa a pessoa, essa propriedade terá aplicações óbvias no domínio da educação. “Métodos educacionais que realcem o processo de ressonância mórfica podem levar a uma notável aceleração do aprendizado”, conjectura Sheldrake. E essa possibilidade vem sendo testada na Ross School, uma escola experimental de Nova York dirigida pelo matemático e filósofo Ralph Abraham.

Outra conseqüência ocorreria no campo da psicologia. Teorias psicológicas como as de Carl Gustav Jung e Stanislav Grof, que enfatizam as dimensões coletivas ou transpessoais da psique, receberiam um notável reforço, em contraposição ao modelo reducionista de Sigmund Freud.

Sem excluir outros fatores, o processo de ressonância mórfica forneceria um novo e importante ingrediente para a compreensão de patologias coletivas, como o sadomasoquismo e os cultos da morbidez e da violência, que assumiram proporções epidêmicas no mundo contemporâneo, e poderia propiciar a criação de métodos mais efetivos de terapia.

“A ressonância mórfica tende a reforçar qualquer padrão repetitivo, seja ele bom ou mal”, afirmou Sheldrake. “Por isso, cada um de nós é mais responsável do que imagina. Pois nossas ações podem influenciar os outros e serem repetidas”.

De todas as aplicações da ressonância mórfica, porém, as mais fantásticas insinuam-se no domínio da tecnologia. Computadores quânticos, cujo funcionamento comporta uma grande margem de indeterminação, seriam conectados por ressonância mórfica, produzindo sistemas em permanente transformação. “Isso poderia tornar-se uma das tecnologias dominantes do novo milênio”, entusiasma-se Sheldrake.

Descubra as figuras ocultas

Um experimento coordenado por Sheldrake mostrou que é mais fácil identificar uma figura oculta numa ilustração em alto contraste depois de ela já ter sido percebida por outras pessoas. O índice de acerto para uma ilustração cresceu 76% depois de ela ter sido transmitida pela televisão. O de outra ilustração, que não foi televisionada, subiu apenas 9%. A enquete foi realizada na Europa, nas Américas e na África e as pessoas entrevistadas não conheciam de antemão as “respostas”. Outras duas ilustrações, estão sendo publicadas atualmente na Internet pela revista espanhola El Mercurio.

Anote

Site na internet:

www.sheldrake.org

Livros em português:

O Renascimento da Natureza: o Reflorescimento da Ciência e de Deus, de Rupert Sheldrake, Ed. Cultrix

Caos, Criatividade e o Retorno do Sagrado: Triálogos nas Fronteiras do Ocidente, de Ralph Abraham, Terence McKenna e Rupert Sheldrake, Ed. Cultrix/Pensamento

Sete Experimentos que Podem Mudar o Mundo

Sete Experimentos que Podem Mudar o Mundo

A Presença do Passado

A Presença do Passado

A Sensação de Estar Sendo Observado

A Sensação de Estar Sendo Observado

Livros em inglês:

A New Science of Life: the Hipothesis of Morphic Resonance, de Rupert Sheldrake

The Presence of the Past: Morphic Resonance and the Habits of Nature, de Rupert Sheldrake

Natural Grace: Dialogues on Creation, Darkness and the Soul in Spirituality and Science, de Matthew Fox e Rupert Sheldrake

The Physics of Angels: Exploring the Realm where Science and Spirit Meet, de Matthew Fox e Rupert Sheldrake

Seven Experiments that Could Change the World: a Do-It-Yourself Guide to Revolutionary Science, de Rupert Sheldrake

Universos Paralelos

A descoberta mais estarrecedora da física moderna: a existência “real” de Universos Paralelos, é o tema deste fantástico documentário realizado pela rede BBC. O vídeo está completo no Youtube, com legendas, e vale muito a pena ser assistido.

A realidade é muito mais estranha do que a Ciência poderia supor. O que antes era território místico, supersticioso, agora é objeto de estudo (e de assombro) de cientistas e estudiosos. Tudo começou quando pesquisadores observavam o comportamento de partículas subatômicas, como os elétrons. Descobriram que não havia modo de localizar um elétron: ele “desaparecia” para reaparecer novamente em outro ponto. Aonde ele ia, quando não estava “presente” (pelo menos na nossa realidade), confirmou o que tanto era temido até de suspeitar: a possibilidade dos universos paralelos.

Elvis Presley pode ainda estar vivo em algum universo. Napoleão Bonaparte pode ter ganho a batalha de Waterloo em outro. Você pode sequer ter nascido, num terceiro…

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