(Carta de Descartes roubada no século XIX é encontrada nos EUA)

Uma carta da coleção de 72 mensagens originais do filósofo e cientista René Descartes (1596-1650) roubada na França no século XIX foi localizada em uma instituição de ensino superior do estado americano da Pensilvânia.

A carta, de quatro folhas e escrita em 27 de maio de 1641, é uma amostra da extensa correspondência que o francês trocou com seu amigo Marin Mersenne e que fazia parte do arquivo do Instituto da França até que o italiano Guglielmo Libri a roubasse junto com milhares de outros documentos em meados do século XIX.

A descoberta foi anunciada pela pequena Haverford College, que abrigava a carta sem saber que fazia parte dos artigos roubados. O item foi doado há mais de um século pela viúva de um ex-aluno junto com outros bens. Segundo a instituição, o exemplar será devolvido à França.

Rene Descartes

O responsável pela descoberta foi o pesquisador Erik-Jan Bos, da Universidade de Utrecht (Holanda), que se deparou com uma referência à carta enquanto navegava pela internet e, após pedir uma cópia à Haverford College, viu que se tratava de uma “autêntica e desconhecida” carta de Descartes.

Bos entrou em contato com a instituição americana e, quando esta soube que se tratava de uma das cartas roubadas por Libri, comunicou o Instituto da França sobre a existência da mesma e se ofereceu para devolvê-la.

A entidade francesa pagará à Haverford College uma recompensa de 15 mil euros (US$ 20.300) por recuperar um texto que, segundo especialistas, “joga luz sobre alguns elementos-chave da filosofia de Descartes” e oferece detalhes sobre a publicação de sua obra “Meditações Metafísicas” (1641). “A carta mostra que a forma original de ‘Meditações Metafísicas’ tinha uma ordem diferente da publicada”, diz a Haverford College.

O roubo de Libri, professor de matemática e responsável pelo catálogo geral de manuscritos das bibliotecas públicas francesas, foi um dos maiores do século XIX. Ele conseguiu levar para a Inglaterra uma coleção de 30 mil livros e manuscritos entre os quais havia obras de Nicolau Copérnico, Galileu Galilei e Pierre de Fermat.

Libri, que evitou a Justiça francesa ao entrar no Reino Unido como refugiado político, vendeu os artigos a livreiros e colecionadores. Com isso, as peças recorreram meio mundo. Até agora, das 72 cartas de Descartes que desapareceram, 45 foram recuperadas pelas autoridades francesas.

Fonte: Terra/EFE

O Filósofo e o Diabo

Perdido em meio a alguns gigabytes de textos e arquivos, encontrei uma historinha, no estilo anedota, que me marcou desde o primeiro momento que a li: apesar de simples, é profundamente sábia. Desconheço a autoria (se alguém souber, entre em contato).

Para reflexão:

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filosofo

Um dia, um Filósofo estava conversando com o Diabo quando passou um sábio com um saco cheio de verdades. Distraído, como os sábios em geral o são, não percebeu que caíra uma verdade. Um homem comum vinha passando e vendo aquela verdade alí caída, aproximou-se cautelosamente, examinou-a como quem teme ser mordido por ela e, após convencer-se de que não havia perigo, tomou-a em suas mãos, fitou-a longamente, extasiado, e então saiu correndo e gritando:

“Encontrei a verdade! Encontrei a verdade!”

Diante disso, o filósofo virou-se para o Diabo e disse:

“Agora você se deu mal. Aquele homem achou a verdade e todos vão saber que você não existe …”.

Mas, seguro de si, o Diabo retrucou:

“Muito pelo contrário. Ele encontrou UM PEDAÇO da verdade … Com ela, vai fundar mais uma religião e eu vou ficar mais forte!”

A passagem da crença para a experiência de Deus… e Einstein!

Concluir é sempre melhor do que acreditar. Não há como discutir isso. Por isso, resolvi trazer no post de hoje, um texto do filósofo brasileiro Huberto Rohden (parafraseado de uma de suas palestras) a respeito da “experiência de Deus”, ou da constatação de um “Deus pessoal”. Aqui no blog eu tenho dado preferência a esse tipo de filosofia mística, que desmistifica (com o perdão do trocadilho aparentemente paradoxal -rs) o conceito popular de “deus” como sendo um fantasmão genioso vivendo no céu, que escolhe ouvir algumas preces em detrimento de outras, que supostamente diz para os representantes e teólogos de todas as religiões (que supostamente “Ele” inspirou) que as religiões deles é que são as verdadeiras ou que seus livros sagrados são os únicos e verdadeiros… com consequências que todos já conhecemos, certo? Há uma citação de Einstein (não é a toa que ele é tão citado pelos proponentes da Nova Ciência…) que gosto muito e que já tinha transcrito em outro post. É uma em que ele fala de sua “crença em Deus” e a diferencia da maneira popular :

“A opinião comum de que sou ateu repousa sobre grave erro. Quem a pretende deduzir de minhas teorias científicas não as entendeu.

Creio em um Deus pessoal e posso dizer que, nunca, em minha vida, cedi a uma ideologia atéia.

Não há oposição entre a ciência e a religião. Apenas há cientistas atrasados, que professam idéias que datam de 1880.

Aos dezoito anos, eu já considerava as teorias sobre o evolucionismo mecanicista e casualista como irremediavelmente antiquadas. No interior do átomo não reinam a harmonia e a regularidade que estes cientistas costumam pressupor. Nele se depreendem apenas leis prováveis, formuladas na base de estatísticas reformáveis. Ora, essa indeterminação, no plano da matéria, abre lugar à intervenção de uma causa, que produza o equilíbrio e a harmonia dessas reações dessemelhantes e contraditórias da matéria.

Há, porém, várias maneiras de se representar Deus.

  • Alguns o representam como o Deus mecânico, que intervém no mundo para modificar as leis da natureza e o curso dos acontecimentos. Querem pô-lo a seu serviço, por meio de fórmulas mágicas. É o Deus de certos primitivos, antigos ou modernos.
  • Outros o representam como o Deus jurídico, legislador e agente policial da moralidade, que impõe o medo e estabelece distâncias.
  • Outros, enfim, como o Deus interior, que dirige por dentro todas as coisas e que se revela aos homens no mais íntimo da consciência.”

É por isso que o físico alemão considerava as religiões como crenças primitivas… Só é estranho como essa citação aparece em sites e blogs religiosos…(risos) Nessas a gente vê como as pessoas têm dificuldade para interpretar o que leem. As pessoas pensam que Einstein (que era agnóstico, diga-se de passagem) está defendendo um ponto de vista teológico. O que ele diz nada tem a ver com a confirmação de alguma teologia, liturgia, dogma ou pior, validação da fé religiosa (independente de qual for)… Basicamente o que Einstein diz aí é que religiões não são necessárias nem nada têm a ver com ” Deus”. A própria ideia de Deus que as religiões propagam é uma ideia ignorante, primitiva, absurda e altamente preconceituosa. Uma ideia que visa objetivos bem específicos e nada relacionados a amor ou compaixão (ao contrário do que gostam de afirmar): poder. Amai ao próximo desde que ele seja da mesma igreja/congregação, sabe? ;-) Deixando claro que nem todos os religiosos possuem esses defeitos, eu jamais faria uma generalização do tipo. Uma pena que os que não se encaixam na descrição acima sejam uma minoria diminuta…

Mas é desse Deus interior, como explicado por Einstein acima, que Huberto Rohden fala, no texto de hoje. Na verdade, o simples uso da palavra “Deus”, no contexto aqui, é complicado. O sentido comum dado para a ideia de “deus” é tão popularmente arraigado que fica difícil explicá-lo sem usar contradições (paradoxos) como um que tentei recentemente: “deus não é deus…porque deus não existe…é diferente” (risos)

E novamente, descobrimos neste texto também porque a meditação é tão importante! Os grifos são meus.

O texto faz pensar… o que existe no intervalo entre dois pensamentos?

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Neste milênio em que estamos atravessando, uma grande parte da humanidade, não a parte da humanidade massa, mas, uma pequenina humanidade elite, está entrando numa nova dimensão de consciência. Está ultrapassando a crença, sem cair na descrença. Há uma grande elite que não está dispensando a crença para cair na descrença, o que seria uma involução, um regresso. Está ultrapassando a crença para descobrir uma nova dimensão do espírito, a qual eu chamo a experiência pessoal de Deus. Não a crença num deus do passado, num deus à distância, para além da via Láctea e das galáxias do universo, o que seria a crença, que é necessário para a humanidade dos principiantes, pois é melhor a crença do que a descrença. Mas quando a humanidade chega a certa altura da sua maturidade espiritual, a humanidade está ultrapassando a crença de um deus longínquo, de um deus do futuro ou do passado e está entrando da experiência de um Deus presente, de um Deus aqui e um Deus agora. Essa é a grande humanidade que está acontecendo nos últimos.

Há uma elite cada vez maior na humanidade, dentro e fora do cristianismo, pessoas que já entram na experiência direta e imediata de Deus, que estão começando a realizar a consciência de Deus aqui e agora e que vão continuar por toda a eternidade.

Naturalmente nesta experiência de Deus, ao invés de uma crença de Deus, supõe que se tem uma idéia mais exata de Deus do que o grosso da humanidade. O grosso da humanidade só conhece o deus do passado e o deus do futuro; só conhece o deus ausente, não conhece nada do Deus presente. Mas, se é verdade que Deus esta Onipresente e a Sua Presença não está localizada em algum espaço de tempo, se Deus está Onipresente, presente aqui e acolá, igualmente Presente em toda parte, então Deus é espírito Universal e não pode ser uma pessoa individual, pois uma pessoa não pode estar onipresente. Mas o Espírito pode estar Onipresente; pode estar no mineral, no vegetal e no homem, pode estar em qualquer tempo e espaço do Universo.

Quando se tem a consciência dessa Onipresença de Deus, pode-se então, chegar a uma experiência direta de Deus. Por que se Deus está presente em mim, porque é que eu não poderia ter uma experiência direta, real e verdadeira deste Deus presente em mim?

Muitas pessoas falam de Deus; Deus é a palavra mais usada e mais abusada que existe na humanidade. Todo mundo fala de Deus, prós ou contras. Também os ateus falam de Deus: eles têm uma absoluta certeza de que Deus não existe, mas falam sempre em Deus para rejeitar. Os crentes falam de Deus para aceitar. Muitos falam de Deus, mas isso não resolve nada. Falar de Deus seja pró, ou seja, contra, não resolve os problemas da humanidade. Outros até falam com Deus, o que eles chamam rezar, orar. Isto já é um pouco melhor do que falar de Deus, pois é um prelúdio, mas não é uma solução definitiva. Nem falar de Deus e nem falar com Deus, resolve o problema central da humanidade.

Vejamos uma terceira atitude que não é nem falar de Deus e nem falar com Deus: permitir que Deus nos fale. Essa é uma grande coisa que apenas alguns descobriram… Permitir que Deus nos fale! Esses são os grandes iniciados, que são poucos por enquanto, mas que existiram em todos os tempos. Moisés, Elias, Jesus, Francisco de Assis, Buda, Mahatma Gandhi, todos mantinham momentos de silêncio para permitir o ambiente interno necessário para que Deus pudesse lhes falar. Todos estes grandes místicos que descobriram que a solução de todos os problemas da vida consiste em permitir que Deus nos fale. Mas esta é uma arte muito difícil! Não há 1% da humanidade, nem da cristandade, que consiga aprender sofrivelmente esta arte de se calar, porque para que Deus me possa falar, eu me devo calar. Enquanto eu falo, Deus se cala. Só se eu me calar, então Deus tem a oportunidade para me falar. Mas é muito difícil a gente se calar! Você pensa que é fácil? Você está calado agora, o que não adianta nada! Este ficar calado materialmente não resolve nem um pouco, pois calar fisicamente é muito fácil. A gente vai para um deserto, uma floresta, uma caverna ou se isola entre quatro paredes e estamos fisicamente em silêncio. Não resolve nada o silêncio físico, porque nós carregamos conosco nosso ruído mental: nossos pensamentos! Você pode desfazer-se dos seus pensamentos durante cinco minutos, meia hora, uma hora… Ou durante vários dias, como fizeram vários destes místicos citados no texto acima? Você é capaz de ficar mentalmente silencioso durante um determinado período de tempo? Isto é muito difícil para o grosso da humanidade porque somos bombardeados constantemente pelos nossos próprios pensamentos. A grande maioria não consegue se esvaziar de seus próprios pensamentos nem por cinco minutos.

Este é o ruído mental que impede que Deus nos fale. Deus não fala enquanto eu não me calar mentalmente! Mesmo que eu cale fisicamente, não resolve! É preciso entrar num silêncio mental. Alguns conseguem evitar o barulho mental, que se chama pensamentos, mas não conseguem se livrar de um outro ruído que se chama ruído emocional: os nossos queridos desejos, as nossas afetividades de todas as espécies! Sempre desejamos alguma coisa e enquanto nós desejamos, queremos alguma coisa, não estamos em nosso vazio e Deus não tem licença para nos visitar. Deus não pode nos falar enquanto nós não nos calarmos mentalmente e emocionalmente durante certo período de nossa vida e isso é muito difícil para o grosso da humanidade.

Mahatma Gandhi, o grande libertador místico da Índia e dos nossos tempos, dizia aos seus amigos:

“Reduzi a nada os vossos sentimentos. Reduzi a nada, os vossos pensamentos. Reduzi a nada, os vossos desejos”.

E depois de ouvir isto, os amigos de Mahatma Gandhi lhe diziam:

Depois desses três nadas, o que é que sobra de mim? Se eu reduzir a nada o meu ego físico-mental e emocional, o que é que sobra de mim?

E Mahatma Gandhi, sorrindo lhes respondia:

Sobra Deus e chega!

Mas os discípulos de Mahatma Gandhi não podiam compreender isto tão depressa. Aparentemente não sobra nada, porque quando nós não sentimos, pensamos e não queremos nada, parece que não existimos mais – não temos mais consciência de nós. Porque nós vivemos na estranha ilusão de que quando não se pensa nada, então a gente não tem consciência. Muitos quando não pensam e não querem nada, adormecem, caem no transe ou na auto-hipnóse. Isso não resolve nada. Isto não tem o poder de resolver nenhum dos problemas da nossa vida espiritual.

Mas alguns já descobriram que podemos nos esvaziar de qualquer pensamento, desejo e apesar disso, ficar plenamente consciente em espírito e verdade. É preciso ficar 100% consciente e 0% pensante. Quando se afirma isso, muitos que estão adentrando no mundo da prática meditativa, afirmam que o que está sendo pedido é demais, que se está pedindo por “um círculo-quadrado”. Muitos principiantes pensam que quando não pensamos nada, não estamos conscientes, mas, com o decorrer da prática, descobrem que se pode ficar sem pensar e desejar nada e ficar plenamente consciente do espírito e da verdade. No entanto, esta descoberta não vem logo no princípio: ela vem aos poucos! E quando descobrimos que podemos ficar 100% consciente no nosso Eu-espiritual, sem nenhum processo de pensamento e de emoção em nosso Ego-mental-emocional, então ocorre a grande experiência do despertar espiritual, a grande libertação, a verdadeira iniciação.

Então, estes iniciandos e iniciados, tem a experiência da presença de Deus. Então, sabem por experiência própria, que crer em Deus é muito bom, mas que ter certeza de Deus, não é apenas crer em Deus. Por que eu posso crer em Deus hoje, e descrer amanhã. Eu posso fazer ida e volta; muitos fazem isso: hoje são crentes, amanhã são descrentes. Da crença, passam para a descrença, do teísmo, passam para o ateísmo. Isto acontece a todos os humanos, quando ainda se encontram no período da crença, onde pode existir a ida-e-volta da crença. Mas, quando se tem a experiência direta de Deus, não há mais ida-e-volta… só há ida! Ninguém pode ter a experiência de Deus hoje e perdê-la amanhã. Isso é absolutamente impossível! A Experiência dá a certeza absoluta de Deus. A crença nos enche de dúvidas. Por isso se faz necessário transpor os limites da crença para a experiência.

A experiência dá a certeza de que Deus é uma Realidade, de que a vida após morte é uma realidade, que a minha alma é uma realidade. Porque se eu tenho a experiência de alguma coisa eu nunca mais posso ignorar amanhã, o que eu sei hoje! Isso é tão certo como 2X2 são 4. A experiência dá a certeza absoluta e eterna em todas as condições.

Por isso, é de absoluta necessidade que todo homem que queira ter paz, tranqüilidade, firmeza e felicidade em sua vida interior, deve, cedo ou tarde, passar da crença para a experiência. Esta é a única coisa necessária: ter a certeza pela experiência direta de Deus. De maneira que, se isso é tão importante para a nossa tranqüilidade interior, segurança, firmeza e felicidade, mesmo em meio de sofrimentos, não valeria a pena, tratarmos seriamente de adquirir experiência e certeza absoluta de Deus, não por uma crença vaga e longínqua, mas por uma experiência direta e imediata? Mas como é que se faz isso?

Hoje, todo mundo fala em meditação. Nunca se fez tanta meditação como hoje em dia. Em outros tempos, meditação era só para os Indianos, para os jovens do Oriente, para Frades e Freiras dos conventos, mas para o homem da indústria, do comércio, da ciência, da universidade, dos laboratórios… Eles faziam outras coisas. Hoje em dia, estes mesmos homens, dedicam pelo menos meia hora do seu dia à meditação.

Meditação não é outra coisa a não ser calar-se para que Deus possa nos falar. Deus não fala pelo barulho, só fala pelo silêncio. Se alguém não consegue ficar silencioso, nunca vai saber nada de Deus; pode crer em Deus, e é bom que o faça, mas nunca vai ter nenhuma certeza de Deus, pois a certeza vem com a experiência, conseguida pela meditação em silêncio. Meditação não é pensar em alguma coisa. É esvaziar-se de todos os pensamentos e desejos próprios e ficar plenamente consciente.

Segundo Leis eternas, onde há uma vacuidade acontece uma plenitude. Se eu me esvazio dos meus desejos e dos meus pensamentos é absolutamente certo que me vai acontecer uma experiência direta de Deus, capaz de trazer a plenitude. A plenitude de Deus flui para dentro da minha vacuidade. Onde há um ego-esvaziamento, ocorre uma Téo-plenificação. O problema não e a plenificação, pois esta sempre vai acontecer, o nosso problema está no ego-esvaziamento: Como é que eu vou me esvaziar dos meus conceitos, crença e condicionamentos da minha egoidade humana, dos meus pensamentos, dos meus desejos, para que a Graça de Deus possa me plenificar com a sua riqueza? Este é o nosso grande problema!

Se queremos obter a certeza através da experiência, temos que prestar atenção onde estão acertando os religiosos. Estudar a vida daqueles que o conseguiram. As grandes experiências meditativas nos vem do Oriente. Existe hoje em dia, uma pequena elite que está descobrindo cada vez mais a alma da mensagem destes grandes homens, destas grandes “setas orientadoras”. “Conhecereis a Verdade”, disse um dos maiores mestres, “e a Verdade vos libertará!” A libertação pela Verdade, pelo Conhecimento e pela vivência da Verdade. O conhecimento da Verdade se chama mística e a vivência da Verdade se chama ética. Toda lei da vida prática e toda a experiência de todos os grandes experientes da inspiração mística resumem-se na expressão: “Amarás a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo!”. Esta é a maior mensagem espiritual dita nestes últimos dois mil anos. Esta experiência traça uma linha vertical e uma linha horizontal; a linha vertical da mística e a linha horizontal da ética. A linha vertical: o amor entre o homem e Deus. A linha horizontal: o amor entre o homem e todas as criaturas humanas. A consciência da paternidade/maternidade única de Deus, transbordando na vivência da fraternidade universal dos homens. Esta foi a maior mensagem já proclamada neste planeta Terra nestes dois mil anos. Amor para cima e amor para todos os lados… Mística e ética.

Estamos diante de uma nova humanidade. Uma pequenina elite está entrando cada vez mais na experiência de Deus. Mas esta elite é qualidade e não quantidade. A qualidade sempre será mais importante que toda quantidade. Para fazer parte da elite espiritual, é absolutamente necessário a cada dia, somente 2% do seu tempo, o que representa meia hora do seu tempo diário, para se encontrar conscientemente com Deus. Quem se dedicar a esta prática diária terá mudanças em toda as áreas de sua vida: espiritual, mental, emocional, social, afetiva e doméstica… Tudo vai melhor! Mas quem quer se dedicar isto? Hoje, para muitos de nós, às 24 horas do dia são divididas da seguinte maneira: 8 para o trabalho obrigatório, 8 horas para o sono e 8 horas para os divertimentos. Se continuarmos com este programa horário, continuaremos a ser “eternos analfabetos espirituais”: nunca saberemos nada, nem de nós e muito menos de Deus. Não seria bom mudar um pouco este programa horário para que a vida se torne mais qualitativa em sua horizontalidade? Será que não vale a pena se ausentar por meia hora de todas as coisas do nosso ego humano, físico, mental e emocional e se concentrar totalmente no Eu espiritual, de forma constante, na melhor meia hora do dia? Qual é a melhor meia hora do seu dia? Estabelecer um grande e verdadeiro silêncio interno, uma vacuidade, um ego-esvaziamento… para experimentar uma Cosmo-plenitude… a transformação da vida pela ação da Graça!

Esta é a experiência de todos os grandes místicos, de todos os grandes homens realmente felizes que tem vivido na face deste planeta. Eles fizeram justamente isto e verificaram que deu certo. Então, porque continuamos a ser eternos analfabetos desta arte sublime do nosso contato consciente com Deus? Entramos neste mundo no marco zero.

Quando entramos neste mundo pelo nascimento, não tínhamos nada. Nossos pais nos deram o primeiro impulso para o nosso corpo, e depois que nascemos, tivemos que completar nosso corpo nos alimentando. Tiramos da natureza as energias necessárias para completar o nosso corpo. Nosso corpo é um produto dos nossos pais e da natureza e será devolvido daqui a pouco à natureza. Nosso corpo foi emprestado e o que foi emprestado pela natureza, deve ser devolvido. E depois? Se entramos no marco zero durante nosso nascimento e se vamos sair novamente no marco zero quando da hora de nossa morte, para que viver tantos anos? Para passar de um zero para outro zero? Não podemos levar nada do exterior juntamente conosco. O grosso da humanidade passa toda a sua existência somente nos “teres da vida”, vivendo em vão. Sobre o grosso desta humanidade, devia-se colocar uma lápide sepultural depois da morte e escrever na mesma o seguinte:

“Aqui jaz os restos mortais de fulano, que viveu durante tantos anos sem saber o porque!”

Que coisa triste! Declaração de falência total! Não seria bom sairmos deste patético modo de vida? Será que posso levar comigo alguma coisa? POSSO!… não daquilo que eu tenho, mas sim, daquilo que eu sou! Não daquilo que eu recebi de fora, mas sim daquilo que eu mesmo fiz de dentro de mim. Valores espirituais eu posso levar comigo, objetos não posso levar! Dizia Einstein: “Do mundo dos objetos, não há nenhum caminho que conduza ao mundo dos valores, por que os valores vem de outra região!“. Os objetos vêm de fora, os valores vem de dentro. Logo, devíamos pensar seriamente em criar valores. Valores são coisas criadas pela nossa consciência. Não são fabricados pela nossa inteligência que só pode produzir objetos, fatos da natureza. Só podemos levar conosco valores da nossa consciência. Mas o que é isso? Valor não é um fato, não é um objeto, não tem peso, não tem cor, não tem tamanho… Ninguém pode dizer quantos peso tem um valor, quantos metros tem um valor… Valor é uma criação da nossa consciência: Verdade, Justiça, Honestidade, Sinceridade, Amizade… Isto são valores! Somos criadores de valores e descobridores de fatos! Mas os fatos estão entre o 0 do nascimento e o outro 0 da morte e nenhum fato pode nos acompanhar! Nada pode nos acompanhar a não ser os valores. Por isso dizia um grande mestre: “Uma só coisa é necessária!”

Einstein, em um dos seus livros dizia:

Por que é que todas as Igrejas prometem o céu aos bons e não aos inteligentes?”

E depois ele responde:

As Igrejas tem razão… os inteligentes descobrem os fatos da natureza que já existiam antes deles, mas os bons, criam os valores da sua consciência que não existiam antes deles e que eles criaram. Por isso é muito mais importante criar valores que descobrir fatos“.

Até parece um místico falando e não um matemático, se bem que o matemático também é um místico ao seu modo, porque a mística não é outra coisa do que a consciência da realidade e a matemática também o é.

O homem bom é um criador de valores dentro de si. Um homem inteligente é apenas um descobridor de fatos fora de si. O que está fora de nós, não podemos levar conosco, o que está dentro de nós, podemos levar conosco. Valores são eternos, fatos são coisas temporárias. Ninguém pode criar valores dentro de si, eternos e indestrutíveis se não tiver experiência da realidade espiritual. Esta Realidade se chama de Deus, que está fora de nós, e de alma que está dentro de nós e que é a mesma coisa. Um Deus transcendente se chama “a divindade” e um Deus imanente se chama Deus em nós, a nossa alma. E nós, levamos conosco somente o nosso Deus imanente, a nossa alma. Por isso dizia o maior dos iniciados: “Que proveito há para o homem em ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” Uma sabedoria lógica e matematicamente certa!

A nova humanidade é a humanidade da experiência. Mas a experiência é absolutamente impossível no nosso programa diário se nós não modificarmos profundamente nosso programa de cada dia, nossas 24 horas, nós nunca vamos ultrapassar a crença infantil para adentrar na experiência da adultes espiritual. Não é possível por que a crença vem de fora, vem da aceitação de testemunhos alheios, mas a experiência vem de dentro, é a aceitação da nossa própria certeza interior, que nos dá absoluta firmeza, tranqüilidade e felicidade indestrutível. Mas esta experiência do mundo espiritual não é possível dentro do programa da nossa vida diária que muitos estão levando até agora! Se não tomarmos a sério a modificação do nosso programa diário, nunca poderemos chegar a experiência do despertar espiritual.

Todo mundo hoje em dia quer começar a meditar, mas os livros complicam tanto a meditação, que as pessoas ficam com medo da meditação. Quase todos os livros que conheço sobre a meditação desanimam o leitor desde o principio porque exigem “técnicas meditativas…” técnica A, técnica B, técnica C… e assim por diante. Não há nenhuma técnica! Se existe uma técnica é o silêncio e não é nenhuma técnica: é simplesmente se esvaziar de todos os conteúdos humanos e ficar à disposição do Infinito… uma disponibilidade espiritual em face ao Infinito, nada mais é necessário. Fazer de si uma completa vacuidade…

Isso exige algum exercício porque os nossos pensamentos são tirânicos! No geral, não pensamos aquilo que queremos. Somos bombardeados pelos nossos pensamentos! O nosso cérebro é uma praça pública por onde passam milhões de homens, mulheres e automóveis buzinando por todo lado! O nosso cérebro é uma praça pública invadido por todos os pensamentos sem a nossa licença! Os pensamentos entram e saem como todos os vagabundos entram e saem pela praça pública. E nós permitimos a passagem dos pensamentos pelo nosso cérebro. Desse modo, é impossível ter a experiência direta de Deus. É preciso transformar a praça pública do nosso cérebro num santuário silencioso de Deus! Você pensa que é fácil? Isto é um grande problema, mas é possível!

Os nossos pensamentos não nos obedecem. Não somos capazes de inicio, de ficar um só minuto sem pensar em nada. Nossos pensamentos são tirânicos e nós amamos os nossos queridos tiranos chamados pensamentos. Os pensamentos nos maltratam e nos tiranizam de todos os modos e mesmo assim, gostamos deles. Pior ainda as nossas emoções, as nossas afetividades. Somos tiranizados pelas nossas emoções. Nós não temos controle sobre nossas emoções, somos eternos adictos de nossas emoções.

Quando é que vamos nos libertar, proclamar a nossa independência mental e emocional? Quando é que vamos proclamar o nosso “treze de maio emocional”? Nós não somos donos dos nossos pensamentos, somos escravos dos mesmos! A grande mudança é poder ter os pensamentos que queremos ter e não os que devo. É não obedecer aos pensamentos, mas dar ordem aos mesmos. É não obedecer as minhas emoções, mas dar ordens às mesmas. É dizer aos pensamentos e as emoções: “vocês podem entrar na minha cabeça mas eu não vou dar vida à vocês!”.

Enquanto não formos capazes de discriminar entre pensamentos e emoções, positivos e negativos, seremos eternos joguetes dos mesmos. O grande problema está em transformar escravidão em liberdade. A impotência em domínio. Por que sem isto não é possível fazer meditação. Primeiro temos que ser donos dos nossos pensamentos, sentimentos e emoções. Declarar nossa independência. Quem não declara independência sucumbe à tirania dos seus pensamentos. Portanto, temos que fazer isto! E com o exercício permanente conseguimos chegar a isto. No princípio, ninguém consegue ficar um minuto sem ser bombardeado pelos seus pensamentos e emoções. Depois de muito exercício, conseguimos um minuto. A alma passa a mandar porque existe alguém dentro de nós que É maior do que todos os nossos pensamentos: a nossa consciência espiritual, que também pode ser chamada de Eu, Cristo, Buda, Alma… tudo isto é a mesma coisa!

Mas, poucos conseguem entregar às rédeas do seu governo à sua consciência espiritual. Depois de muito exercício fracassado, conseguem colocar disciplina, ordem e obediência em seus pensamentos, sentimentos e emoções. E pouco a pouco, se torna fácil pensar no que queremos e no que não queremos; mandar embora os pensamentos e ficar só com a consciência… A consciência sozinha, sem os pensamentos! E quando os pensamentos obedecem à consciência, a mesma pode dar licença para os pensamentos entrar. Se ele é bom, pode entrar, se não é bom, pode ir embora! Pouco a pouco, nossos pensamentos e emoções se tornam obedientes servidores de confiança de nossa majestade divina: a nossa consciência. E então nós podemos passar a aceitar os nossos pensamentos e emoções que queremos, porque eles são crianças obedientes e dóceis de nossa consciência.

Então, passamos a nos sentir soberanos e felizes por não sermos mais escravizados por nossos pensamentos e emoções. Passamos a ser donos de nossos pensamentos e emoções, isso depois de muito tempo! E não precisamos mais viver em solidão…por que no principio temos a necessidade de nos retirarmos para locais de solidão para a pratica da meditação (que é uma meditação), ou à solidão de um retiro espiritual. Isso se faz necessário para os principiantes: a solidão e o silêncio. Mas, para as pessoas que já ultrapassaram o ABC, isto pode ser feito no meio da sociedade, no meio do escritório, da escola, da casa, transporte, da praça publica, das ruas, a gente pode estar rodeado de barulhos, em profundo silêncio. Pode estar silencioso por dentro e ruidoso por fora. E o ruído não faz mal porque já não é mais venenoso como no principio, tornou-se um ruído sadio. Podemos permitir todos os ruídos da sociedade, sem sermos envenenados pelos ruídos porque nos acostumamos a dar ordem aos nossos pensamentos, sentimentos e emoções.

A grande libertação começa no Silêncio e termina no trabalho em meio ao barulho da sociedade. Para os principiantes é necessário fazer meditação e retiro espiritual em silêncio. Mas para os finalizantes, isto é possível no meio da sociedade, porque tudo que estamos fazendo e que hoje chamamos de autoconhecimento e de autorealização, não é outra coisa se não Libertação.

Libertação não quer dizer fuga, não quer dizer o abandono da sociedade. Libertação começa com silêncio e com solidão, mas termina no meio da sociedade. Para o princípio nós precisamos do silêncio e da solidão, para nos consolidarmos no domínio espiritual, mas quando estamos devidamente consolidados no domínio espiritual, nós podemos voltar ao meio da sociedade e a sociedade já não nos faz mal, porque não podemos mais ser derrotados pela sociedade, pois já somos senhores da sociedade, senhores dos pensamentos e senhores das emoções.

Isto é o que eu chamo da passagem da crença para a experiência de Deus, ou seja, a passagem da escravidão para a liberdade. Todos nós gostamos de liberdade; ninguém gosta de escravidão. Entretanto, poucos são os que fazem algo para se desescravizar e para se libertar.

- Para quem não conhece, Huberto Rohden foi um filósofo, teólogo e educador catarinense, que chegou a ser padre jesuíta durante um tempo. Nem preciso dizer que as ideias dele não foram muito populares dentro da Igreja Católica né? (risos) -

A Sabedoria Sufi

“O verdadeiro autor é aquele cuja obra é anônima, pois deste modo ninguém se interpõe entre o aluno e o que deve ser estudado”.

Amil-Baba (um dervixe desconhecido do séc. XVII)

Em um outro post, eu havia falado um pouco sobre a Sabedoria Cômica do Mullah Nasruddin, que acredito ser um dos sábios sufis mais conhecidos do público leigo ocidental. Apesar de não se saber ao certo se Nasruddin de fato existiu ou não, suas histórias divertidas continuam atuais e populares.

O sufismo é uma filosofia mística do Islã, que busca o autoconhecimento e uma experiência direta de “Deus”. Para atingir esses objetivos, os sufis, ou sufistas, utilizam a música, poesia, danças, meditação e retiro espiritual. Ao contrário do que muitos pensam, o sufismo não é bem uma religião, e os adeptos sufis acreditam que qualquer pessoa, independente do credo religioso, pode ter um contato direto com a divindade. Tanto por isso que foram perseguidos até pelos muçulmanos esotéricos, já que a ideia que os sufis fazem de “Deus” é diferente do que é convencional e tradicionalmente aceito. Na verdade, acho que posso dizer que o tipo de perseguição que os sufis sofrem ou sofreram é do mesmo tipo que qualquer místico sofre. Entendendo-se  por místico aqui, aquele que busca uma experiência ou contato direto com a divindade, e que por isso, não precisa “ter fé”… Segundo a Wikipedia,

Hallaj (séc. X), um dos grandes representantes do sufismo, foi executado, pois ensinou, em estado de êxtase, que Deus e ele eram um; que havia atingido a identidade suprema. Como o ideal do sufismo era ascético, acreditavam que Jesus era tão importante quanto Maomé, que o Alcorão era tão essencial quanto a Bíblia ou a Torá. Quase um século e meio depois, Ghazali, um dos maiores pensadores do mundo e seguidor sufi, disseminava a idéia de que a verdade mística não pode ser aprendida, mas sim experimentada por meio do êxtase.

As origens da palavra “sufi” remontam ao idioma egípcio antigo, e significa “pureza”. Essa filosofia mística islâmica nasceu no Oriente Médio, no século VIII. Para quem se interessou em saber mais sobre o sufismo, há um artigo muito bom, entitulado:  Quando o homem se confunde com Deus, de Débora F. Lerrer.

No Youtube há bastante vídeos dos “dervixes rodopiantes” (a palavra dervixe quer dizer monge maometano), que são os sufis da Ordem Mevlevi (existem várias correntes e ordens dentro do sufismo). Esses dervixes tem como parte da sua meditação, um tipo de dança em que rodopiam de braços abertos. Para quem não conhece, encontrei um vídeo de uma apresentação muito bonita dos Dervixes Rodopiantes de Damasco (The Whirling Derwishes of Damascus) , na Holanda:

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Mas bem! Voltando aos textos sufis. Selecionei alguns, de vários sábios, incluindo o nosso querido Mullah Nasruddin para a sua diversão… e reflexão! ;-)

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É por isso que lhe dão valor

“Nunca dê as pessoas coisa alguma que peçam, até que ao menos um dia tenha se passado”, disse o Mullá.

“Por que não, Nasrudin?”

“A experiência mostra que só dão valor a algo, quando têm a oportunidade de duvidar se irão ou não consegui-la.”

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Isto Também Passará

Um dervishe, depois de uma árdua e longa viagem através do deserto, chegou por fim à civilização. O povoado se chamava Colinas Arenosas e era quente e seco. Não havia muito verde, exceto feno para o gado e alguns arbustos. As vacas eram o principal meio de vida das pessoas de Colinas Arenosas. O dervishe perguntou educadamente a alguém que passava se havia algum lugar onde poderia encontrar comida e abrigo para aquela noite.

- Bem, disse o homem coçando a cabeça – não temos um lugar assim no povoado, mas estou certo de que Shakir ficará encantado de lhe brindar com sua hospitalidade esta noite.

Então o homem indicou o caminho da fazenda de propriedade de Shakir, cujo nome significa “o que agradece constantemente ao Senhor”.
No caminho até a fazenda, o dervishe parou perto de um pequeno grupo de anciões que estavam fumando cachimbo e eles confirmaram a direção. Eles disseram que Shakir era o homem mais rico da região. Um dos homens disse que Shakir era dono de mais de mil vacas.

- E isso é maior do que a riqueza de Haddad, que vive no povoado ao lado.

Pouco tempo depois o dervishe estava parado em frente a casa de Shakir a admirando. Shakir, que era uma pessoa muito hospitaleira e amável, insistiu para que o dervishe ficasse por alguns dias em sua casa.

A mulher e as filhas de Shakir eram igualmente amáveis e deram o melhor para o dervishe. Inclusive, ao final de sua estadia, lhe deram uma grande quantidade de comida e água para sua viagem.

No seu caminho de volta para o deserto, o dervishe não conseguia parar de se perguntar o significado das últimas palavras de Shakir. No momento da despedida o dervishe havia dito:

- Dê Graças a Deus pela riqueza que tens.

- Dervishe – havia respondido Shakir – não se engane pelas aparências, porque isto também passará.

Durante o tempo em que havia passado no caminho Sufi, o dervishe havia compreendido que qualquer coisa que ouvisse ou visse durante sua viagem lhe oferecia uma lição para aprender, e portanto, valia a pena considerá-la. Além de tudo, essa era a razão pela qual havia feito a viagem, para aprender mais. As palavras de Shakir ocuparam seus pensamentos e ele não estava seguro de ter compreendido completamente o seu significado.

Quando estava sentado sob a sombra de um arbusto para rezar e meditar, recordou do ensinamento Sufi sobre guardar silencio e não se precipitar em tirar conclusões para finalmente alcançar a resposta. Quando chegasse o momento, compreenderia, já que havia sido ensinado a permanecer em silêncio e sem fazer perguntas. Para tanto, fechou a porta dos seus pensamentos e submergiu sua alma em um estado de profunda meditação.

E assim se passaram mais cinco anos, viajando por diferentes terras, conhecendo pessoas novas e aprendendo com suas experiências no caminho. Cada nova aventura oferecia uma lição a ser aprendida. Entretanto, como requeria o costume Sufi, permanecia em silêncio, concentrado nas ordens do seu coração.

Um dia, o dervishe voltou a Colinas Arenosas, o mesmo povoado onde havia passado alguns anos antes. Se lembrou de seu amigo Shakir e perguntou por ele.

- Está vivendo no povoado ao lado, a dez milhas daqui. Agora trabalha para Haddad – respondeu um homem do povoado.

O dervishe lembrou surpreendido que Haddad era o outro homem rico da região. Contente com a idéia de voltar a ver Shakir outra vez, se apressou para ir ao povoado vizinho. Na maravilhosa casa de Haddad, o dervishe foi bem recebido por Shakir, que agora parecia muito mais velho e estava vestido em andrajos.

- O que lhe aconteceu? – quis saber o dervishe.

Shakir respondeu que uma enchente três anos antes o havia deixado sem vacas e sem casa; assim ele e sua família se tornaram empregados de Haddad, que sobreviveu à enchente e agora desfrutava da posição de homem mais rico da região. Entretanto, esta alteração na sorte não havia mudado o caráter amistoso e atencioso de Shakir e de sua família.Cuidaram amavelmente do dervishe na sua cabana durante os dois dias e lhe deram comida e água antes dele sair. Na despedida, o dervishe disse:

- Sinto muito pelo que aconteceu com você e sua família. Mas sei é que Deus tem um motivo para aquilo que faz..
- Mas não se esqueça, isto também passará.

A voz de Shakir ressoou como um eco nos ouvidos do dervishe. O rosto sorridente do homem e seu espírito tranqüilo não abandonavam seu pensamento.

- O que ele quer dizer com esta frase desta vez?

O dervishe sabia agora que as últimas palavras de Shakir na sua visita anterior se anteciparam às mudanças que ocorrerem. Mas dessa vez, se perguntava o que poderia justificar um comentário tão otimista. Assim deixou a frase de lado outra vez, preferindo esperar pela resposta.
Passaram meses e anos, e o dervishe, que estava ficando velho, continuou viajando sem nenhuma intenção de parar.

Curiosamente, suas viagens sempre o levavam de volta ao povoado onde vivia Shakir. Assim sendo, demorou sete anos para voltar a Colinas Arenosas e Shakir estava rico outra vez. Agora vivia na casa principal da propriedade de Haddad e não na pequena cabana.

- Haddad morreu há dois anos – explicou Shakir – e, como não tinha herdeiro, decidiu deixar sua fortuna para mim como recompensa dos meus leais serviços.

Quando estava terminando sua visita, o dervishe se preparou para a viagem mais importante de sua vida: cruzaria a Arábia Saudita para fazer sua peregrinação a pé até Meca, uma antiga tradição entre seus companheiros. A despedida de seu amigo não foi diferente das outras vezes. Shakir repetiu sua frase favorita:

- Isto também passará.

Depois da peregrinação, o dervishe viajou à Índia. Ao voltar a sua terra natal, Pérsia, decidiu visitar Shakir mais uma vez para ver o que havia acontecido com ele. Assim, mais uma vez se pós em marcha para Colinas Arenosas. Mas em vez de de encontrar seu amigo Shakir, lhe mostraram uma humilde tumba com a inscrição “Isto também passará”. O dervishe ficou ainda mais surpreendido do que das outras vezes, quando o próprio Shakir havia pronunciado estas palavras.

- As riquezas vem e as riquezas se vão – pensou o dervishe – mas, como pode trocar um túmulo?

A partir de então o dervishe adquiriu o costume de visitar a tumba de seu amigo de tantos anos e passava algumas horas meditando na morada de Shakir. Entretanto, em uma de suas visitas o cemitério e a tumba haviam desaparecido, arrasados por uma enchente. Agora, o velho dervishe havia perdido o único vestígio deixado por um homem que havia marcado tão excepcionalmente as experiências de sua vida. O dervishe permaneceu durante horas nas ruínas do cemitério, olhando o chão fixamente. Finalmente, levantou a cabeça em direção ao céu e então, como se houvesse descoberto um significado mais elevado, abaixou a caberá em sinal de confirmação e disse:

- Isto também passará.

Finalmente o dervishe ficou muito velho para viajar, decidindo se fixar e viver tranqüilo e em paz pelo resto de sua vida.

Os anos se passaram e o ancião se dedicava a ajudar a quem se acercava dele para os quais aconselhava e a compartilhar suas experiências com os jovens. Vinha gente de todas as partes para beneficiar-se de sua sabedoria. Finalmente, sua fama chegou até o grade conselheiro do rei, que casualmente estava buscando alguém com grande sabedoria.

O fato era que o rei desejava que lhe fizessem um anel. O anel teria de ser especial: devia ter uma inscrição de tal forma que quando o rei se sentisse triste, olhasse o anel e ficaria contente e se estivesse feliz, ao olhar o anel se entristeceria.

Os melhores joalheiros foram contratados e muitos homens e mulheres se apresentaram para dar sugestões sobre o anel, mas o rei não gostava de nenhuma. Então o conselheiro escreveu para o dervishe explicando a situação, pedindo ajuda e o convidando para ir ao palácio. Sem abandonar sua casa, o dervishe enviou sua resposta.

Poucos dias mais tarde, um anel foi feito com uma esmeralda e foi entregue ao rei. O rei, que havia estado deprimido por vários dias, mal o recebeu, botou o anel no dedo e olhando-o, deu um suspiro de decepção. Logo começou a sorrir e, pouco depois, ria às gargalhadas.

No anel que usava estavam escritas as palavras “Isto também passará“.

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Quando um dervixe saúda a outro, ele não diz “Como estas?”
O derviche faz uma leve reverência e logo diz: “que maravilhoso ver a Deus manifesto em teus olhos!”
Logo, o segundo dervixe poderia responder: “Ah! Se não fora pelo Amor em teu coração, não seria possível a você ver a Deus em meus olhos.”
Ah! Poderia dizer de novo o primeiro dervixe “porém se não fora pelo Amor Divino, mostrado através de ti, não seria possível para ti dizer o que disseste, que o Amor estava mostrando-se no meu coração.”
Ah! poderia dizer o segundo dervixe “se não fora pela Presença Divina não poderíamos ser conscientes um do outro.”
Eles logo se abraçariam e seguiriam seus caminhos.
A Presença Divina está sempre, em todo o lugar, ao mesmo tempo.
Assim tem sido sempre e assim sempre será.
Nada se perde no Absoluto, está sempre ali.
Quando somos conscientes, estamos apaixonados.

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Um Fiel e Meio…

NARRADOR: Dizem que os soberanos estão melhor situados para penetrar as obscuridades da mente. Porém para isso é necessário que a sua esteja clara. A Tradição Sufi nos conta o seguinte: Um sultão ouviu falar de um grande sheik, um mestre muito respeitado, que vivia em Anatólia e que contava com centenas de milhares de fiéis. O sultão, assustado por aquela força, pela qual se sentia ameaçado, convocou ao sheik a Istambul e lhe perguntou:

SULTÃO: O que é que ouço dizer? Que tens centenas de milhares de homens dispostos a morrer por ti?

SHEIK: Oh, não! – disse o sheik – Somente tenho um e meio.

SULTÃO: Então, por que me contam que poderias sublevar todo o país? Vamos ver. Que todos os homens se reúnam amanhã de manhã no campo, fora da cidade.

NARRADOR: Por toda a parte se proclamou que os fiéis do sheik teriam que reunir-se na manhã seguinte no campo, porque ali estaria o sheik em pessoa. Numa parte alta, que dominava o campo, o sheik fez instalar uma tenda. Dentro prendeu vários cordeiros, que ninguém podia ver. Os fiéis acudiram em grande número. O sultão, que estava de pé diante da tenda com o sheik, lhe disse:

SULTÃO: Tu me disseste não ter mais que um fiel e meio. Olha! Há milhares deles! Dezenas de milhares!

SHEIK: Não. Eu só tenho um fiel. Agora verás. Anuncia que cometi um crime e que irás condenar-me à morte, a menos que um de meus fiéis se sacrifique por mim.

NARRADOR: O sultão assim o fez, provocando um grande murnúrio entre a multidão. Um homem se adiantou e declarou:

HOMEM: Ele é meu Mestre. Devo-lhe tudo o que sei. Eu dou minha vida por ele.

NARRADOR: O sultão o fez entra na tenda e ali, imediatamente, seguindo as indicações do sheik, cortaram o pescoço de um cordeiro. Todos os assistentes viram aparecer sangue por baixo da tenda. Naquele instante o sultão declarou:

SULTÃO: Uma vida não é suficiente. Algum outro fiel está disposto a sacrificar-se pelo sheik?

NARRADOR: Por trás do silêncio sepulcral que se seguiu e durou vários minutos, uma mulher avançou e se declarou disposta. A fizeram entrar na tenda e cortaram o pescoço de outro cordeiro. A multidão, ao ver o sangue, começou a dispersar-se. Em pouco tempo não restou ninguém no campo. O sheik disse ao sultão:

SHEIK: Vês? Somente tenho um fiel e meio.

SULTÃO: Então, o homem é o fiel verdadeiro e a mulher meio?

SHEIK: Não, não – contestou – Ao contrário. Porque o homem não sabia que lhe iriam cortar o pescoço na tenda. Já a mulher viu o sangue e sem dúvida avançou. Ela é a verdadeira fiel.

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Aprendizado

“Como foi que você aprendeu tanto, Mullá ?”, perguntaram certa vez a Nasrudin.

“Falando muito”, respondeu ele.

“Vou colocando em sequência todas as palavras que me ocorram. Quando eu fico interessante, posso ver o respeito no rosto das outras pessoas. Na hora em que isso acontece, começo a tomar nota mentalmente do que disse”.

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A luta dos cegos

Certa manhã, quando dirigia-se ao mercado, Nasrudin viu alguns cegos e,fazendo tilintar as moedas em sua bolsa, disse em voz alta:

- Amigos, amigos, peguem estas moedas. Tu, toma esta, tu, esta, e vocêsrepartam o resto – e enquanto fazia isso, fazia tilintar as moedas em sua bolsa.

É evidente e seria até demais esclarecer, que não repartiu um só tostão. Produzida a cena, afastou-se para observar a seguinte situação:

Os cegos começaram a precipitar-se uns sobre os outros, exclamando e gritando: ” deutudo para ti”. Ou então:” Vocês ficaram com tudo ao invés de repartir”. Ou:” Eu nada recebi”, ” mentes”, ” dá-me a minha parte”, etc. etc.

Isso transformou-se em empurrões, socos, chutes, insultos, xingamentos, terminando em uma grande batalha indescritível, dada a cegueira total
reinante.

Nasrudin, que seguia de perto as peripécias da batalha, murmurou:

- Isto é o que poderia chamar-se de uma ” uma luta de cegos por motivo inexistente”.

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Iogurte

Como se sabe, uma pequena porção de iogurte, quando misturada no leite, pode fermentar este último e torná-lo também iogurte. Acontece que em dada ocasião, Nasrudin estava a beira de um lago misturando iogurte no lago, quando um amigo passava:
-Nasrudin, o que está fazendo?
-Estou misturando iogurte no lago, assim teremos um lago de iogurte.
-Mas isso não funciona, Nasrudin.
-Sei que não funciona, mas já pensou se isso dá certo?

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Encontro com o Diabo

(Ou de como nossos condicionamentos e preconceitos podem distorcer a visão correta das coisas)

Certo homem devoto, convencido de que era um sincero Buscador da verdade, submeteu-se a uma longa seqüência de disciplina e estudo.

Por um período considerável de tempo, teve muitas experiências, tanto em sua vida interior, como exterior, junto a vários mestres.

Um dia, meditando, viu subitamente o diabo sentado ao seu lado.

- Afasta-te, demônio – gritou -, não tens nenhum poder para me causar dano, pois estou seguindo o Caminho dos Eleitos. – A aparição se esfumou.

Um verdadeiro sábio que por ali passava, disse-lhe, com tristeza:

- Ah, meu amigo. Assentaste teus esforços sobre bases tão inseguras, tais como teu medo inalterado, tua avareza e tua auto-estima, que chegaste a tua última experiência possível.

- E por quê? – perguntou o buscador.

- Esse diabo é, na realidade, um anjo. Diabo é como tu o viste.

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O Valor de um Tesouro Escondido

Vivia na China um sacerdote rico e avarento. Amava jóias e as colecionava, acrescentando constantemente novas peças ao seu maravilhoso tesouro escondido, que guardava a sete chaves, oculto de olhos que não fossem os seus.

O sacerdote tinha um amigo, que um dia o visitou e manifestou interesse em ver as jóias.

- Seria um prazer tirá-las do esconderijo, e assim eu poderia olhá-las também.

A coleção foi trazida, e os dois deleitaram os olhos com o tesouro maravilhoso por longo tempo, perdidos em admiração.

Quando chegou o momento de partir, o convidado disse:

- Obrigado por me dar o tesouro.

- Não me agradeça por uma coisa que você não recebeu – disse o sacerdote. – Como não lhe dei as jóias, elas não são suas, absolutamente.

- Como você sabe – respondeu o amigo, – senti tanto prazer admirando os tesouros quanto você, por isso não há essa diferença entre nós como pensa. Só que os gastos e o problema de encontrar, comprar e cuidar das jóias são seus…

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Entre os Amigos e o Burro

Nasrudin ia montado em seu burro pelo povoado, pensando no que pensar, quando de repente uns amigos lhe chamaram.

O mestre, ao escutar o chamado, desce do burro e vai ter com eles.

Quando chega, estes começam a recriminá-lo pelo que havia feito, ou não havia feito.

Nasrudin, nesse momento, volta até seu burro e com um sorriso lhe diz:
- Que sorte que não falas!

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Quando a Sinceridade Fala Primeiro

Certo dia, um juiz perguntou ao mestre Nasrudin:

- Mestre, no caso de você ter de escolher entre a justiça e o dinheiro, o que você escolheria?

- O dinheiro, é claro – respondeu Nasrudin, sem pestanejar.

- O quê! – disse o juiz. Pois eu escolheria a justiça sem pensar duas vezes, porque
a justiça não é fácil de ser encontrada, enquanto o dinheiro, este não é tão raro assim. Podemos encontrá-lo por aí sem grandes dificuldades. Estou sinceramente espantado com a sua opção, Nasrudin. Não o julgava capaz de uma ambição, sendo um mestre!

- Meritíssimo, cada um deseja aquilo que mais lhe falta! – respondeu tranqüilamente o mestre Nasrudin.

Fonte: Poesia Sufi

Cultivando a mediocridade….

“Não faças nunca depender a tua felicidade de algo que não dependa de ti.”

Huberto Rohden

No post de hoje trago um texto excelente de Huberto Rohden, a respeito dos “Cultores da Mediocridade”. Nesse pequeno texto, Rohden, um filósofo brasileiro ainda um tanto desconhecido, descreve as melhores coisas a fazer (ou a deixar de fazer!) para se tornar um medíocre perfeito, e consequentemente, ser muito admirado por todos por sua prudência, tradição, conservadorismo e apego a ideias pequenas porém muito seguras…

Vamos lá gente… todo mundo tomando muuuito cuidado pra não ser muito diferente da maioria!!!  ;-)

Leia também o post A voz do povo NÃO é a voz de Deus, que traz uma reflexão sobre esse mesmo tema.

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Meu ignoto amigo. Se quiseres ser impenitente cultor da rotina e mediocridade, guia-te pelas normas seguintes:

- Antes de pensar, informa-te sempre o que deve ser pensado, a fim de não introduzir no mundo o contrabando de ideias novas.

- Não penses nunca com o próprio cérebro — mas sempre com a cabeça dos outros.

- Dize sempre sim quando os outros dizem sim — e não quando os outros dizem não.

- Lê cada manhã, ao café, o teu jornal, para saberes o que deve ser pensado naquelas 24 horas.

- Quando vier alguém com ideias novas, evita-o como um perigo social e tem-no em conta de herege e demolidor.

- Não te exponhas ao perigo de fazer o que o vizinho não faz — mas lembra-te da comprovada sapiência burguesa: o seguro morreu de velho.

- Sê amigo dedicado da tua tépida poltrona — e não te exponhas a vertigens de vastos horizontes.

- Prefere sempre as paredes maciças dum cárcere e as grades duma gaiola às incertezas dum vôo estratosférico.

- Não abras nunca portas fechadas — abre tão somente portas abertas.

- Não explores caminhos novos, como os bandeirantes — anda sempre por estradas batidas e sobre trilhos previamente alinhados.

- Vai sempre com o grosso do rebanho, como os bons carneiros — e não procures caminho à margem da rotina geral.

Em suma, meu insigne cultor da mediocridade: Deixa tudo como está para ver como fica.

- Destarte, conservarás a saúde e a tranqüilidade dos nervos e poderás tomar, cada dia, com sossego, teu chope ou coquetel — e passar por homem de bem.

* * *

Se, porém, resolveres, um dia, sair da rotina tradicional e expor-te ao perigo mortífero dum ideal superior, então lê com atenção o que te diz um homem que conhece a vida:

- Vai às margens do Ganges e pede ao mais robusto dos elefantes que te ceda a sua pele paquidérmica, para com ela revestires a tua alma.

- Vai as praias do Nilo e arranca ao mais velho dos crocodilos a sua impenetrável couraça e faze dela o invólucro do teu coração.

- Senta-te aos pés de mestre Zenon, rei dos Estóicos, e pede que te ensine à filosofia de ser pedra in bloco de gelo, cadáver ambulante, indiferença absoluta.

- E, depois de assim encouraçares a tua alma, sai por este mundo afora e dize aos homens da honesta mediocridade que vives por um ideal que não está no estômago, nem nos nervos nem no sangue — e verás que eles te declararão guerra de morte.

- Pois, deves saber, meu amigo, que o mundo não sacrifica um só ídolo por um ideal.

- Desde que o mais arrojado idealista da história foi crucificado, morto e sepultado — são todos os idealistas crucificados pelos culto da mediocridade.

- Nada de grande acontece no mundo sem que o mundo se revolte.

- Tudo que é belo e grande — acaba fatalmente entre os braços da cruz.

- É esta a gloriosa tragédia dos homens superiores.

Retirado do livro: De alma para alma

A Sabedoria Cômica do Mullah Nasruddin

Uma pintura do sábio sufi, Nasruddin

Uma pintura do sábio sufi, Nasruddin

Há muitos anos atrás eu tive o meu primeiro contato com uma das histórias protagonizadas e contadas por um sábio sufi, chamado Nasruddin. Essas histórias, normalmente curtinhas e no melhor estilo “parábola”, apesar de serem simples e cômicas, eram capazes de fazer o leitor refletir por horas (a mim até por dias), a respeito das profundas verdades que encerram.

O “Mullah Nasruddin”, como ficou famoso, na realidade é um personagem desconhecido, que muitos dizem ter existido e vivido durante o século 13 na Anatólia (segundo a Wikipedia em inglês, ele nasceu no vilarejo de Hortu em Sivrihisar, Eskisehir; depois morou em Aksehir e mais tarde em Konya, onde por fim morreu). Alguns alegam que ele tenha sido apenas um personagem mitológico. Entretanto, várias nações do Oriente Próximo, Oriente Médio e Ásia Central reivindicam o sábio como seu (Afeganistão, Turquia, Irã, Índia etc).

Independente de ter realmente existido ou não, e onde, a sabedoria de Nasruddin continua fresca mesmo nos dias de hoje. Ele pode ser considerado um “filósofo popular”, pois não é necessário nenhum tipo de conhecimento especial ou estudo para compreender suas histórias. E já que estou falando das histórias, o que as torna mais interessante é o fato de serem verdadeiros paradoxos. O comportamento do Mullah é ilógico porém com lógica… é irracional de modo racional. É bizarro e normal ao mesmo tempo!

Osho dizia; “nunca eu amei alguém como amei Nasruddin. Ele é um dos homens que aproximou a religião do riso.” É realmente difícil não simpatizar com as sábias anedotas do Mullah. Por isso, no post de hoje trago algumas das minhas preferidas!

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A felicidade não está onde se procura

Nasrudin encontrou um homem desconsolado sentado à beira do caminho e perguntou-lhe os motivos de tanta aflição.

“Não há nada na vida que interesse, irmão”, disse o homem. “Tenho dinheiro suficiente para não precisar trabalhar e estou nesta viagem só para procurar algo mais interessante do que a vida que levo em casa. Até agora, eu nada encontrei.”

Sem mais palavra, Nasrudin arrancou-lhe a mochila e fugiu com ela estrada abaixo, correndo feito uma lebre. Como conhecia a região, foi capaz de tomar uma boa distância.

A estrada fazia uma curva e Nasrudin foi cortando o caminho por vários atalhos, até que retornou à mesma estrada, muito à frente do homem que havia roubado. Colocou a mochila bem do lado da estrada e escondeu-se à espera do outro.

Logo apareceu o miserável viajante, caminhando pela estrada tortuosa, mais infeliz do que nunca pela perda da mochila. Assim que viu sua propriedade bem ali, à mão, correu para pegá-la, dando gritos de alegria.

“Essa é uma maneira de se produzir felicidade”, disse Nasrudin.

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Como Nasrudin criou a verdade

“Estas leis não tornam melhores as pessoas”, disse Nasrudin ao Rei; “elas devem praticar certas coisas de forma a sintonizarem-se com a verdade interior, que se assemelha apenas levemente à verdade aparente.”

O Rei decidiu que poderia fazer que as pessoas observassem a verdade – e o faria. Ele poderia fazê-las praticar a autenticidade.

O acesso a sua cidade era feito por uma ponte, sobre a qual o Rei ordenou que fosse construída uma forca.

Quando os portões foram abertos ao alvorecer do dia seguinte, o Capitão da Guarda estava postado à frente de um pelotão para averiguar todos os que ali entrassem.

Um édito foi proclamado: “Todos serão interrogados. Aquele que falar a verdade terá seu ingresso permitido. Se mentir, será enforcado.”

Nasrudin deu um passo à frente.

“Aonde vai?”

“Estou a caminho da forca”, respondeu Nasrudin calmamente.

“Não acreditamos em você!”

“Muito bem, se estiver mentindo, enforquem-me!”

“Mas se o enforcarmos por mentir, faremos com que aquilo que disse seja verdade!”

“Isso mesmo: agora sabem o que é a verdade: a sua verdade!”

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Os melhores conselhos

Nasrudin começou a construir uma casa : seus amigos, que tinham cada um sua própria casa, e eram carpinteiros, pedreiros, o rodearam de conselhos. Mullá estava radiante. Um após outro, e às vezes todos juntos, disseram-lhe o que fazer. Nasrudin seguia docilmente as instruções que cada um lhe dava.

Quando a construção terminou, ela não se parecia em nada com uma casa.

- Que curioso! – disse Nasrudin – e contudo eu fiz exatamente aquilo que cada um de vocês me tinha dito para fazer!

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O barco e o homem letrado

Em dada ocasião, Nasrudin estava em um barco com um homem letrado, quando o Mullá disse algo que contrariava as regras gramaticais:

- Você nunca estudou gramática? – perguntou o estudioso.

- Não, nunca – respondeu Nasrudin.

- Nesse caso, metade de sua vida se perdeu – retrucou o outro.

Nasrudin ficou em silêncio durante algum tempo, quando finalmente falou:

- Você nunca aprendeu a nadar? – disse o Mullá ao homem letrado.

- Não, nunca – este respondeu.

- Então, nesse caso, toda a sua vida se perdeu. Estamos afundando.

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O anúncio

Nasrudin postou-se na praça do mercado e dirigiu-se à multidão:

“Ó povo deste lugar! Querem conhecimento sem dificuldade, verdade sem falsidade, realização sem esforço, progresso sem sacrifício?”

Logo juntou-se um grande número de pessoas, com todo mundo gritando: “Queremos, queremos!”

“Excelente!”, disse o Mullá. “Era só para saber. Podem confiar em mim, que lhes contarei tudo a respeito, caso algum dia descubra algo assim.”

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Há mais luz por aqui

Alguém viu Nasrudin procurando alguma coisa no chão.

“O que é que você perdeu, Mullá?”, perguntou-lhe

“Minha chave”, respondeu o Mullá.

Então, os dois se ajoelharam para procurá-la.

Um pouco depois, o sujeito perguntou:

“Onde foi exatamente que você perdeu esta chave?”

“Na minha casa.”

“Então por que você está procurando por aqui?”

“Porque aqui tem mais luz.”

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O Tolo que era Sábio

Todos os dias o Mullah Nasrudin ia esmolar na feira, e as pessoas adoravam vê-lo fazendo o papel de tolo, com o seguinte truque:

Mostravam duas moedas, uma valendo dez vezes mais que a outra. Nasrudin sempre escolhia a menor. A história correu pelo condado.

Dia após dia, grupos de homens e mulheres mostravam as duas moedas, e Nasrudin sempre ficava com a menor. Até que apareceu um senhor generoso, cansado de ver Nasrudin sendo ridicularizado daquela maneira. Chamando-o a um canto da praça, disse:

- Sempre que lhe oferecerem duas moedas, escolha a maior. Assim terá mais dinheiro e não será considerado idiota pelos outros.

Nasrudin lhe respondeu:

- O senhor parece ter razão, mas se eu escolher a moeda maior, as pessoas vão deixar de me oferecer dinheiro, para provar que sou mais idiota que elas. O senhor não sabe quanto dinheiro já ganhei, usando este truque.

E cheio de sabedoria acrescentou:

- Não há nada de errado em se passar por tolo, se na verdade o que você está fazendo é inteligente. Às vezes, é de muita sabedoria se passar por tolo e é muito melhor passar por tolo e ser inteligente do que ter inteligência e usar fazendo tolices.

“Os sábios não dizem o que sabem, os tolos não sabem o que dizem!”

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O sermão de Nasrudin

Certo dia, os moradores do vilarejo quiseram pregar uma peça em Nasrudin. Já que era considerado uma espécie meio indefinível de homem santo, pediram-lhe para fazer um sermão na mesquita.

Ele concordou.

Chegado o tal dia, Nasrudin subiu ao púlpito e falou:

“Ó fiéis! Sabem o que vou lhes dizer?”

“Não, não sabemos”, responderam em uníssono.

“Enquanto não saibam, não poderei falar nada. Gente muito ignorante, isso é o que vocês são. Assim não dá para começarmos o que quer que seja”, disse o Mullá, profundamente indignado por aquele povo ignorante fazê-lo perder seu tempo.

Desceu do púlpito e foi para casa.

Um tanto vexados, seguiram em comissão para, mais uma vez, pedir a Nasrudin fazer um sermão na Sexta-feira seguinte, dia de oração.

Nasrudin começou a pregação com a mesma pergunta de antes.

Desta vez, a congregação respondeu numa única voz:

“Sim, sabemos”.

“Neste caso”, disse o Mullá, “não há porque prendê-los aqui por mais tempo. Podem ir embora.” E voltou para casa.

Por fim, conseguiram persuadi-lo a realizar o sermão da Sexta-feira seguinte, que começou com a mesma pergunta de antes.

“Sabem ou não sabem?”

A congregação estava preparada.

“Alguns sabem, outros não.”

“Excelente”, disse Nasrudin, “então, aqueles que sabem transmitam seus conhecimento para àqueles que não sabem.”

E foi para casa.

Para pensar… : Sobre Jesus

Recebi recentemente um comentário sobre Jesus (o autor é desconhecido), que achei tão interessante e ao mesmo tempo tão engraçado, que não poderia deixar de postá-lo aqui:

“Jesus foi filho de uma camponesa, nasceu em uma vila pouco famosa e nunca escreveu um livro, nunca teve família, nunca possuiu casa própria, nunca cursou uma faculdade, nunca visitou alguma cidade grande, nunca viajou mais de 200Km do local de seu nascimento, nunca fez alguma destas coisas que, geralmente estão associadas à grandeza. Entretanto, 20 séculos se passaram, e Jesus permanece a figura central da raça humana e líder do progresso da humanidade. Todos os exércitos que já marcharam, todos os navios que já navegaram, todos os parlamentos que já se reuniram, todos os Reis que já reinaram, juntos, não influíram na vida dos homens neste planeta quanto esta vida solitária”.

Com exceção do “figura central da raça humana” (que denota uma ignorância alarmante com relação à outras religiões, culturas e povos – já que a “raça humana” não se resume ao Ocidente, muito menos aos de fé cristã… thank god!) e ao “líder do progresso da humanidade” (religião nunca foi sinônimo de progresso, na verdade é bem o contrário, convenhamos…) a mensagem em questão toca num ponto bem desconcertante. Levando em conta a hipótese da existência histórica de Jesus, é realmente um milagre como ele pode ter sido tão influente, e permanecer assim, nem que seja somente para alguns povos, ainda hoje. E apesar de tudo.

Alguém poderia citar outros nomes que ficaram famosos e foram influentes em condições parecidas, como Sócrates. Também nunca deixou nada escrito, sua origem é incerta, porém seu impacto na filosofia é notável mesmo hoje: ele ainda se destaca como um dos filósofos ocidentais mais profundos da história. Evidente que Sócrates não foi líder religioso, messias ou profeta, mas a questão aqui é que sua influência também persistiu aos séculos, apesar de tudo. Porém, nunca nenhuma guerra foi travada em nome de Sócrates (imagine…). A única pessoa que morreu pela filosofia dele, foi ele próprio… (e olha que eu acho a filosofia socrática melhor do que a cristã!) Se bem que… (risos) Nietzsche (sempre ele!!!) disse uma vez: “Na verdade, só houve um único cristão, e ele morreu na cruz.” Quanto a isso eu não tenho nada a declarar…

Mas, a minha intenção em postar essa mensagem sobre Jesus aqui, é por que ela possui um significado que vai além da religião, crença ou fé de cada um. Em outras palavras, ela diz: você não precisa de um currículo impressionante para causar impacto no mundo ou nas pessoas ao seu redor. É a velha história: não adianta dizer que porque nasceu pobre, não tem instrução, “nunca fez nada certo”, é mulher, é negro,  _________ (preencha a lacuna com a “limitação” de sua preferência) etc., que automaticamente você jamais será uma pessoa admirada (no sentido de ser um exemplo para os outros) ou de destaque. As únicas pessoas que jamais irão fazer História são aquelas que se contentam ou que desejam ser apenas normais. “Gente normal” não muda o mundo. Os que deixam a sua marca na História são os que fazem diferente.

É como Jack Canfield diz, essas pessoas que fazem diferente, acabam se tornando “monstros sagrados”, e sua simples presença em um local é capaz de elevar os pensamentos e atitudes das pessoas que ficam ao seu redor. Esses monstros sagrados possuem a capacidade de inspirar e influenciar outras pessoas, simplesmente sendo (e não tendo, aparentando ou fingindo).

Por isso… torne-se primeiro o exemplo (real) daquilo que você gostaria que os outros fossem ou fizessem, e o resto acontecerá naturalmente… ;-)

“A melhor coisa do mundo não é onde nós estamos, e sim para que direção estamos nos movendo.”

Oliver Wendell Holmes

(Arqueólogos descobrem necrópole na Itália)

Do site de notícias Terra:

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Uma necrópole do período helenístico foi descoberta nesta segunda-feira na área arqueológica da antiga colônia grega de Hímera, na ilha italiana da Sicília, informou a imprensa local.

A descoberta compõe-se de túmulos que, segundo as mesmas fontes, foram encontrados durante as obras de ampliação da linha ferroviária que une as localidades de Buonfornello e Cefalù Ogliastrillo, no centro-oeste da ilha.

Os objetos achados, em sua maioria decoração funerária, foram levados ao museu Antiquarium, próximo aos restos arqueológicos, para que possam ser catalogados e estudados, mas, por enquanto, não se sabe onde ficarão definitivamente.

Hímera foi fundada no século VII a.C. por colonos gregos procedentes da atual Messina. Dois séculos mais tarde, a cidade foi palco de uma violenta batalha, na qual os exércitos gregos venceram as tropas cartaginesas.

Universos Paralelos

A descoberta mais estarrecedora da física moderna: a existência “real” de Universos Paralelos, é o tema deste fantástico documentário realizado pela rede BBC. O vídeo está completo no Youtube, com legendas, e vale muito a pena ser assistido.

A realidade é muito mais estranha do que a Ciência poderia supor. O que antes era território místico, supersticioso, agora é objeto de estudo (e de assombro) de cientistas e estudiosos. Tudo começou quando pesquisadores observavam o comportamento de partículas subatômicas, como os elétrons. Descobriram que não havia modo de localizar um elétron: ele “desaparecia” para reaparecer novamente em outro ponto. Aonde ele ia, quando não estava “presente” (pelo menos na nossa realidade), confirmou o que tanto era temido até de suspeitar: a possibilidade dos universos paralelos.

Elvis Presley pode ainda estar vivo em algum universo. Napoleão Bonaparte pode ter ganho a batalha de Waterloo em outro. Você pode sequer ter nascido, num terceiro…

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