A respeito do céu que está sempre ali, apesar da nossa constante e insistente identificação com as nuvens…

um trecho selecionado por mim, de uma fala de Osho:

“E é com você: se você quer permanecer vivendo com os problemas, nunca preste atenção ao ser interior; se você quer permanecer sempre em angústia, então, permaneça na periferia, não olhe para dentro. Mas se você quer repouso, uma eternidade pacífica, a verdade, as portas do céu abertas para você, então, olhe para dentro. É difícil – é difícil, porque é muito sutil. Onde o visível e o invisível se encontram, onde a matéria e o espírito se encontram, é muito sutil. Você pode ver a matéria, você não pode ver o espírito, ele não pode ser visto. Você pode ver onde o visível termina, você não pode ver o invisível, ele não pode ser visto.

Então, o que é para ser feito? Permaneça na fronteira do visível, e não olhe para o visível, olhe na direção oposta. Gradualmente, o invisível pode ser sentido. É uma sensação, não é um entendimento: você não pode vê-lo, você pode somente senti-lo. É como uma brisa: ela vem, você a sente, mas você não pode vê-la. É como o céu: existe, mas você não pode dizer onde, você não pode localizá-lo, você não pode tocá-lo. Ele está sempre presente, você está nele, mas você não pode tocá-lo.

Permaneça na fronteira do visível, olhando na direção oposta. Isso é tudo o que é meditação. Sempre que você puder encontrar um momento de calma, feche seus olhos, deixe para trás o corpo, os assuntos do corpo e do mundo da morte – o mercado, o escritório, a esposa, os filhos. Largue tudo isso. Da primeira vez, você não sentirá nada dentro.

Hume disse: ‘Muitas pessoas falaram sobre ir para dentro e olhar lá. Sempre que olhei, não vi nada – só pensamentos, desejos, sonhos flutuando daqui para ali, um caos’. Você também sentirá o mesmo. E se você concluir que não vale a pena entrar uma outra e mais outra vez para ver esse caos, então, você perderá.

No começo, você verá só isso, porque seus olhos só podem ver isso – eles precisam ser sintonizados. Permaneça ali, olhando para os sonhos flutuantes. Eles flutuam como nuvens no céu, mas entre duas nuvens, às vezes, você verá o azul: entre dois sonhos, dois pensamentos, às vezes, haverá um vislumbre do céu por trás. Simplesmente não tenha pressa. Eis por que dizem que se você tem pressa você perderá.

(…)

Apresse-se lentamente…