Existe um koan zen (um koan é uma pequena história ou frase  que inicialmente aparenta ser paradoxal, mas sua função é alterar a nossa percepção da realidade), um dos meus preferidos, que diz: “A própria mente desencaminha a mente, acautele-se contra a mente.” (Inclusive, citei este mesmo koan em outro post, “Criando a própria vida“, sobre o poder dos nossos pensamentos na criação de nossa realidade). Novamente, este koan tem tudo a ver com o texto abaixo, “A vida não é uma aula de filosofia“, de Osho, traduzido por mim. Neste texto ele fala de como estamos sempre criando confusões por causa de nossa mania de estar sempre querendo ter respostas para tudo. E pior: por acharmos que precisamos ter respostas… um texto para muita reflexão… ou não!

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Resolver os seus problemas significa lhe dar uma resposta que intelectualmente o satisfaça; e para dissolver o seu problema é dar-lhe um método que o faça se tornar consciente de que não há problema algum: (observação minha: there is no spoon… “a colher não existe”… Matrix roubando a cena… 😉 ) os problemas são criações nossas e não há necessidade de resposta alguma.

A consciência iluminada não possui respostas.

A sua beleza é o não ter respostas.

Todos os seus questionamentos foram dissolvidos, desapareceram. As pessoas pensam o contrário: elas pensam que o homem iluminado precisa ter uma resposta para tudo. A realidade é que ele não tem resposta alguma. Ele não tem perguntas. Sem perguntas, como ele pode ter respostas?

Gertrude Stein, uma grande poeta, estava morrendo, rodeada pelos seus amigos, quando de repente ela abriu os olhos e perguntou: “Qual é a resposta?”

Alguém disse: “Mas nós não temos a pergunta, como poderemos ter a resposta?”

Ela abriu os seus olhos, uma última vez e disse: “Ok, então qual é a pergunta?” e então morreu. Uma estranha última declaração.

É belíssimo descobrir as últimas palavras de poetas, pintores, dançarinos e cantores. Eles possuem algo tremendamente significativo dentro deles.

Primeiro ela perguntou: “Qual é a resposta?”… como se a pergunta não pudesse ser diferente para seres humanos diferentes. A pergunta precisa ser a mesma; não há necessidade de articulá-la. E ela estava com pressa, então ao invés de seguir o caminho apropriado – fazer a pergunta e então ouvir a resposta – ela simplesmente perguntou, “Qual é a resposta?”

Mas as pessoas não compreendem que cada ser humano está na mesma posição: a mesma pergunta é a pergunta de todos. Então alguma pessoa estúpida perguntou, “Mas nós não temos a pergunta, como poderemos ter a resposta?”

Parece lógico, mas não é: é simplesmente estúpido -e para uma pessoa morrendo… Mas a pobre mulher abriu seus olhos mais uma vez. Ela disse, “Ok, qual é a pergunta?” E então fez-se silêncio.

Ninguém conhece a pergunta, ninguém conhece a resposta. Na verdade não há nenhuma pergunta e não há nenhuma resposta; há somente um modo de viver em confusão, na mente. E lá há milhões de perguntas e milhões de respostas, e cada resposta acarreta em centenas de perguntas a mais, e não há fim para isso.

Mas há um outro modo de vida: viver em consciência – e aí não há resposta e não há pergunta.

Se eu estivesse presente quando Gertrude Stein estava morrendo diria a ela, “Este não é o momento para se incomodar com perguntas e respostas. Lembre-se de que não há pergunta e que não há resposta: a existência é totalmente silenciosa à respeito de perguntas e respostas. Ela não é uma aula de filosofia. Morra sem nenhuma pergunta e sem nenhuma resposta; simplesmente morra silenciosa, consciente e pacificamente.”

Do livro: The Path of the Mystic.