O artigo que inspirou este comentário – e que está colado mais abaixo – é bem fraquinho, mas dá uma ideia geral do processo necessário para se “viver de luz”. Lembrando que esse tipo de processo não deve ser realizado por conta própria, e sim com supervisão médica especializada, tendo em vista os possíveis riscos de morte ou adoecimento.

Particularmente, o assunto sempre me fascinou, apesar de nunca ter experimentado o processo e nem ter interesse para tal. A meu ver, o “viver de luz” é mais uma evidência concreta da relação Mente x Corpo, do poder da “mente” sobre a matéria. Nós somos condicionados a nos alimentar, a seguir determinadas dietas, a ingerir determinados alimentos, a comer em determinadas horas, e quando encontramos pessoas que conseguem viver – com saúde – dias, meses ou até anos sem ingerir nada sólido, é no mínimo espantoso.

É claro que tal processo envolve uma verdadeira revolução nos condicionamentos e crenças pessoais dos interessados, e o jejum é um companheiro antigo e conhecido de muitas práticas e sistemas espirituais. Entretanto, não consigo deixar de pensar que o jejum como estilo de vida regular, ou o “viver sem comer” é um extremo. De fato, o jejum direcionado já se mostrou muito útil e necessário em desintoxicações e práticas de auto-controle do corpo e da mente, e é claro, não tenho nada contra a prática, bem pelo contrário! Só não consigo pensar que viver sem comer é mais espiritual do que viver para comer. O foco de ambos, a grande preocupação, é a comida.

É verdade que muitos mestres fizeram uso da prática do jejum: Jesus jejuou por 40 dias no deserto, Buda ficou alguns anos sem comer ou comendo pouquíssimo. Inclusive, isso é muito citado quando o assunto é “viver de luz”. Mas é preciso lembrar que nenhum dos considerados “grandes mestres” viveu sem comer. Faziam ou fizeram jejuns por tempos variáveis, mas nenhum deles adotou a prática como estilo regular de vida. Inclusive, tomando o exemplo de Buda, para ilustrar o raciocínio, a Iluminação só ocorreu quando ele parou de jejuar! A partir daí, Buda pregou a Moderação. Mas, é claro, isso não desmerece nem invalida os que adotam a alimentação prânica como um estilo de vida genuíno. Só é preciso esclarecer que “viver de luz” não é necessariamente sinônimo de maior evolução espiritual ou de possuir um espírito mais desenvolvido, como também se ouve falar. Cuidado com os extremos, cuidado com o desejo pelos frutos da ação.

O que mais gosto na ideia da “alimentação prânica”, é o fato de que ela demonstra ser possível viver comendo menos, muito menos do que somos educados a acreditar que é saudável, e com superior qualidade de vida. Nós temos uma cultura muito focada no comer, no comer mais como sendo “melhor”. Além disso, comemos para amenizar nossas ansiedades, para preencher nossas necessidades por amor e atenção, para sentirmos alguma satisfação na vida, entre outras razões que não dizem respeito a abastecer somente o corpo… Enfim. Se o jejum ou a alimentação prânica conseguir servir como tomada de consciência de que o corpo “fala” e de que tudo que utilizamos como alimento tem um impacto muito mais profundo do que o meramente fisiológico observável – impacto psicoemocional, impacto espiritual – já faz valer a prática. Mas sempre tendo em mente que a verdade não passa pelos extremos… e a essência de tudo é a atitude psicológica por trás de qualquer ação…

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Veja o relato de quem ficou durante 21 dias sem comer nenhum alimento sólido. Na primeira semana, nem água foi ingerida

De acordo com a alimentação prânica é possível se alimentar da energia do sol

Seria possível não se alimentar de coisas sólidas? Pelo menos por três semanas, eles dizem que sim. Rômulo e Claudia seguiram, durante esse período, os ensinamentos da alimentação prânica, também conhecida como “viver de luz”, que se baseia na convicção de ser possível captar a energia do sol e se alimentar assim. Mesmo enfrentando descrença de amigos e parentes, os dois afirmam que seguiram à risca todas as orientações e que as restrições fazem parte de uma experiência espiritual intensa.

“Não dá para pedir para alguém que não seja espiritualista entender por que resolvemos fazer este tipo de experiência”, diz Claudia de Siqueira Osório, 35. O empresário Rômulo Galina, 32, completa: “Não se trata apenas de não se alimentar de comida sólida. Tem a ver com um processo para reestruturar corpo e espírito para conseguir viver de luz.

Boca seca

Durante os sete primeiros dias os participantes do encontro não podem ingerir nada, nem mesmo água. De acordo com Rômulo, este foi o período mais difícil, que exigiu muita determinação. Ele conta que pensou em desistir, mas resolveu ir até o fim. “Eu me propus a participar de todo o processo. O fato de estarmos em um grupo de pessoas também nos fortalece a não desistir”, afirma.

Claudia compartilhou as dificuldades de Rômulo. “A nossa boca ficava tão seca que precisávamos fazer bochechos regularmente. A mente está muito condicionada a comer e isso influencia bastante para aumentar a dificuldade”, conta. Ela, assim como o empresário, emagreceu dez quilos e confessa que anda se sentindo desconfortável com seu corpo. “Eu estou muito magra e não gosto. Voltei a me alimentar, mas de forma mais saudável. Quando recuperar meu peso ideal, vou decidir se voltarei a praticar a alimentação prânica ou não.”

No oitavo dia, sucos são inseridos na dieta. Depois deste dia, tanto Rômulo quanto Claudia afirmam que todo o processo deixou de ser sofrido para se tornar bastante agradável. “A gente utiliza a energia que usaria comendo para fazer outras coisas. Eu dormia três horas por noite e estava com uma disposição invejável no dia seguinte”, afirma Claudia.

Motivação

O empresário afirma que a motivação vem do interior de cada pessoa. Ele conta que passa por um período de reorganização em sua vida. “Eu completei os 21 dias sem comer porque realmente queria fazer um trabalho interno e consegui. A questão da alimentação nem era tão importante assim para mim. Eu desejava mesmo era fazer um trabalho de alinhamento do mental, físico, emocional e espiritual.”

Os participantes da experiência contam que não tiveram contato com ninguém do grupo durante as três semanas, a não ser durante as reuniões diárias que faziam no final da tarde. Isso proporcionava, segundo os participantes do evento, um mergulho interior profundo. “Não comer é só um aspecto do que você está passando. Você não fala com ninguém. Passa três semanas só com você. É ótimo”, explica Claudia.

Eles não aprovam

Apesar do entusiasmo dos praticantes da alimentação prânica, os profissionais de saúde não enxergam a prática com bons olhos. É o que afirma a nutricionista do Instituto do Coração (INCOR) Cibele Regina Laureano Gonsalves: “Não dá para afirmar que isso faça bem ao organismo. Até é possível ingerir apenas líquidos, mas teríamos que incluir mingau e sopas diversas para que a dieta ficasse mais rica em nutrientes. É alimento também, só que a consistência é líquida.”

A médica endocrinologista Rosemeire Fiorotto é categórica e afirma que seguir a alimentação prânica por um período prolongado não é possível do ponto de vista fisiológico. “Precisamos de alimento para funcionar. Algumas conseqüências que podemos citar são desnutrição, desidratação e a falência dos órgãos.” Rômulo não desafia a medicina. “Eu não sei se é possível ficar assim indefinidamente, mas eu consegui ficar durante 21 dias seguindo esse estilo de vida.

Fonte: Danielle Nordi/ iG