Caiu nas minhas mãos o livro mais recente da autora, jornalista e palestrante norte-americana Suzy Welch (ela é casada com Jack Welch, executivo e autor de renome internacional), entitulado “10 – 10 – 10, Hoje, Amanhã e Depois”.  A autora é bem conhecida nos EUA, e “10-10-10” é um best-seller por lá, estando listado no New York Times. Suzy inclusive escreve uma coluna de sucesso na revista The Oprah Magazine (da apresentadora Oprah Winfrey).

10 10 10: Hoje, Amanhã e Depois

Bem, o título me interessou por que trata basicamente de um método para se tomar decisões mais acertadas. A idéia que Suzy vende no livro (ela literalmente vende… 80% dos capítulos são só exemplos de casos bem-sucedidos de pessoas que utilizaram o método proposto por ela – “olha como dá certo!” ) nada mais é do que, ao se deparar com algum dilema, projetar o resultado/reação de uma determinada ação no curto, médio e longo prazo. É isso o que significa o tal 10 – 10 – 10: 10 minutos, 10 meses, 10 anos.  Na verdade, se você ler a orelha e a contra-capa do livro, acabará boa parte da graça de ler o dito cujo, já que o método já é explicado (mesmo que brevemente) ali…

Enfim. Segundo a autora, nem sempre podemos confiar em nossa intuição (ela prioriza bastante a razão). E aqui, antes de continuar, eu sou obrigada a discordar. Você só não pode confiar na sua intuição, quando ainda não está habituado a ouvi-la ou não a tem “treinada”. Mas, é natural que Suzy desmereça a intuição como guia ou auxiliar na tomada de decisões, ela fundamenta bastante suas idéias nas teorias da psicologia evolucionista, que é um tanto materialista. Também tenho a impressão que a autora confunde um pouco intuição com emoção (no sentido de agir na impulsividade). Entretanto, dentro do contexto do livro, isso não é defeito, é apenas detalhe. Continuando a partir da idéia de que a intuição nem sempre é de confiança, ela teve um insight daquele que seria o método (quase) revolucionário para se tomar decisões melhores ou mais acertadas. O tal insight surgiu depois que Suzy passou por alguns maus bocados não só em sua vida afetiva, mas profissional, devido às decisões tomadas com base na emoção (frequentemente negativa – como raiva, tristeza, frustração) e não na razão (avaliando valores, resultados, impacto futuro, planos).

Particularmente, a idéia do 10 – 10 – 10 que Suzy propõe é boa, mas não é exatamente original. O ponto alto do livro, na minha opinião, é o fato da autora explicar, com exemplos de problemas reais, de pessoas reais, como se toma uma decisão fundamentada nos seus próprios valores pessoais, projetando para o futuro o resultado das suas ações no presente. Se todos colhemos apenas o que plantamos, é bom tentar prever quais serão os frutos que se originarão das sementes que plantamos hoje –e, o mais importante: se esses frutos nos agradam ou são aqueles que realmente desejamos para nós. Isso é importante porque nos faz ter maior controle de nossas vidas. Porém (sim, existe um porém – e bem grande, segundo penso) não é tão simples assim projetar reações ou resultados. Muitas vezes você pensa que ao tomar determinada decisão, tal e tal coisa irá (certamente, assim você acredita) acontecer, será essa a tal reação da sua família ou do seu chefe ou dos seus colegas. Mas você se surpreende… não era como havia imaginado. Ou, os seus valores mudam no médio prazo (“10 meses” por exemplo), mas no momento da decisão (agora) esses eram seus valores. Ou, algo totalmente inesperado acontece (coisas da vida!) e muda tudo. O que estou querendo dizer com todas essas possibilidades é que não existe método infalível e que nem sempre a sua razão vai ser sua melhor amiga, especialmente quando você estiver frente a um grande dilema/escolha/decisão. Na verdade, a sua razão vai quase que sempre optar pela zona de conforto, pelo conhecido, pelo menos arriscado. Ou não? O que te faz tomar uma decisão corajosa normalmente é outro tipo de impulso… mais profundo, mais poderoso – um impulso oriundo de um lugar em que as mentiras que você conta para si mesmo não conseguem atingir. Sabe? Pois. O método de Suzy pode ser muito interessante se a pessoa souber dosar razão com intuição e tiver valores pessoais de vida (as coisas que você quer – um bom casamento, uma família unida, um trabalho gratificante etc) que sejam verdadeiramente seus e que estejam bem estabelecidos na sua mente (mesmo que mudem com o tempo). De outro modo, o método só te ajuda a tomar decisões conservadoras, previsíveis.

Recomendo a leitura do livro a todos que sentem que suas vidas estão fora do seu controle, ou que tendem a tomar decisões sempre baseados na emoção (impulsividade – agir no momento), sem equilibrar com a razão. Todavia, continuo a bater insistentemente na tecla de que decisões realmente conscientes envolverão mais do que apenas racionalidade, envolverão principalmente muito autoconhecimento… Mas, no final das contas, é só dele que você precisa mesmo! 😉

O site oficial do livro no Brasil: http://www.dezdezdez.com.br/